Oposição entre China e EUA, IA, fake
news, violência contra a mulher, nanotecnologia, videogame e a expressão “GAG”
deram o tom da prova, que dialogou com o universo dos jovens e fez referência a
si mesma
A prova da primeira fase da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aconteceu neste domingo, 18/10. O exame deu grande ênfase a temas de atualidades e trouxe questões autorreferenciais, em que a universidade fez referência a si mesma.
A prova mostrou imagens que caíram em questões do vestibular de
1987 em uma pergunta de Matemática, citou o aniversário de 60 anos da
universidade em uma questão de Português e falou do próprio logo da Unicamp em
uma pergunta de Geografia, sobre como ele simboliza e representa a
universidade. Em relação aos fatos atuais, temas geopolíticos envolvendo China
e Estados Unidos, uma entrevista do Wagner Moura sobre arte e política,
questões sobre deportação de imigrantes nos EUA, o Prêmio Nobel de Química de
2025 e a expressão “GAG”, entre outras notícias virais de nível nacional e mundial,
deram o tom da prova.
Isabela Araujo Ramos, especialista em soluções educacionais do SAS Educação, detalha alguns desses pontos. “A questão de Inglês sobre a expressão “GAG” trouxe um texto para falar sobre a origem da expressão, sua disseminação, dando continuidade ao projeto da Unicamp de sempre se relacionar com temas atuais e com o universo dos jovens estudantes. E tratou isso dentro de uma dimensão linguística. Estamos falando de inglês, língua, idiomas e como isso se propaga. É interessante e bem a cara da Unicamp.”
Em relação à autorreferência, ela destaca uma questão de
Português, em que aparece uma música do Chico Buarque para análise.
A música é “Sonhos de um Carnaval" e, ao introduzir a canção, mencionam que
foi lançada no mesmo ano de fundação da Unicamp”, exemplifica.
Destaques de cada área
Outros temas atuais também estiveram presentes no exame. Em Ciências da Natureza, a questão das bebidas que causaram intoxicação no final de 2025 foi usada para falar de hemodiálise, e também foram abordados os eventos envolvendo a intoxicação em uma piscina que aconteceu no começo do ano. Outra questão abordou desinformação e trouxe uma manchete sobre fake news a respeito das vacinas da Covid-19. Um assunto recorrente foi tecnologia. Em Química, um texto explorou nanotecnologia e nanocubos. Muitas questões também abordaram temas do cotidiano e curiosidades. Por exemplo, como aparelhos que não estão em uso ainda gastam energia e o funcionamento de uma tornozeleira eletrônica.
“Em Linguagens, uma questão de Português trouxe o contexto de uma fantasia do carnaval de 2026 que viralizou nas redes sociais e discutiu a relação entre o termo “fantasia” e o contexto de denúncia e conscientização acerca da violência contra a mulher”, ressalta Isabela.
“Em Literatura, chamou atenção uma questão sobre Conceição Evaristo, porque a pergunta era baseada não apenas na obra “Olhos d'água”, mas também em uma fala da autora em um evento realizado pela própria Unicamp em agosto deste ano”, diz a especialista.
Outro aceno para a questão da juventude e atualidades foi o tema
videogames, com uma questão de Ciências Humanas sobre a história e
evolução dos consoles, partindo daí para tratar da relação dos consoles e a
televisão e como isso impactou o público. Ainda em Ciências Humanas, muitas
questões trataram do Censo de 2022. Uma delas abordou as mudanças na demografia
étnico-racial brasileira, com o crescimento no número de pessoas que se
autodeclaram pardas. Outras questões trataram do desenvolvimento e crescimento
de cidades de médio porte nos últimos anos e o centenário de Milton Santos,
trazendo um texto dele sobre globalização. “É um tema atual e colocaram em perspectiva
o aniversário de um teórico importante e referência na área”, afirma Isabela.
Nível de dificuldade e interdisciplinaridade
Segundo Luiz Guilherme Novais, especialista em soluções educacionais do COC e mestre em ensino de Ciências, algumas questões chamaram a atenção pelo nível de dificuldade ou facilidade, como uma de Matemática muito simples que envolvia apenas sistemas de equação sobre arrecadação de fundos com venda de pizza. “Em contrapartida, outras estavam muito difíceis, como uma de matriz que pedia para calcular o determinante da matriz e transformar o determinante em um gráfico.”
Algumas questões destacaram a interdisciplinaridade, pois pediam não apenas a interpretação de texto, mas também a análise de gráficos. “Era preciso até um certo conhecimento de Matemática para resolver – por exemplo, a pergunta de inglês sobre deportação de imigrantes nos Estados Unidos”, avalia.
Outro exemplo que ele dá foram as questões sobre negritude e a pauta antirracista. “Isso apareceu tanto em Geografia quanto em Literatura atual, com discussão de autores canônicos, como Lima Barreto e Machado de Assis”, finaliza Novais.
COC
coc.com.br
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