Cuidados com equilíbrio, força muscular e uso correto de bengalas e andadores ajudam a reduzir riscos
No próximo dia 20 de outubro é o Dia Mundial e
Nacional da Osteoporose. A data foi criada em 1996 pela Sociedade Nacional de
Osteoporose do Reino Unido (atual Royal Osteoporosis Society) e serve
para conscientizar sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento dessa doença
que, só no Brasil, segundo documento da Conitec/Ministério da Saúde, publicado
em maio de 2026, atinge em torno de 10 milhões de pessoas.
A osteoporose ocorre quando há perda de resistência
dos ossos, que ficam mais frágeis e sujeitos a fraturas, mesmo diante de
impactos considerados pequenos. O envelhecimento, alterações hormonais,
histórico familiar, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, baixa
ingestão de cálcio e vitamina D, pouca exposição solar e uso prolongado de
alguns medicamentos, como corticoides, estão entre os fatores associados ao
problema.
É importante ressaltar que a Osteoporose não é
apenas uma doença relacionada ao enfraquecimento dos ossos. Para quem convive
com o problema, evitar uma queda pode ser uma das principais medidas para
prevenir uma fratura e, assim, preservar a capacidade funcional.
Quedas são um importante fator de risco
Uma das preocupações para quem tem osteoporose é
que uma queda pode ocasionar uma fratura óssea como, por exemplo, de punho, braço,
coluna ou quadril. O Ministério da Saúde estima que aproximadamente 28% das
pessoas idosas sofram pelo menos uma queda por ano no Brasil, o equivalente a
cerca de 9 milhões de quedas anuais.
Os dados de hospitalização também mostram a
dimensão do problema. Levantamento apresentado em 2025 com informações do
Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) mostra que, somente em
2024 foram quase 88 mil atendimentos hospitalares. Entre 2019 e 2024, foram em
torno de 910 mil internações de pessoas idosas decorrentes de quedas. Não há,
entretanto, uma estatística nacional que permita afirmar quantas dessas quedas
foram provocadas especificamente pela osteoporose.
Tratamento envolve mais do que medicamentos
O tratamento da osteoporose deve ser individualizado
e pode incluir medicamentos, alimentação adequada, avaliação e correção de
possíveis deficiências de cálcio e vitamina D, além de exercícios físicos
orientados.
A fisioterapia também tem papel importante,
especialmente na manutenção da força muscular, da mobilidade, da marcha e do
equilíbrio, contribuindo para a prevenção de quedas e fraturas.
“O objetivo não é simplesmente fazer
com que a pessoa se movimente mais, mas trabalhar de acordo com suas condições,
fortalecendo a musculatura, treinando equilíbrio e marcha e ajudando a manter a
independência”, explica Christiano Barbosa, fisioterapeuta e presidente da
Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (APAZ-RJ).
Bengala e andador precisam ser escolhidos de forma
individual
Outro ponto importante é o uso dos chamados
dispositivos auxiliares de marcha. Bengalas e andadores, por exemplo, podem
ajudar pessoas com alterações de equilíbrio ou dificuldade para caminhar, mas
não devem ser escolhidos apenas pelo preço, aparência ou facilidade de compra
em uma farmácia ou loja.
A altura do equipamento, o modelo, o lado em que a
bengala será utilizada e a maneira como a pessoa irá caminhar com o dispositivo
precisam ser avaliados. Para Christiano Barbosa, a escolha inadequada pode
acabar criando uma falsa sensação de segurança. “Bengala e andador não são
produtos que devem ser escolhidos simplesmente porque parecem adequados ou
porque alguém da família usa um modelo parecido. É preciso avaliar a marcha, o
equilíbrio, a força e as limitações de cada pessoa”.
O presidente da APAZ-RJ, alerta: “Um dispositivo
mal ajustado pode dificultar a caminhada em vez de ajudar e até aumentar o
risco de uma nova queda. A orientação de um profissional de saúde é importante
para definir o equipamento, ajustar sua altura e ensinar a forma correta de
utilizá-lo.”
Além do dispositivo adequado, a rotina deve incluir
medidas simples: manter os ambientes bem iluminados, retirar objetos e tapetes
que possam provocar tropeços, instalar barras de apoio quando necessário, utilizar
calçados firmes e revisar periodicamente medicamentos que possam causar tontura
ou sonolência.
“A prevenção precisa fazer parte do cotidiano,
principalmente entre pessoas com maior risco de fratura. Identificar precocemente
a osteoporose, acompanhar o tratamento e cuidar da mobilidade são medidas que
podem ajudar a preservar a independência e reduzir o impacto das quedas na vida
de quem envelhece.”, finaliza Christiano Barbosa.

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