Especialista alerta para os limites do relógio biológico e destaca como tratamentos como a FIV apoiam o planejamento reprodutivo seguro
No Brasil, assim
como em grande parte do mundo, a taxa de natalidade tem caído e já se encontra
abaixo do nível de reposição populacional2, refletindo a decisão
cada vez mais comum de postergar a maternidade. Diante dessa realidade, o
planejamento reprodutivo ganhou força inédita: segundo dados do Sistema
Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio/Anvisa), o congelamento de embriões
no país cresceu 66% entre 2020 e 2025, passando de 86.833 para 144.548 embriões
congelados1.
O adiamento da
gravidez, no entanto, esbarra em uma fronteira biológica. A partir dos 35 anos,
grande parte das mulheres passam por uma redução natural e progressiva da
reserva ovariana, o que afeta não apenas a quantidade, mas principalmente a
qualidade dos óvulos.³ “Esse declínio pode dificultar a concepção espontânea e
aumentar os riscos associados à gestação”, alerta Grazielle Arronqui, gerente
médica em Medicina Reprodutiva da Ferring Brasil.
Para apoiar o
desejo da maternidade diante desse cenário, a medicina reprodutiva tem avançado
significativamente. "Quando falamos de maternidade tardia, o fator tempo é
o nosso principal marcador. Por isso, conhecer a própria fertilidade de forma
preventiva é fundamental para que essa paciente tenha poder de escolha no
futuro. A ciência atua exatamente como uma ponte entre o desejo de ser mãe e o
momento em que a mulher se sente verdadeiramente pronta para isso",
explica Grazielle.
Congelamento de óvulos
Para as mulheres que desejam ter filhos, mas reconhecem que o momento ideal
será mais à frente, a criopreservação (congelamento de óvulos) é um caminho, o
que explica a alta procura registrada pela Anvisa nos últimos anos. O procedimento
permite captar e armazenar os óvulos com a qualidade celular correspondente à
idade em que foram congelados. “Assim, uma mulher que congela seus óvulos aos
32 anos e decide engravidar aos 40 utilizará gametas com o potencial
reprodutivo de uma paciente de 32 anos”, pontua Grazielle.
Fertilização in vitro (FIV) e os tratamentos personalizados
Quando a maternidade tardia já é o momento presente e há dificuldades para
engravidar (ou quando os óvulos previamente congelados serão utilizados), a
fertilização in vitro (FIV) surge como uma opção mais segura. Na FIV, a
fecundação do óvulo pelo espermatozoide ocorre em laboratório, e o embrião
formado é posteriormente transferido para o útero.
"Hoje, os
tratamentos de fertilidade são altamente individualizados. Na FIV para
gestações mais tardias, os protocolos de estimulação ovariana são desenhados
sob medida para o perfil biológico de cada paciente, buscando a melhor resposta
do corpo", detalha. "A medicina reprodutiva moderna consegue avaliar
o embrião antes da transferência, o que pode aumentar as taxas de sucesso e
diminuir as chances de abortamento, trazendo muito mais segurança para uma
gestação em idades mais avançadas", complementa.
Dessa forma, a
principal recomendação médica para quem nutre o sonho da maternidade é a
conscientização precoce. Realizar exames de rotina que avaliem a reserva
ovariana e conversar abertamente com um ginecologista ou especialista em
reprodução humana permite que a jornada da fertilidade seja vivida com menos
ansiedade e mais respaldo científico.
Ferring
Link
REFERÊNCIAS
CONSULTADAS
- Site
Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Sistema Nacional de
Produção de Embriões (SisEmbrio). Disponível em: Link.
Acesso em: outubro, 2026.
- Site
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Projeções da
População: Brasil e Unidades da Federação. Disponível em: Link.
Acesso em: outubro, 2026.
- Diminuição
da reserva ovariana. Por Robert W. Rebar, MD, Western Michigan University
Homer Stryker M.D. School of Medicine. Revisão clínica por Oluwatosin
Goje, MD, MSCR, Cleveland Clinic. Análise completa: fev. 2024.






