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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Diabetes e saúde bucal: por que médicos e dentistas precisam atuar em conjunto?


 Uma consulta médica também pode ser um convite a olhar para outros aspectos da saúde,  inclusive a saúde bucal. No Dia do Médico, celebrado em 18 de outubro, essa conexão ganha destaque ao lembrar que o cuidado com doenças crônicas muitas vezes vai além de uma única especialidade. Um exemplo é a relação entre diabetes e periodontite, doença inflamatória que afeta as gengivas e os tecidos de sustentação dos dentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece essa associação, que reforça a importância de integrar o acompanhamento médico e odontológico.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Odontológica e Craniofacial dos Estados Unidos (NIDCR), pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver doenças periodontais, especialmente quando os níveis de glicose no sangue não estão bem controlados. A relação também ocorre no sentido inverso: a inflamação periodontal pode dificultar o controle glicêmico.

Essa associação não significa que todas as pessoas com diabetes desenvolverão problemas nas gengivas, mas evidencia por que a saúde bucal deve fazer parte das conversas sobre acompanhamento de doenças crônicas. Nesse contexto, médicos e dentistas têm papéis complementares na orientação e no cuidado de cada paciente.


Sinais na gengiva não devem ser ignorados

Sangramento durante a escovação ou o uso do fio dental, gengivas avermelhadas ou inchadas, mau hálito persistente e retração gengival são sinais que merecem avaliação odontológica. Em estágios mais avançados, a periodontite pode comprometer os tecidos de sustentação dos dentes, provocar mobilidade dentária e até levar à perda dental.

Além dos cuidados diários de higiene, pessoas com diabetes devem manter consultas odontológicas regulares e informar ao dentista sobre o diagnóstico, os medicamentos utilizados e as condições de controle da doença. Essa troca de informações ajuda o profissional a planejar o atendimento de acordo com as necessidades individuais, inclusive quando há procedimentos odontológicos envolvidos.

O acompanhamento médico também é essencial para avaliar o controle glicêmico e ajustar o tratamento sempre que necessário. Quando médicos e dentistas compartilham informações relevantes sobre o paciente, as condutas podem ser mais bem coordenadas, favorecendo a identificação de riscos e a continuidade do cuidado.

A prevenção começa com medidas simples, mas que precisam fazer parte da rotina. Escovar os dentes com creme dental fluoretado, utilizar fio dental diariamente, evitar o tabagismo e realizar avaliações odontológicas periódicas são atitudes importantes para preservar a saúde das gengivas e dos dentes.

A recomendação também envolve procurar atendimento diante de sinais persistentes de inflamação, em vez de esperar que o desconforto se intensifique. O tratamento da doença periodontal deve ser definido pelo dentista conforme a gravidade do quadro e as condições clínicas de cada pessoa.

A integração entre as especialidades é especialmente importante porque o cuidado com doenças crônicas exige uma visão que considere o organismo como um todo. Nesse contexto, a saúde bucal não deve ser tratada como uma questão isolada, mas como parte da prevenção de complicações e da manutenção da qualidade de vida.

Para a Sorridents, rede de clínicas odontológicas, ampliar a conscientização sobre a relação entre saúde bucal e condições sistêmicas é uma oportunidade de incentivar hábitos preventivos e aproximar o acompanhamento odontológico da rotina de quem convive com doenças crônicas.

“O cuidado com a saúde precisa ser integrado. No caso de pessoas com diabetes, acompanhar a saúde das gengivas e manter as consultas odontológicas em dia são medidas importantes para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida. A atuação conjunta entre médicos e dentistas permite olhar para o paciente de forma mais completa, considerando suas necessidades e seu histórico clínico”, afirma Dra. Carla Sarni, fundadora e CEO do Grupo Salus, holding da qual a Sorridents faz parte.

A proposta é reforçar que cuidar da saúde bucal não se resume a tratar dores ou resolver problemas já instalados. A prevenção, o diagnóstico precoce e a comunicação entre os profissionais de saúde contribuem para um acompanhamento mais completo, no qual boca e organismo são considerados partes de um mesmo cuidado.


Como cuidar da saúde bucal em caso de diabetes

  • Escove os dentes com creme dental fluoretado.
  • Use fio dental diariamente.
  • Mantenha consultas odontológicas regulares e siga a periodicidade indicada pelo profissional.
  • Informe ao dentista sobre o diagnóstico de diabetes, os medicamentos utilizados e o controle glicêmico.
  • Procure avaliação se perceber sangramento, inchaço ou vermelhidão nas gengivas, mau hálito persistente ou mobilidade dentária.
  • Mantenha o acompanhamento médico e odontológico, com comunicação entre os profissionais sempre que necessário.


Osteoporose atinge 10 milhões de brasileiros e exige atenção para prevenção de quedas e fratur

Cuidados com equilíbrio, força muscular e uso correto de bengalas e andadores ajudam a reduzir riscos

 

No próximo dia 20 de outubro é o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose. A data foi criada em 1996 pela Sociedade Nacional de Osteoporose do Reino Unido (atual Royal Osteoporosis Society) e serve para conscientizar sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento dessa doença que, só no Brasil, segundo documento da Conitec/Ministério da Saúde, publicado em maio de 2026, atinge em torno de 10 milhões de pessoas.

A osteoporose ocorre quando há perda de resistência dos ossos, que ficam mais frágeis e sujeitos a fraturas, mesmo diante de impactos considerados pequenos. O envelhecimento, alterações hormonais, histórico familiar, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, baixa ingestão de cálcio e vitamina D, pouca exposição solar e uso prolongado de alguns medicamentos, como corticoides, estão entre os fatores associados ao problema.

É importante ressaltar que a Osteoporose não é apenas uma doença relacionada ao enfraquecimento dos ossos. Para quem convive com o problema, evitar uma queda pode ser uma das principais medidas para prevenir uma fratura e, assim, preservar a capacidade funcional.


Quedas são um importante fator de risco

Uma das preocupações para quem tem osteoporose é que uma queda pode ocasionar uma fratura óssea como, por exemplo, de punho, braço, coluna ou quadril. O Ministério da Saúde estima que aproximadamente 28% das pessoas idosas sofram pelo menos uma queda por ano no Brasil, o equivalente a cerca de 9 milhões de quedas anuais.

Os dados de hospitalização também mostram a dimensão do problema. Levantamento apresentado em 2025 com informações do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) mostra que, somente em 2024 foram quase 88 mil atendimentos hospitalares. Entre 2019 e 2024, foram em torno de 910 mil internações de pessoas idosas decorrentes de quedas. Não há, entretanto, uma estatística nacional que permita afirmar quantas dessas quedas foram provocadas especificamente pela osteoporose.


Tratamento envolve mais do que medicamentos

O tratamento da osteoporose deve ser individualizado e pode incluir medicamentos, alimentação adequada, avaliação e correção de possíveis deficiências de cálcio e vitamina D, além de exercícios físicos orientados.

A fisioterapia também tem papel importante, especialmente na manutenção da força muscular, da mobilidade, da marcha e do equilíbrio, contribuindo para a prevenção de quedas e fraturas.

“O objetivo não é simplesmente fazer com que a pessoa se movimente mais, mas trabalhar de acordo com suas condições, fortalecendo a musculatura, treinando equilíbrio e marcha e ajudando a manter a independência”, explica Christiano Barbosa, fisioterapeuta e presidente da Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (APAZ-RJ).


Bengala e andador precisam ser escolhidos de forma individual

Outro ponto importante é o uso dos chamados dispositivos auxiliares de marcha. Bengalas e andadores, por exemplo, podem ajudar pessoas com alterações de equilíbrio ou dificuldade para caminhar, mas não devem ser escolhidos apenas pelo preço, aparência ou facilidade de compra em uma farmácia ou loja.

A altura do equipamento, o modelo, o lado em que a bengala será utilizada e a maneira como a pessoa irá caminhar com o dispositivo precisam ser avaliados. Para Christiano Barbosa, a escolha inadequada pode acabar criando uma falsa sensação de segurança. “Bengala e andador não são produtos que devem ser escolhidos simplesmente porque parecem adequados ou porque alguém da família usa um modelo parecido. É preciso avaliar a marcha, o equilíbrio, a força e as limitações de cada pessoa”.

O presidente da APAZ-RJ, alerta: “Um dispositivo mal ajustado pode dificultar a caminhada em vez de ajudar e até aumentar o risco de uma nova queda. A orientação de um profissional de saúde é importante para definir o equipamento, ajustar sua altura e ensinar a forma correta de utilizá-lo.”

Além do dispositivo adequado, a rotina deve incluir medidas simples: manter os ambientes bem iluminados, retirar objetos e tapetes que possam provocar tropeços, instalar barras de apoio quando necessário, utilizar calçados firmes e revisar periodicamente medicamentos que possam causar tontura ou sonolência.

“A prevenção precisa fazer parte do cotidiano, principalmente entre pessoas com maior risco de fratura. Identificar precocemente a osteoporose, acompanhar o tratamento e cuidar da mobilidade são medidas que podem ajudar a preservar a independência e reduzir o impacto das quedas na vida de quem envelhece.”, finaliza Christiano Barbosa.

 

APAZ - Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares e Idosos Dependentes


Cuidado ao diabetes na Atenção Primária: profissionais do SUS terão acesso a curso gratuito com certificação

Formação do Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Diabetes é voltada a profissionais do SUS, com foco inicial no Mais Médicos, e reúne aulas sobre diagnóstico, tratamento e acompanhamento das pessoas com diabetes

 

Profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de todo o país já podem se inscrever para capacitação gratuita sobre o cuidado às pessoas com diabetes, com aulas on-line e certificação. Com foco inicial nos profissionais do Programa Mais Médicos, a formação também é destinada às demais categorias que atuam na APS. O curso foi apresentado na terça-feira (13/10), em São Paulo, durante atividade com transmissão ao vivo, com orientações de acesso à plataforma e uma aula especial sobre insulinoterapia. 

O Curso de Capacitação da Atenção Primária à Saúde na Atenção às Pessoas com Diabetes é resultado de um Acordo de Cooperação entre o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). A parceria tem como meta capacitar aproximadamente 25 mil profissionais do SUS em até 12 meses, sendo cerca de 15 mil médicos e 10 mil integrantes de equipes multiprofissionais da Estratégia Saúde da Família. 

A formação reúne conteúdos técnico-científicos baseados em evidências, boas práticas assistenciais e nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde aplicáveis ao diabetes, com foco na prevenção, no diagnóstico, no tratamento e no acompanhamento das pessoas atendidas na Atenção Primária. 

Durante participação on-line no evento, o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Jérzey Timóteo, ressaltou a importância de aproximar o conhecimento científico da prática cotidiana dos profissionais que atuam no SUS, especialmente diante da atualização dos protocolos e da incorporação de tecnologias para o tratamento do diabetes. “É necessário que essas condutas e protocolos alcancem a ponta do trabalho realizado pelas equipes de Saúde da Família”, destacou Jérzey. 

O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), João Eduardo Nunes Salles, reforçou a importância de atualizar os conhecimentos dos profissionais diante dos avanços no tratamento da doença. “O tratamento do diabetes no SUS melhorou muito com a chegada de novos medicamentos e novas insulinas. Mas como fazer para que esse conhecimento chegue a todos os médicos e profissionais de saúde que cuidam das pessoas com diabetes? Foi por isso que o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Diabetes criaram essa capacitação, para que todos estejam na mesma página em relação ao tratamento do diabetes”, afirmou. 

O evento foi realizado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, quando o provedor da Irmandade, Dr. José Mansur, ressaltou a importância de iniciativas voltadas à formação e à qualificação dos trabalhadores da saúde e colocou a instituição à disposição para colaborar com projetos do Ministério da Saúde nessa área.
 

Educação e ciência para fortalecer o cuidado no SUS 

A importância da educação permanente para transformar os avanços no tratamento do diabetes em melhorias no atendimento à população também foi destacada pela coordenadora-geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde (CGAES/SGTES/MS), Erika Rodrigues de Almeida. “O Ministério da Saúde trabalhou para melhorar o acesso a medicamentos para as pessoas com diabetes. Se compararmos a quantidade de medicamentos que tínhamos há cinco, seis anos com a de hoje, é muito diferente. Mas esses medicamentos só vão chegar à prescrição dos nossos pacientes de uma maneira: pela capacitação dos trabalhadores”, ressaltou. 

A articulação entre educação e saúde também esteve presente na fala de Carolina da Paz, representante do Ministério da Educação (MEC). Ela destacou a importância da ciência e da educação pública para qualificar o cuidado à população e ressaltou que a formação beneficiará não apenas médicos do Programa Mais Médicos, mas também tutores e supervisores responsáveis pelo acompanhamento acadêmico desses profissionais. 

Pela Sociedade Brasileira de Diabetes, Bianca Pititto, coordenadora do Departamento de Saúde Pública, Economia da Saúde e Ética da entidade, apresentou a estrutura da capacitação e destacou o trabalho de adequação dos conteúdos às diferentes realidades da Atenção Primária no Brasil. A elaboração do projeto também contou com a participação da vice-presidente da SBD, Karla Melo, e da segunda secretária, Maria Gabriela Cavicchioli, reunindo contribuições de diferentes áreas profissionais.


Formação voltada à prática

Ofertado integralmente a distância pela plataforma Diabetes Play, o curso está organizado em duas trilhas formativas, permitindo que os profissionais acessem conteúdos relacionados às suas áreas de atuação:

  • Para profissionais prescritores: nove módulos, 33 aulas e carga horária total de 7h12.
  • Para profissionais de equipes multiprofissionais: seis módulos, 18 aulas e carga horária total de 3h41.

As aulas são gravadas e incluem discussões clínicas, avaliação de aprendizagem ao final de cada módulo e certificação aos participantes. 

Entre os temas abordados estão diagnóstico e metas terapêuticas, pré-diabetes e prevenção do diabetes tipo 2, avaliação do risco cardiorrenal, tratamento medicamentoso, insulinoterapia, complicações crônicas, diabetes gestacional e cuidado multiprofissional. 

Um dos destaques da formação é o módulo específico sobre a transição da insulina NPH para a insulina glargina, com orientações relacionadas ao manejo e ao acompanhamento das pessoas com diabetes tipos 1 e 2. A formação será ofertada inicialmente na plataforma Diabetes Play, com previsão de posterior disponibilização dos conteúdos na Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS).

Acesso ao curso: Link


Dor no ombro, a inteligência artificial pode ajudar?

Estudo com 46 pacientes avaliou programa digital baseado em IA para acompanhar exercícios de reabilitação; SBCOC alerta que tecnologia deve ser usada como complemento à avaliação e orientação de profissionais 

 

Para quem está tratando uma dor no ombro, fazer os exercícios em casa faz parte da rotina. Mas será que a tecnologia pode ajudar o paciente a realizar esses movimentos da maneira correta e manter o tratamento entre uma consulta e outra? Essa é uma das possibilidades que a inteligência artificial começa a trazer para a reabilitação. Um estudo publicado em 2026 acompanhou 46 pacientes com dor relacionada ao manguito rotador e avaliou o uso de um programa digital com IA e visão computacional durante os exercícios realizados em casa. 

No estudo, os participantes foram divididos em dois grupos e fizeram o tratamento durante 12 semanas. Um deles recebeu fisioterapia convencional, enquanto o outro fez o mesmo tratamento associado a um programa digital baseado em inteligência artificial. Por meio da visão computacional, a ferramenta fornecia feedback em tempo real e monitorava o desempenho dos pacientes durante os exercícios. Ao comparar os dois grupos, os pesquisadores encontraram diferenças em alguns momentos do acompanhamento, principalmente em relação à dor e à função do membro superior. 

“A inteligência artificial pode ser uma ferramenta interessante para ampliar o acompanhamento do paciente durante a reabilitação. Ao utilizar a câmera para analisar a execução dos exercícios e oferecer feedback em tempo real, a tecnologia pode contribuir para que o paciente tenha mais segurança ao realizar os movimentos em casa e facilitar o acompanhamento entre as consultas ou sessões de fisioterapia”, explica o Dr. Eduardo Malavolta, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC). 

Apesar dos resultados, o uso da inteligência artificial exige alguns cuidados. A dor no ombro pode estar relacionada a diferentes problemas e, por isso, não deve ser considerada um diagnóstico por si só. Para identificar a causa da dor e definir o tratamento mais adequado, é necessária uma avaliação feita por um profissional de saúde, que pode considerar o histórico do paciente, o exame físico e, quando necessário, exames de imagem. 

Outro ponto de atenção é que a inteligência artificial não deve ser usada pelo paciente para tentar identificar sozinho a causa da dor ou decidir como deve ser tratado. As ferramentas disponíveis podem apresentar informações incorretas, incompletas ou desatualizadas, além de nem sempre deixarem claras as fontes utilizadas. Por isso, mesmo com os avanços da tecnologia, a orientação de profissionais continua sendo fundamental para definir a conduta mais adequada para cada paciente. 

“É importante evitar que o paciente use a inteligência artificial para tentar tratar sozinho uma situação que deveria ser avaliada por um profissional. A mensagem que precisamos passar é de equilíbrio entre inovação e segurança, entendendo a IA como uma ferramenta complementar, e não como substituta do médico ou do fisioterapeuta. O futuro não é IA no lugar do profissional, mas profissional utilizando IA para cuidar melhor do paciente”, conclui.


Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC)

 

Refrigerante zero e shots de limão também podem desgastar os dentes, alertam especialistas

Estudo mostra que bebidas ácidas podem provocar erosão dentária independentemente da presença de açúcar; alimentação equilibrada também contribui para a saúde bucal 


Refrigerantes sem açúcar, bebidas energéticas, sucos cítricos naturais ou industrializados e até os populares shots preparados com ingredientes ácidos podem provocar desgaste progressivo dos dentes, mesmo em pessoas que mantêm uma rotina adequada de escovação e uso do fio dental. O alerta é de especialistas em odontologia e nutrição, que chamam atenção para um fator muitas vezes negligenciado quando o assunto é saúde bucal: a alimentação.
 

O tema tem chamado atenção da comunidade científica. Uma revisão sistemática publicada na revista científica Nutrients identificou que bebidas ácidas, incluindo versões zero e diet de refrigerantes, apresentam potencial para causar erosão dentária em razão do baixo pH e do tempo de contato com os dentes, independentemente da presença de açúcar. 

“Muitas pessoas acreditam que estão protegidas ao optar por versões sem açúcar de determinadas bebidas, mas a acidez, por si só, pode promover a erosão do esmalte dentário”, afirma a periodontista Dra. Maria Fernanda Kolbe, SDA da EMS, especialista, mestre e doutora em Periodontia.

 

Nem só o açúcar representa risco

Embora os doces ainda sejam os principais vilões quando o assunto é cárie, especialistas alertam que o risco à saúde bucal vai muito além do açúcar. Refrigerantes sem açúcar, bebidas energéticas, sucos ácidos naturais ou industrializados e até shots caseiros à base de ingredientes cítricos podem contribuir para a erosão dentária, um desgaste gradual e irreversível do esmalte provocado pela ação dos ácidos. 

“As bebidas ácidas reduzem o pH da cavidade oral e promovem a desmineralização da camada mais externa e mais dura do dente, o esmalte. Com o passar do tempo, esse desgaste enfraquece e diminui o dente,e aumenta o risco de hipersensibilidade e de outras complicações”, explica a especialista. 

O problema não se limita às bebidas. Alimentos ultraprocessados ricos em açúcares e amidos refinados também favorecem a proliferação de bactérias responsáveis pela formação do biofilme e pelo desenvolvimento de cárie. 

“O açúcar é fermentado pelas bactérias presentes no biofilme, produzindo ácidos capazes de iniciar o processo de cárie. Quando essa exposição ocorre de forma frequente, há uma perda mineral progressiva das estruturas dentárias”, acrescenta.

 

Alimentação também ajuda a proteger dentes e gengivas

Se determinados hábitos alimentares podem aumentar os riscos, uma alimentação equilibrada atua no sentido oposto, contribuindo para a manutenção da saúde bucal e da saúde geral. 

De acordo com a nutricionista Lúcia Endriukaite, do Instituto Ovos Brasil (IOB), nutrientes como proteínas, cálcio, fósforo, vitamina D, ômega 3 e vitaminas do complexo B desempenham papel importante na formação e manutenção dos tecidos bucais, na mineralização dentária e no funcionamento adequado do sistema imunológico. 

“Os dentes, a gengiva e os demais tecidos da boca dependem de nutrientes específicos para se manterem saudáveis. Uma alimentação equilibrada contribui para a integridade dessas estruturas e auxilia os mecanismos naturais de proteção do organismo”, explica. 

Esses nutrientes podem ser encontrados em diferentes grupos alimentares, como ovos, peixes, leite e derivados, vegetais verde-escuros, oleaginosas e leguminosas. 

“O ovo, por exemplo, reúne proteínas de alta qualidade e nutrientes importantes para a manutenção de diferentes tecidos do organismo, incluindo aqueles relacionados à saúde bucal. Por ser um alimento acessível e versátil, pode contribuir para uma alimentação mais equilibrada no dia a dia”, afirma a nutricionista. 

Segundo o Instituto Ovos Brasil, o consumo per capita do alimento deve chegar a 320 ovos por pessoa em 2026, um avanço de 166% em relação ao registrado há 17 anos. O aumento acompanha uma maior conscientização da população sobre a importância da alimentação para a saúde. “Os dentes, a gengiva e os demais tecidos da boca dependem de nutrientes específicos para se manterem saudáveis. Uma alimentação equilibrada contribui para a integridade dessas estruturas e auxilia os mecanismos naturais de proteção do organismo”, explica a nutricionista Lúcia Endriukaite, do IOB. O ovo é uma das fontes desses nutrientes, reunindo proteínas de alta qualidade, fósforo, vitaminas A e D e vitaminas do complexo B, importantes para a manutenção da saúde bucal e do organismo como um todo.

A tendência observada no Brasil acompanha um movimento mais amplo na América Latina. Um estudo publicado no Handbook of Egg Science and Technology, com base em dados da FAO e da International Egg Commission (IEC), aponta que o consumo médio na região alcançou 265 ovos por pessoa em 2020. O avanço foi ainda mais expressivo em alguns dos principais mercados: entre 2010 e 2020, o consumo per capita cresceu 90,2% no Brasil, 51,9% na Colômbia, 58,4% no Peru e 27,6% na Argentina. No Brasil, o consumo praticamente dobrou, passando de 132 para 251 ovos por pessoa ao ano.

 

A saliva é uma das principais aliadas da saúde bucal

Pouca gente associa a produção de saliva à prevenção de doenças bucais. No entanto, ela é considerada uma das principais defesas naturais da boca. 

Além de auxiliar na digestão, a saliva contribui para neutralizar a acidez do ambiente bucal, remover resíduos alimentares e controlar a proliferação de microrganismos. 

Alimentos que exigem maior mastigação, como maçã, pera, cenoura e brócolis, ajudam a estimular esse mecanismo natural. “Esses alimentos aumentam a salivação , além de auxiliarem na neutralização da acidez da boca”, explica Dra. Maria Fernanda. 

A hidratação também exerce papel fundamental. “A água é essencial para a produção de saliva. Quando há desidratação, o fluxo salivar diminui e o risco de problemas como mau hálito, cárie e inflamações gengivais aumenta significativamente”, acrescenta.

 

Prevenção exige uma abordagem integrada

Apesar da importância da alimentação e dos cuidados diários de higiene, especialistas reforçam que esses hábitos não substituem o acompanhamento odontológico regular. 

“Uma alimentação equilibrada e uma boa higiene bucal são pilares fundamentais da prevenção. No entanto, o acompanhamento profissional permite identificar fatores de risco precocemente e controlar o biofilme antes que ele provoque danos mais significativos”, afirma a periodontista. 

Nesse contexto, abordagens preventivas inovadoras baseadas em evidências científicas vêm ganhando espaço nos consultórios odontológicos. Entre elas está o Guided Biofilm Therapy (GBT), protocolo utilizado para evidenciar e remover o biofilme de forma direcionada, além de individualizar as orientações de higiene conforme as necessidades de cada paciente.

 

“O paciente passa a compreender melhor seus fatores de risco e a importância dos cuidados contínuos, reduzindo as chances de desenvolver cárie e doenças gengivais”, explica. 

Para Lúcia Endriukaite, a integração entre nutrição e odontologia tende a ganhar cada vez mais relevância nas estratégias de prevenção. “A saúde bucal está diretamente conectada à saúde geral do organismo. Quando adotamos uma visão integrada dos cuidados, os benefícios vão muito além do sorriso”, conclui.

 



Maria Fernanda Kolbe - mestre e doutora em Clínicas Odontológicas, com ênfase em Periodontia, pela Universidade Paulista (UNIP). Especialista em Periodontia, é habilitada em laser pela IALD e graduada em Odontologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atua como cirurgiã-dentista em São Paulo e é SDA Trainer da Swiss Dental Academy, da EMS (Electro Medical System).

Lúcia Endriukaite - nutricionista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, com especialização em Fitoterapia e outras áreas da nutrição. Atua como palestrante em instituições de ensino e eventos do agronegócio. Desenvolve pesquisas e materiais educativos no Instituto Ovos Brasil.


EMS - Electro Medical Systems

Protocolo GBT
GBT Finder


Câncer de mama: idade, densidade das mamas e novas tecnologias influenciam a detecção da doença

 

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Mamografia 3D amplia a visualização dos tecidos, enquanto a escolha dos exames deve considerar a faixa etária, o histórico familiar e os fatores de risco de cada mulher. 

 

O Outubro Rosa reforça a importância da detecção precoce do câncer de mama e chama a atenção para um aspecto fundamental: os exames de imagem não são indicados da mesma forma para todas as mulheres. A idade, a densidade do tecido mamário, o histórico familiar e a presença de sintomas são fatores que influenciam a definição da estratégia de rastreamento e investigação da doença. 

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama em mulheres sem sintomas. No Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento bienal para mulheres de 50 a 74 anos. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização anual a partir dos 40 anos, considerando a avaliação individualizada e as orientações da entidade. 

Segundo a mastologista Marina Cambuy, docente do curso de Medicina da UniFG - integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, a escolha do exame deve levar em conta as particularidades de cada paciente. 

“Não existe uma estratégia única que seja adequada para todas as mulheres. A idade é um dos fatores que consideramos, mas também precisamos avaliar o histórico familiar, os fatores de risco, a densidade mamária e a presença de sintomas. O mais importante é que cada mulher tenha um acompanhamento individualizado, com exames indicados de acordo com sua necessidade”, destaca. 

Nas mulheres mais jovens, a investigação depende especialmente da presença de alterações clínicas e dos fatores de risco. A ultrassonografia pode ser utilizada como exame inicial para avaliar nódulos palpáveis e diferenciar cistos de lesões sólidas. A mamografia também pode ser indicada conforme a avaliação médica. Para mulheres com risco elevado, como aquelas com determinadas mutações genéticas ou histórico familiar significativo, o acompanhamento pode incluir a ressonância magnética.

 

Mamas densas podem dificultar a identificação de lesões

A densidade mamária é um aspecto importante na interpretação dos exames. Além de estarem associadas a um risco aumentado de câncer de mama, mamas densas apresentam maior quantidade de tecido fibroglandular, que aparece branco na mamografia, assim como muitas alterações suspeitas. Essa sobreposição pode dificultar a identificação de pequenos tumores. 

“Nas mulheres com mamas densas, a leitura da mamografia pode ser mais desafiadora porque algumas lesões ficam encobertas pelo próprio tecido mamário. Por isso, é importante que essa característica seja considerada na avaliação médica. Dependendo do perfil de risco e dos achados do exame, podemos recomendar métodos complementares para ampliar a investigação”, explica a especialista. 

Nesses casos, a ultrassonografia e a ressonância magnética também podem ser indicadas. A necessidade de exames adicionais deve ser avaliada individualmente, considerando os benefícios, as limitações e a possibilidade de resultados falso-positivos.

 

Mamografia 3D amplia a visualização das estruturas mamárias

Entre os avanços tecnológicos está a tomossíntese mamária, conhecida como mamografia 3D. O método reconstrói o tecido mamário em cortes finos de imagem. Com isso, pode facilitar a identificação de determinadas lesões que seriam mais difíceis de visualizar na mamografia convencional. “A tomossíntese representa um avanço importante porque permite analisar a mama em diferentes planos, reduzindo a interferência da sobreposição dos tecidos. Isso pode melhorar a identificação de algumas alterações e contribuir para uma avaliação mais precisa", detalha a mastologista. 

A tecnologia pode trazer ganhos na avaliação de mamas densas, embora não elimine todas as limitações dos procedimentos tradicionais nem substitua automaticamente a ultrassonografia ou a ressonância magnética. "Ela deve ser entendida como mais uma ferramenta no cuidado, e não como uma solução isolada. A indicação precisa considerar as características e as necessidades de cada paciente”, complementa. 

Além da realização dos exames recomendados, é fundamental procurar atendimento diante de alterações como nódulo persistente, retração da pele ou do mamilo, mudanças no formato da mama ou saída espontânea de secreção sanguinolenta pelo mamilo. Esses sinais precisam ser investigados independentemente da idade da mulher ou da data do último exame. 



UniFG BA
www.centrouniversitariounifg.edu.br


Além dos fogachos: como a menopausa afeta a saúde da mulher

Especialista explica as principais mudanças físicas e emocionais desse período e destaca a importância do acompanhamento médico para garantir qualidade de vida


A menopausa é o marco biológico caracterizado pela interrupção definitiva da menstruação, confirmada após um período superior a 12 meses consecutivos de amenorreia, sinalizando assim o fim da idade reprodutiva da mulher. De acordo com uma metanálise realizada por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), esse processo geralmente ocorre entre os 46 e 52 anos de idade. 

Com a transição demográfica e o envelhecimento da população, os cuidados preventivos nessa fase tornaram-se ainda mais centrais para a saúde pública. A queda na produção hormonal traz impactos significativos à saúde feminina a longo prazo. Conforme documentado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em sua Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa, essa mudança metabólica está diretamente associada a riscos elevados de condições cardiovasculares, osteoporose e distúrbios emocionais.

Segundo a Dra. Márcia Castilho Bindi, ginecologista do dr.consulta, reconhecer os sinais, compreender os riscos associados e buscar orientação profissional são medidas essenciais para atravessar essa etapa com qualidade de vida. A seguir, a especialista explica as principais causas, diferenças, sintomas comuns e tratamentos para melhorar a qualidade de vida.



O que causa a menopausa?
 

Ocorre principalmente devido à falência progressiva da função ovariana, resultando na diminuição dos níveis dos hormônios estrogênio e progesterona, essenciais para o equilíbrio reprodutivo e metabólico feminino. Trata-se de um processo inato do organismo que se inicia ainda na fase intrauterina, pois a mulher nasce com um número limitado de folículos ovarianos. 

Ao longo da vida, essas estruturas saculares são gradualmente perdidas por ovulação e atresia (degeneração dos que não ovulam e eliminação do estoque folicular), sem reposição, o que leva ao esgotamento completo. 

Em alguns casos, pode acontecer de forma precoce, antes dos 40 anos, sendo classificada como insuficiência ovariana prematura. A causa está ligada a fatores genéticos, autoimunes ou como consequência de intervenções médicas, a exemplo da quimioterapia, radioterapia ou cirurgia para retirada dos ovários.

A menopausa também pode ser tardia (após os 55 anos), mas raramente é revisada na literatura médica devido à baixa incidência, conforme explica estudo publicado na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.
 

Nesses casos, a exposição prolongada ao estrogênio pode aumentar as possibilidades de câncer, principalmente de mama e de endométrio.

 

Diferenças entre climatério, perimenopausa e menopausa 

Não é raro confundir os conceitos. O climatério, na verdade, refere-se ao período completo da transição biológica. 

De acordo com a Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa, ele pode começar por volta dos 40 anos e se estender até os 65 anos, sendo marcado por variações hormonais e questões vasomotoras. Além disso, divide-se em:

  • pré-menopausa, quando ocorre o início da queda de fertilidade com fluxo ainda normal;
  • perimenopausa, geralmente dois anos antes até um ano após a última menstruação, com sinais mais intensos e ciclos irregulares
  • pós-menopausa, posterior ao último sangramento, com sintomas estabilizados.


Sintomas comuns da menopausa 

A ausência completa da menstruação por um período igual ou superior a 12 meses consecutivos, sem outras causas identificadas, é o principal. Esse critério é considerado o mais confiável para o diagnóstico clínico, especialmente em mulheres com mais de 45 anos, conforme orientações da Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa. 

Outras manifestações frequentemente relacionadas são, na verdade, características de fases anteriores ou posteriores.

  • fogachos (ondas de calor);
  • suores noturnos;
  • irregularidade menstrual;
  • alterações de humor e do sono;
  • redução da libido;
  • dores articulares.


Na pós-menopausa, algumas mulheres podem continuar sentindo:

  • secura vaginal e dor nas relações sexuais;
  • redução da elasticidade da pele;
  • maior possibilidade de ganho de peso e síndrome metabólica;
  • sintomas emocionais como ansiedade e depressão.


Exames para diagnóstico da menopausa 

O diagnóstico e a condução adequada da menopausa exigem o acompanhamento de um profissional especializado, como ginecologista ou endocrinologista. Esses especialistas estão preparados para interpretar os sinais clínicos em conjunto com exames laboratoriais, considerar o histórico da paciente e indicar o melhor plano de cuidados, permitindo também a avaliação de possíveis riscos associados, como a osteoporose ou condições cardiovasculares, o que garante mais segurança e qualidade de vida.

Entre os procedimentos indicados para a confirmação estão a dosagem de FSH (hormônio folículo-estimulante), a dosagem de estradiol (forma de estrogênio), a dosagem de TSH (para descartar alterações da tireóide) e a avaliação clínica dos sintomas.



Tratamentos para melhorar a qualidade de vida após a menopausa
 

Uma vez que o fim do período fértil gera uma série de impactos no bem-estar geral, medidas podem ser adotadas para amenizar os efeitos provocados. Entre elas:

  • manter a alimentação balanceada, rica em cálcio, vitamina D e fibras;
  • praticar exercícios físicos regularmente;
  • manter o peso dentro dos parâmetros considerados saudáveis;
  • controlar a glicemia;
  • buscar o apoio de nutricionistas, educadores físicos e psicólogos para potencializar os benefícios dessas abordagens.

“A menopausa não deve ser encarada como o fim de uma fase, mas sim como o início de um novo ciclo que pode ser vivido com muita qualidade", afirma Márcia. "Com informação correta, autocuidado e o suporte profissional adequado, cada mulher ganha a autonomia necessária para tomar decisões conscientes, seguras e personalizadas em prol da sua saúde e bem-estar", finaliza.


Policlínica de Posse conscientiza sobre distrofias musculares


Acompanhamento multiprofissional e inclusão estão entre os aspectos importantes para pessoas com deficiência

 

As distrofias musculares fazem parte de um grupo de doenças que podem provocar fraqueza muscular progressiva e diferentes graus de limitações funcionais. O diagnóstico e o acompanhamento adequado são importantes para identificar as necessidades de cada pessoa, prevenir complicações e contribuir para a manutenção da funcionalidade e da qualidade de vida. Preocupada com essa questão, a Policlínica Estadual da Região Nordeste II – Posse, unidade do Governo de Goiás administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (IMED), destaca a importância da informação, do cuidado em saúde, da inclusão, da acessibilidade e do respeito às diferenças. 

 

De acordo com a fisioterapeuta da unidade, Danúbia Rafaela Neves, o cuidado deve considerar as particularidades de cada pessoa. “É essencial observar o indivíduo de forma integral, respeitando suas necessidades, potencialidades, autonomia e particularidades”, explica. 

 

Acompanhamento multiprofissional 

As distrofias musculares podem demandar acompanhamento de diferentes profissionais de saúde, conforme as necessidades de cada pessoa. A atividade física orientada, o acompanhamento médico, a alimentação adequada e o suporte de outras áreas podem contribuir para a manutenção da funcionalidade e da qualidade de vida. 

 

Além dos aspectos físicos, o cuidado também deve considerar os impactos emocionais que podem surgir diante das limitações e das mudanças na rotina. Nesse contexto, o acolhimento, a escuta e o fortalecimento da autonomia e das redes de apoio são importantes para o bem-estar das pessoas com deficiência e de seus familiares. 

 

“A abordagem multiprofissional permite olhar para a pessoa de forma integral, considerando não apenas a condição física, mas também os aspectos emocionais e sociais. Esse cuidado individualizado contribui para a prevenção de complicações, a manutenção da funcionalidade e a promoção da qualidade de vida”, destaca a profissional da Policlínica. 

 

A inclusão da pessoa com deficiência também depende da eliminação de qualquer tipo de barreira que possa dificultar sua participação na sociedade. A acessibilidade, o respeito às diferenças e o combate ao preconceito são fundamentais para garantir autonomia, igualdade de oportunidades e dignidade, contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. 


Teste genético de embriões não aumenta taxa de gravidez em casais com bom prognóstico na fertilização in vitro, indica estudo da FMUSP

Pesquisa concluiu que a análise genética preventiva não trouxe benefícios significativos nas taxas de gestação e de bebês nascidos para mulheres de até 37 anos


Um estudo clínico conduzido por pesquisadores da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que a realização do teste genético pré-implantacional (conhecido como PGT-A ou NGS) em embriões não aumenta as chances de gravidez nem a taxa de nascidos vivos em casais com bom prognóstico que passam por fertilização in vitro (FIV).
 

O teste PGT-A analisa o código genético do embrião antes de sua transferência para o útero para verificar se ele possui o número correto de cromossomos. Nos últimos anos, a técnica tem sido amplamente utilizada na medicina reprodutiva. No entanto, seu custo elevado e a falta de evidências científicas sólidas sobre sua real necessidade em casos de menor complexidade motivaram os pesquisadores da FMUSP a investigar sua eficácia.

 

O estudo e os resultados 

Publicada na revista científica Clinics, a pesquisa acompanhou 206 mulheres entre 18 e 37 anos atendidas no Centro de Reprodução Humana "Governador Mário Covas" do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Todas as participantes tinham bom prognóstico de fertilidade, estavam em seu primeiro tratamento de fertilização e produziram ao menos dois embriões de boa qualidade. 

As pacientes foram divididas aleatoriamente em dois grupos de 103 pessoas:

  • Grupo com teste genético (NGS + SET) – Os embriões passaram por biópsia e análise genética, sendo transferido apenas um embrião comprovadamente sem alterações cromossômicas.
  • Grupo convencional (SET) – A seleção do embrião foi feita com base nos critérios tradicionais de desenvolvimento e aparência (morfologia), sem a realização de testes genéticos.

Após a primeira transferência de um único embrião, os resultados mostraram equivalência entre os dois grupos:

  • Taxa de gravidez clínica – 79,6% no grupo com teste genético contra 76,7% no grupo convencional (sem diferença estatística).
  • Taxa de nascidos vivos – 64,1% no grupo com teste genético e 59,2% no grupo convencional.
  • Taxa de abortamento – Também não houve diferença significativa entre os dois procedimentos.


Impacto no acesso e na saúde pública

 

De acordo com o Prof. Dr. José Maria Soares Júnior, chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP, os achados reforçam que a indicação do teste genético não deve ser feita de forma universal ou indiscriminada. Além de ser um procedimento invasivo para o embrião, a análise por sequenciamento genético encarece consideravelmente o tratamento de fertilização. 

"Em um cenário de saúde pública e até no setor privado, é fundamental avaliar a relação de custo-benefício das tecnologias reprodutivas. Para pacientes jovens e com boa reserva ovariana, a seleção visual e morfológica do embrião feita por embriologistas experientes se mostra tão eficaz quanto o exame genético", destaca o professor. 

O artigo completo está disponível na revista científica Clinics (DOI: 10.1016/j.clinsp.2026.100870)*.

  

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP


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