Depois de
temporadas dominadas por bege, preto e branco, a primavera-verão abre espaço
para produções mais coloridas. Consultora de imagem explica como combinar
tonalidades intensas sem abandonar o estilo pessoal
PIXBAY JULIANA NASCIMENTO
Por muito tempo, montar um guarda-roupa versátil
pareceu significar investir quase exclusivamente em preto, branco, bege, marrom
e azul-marinho. As cores neutras continuam importantes, mas a temporada
primavera-verão 2026/2027 começa a abrir espaço para uma moda mais vibrante,
otimista e cheia de personalidade.
O relatório de tendências de cores do Pantone Color
Institute para a primavera-verão 2027 apresentou dez tonalidades de destaque e
outras cinco consideradas atemporais. A proposta reúne cores lúdicas e intensas
com bases mais tradicionais, mostrando que um guarda-roupa funcional não
precisa escolher entre neutralidade e cor.
A tendência também apareceu nas passarelas
internacionais e nacionais, em vestidos, conjuntos, alfaiataria, estampas,
acessórios e sobreposições. Fora dos desfiles, porém, surge uma dúvida bastante
comum: como incorporar essas cores à vida real sem deixar o visual exagerado ou
distante do próprio estilo?
Para a consultora de imagem e empresária de moda
Juliane Nascimento, fundadora da Laleju Store, o primeiro passo é abandonar a
ideia de que uma peça colorida necessariamente chama atenção demais.
“Muitas mulheres gostam das cores quando olham a
vitrine ou veem outra pessoa usando, mas, no momento de escolher para si,
acabam voltando ao preto, ao branco ou ao bege. Nem sempre isso acontece porque
elas não gostam de cor. Muitas vezes, falta segurança para imaginar as
combinações”, explica.
Uma peça colorida pode ser o
ponto de partida
Quem está acostumada aos neutros não precisa
transformar todo o guarda-roupa de uma só vez. Uma peça colorida pode ser
incorporada a roupas que a mulher já utiliza no cotidiano.
Uma camisa verde pode acompanhar uma calça bege,
branca, marrom ou jeans. Uma saia rosa pode ser usada com uma blusa branca, uma
camisa azul-clara ou uma peça em tom semelhante. Um blazer colorido pode
transformar uma produção formada por camiseta e calça neutras.
“O neutro funciona como uma base segura. A cor
entra para dar vida, atualizar a produção e revelar um pouco mais da
personalidade daquela mulher. A combinação continua elegante, mas deixa de ser
previsível”, afirma Juliane.
Esse recurso também ajuda a integrar uma peça nova
ao restante do guarda-roupa. Em vez de procurar roupas que só possam ser usadas
juntas, vale observar quantas combinações aquela cor permite com os itens que a
pessoa já possui.
Looks monocromáticos não
precisam ter uma única tonalidade
Uma das formas mais simples de usar cor é criar uma
produção monocromática. Isso não significa que todas as peças precisam ter
exatamente o mesmo tom.
É possível combinar rosa-claro com rosa mais
fechado, azul-celeste com azul-marinho ou verde suave com verde intenso. A
variação de tonalidades cria profundidade e evita que o resultado pareça
uniforme demais.
Tecidos e texturas diferentes também ajudam. Uma
calça de alfaiataria pode ser combinada com uma camisa fluida da mesma família
de cor. Uma saia acetinada pode receber uma blusa de malha ou uma terceira peça
estruturada.
Segundo Juliane, a composição monocromática pode
até facilitar o uso de tonalidades mais intensas. “Quando as cores pertencem à
mesma família, o olhar percebe continuidade. O resultado costuma ser elegante e
alonga visualmente a silhueta, mesmo quando a produção não é neutra.”
Cores próximas criam
combinações mais suaves
Outra possibilidade é trabalhar com cores análogas,
aquelas que aparecem próximas no círculo cromático, como azul e verde, rosa e
vermelho ou amarelo e laranja.
Por terem pigmentos em comum, essas tonalidades
costumam produzir combinações harmoniosas e menos contrastantes. São boas
alternativas para quem deseja ir além dos neutros, mas ainda não se sente
confortável com misturas muito marcantes.
Uma camisa azul pode ser usada com uma calça verde.
Uma saia rosa pode receber uma blusa avermelhada. Já uma peça amarela pode
aparecer ao lado de tons alaranjados ou terrosos.
A proporção também interfere no resultado. Uma das
cores pode dominar a produção, enquanto a outra aparece em uma bolsa, em um
calçado ou em uma peça menor.
Contrastes podem funcionar sem
deixar o look exagerado
As cores complementares ocupam posições opostas no
círculo cromático. É o caso de azul e laranja, verde e vermelho, amarelo e
roxo. Quando aparecem juntas, criam mais contraste e presença.
Isso não significa que a produção precise usar as
duas cores em sua versão mais intensa. Uma delas pode aparecer em tonalidade
mais suave, fechada ou terrosa.
Um vestido azul pode receber uma bolsa caramelo ou
alaranjada. Uma camisa verde pode ser usada com acessórios em vinho. Uma blusa
lilás pode ganhar um ponto amarelo em um brinco, sapato ou bolsa.
“Quando a mulher ainda não está acostumada a
misturar cores fortes, o acessório é um ótimo campo de experimentação. Ele cria
contraste, mas ocupa uma área menor do look. Aos poucos, ela começa a entender
quais combinações fazem sentido para sua imagem”, orienta a consultora.
A estampa já oferece um mapa
de combinações
Estampas podem parecer mais difíceis de combinar,
mas frequentemente oferecem as respostas dentro da própria composição.
Uma maneira prática de escolher a bolsa, o calçado,
a parte de baixo ou a terceira peça é repetir uma das tonalidades presentes no
desenho. Não é necessário escolher apenas a cor mais evidente. Recuperar um tom
que aparece em menor proporção pode criar uma produção menos óbvia e mais
interessante.
Outra possibilidade é usar a estampa ao lado de um
neutro que já faça parte do desenho. O fundo branco, preto, bege ou
azul-marinho pode orientar os demais elementos da produção.
“Antes de dizer que uma estampa não combina com
nada, vale olhar para cada uma das cores presentes nela. Muitas vezes, a
própria peça já mostra quatro ou cinco caminhos possíveis”, afirma Juliane.
Coloração pessoal deve
orientar, não proibir
A análise de coloração pessoal ajuda a identificar
tonalidades que harmonizam com as características naturais da pele, dos olhos e
dos cabelos. Entretanto, a cartela não precisa funcionar como uma lista rígida
de permissões e proibições.
Uma cor que não esteja entre as mais favoráveis
pode ser usada longe do rosto, em calças, saias, bolsas, sapatos e acessórios.
Também pode ser equilibrada com maquiagem, brincos, colares ou uma terceira
peça em uma tonalidade que valorize mais a pessoa.
A intensidade da cor, a iluminação, o tecido e a
combinação com outros elementos também interferem no resultado.
“A cartela existe para ampliar a consciência, não
para diminuir o guarda-roupa. Quando a mulher entende quais cores mais a
valorizam, ela consegue fazer escolhas melhores. Isso não significa que precise
abandonar uma tonalidade de que gosta”, diz Juliane.
Elegância não depende da
ausência de cor
O que compromete uma produção não é necessariamente
a presença de tonalidades intensas, mas a falta de intenção entre os elementos.
Quando várias cores, estampas, volumes e acessórios
disputam atenção ao mesmo tempo, o visual pode perder unidade. A solução não é
eliminar a cor, mas definir qual será o ponto principal da composição.
Se a roupa já possui uma tonalidade forte, os
acessórios podem ser mais discretos. Se o contraste entre as duas cores é o
destaque, modelagens mais limpas ajudam a equilibrar o resultado. Quando a
estampa é marcante, uma das cores presentes nela pode orientar o restante da
produção.
O caimento e a qualidade do tecido também fazem
diferença. Uma peça colorida que veste bem e acompanha o movimento do corpo
tende a transmitir mais elegância do que uma roupa neutra com modelagem
inadequada.
“Cor não é sinônimo de excesso. Uma produção
colorida pode ser sofisticada, profissional, delicada ou moderna. Tudo depende
da tonalidade, da proporção e da mensagem que a mulher deseja transmitir”,
afirma a empresária.
Antes de escolher, observe sua
rotina
Nem toda tendência precisa entrar no guarda-roupa.
Antes de escolher uma cor apenas porque ela aparece nas coleções da temporada,
é importante considerar o estilo pessoal, os compromissos mais frequentes e as
roupas que já fazem parte do armário.
Quem trabalha em ambientes mais formais pode
começar com camisas, blazers, bolsas ou acessórios coloridos. Para uma rotina
mais casual, vestidos, conjuntos e calças intensas podem ocupar mais espaço. A
mesma cor ainda pode assumir propostas diferentes conforme o tecido, a
modelagem e os complementos.
Para Juliane, a melhor escolha é aquela que
desperta vontade de usar e oferece possibilidades reais de combinação.
“Não adianta escolher uma cor bonita se a mulher
não se reconhece usando aquela peça. A roupa precisa conversar com sua
personalidade e encontrar espaço em sua vida. Quando isso acontece, a cor deixa
de ser uma tendência passageira e passa a fazer parte do estilo.”
Cinco fórmulas para começar a
usar mais cores
- Combine
uma peça colorida com uma base neutra.
- Use
diferentes tonalidades da mesma família em um look monocromático.
- Retire
da estampa uma cor para escolher os complementos.
- Experimente
o contraste primeiro em bolsas, calçados ou acessórios.
- Antes de escolher a peça, imagine pelo menos três combinações com roupas que já fazem parte do guarda-roupa.
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