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| Modelo Bruna Frutuoso para a marca Rosa Verão |
No mercado de moda praia, esperar o calor chegar para começar a preparar a coleção pode significar perder justamente o período de maior procura. Para pequenas marcas, planejamento de estoque, produção e preços deve começar de quatro a seis meses antes da alta temporada, como explica Priscila Amorim Grunwald, administradora e empresária com mais de 10 anos de experiência no desenvolvimento de produtos de vestuário. “Para quem trabalha com moda praia, o verão começa muito antes de o consumidor perceber”, afirma.
A preparação começa pela análise do comportamento
do público, das tendências e do histórico de vendas da própria marca. Depois,
entram as decisões sobre modelos, cores, estampas e tecidos, seguidas pela
modelagem, desenvolvimento da peça piloto, testes de caimento e ajustes. O
inverno, inclusive, pode ser uma oportunidade para desenvolver e testar peças,
organizar a produção e começar a formar o estoque. Com a demanda mais baixa,
também podem surgir promoções ou melhores condições para a compra de tecidos e
aviamentos, dependendo do fornecedor.
Segundo a especialista, pular etapas pode custar
caro, já que uma peça que funciona no desenho pode não apresentar o mesmo
resultado no corpo. “Corrigir uma peça antes da produção é muito mais simples e
barato do que descobrir um problema depois que dezenas de unidades já estão
prontas”, explica.
Quando o consumidor quer
comprar, a marca precisa estar pronta para vender
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| Modelo Bruna Frutuoso para a marca Rosa Verão |
A falta de antecedência tem consequências diretas. “Se a empresa começa a se organizar quando a temperatura sobe, ela está produzindo justamente quando deveria estar vendendo”, alerta Grunwald.
Atrasos na entrega de tecidos, indisponibilidade de
fornecedores e uma produção feita às pressas podem resultar em lançamentos
incompletos e perda de vendas. Na moda sazonal, algumas semanas podem fazer
diferença: perder parte de novembro ou dezembro por problemas na produção
significa deixar passar justamente um dos melhores períodos de venda do ano.
Além disso, o verão não deve ser tratado como uma única temporada. Black
Friday, Natal, Réveillon, férias, alto verão e Carnaval representam diferentes
momentos de consumo e podem exigir campanhas, produtos e estratégias
específicas.
Para chegar preparada, a marca pode dividir o
planejamento em etapas. Cerca de seis meses antes, o foco está na análise do
verão anterior, tendências, definição da direção da coleção, fornecedores,
modelagens e peças piloto. Três meses antes, tecidos e aviamentos devem estar
definidos, assim como custos, preços, quantidades e grade de tamanhos. Nas
semanas anteriores à alta temporada, a prioridade passa a ser revisar estoque,
preparar canais de venda, organizar campanhas e garantir capacidade de
reposição.
Outro desafio está em decidir quanto produzir.
“Estoque representa dinheiro investido em produto, e para uma pequena marca
errar muito nessa conta pode comprometer o caixa”, afirma Priscila Grunwald.
Uma estratégia mais segura, segundo ela, é começar com quantidades controladas,
utilizar o histórico de vendas como referência e trabalhar com reposição sempre
que a estrutura permitir. Marcas novas, que ainda não possuem histórico, podem
produzir quantidades menores para testar a aceitação antes de investir muito
dinheiro em um único produto.
As redes sociais adicionaram outro desafio: tendências podem surgir e ganhar força em poucos dias. Isso, porém, não significa alterar toda a coleção a cada novidade. A recomendação é manter uma base planejada e deixar uma parcela menor da produção disponível para testes, novidades e reposições rápidas. “É importante diferenciar tendência de modismo. Nem tudo o que viraliza permanece relevante por tempo suficiente para justificar um grande investimento em estoque”, explica a empresária.
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Vender muito não significa
necessariamente ganhar dinheiro
O planejamento também precisa chegar à formação de
preços. Priscila Grunwald alerta que faturamento e lucro são conceitos
diferentes e que uma marca pode vender muito durante o verão e, ainda assim,
terminar a temporada com dificuldades financeiras. Isso acontece quando a
margem está errada, existe excesso de estoque ou o preço não contempla todos os
custos. Embalagens, etiquetas, comissões, taxas de cartão, impostos, descontos,
trocas, frete subsidiado e despesas operacionais estão entre os gastos que
podem ser esquecidos.
Por esse motivo, a especialista recomenda não
formar preços apenas com base no concorrente. O valor praticado pelo mercado
pode servir de referência, mas a empresa precisa conhecer primeiro seus
próprios custos e a margem necessária para continuar funcionando. “Quando
produção, estoque e finanças estão organizados, sobra mais espaço para criar,
testar ideias e tomar decisões com calma”, conclui.



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