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domingo, 18 de outubro de 2026

Moda praia não começa no verão: por que pequenas marcas precisam planejar a próxima estação meses antes do consumidor

Modelo Bruna Frutuoso para a marca Rosa Verão

No mercado de moda praia, esperar o calor chegar para começar a preparar a coleção pode significar perder justamente o período de maior procura. Para pequenas marcas, planejamento de estoque, produção e preços deve começar de quatro a seis meses antes da alta temporada, como explica Priscila Amorim Grunwald, administradora e empresária com mais de 10 anos de experiência no desenvolvimento de produtos de vestuário. “Para quem trabalha com moda praia, o verão começa muito antes de o consumidor perceber”, afirma.

A preparação começa pela análise do comportamento do público, das tendências e do histórico de vendas da própria marca. Depois, entram as decisões sobre modelos, cores, estampas e tecidos, seguidas pela modelagem, desenvolvimento da peça piloto, testes de caimento e ajustes. O inverno, inclusive, pode ser uma oportunidade para desenvolver e testar peças, organizar a produção e começar a formar o estoque. Com a demanda mais baixa, também podem surgir promoções ou melhores condições para a compra de tecidos e aviamentos, dependendo do fornecedor.

Segundo a especialista, pular etapas pode custar caro, já que uma peça que funciona no desenho pode não apresentar o mesmo resultado no corpo. “Corrigir uma peça antes da produção é muito mais simples e barato do que descobrir um problema depois que dezenas de unidades já estão prontas”, explica.

Quando o consumidor quer comprar, a marca precisa estar pronta para vender

Modelo Bruna Frutuoso para a marca Rosa Verão

A falta de antecedência tem consequências diretas. “Se a empresa começa a se organizar quando a temperatura sobe, ela está produzindo justamente quando deveria estar vendendo”, alerta Grunwald.

Atrasos na entrega de tecidos, indisponibilidade de fornecedores e uma produção feita às pressas podem resultar em lançamentos incompletos e perda de vendas. Na moda sazonal, algumas semanas podem fazer diferença: perder parte de novembro ou dezembro por problemas na produção significa deixar passar justamente um dos melhores períodos de venda do ano. Além disso, o verão não deve ser tratado como uma única temporada. Black Friday, Natal, Réveillon, férias, alto verão e Carnaval representam diferentes momentos de consumo e podem exigir campanhas, produtos e estratégias específicas.

Para chegar preparada, a marca pode dividir o planejamento em etapas. Cerca de seis meses antes, o foco está na análise do verão anterior, tendências, definição da direção da coleção, fornecedores, modelagens e peças piloto. Três meses antes, tecidos e aviamentos devem estar definidos, assim como custos, preços, quantidades e grade de tamanhos. Nas semanas anteriores à alta temporada, a prioridade passa a ser revisar estoque, preparar canais de venda, organizar campanhas e garantir capacidade de reposição.

Outro desafio está em decidir quanto produzir. “Estoque representa dinheiro investido em produto, e para uma pequena marca errar muito nessa conta pode comprometer o caixa”, afirma Priscila Grunwald. Uma estratégia mais segura, segundo ela, é começar com quantidades controladas, utilizar o histórico de vendas como referência e trabalhar com reposição sempre que a estrutura permitir. Marcas novas, que ainda não possuem histórico, podem produzir quantidades menores para testar a aceitação antes de investir muito dinheiro em um único produto.

As redes sociais adicionaram outro desafio: tendências podem surgir e ganhar força em poucos dias. Isso, porém, não significa alterar toda a coleção a cada novidade. A recomendação é manter uma base planejada e deixar uma parcela menor da produção disponível para testes, novidades e reposições rápidas. “É importante diferenciar tendência de modismo. Nem tudo o que viraliza permanece relevante por tempo suficiente para justificar um grande investimento em estoque”, explica a empresária.

Modelo Bruna Frutuoso para a marca Rosa Verão

Vender muito não significa necessariamente ganhar dinheiro

O planejamento também precisa chegar à formação de preços. Priscila Grunwald alerta que faturamento e lucro são conceitos diferentes e que uma marca pode vender muito durante o verão e, ainda assim, terminar a temporada com dificuldades financeiras. Isso acontece quando a margem está errada, existe excesso de estoque ou o preço não contempla todos os custos. Embalagens, etiquetas, comissões, taxas de cartão, impostos, descontos, trocas, frete subsidiado e despesas operacionais estão entre os gastos que podem ser esquecidos.

Por esse motivo, a especialista recomenda não formar preços apenas com base no concorrente. O valor praticado pelo mercado pode servir de referência, mas a empresa precisa conhecer primeiro seus próprios custos e a margem necessária para continuar funcionando. “Quando produção, estoque e finanças estão organizados, sobra mais espaço para criar, testar ideias e tomar decisões com calma”, conclui.


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