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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Mais de 3,5 mil fraudes foram evitadas no e-commerce todos os dias durante o mês de agosto, aponta Serasa Experian


• Mapa da Fraude revelou que 111 mil fraudes foram evitadas no mês, preservando R$ 97,4 milhões em potenciais perdas;


• Ticket médio dos pedidos fraudulentos foi 64,8% superior ao das compras legítimas;

• Acessórios eletrônicos tiveram ticket médio fraudulento 149,8% maior que o dos pedidos legítimos.

 

Mais de 111 mil fraudes em compras online foram evitadas durante agosto, uma média superior a 3,5 mil ocorrências barradas por dia. As transações fraudulentas evitadas somaram R$ 97,4 milhões no período, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Ao todo, a análise contemplou cerca de 12,7 milhões de pedidos, que movimentaram R$ 6,7 bilhões no mês.

 

Além do volume de ocorrências, os dados revelam que as fraudes evitadas envolvem valores mais altos: o ticket médio desses pedidos chegou a R$ 863,49, valor 64,8% superior aos R$ 523,83 registrados nas compras legítimas.

 

“Quando observamos não apenas a quantidade de fraudes evitadas, mas também o valor envolvido nessas transações, fica evidente a importância de uma estratégia de prevenção capaz de identificar comportamentos suspeitos sem adicionar fricção desnecessária para o consumidor legítimo”, afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude, Rodrigo Sanchez. “O desafio está em combinar diferentes sinais e tecnologias ao longo da jornada para tomar decisões mais precisas e proteger tanto consumidores quanto empresas.”

 

Categorias mais compradas e mais visadas por fraudadores apresentam comportamentos distintos

 

Além dos dados gerais, o Mapa da Fraude analisou os destaques de agosto entre as categorias monitoradas. Elas foram selecionadas por se destacarem em três recortes: maior quantidade de pedidos, maior número de fraudes evitadas e maior ticket médio das transações fraudulentas barradas.

 

Entre as categorias destacadas com maior volume de pedidos, “Saúde” liderou, com aproximadamente 1 milhão de compras e R$ 315,8 milhões movimentados. Na sequência aparecem “Beleza” e “Alimentação”. Quando o recorte considera a quantidade de fraudes evitadas, “Beleza” assume a dianteira entre os destaques de agosto, com 10.020 ocorrências barradas, que representaram R$ 3,5 milhões. “Saúde” registrou 5.136 fraudes evitadas, enquanto “Calçados” teve 4.944 ocorrências barradas.

 

Já a análise do ticket médio dos pedidos fraudulentos revela outro perfil. “Celulares” apresentou o maior valor entre os destaques, com R$ 4.392,93 por pedido fraudulento, seguido por “Ar-condicionado” e “Acessórios Eletrônicos”, todos superando R$ 3 mil por tentativa de fraude. 

 

“Os recortes mostram que a dinâmica da fraude não é uniforme entre os diferentes tipos de compra. Há categorias em que o risco aparece mais pelo volume de ocorrências e outras em que cada tentativa pode envolver valores significativamente maiores. Entender essas particularidades é importante para calibrar as estratégias de prevenção conforme o contexto de cada jornada”, explica o Diretor da datatech.

 

Veja o detalhamento dos dados das categorias destacadas abaixo:


Evite fraudes: veja dicas dos especialistas da Serasa Experian para se proteger

 

Consumidores:

 

• Garanta que seu documento, celular e cartões estejam seguros e com senhas fortes para acesso aos aplicativos;


• Desconfie de ofertas de produtos e serviços com preços muito abaixo do mercado e verifique se o site ou aplicativo utilizado é oficial;


• Tenha atenção com links e arquivos compartilhados por mensagens ou redes sociais, que podem direcionar para páginas maliciosas;


• Não forneça senhas ou códigos de acesso fora dos canais oficiais;


• Inclua informações pessoais e dados de cartão somente quando tiver certeza de que se trata de um ambiente seguro;


• Monitore o seu CPF pelo app Serasa Consumidor para identificar possíveis movimentações suspeitas.

 


Empresas:

 

• Invista em tecnologias de prevenção à fraude para proteger a integridade e a segurança das operações;


• Adote uma estratégia de prevenção à fraude em camadas, combinando diferentes tecnologias e sinais ao longo da jornada;


• Garanta a qualidade e a veracidade dos dados utilizados pelas soluções antifraude;


• Conheça o perfil dos usuários para minimizar pontos de fricção, garantindo uma experiência fluida sem comprometer a segurança;

• Utilize a prevenção à fraude de forma integrada à estratégia do negócio, buscando reduzir perdas e permitir jornadas de compra mais ágeis e confiáveis.

 

Experian
experianplc.com


Vendavais e crises climáticas: empresas precisam transformar contingência em prioridade

Não podemos mais tratar eventos climáticos extremos como acontecimentos pontuais, distantes da realidade empresarial ou como algo que, simplesmente, “acontece de tempos em tempos”. Os recentes alertas de vendavais, tornados e demais instabilidades climáticas passaram a ser variáveis que precisam entrar na gestão de riscos das organizações - não para gerar alarmismo, mas para gerar preparação, de forma que as empresas deixem de perguntar se “isso pode acontecer?”, para questionar “se acontecer, qual é a nossa vulnerabilidade, em quanto tempo conseguiremos voltar a operar, e como vamos responder?”. 

Números recentes ajudam a dimensionar essa mudança de cenário. Até o fim de julho deste ano, segundo a Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas (Prevots), o Brasil já havia registrado 81 tornados, quantia próxima do recorde de 92 ocorrências notificadas ao longo de todo o ano anterior. Em média, esses e demais desastres naturais provocam perdas anuais de, aproximadamente, R$ 110 bilhões por ano ao PIB brasileiro, de acordo com o Centro Internacional Celso Furtado (CICEF). 

Os dados evidenciam que um dos maiores erros das organizações, nesse sentido, é avaliar o risco climático olhando apenas para dentro dos limites físicos da empresa. As enchentes que acometeram o Rio Grande do Sul, em 2024, ressaltaram essa questão, mostrando que uma empresa pode estar fisicamente preservada e, ainda assim, ficar impossibilitada de operar porque uma rodovia foi bloqueada, seu fornecedor crítico parou, não há energia, forma de comunicação, seus colaboradores não conseguem se deslocar ou porque a infraestrutura da região foi comprometida. 

Uma gestão de risco aplicada à realidade considera a vulnerabilidade de toda a cadeia produtiva, e não somente da instalação em si – abrangendo questões como onde estão os fornecedores críticos; se há fornecedores alternativos; quais rotas logísticas são utilizadas; se existe alguma dependência energética, de água ou infraestrutura; e quanto tempo conseguem operar sem determinado insumo, por exemplo. Até porque, os impactos gerados são sistêmicos, não se limitando a questões financeiras. 

Quanto custa perder a confiança de um cliente porque você não conseguiu entregar? Um fornecedor estratégico? Uma resposta inadequada diante de uma comunidade? Comprometer a reputação construída durante anos? E, principalmente, colocar pessoas em risco por que a organização não estava preparada? Existem perdas que um balanço financeiro consegue registrar. Outras, não. 

Toda crise acaba testando a governança da organização, mostrando se as responsabilidades estavam claras, se os riscos eram conhecidos, se existiam recursos disponíveis, se a comunicação funcionava e se as lideranças estavam preparadas para tomar decisões sob pressão. É justamente por isso que a preparação não deveria ser entendida apenas como custo, mas como a construção da resiliência corporativa, transformando essa experiência em aprendizado organizacional e prevenção. 

Nesse sentido, a gestão ambiental é um dos pontos que mais precisa evoluir. Ao invés de ser lembrada somente quando precisam renovar uma licença, destinar um resíduo, atender uma condicionante ou responder a uma fiscalização, precisa ser capaz de antecipar vulnerabilidades e apoiar decisões, compreendendo o contexto da organização, seus aspectos e impactos ambientais, obrigações e, ao mesmo tempo, olhando para aquilo que pode afetar a capacidade corporativa de continuar operando. 

Outra ferramenta extremamente importante capaz de ajudar as organizações a identificarem e gerenciarem riscos ambientais de forma mais estruturada, é a ISO 14001, a qual obriga a organização a sair da lógica de ações isoladas para estruturar um sistema de gestão eficaz nesse sentido. Ela traduz um risco climático global para um risco operacional que precisa acontecer, ajudando a organização a conhecer suas vulnerabilidades, estabelecer controles, testar sua capacidade de resposta, acompanhar resultados e melhorar continuamente. 

Mas, para que atinja esses benefícios, sua implementação precisa começar pelo mapeamento dos processos internos, identificando onde estão seus principais aspectos e impactos ambientais, quais são suas obrigações, quais riscos podem comprometer suas atividades e quais controles já existem. Ainda, ser incorporada à rotina da empresa, ao invés de ser um sistema paralelo. 

A liderança também tem papel decisivo, afinal, não existe sistema de gestão ambiental sustentável quando o meio ambiente fica restrito ao setor responsável por isso. A alta direção precisa compreender os riscos, participar das decisões e garantir recursos para prevenção, preparação e resposta – compreendendo que todo risco é dinâmico. Uma ISO 14001 realmente eficaz precisa estar viva: monitorando indicadores, reavaliando riscos, realizando auditorias, aprendendo com as ocorrências, revendo os planos de emergência e utilizando a análise crítica da direção para tomar decisões. 

Não podemos controlar quando haverá uma chuva extrema, um vendaval ou uma enchente. Mas, podemos controlar o quanto conhecemos nossas vulnerabilidades e o quanto estamos preparados para responder. Para as empresas, essa talvez seja uma das principais mudanças de mentalidade necessárias para os próximos anos, construindo organizações que estejam, de fato, preparadas para lidar com essas adversidades climáticas quando chegarem. 

 

Anna Karla Teixeira Dias - Consultora e Auditora Líder em Sistemas de Gestão, Especialista em ESG e Sustentabilidade da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.


No Dia Internacional do Café, Coffee hunter do Café Cultura explica a diferença entre Arábica e Canéfora/Robusta, tradicional e especial

 

Joshua Stevens apresenta os principais aspectos de cada tipo e como tirar o melhor proveito da segunda bebida mais consumida do Brasil e terceira mais consumida do mundo

 

Hojje, 1º de outubro, é comemorado o Dia Internacional do Café. Segundo dados governamentais, o Brasil é o maior produtor mundial da bebida, detendo cerca de 33,3% de toda produção mundial. O País também é líder na exportação. Informações do Observatório do Café mostram que apenas no primeiro quadrimestre do ano foram enviadas para o exterior 13,81 milhões de sacas, o que gerou uma receita de US$ 5,23 bilhões. E muito além de uma commodity o café é uma verdadeira experiência sensorial. Mas, apesar de o café ser a segunda bebida mais consumida em território nacional – atrás apenas da água – o brasileiro pouco sabe sobre os tipos de grãos existentes. 

Segundo Joshua Stevens, co-fundador e coffee hunter do Café Cultura, o ponto de partida para entender o universo do café é conhecer suas espécies mais comuns: o Arábica e o Canéfora/Robusta, também conhecida como Robusta ou Conilon. A espécie mais cultivada no mundo é a Arábica. Seu diferencial está em suas notas sensoriais e sua doçura natural. Isso acontece porque seu cultivo se dá em altitudes mais elevadas, acima de 800 metros, com temperatura mais baixa, maior teor de umidade e menos luz direta. Dessa forma, os grãos amadurecem tardiamente, o que faz com que suas características se desenvolvam vagarosamente e deem origem a sabores mais complexos. 

Já a Canéfora/Robusta não tem tanta complexidade, com menos açúcar e maior teor de cafeína. Cultivado em altitudes inferiores a 600 metros, contém um teor de cafeína maior, o que torna sua utilização muito comum na produção de cafés solúveis e em blends de Arábica de qualidade inferior. “O Arábica é um café com perfil de sabor mais delicado, cuja acidez equilibrada conta com notas que variam de frutadas a florais, sendo muito utilizado em cafeterias especiais. Já o Robusta, com o dobro de cafeína e um corpo mais intenso, tende a ser mais forte e amargo e é mais encontrado em cafés solúveis ou blends para espresso”, explica.
 

Cafés tradicionais X Cafés especiais

Os cafés ditos tradicionais são misturas de vários tipos de grãos, que podem conter somente Arábica ou Canéfora/Robusta ou uma mistura de ambos. São aqueles disponíveis nos supermercados em pacotes de dois tamanhos, normalmente. “Estes produtos podem conter grãos de qualidade inferior, verdes e outras impurezas. Além disso, muitas vezes são torrados em excesso e moídos bem finos, para mascarar os defeitos. É por isso que não se encontra café tradicional em grãos no supermercado”, ressalta. 

Já os cafés especiais são resultado do esforço de toda a cadeia de cultivo a fim de obter a melhor qualidade possível em xícara. Avaliados por especialistas, precisam atingir mais de 80 pontos em uma escala sensorial de até 100, o que garante um produto com sabores limpos, doçura natural e aroma marcante. Pioneiro no oferecimento de cafés especiais, o Café Cultura foi fundado com a missão de difundir essa apreciação. 

“Trabalhamos exclusivamente com cafés especiais 100% Arábica, com origem rastreável e torrefação artesanal. Para garantir a melhor qualidade possível, sabíamos que o único caminho para nos diferenciarmos em um mercado tão concorrido seria priorizar a agricultura de origem, sustentável e ultra especializada. Abrimos mão da massificação e optamos por um produto proveniente de cafeicultores certificados e valorizamos cada um dos nossos fornecedores, em especial, as cafeicultores que nos fornecem microlotes de um café premium oriundo de um cultivo responsável, o que torna a bebida ainda mais especial”. 

E para quem está começando a explorar o universo dos cafés especiais, a dica de Joshua é simples: experimente aos poucos e perceba o que agrada seu paladar. “Se você está acostumado com o café tradicional, que é mais amargo – e até mesmo por isso, exige o uso de açúcar ou adoçante –, comece com um café especial com torra média, que tem notas achocolatadas e corpo mais denso. Aos poucos, vá descobrindo diferentes origens e métodos de preparo, como o coado, a prensa francesa ou espresso”, sugere. 

A fim de difundir as diferenças entre os tipos de café e elevar a cultura dos cafés especiais, Joshua Stevens vem realizando workshops sobre o assunto em algumas lojas da rede. O primeiro deles aconteceu na flagship da capital paulista, localizada no bairro de Moema.


RH brasileiro não alcança nível estratégico: onde está o gargalo?

O RH brasileiro ainda está longe de ser tão estratégico quanto o discurso corporativo costuma afirmar. Um estudo recente divulgado pela Você RH aponta que a área alcançou 37 pontos em 100 em maturidade, sem atingir o nível médio ideal. Mais do que um número, o resultado acende um alerta: existe uma diferença significativa entre reconhecer que pessoas são essenciais para o negócio, e dar a este departamento as condições, competências e espaço necessários para participar, mais ativamente, das tomadas de decisões da empresa. 

Uma das razões para esse descompasso está na própria forma como a área é inserida nas decisões empresariais. Em muitos casos, seus profissionais ainda são acionados quando uma estratégia já foi definida e passa a exigir alguma resposta relacionada a pessoas. Ou seja, entram para viabilizar uma decisão que já foi tomada, e não necessariamente para ajudar a construi-la. 

Quando isso acontece, é natural que sua atuação se torne mais operacional. Afinal, se o RH participa apenas dos efeitos que uma decisão produz sobre as pessoas, seu espaço de contribuição fica limitado – o que acaba sendo diferente quando a área está envolvida desde o início da discussão estratégica. Quanto mais o RH compreende o negócio, seus objetivos, desafios e indicadores, mais condições terá de antecipar necessidades e contribuir para decisões que envolvam pessoas — e não apenas administrar seus efeitos. 

Outro ponto que também acaba impactando esse protagonismo está relacionado à própria maturidade do departamento. Ainda é comum que o RH acompanhe se determinada iniciativa foi entregue, quantas pessoas foram treinadas ou qual foi o índice de turnover, sem necessariamente avançar para uma pergunta mais importante: qual foi o impacto disso para o negócio? Mensurar o turnover, por exemplo, é diferente de compreender quanto a rotatividade representa em custos de recrutamento e treinamento, perda de produtividade, impacto na rentabilidade e, até mesmo, no comprometimento da capacidade de geração de receita da empresa. 

Quando a área consegue conectar seus indicadores aos resultados financeiros e operacionais da organização, sua contribuição deixa de ser percebida apenas como uma agenda de pessoas, e passa a fazer parte da discussão do negócio. E, para isso, estar munido de dados é essencial: demonstrar, com números, como suas decisões influenciam custos, produtividade, receita e rentabilidade, sustentando sua posição e conquistando espaço nas conversas estratégicas. 

A conquista deste espaço está diretamente relacionada a uma mudança na própria atuação desses profissionais. Dominar ferramentas de gestão de pessoas, processos e metodologias já não é suficiente: hoje, um RH que pretende participar das decisões relevantes da companhia precisa compreender também suas estratégias, operações, riscos, dinâmica de mercado e desafios financeiros. Só assim conseguirá interpretar os impactos que uma decisão terá sobre pessoas e lideranças e, ao mesmo tempo, contribuir para que essas decisões sejam mais consistentes do ponto de vista organizacional. 

Essa transformação, contudo, não depende de um único responsável. Por um lado, cabe à companhia reconhecer este departamento como parte essencial deste processo, criando o espaço para que participe das discussões desde sua origem. Mas, também cabe ao próprio executivo de RH desenvolver um alto grau de fluência no negócio, indo além dos indicadores tradicionais do departamento. 

Os dois lados precisam avançar juntos. O RH não pode esperar que esse reconhecimento aconteça espontaneamente: precisa demonstrar, por meio de indicadores concretos e de uma compreensão profunda do negócio, porque sua participação é relevante, ao mesmo tempo que a liderança precisa reconhecer que cultura, desenvolvimento, liderança e sucessão não são agendas paralelas à estratégia, mas elementos que sustentam sua execução.  

Não adianta cobrar um departamento que seja mais estratégico, e continuar colocando a área para trabalhar de forma operacional. É essa capacidade de transformar desafios do negócio em decisões sobre pessoas — e demonstrar concretamente seus efeitos — que pode tirar o RH da condição de área operacional e colocá-lo, de fato, no centro das discussões estratégicas.  

 

Jordano Rischter - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Wide
https://wide.works/


Quais sentimentos nos movem diante do voto

Esperança, medo, raiva e a necessidade de pertencer entram conosco na cabine eleitoral. Reconhecê-los pode ajudar a escolher com mais clareza e a preservar os vínculos depois da eleição

 

Vivemos mais uma vez um momento eleitoral marcado por polarizações. Cada extremo puxa a corda para o seu lado, na esperança de vencer. O problema é a corda romper diante de nós, comprometendo relacionamentos e projetos. Todos perdem.

O ato de votar carrega muitas emoções diferentes, e esse invisível que move nossas escolhas vale ser percebido com mais clareza. Não deixamos nossas emoções do lado de fora na cabine eleitoral: elas participam de como percebemos os acontecimentos, avaliamos informações e fazemos escolhas. Razão e emoção não ocupam necessariamente lados opostos nessa decisão.

Podemos votar inspirados pela ESPERANÇA. Acreditamos que o poder vai mudar de mãos, ou continuar com quem está. Temos esperança em nossos candidatos e no futuro que desejamos, e votamos a favor, movidos por aquilo em que acreditamos. Mas há também quem escolha movido pela INDIGNAÇÃO ou pela RAIVA: mais do que votar em alguém, votamos contra alguém. A rejeição ao outro candidato pode se tornar tão importante quanto a identificação com aquele que escolhemos, às vezes até mais.

Há outras emoções no caldeirão da eleição. Uma delas é o MEDO. Tememos que o lado rival tome o poder ou continue nele. Tememos perder direitos, segurança, condições de vida ou valores que consideramos importantes. Em situações mais intensas, podemos sentir que tudo estará perdido caso o outro lado vença.

Não se trata de dividir as emoções entre boas e ruins, mas de perceber o que acontece quando uma delas se torna tão intensa que domina a maneira como enxergamos a realidade. Quando o medo cresce, nossa atenção se concentra na ameaça. Quando a raiva toma conta, ainda conseguimos escutar o que contradiz aquilo em que acreditamos?

Existe ainda outra força: a necessidade humana de PERTENCER. Somos seres sociais, construímos identidades a partir dos grupos e valores que compartilhamos. Na política, também surge um "nós" e um "eles". É aí que aparece a chamada polarização afetiva, quando a distância política passa pelo campo dos sentimentos.

Sob forte impacto emocional, prestamos mais atenção a algumas informações do que a outras, com mais dificuldade de considerar perspectivas que desafiam nossas convicções e as redes sociais podem acentuar essas divisões. Nesse período delicado, vale reconhecer nossas emoções e como estamos decodificando suas mensagens.

Eleições passam. Governos começam e terminam. Mas continuaremos vivendo no mesmo país, encontrando pessoas que votaram diferente de nós no trabalho, na família, entre amigos e talvez dentro de casa. Por isso, olhar para as emoções que nos movem diante do voto não é só uma questão política, mas também humana, que merece cuidado.

O que está me movendo nessa escolha? Esperança? Medo? Raiva? Indignação? Confiança? Rejeição? Pertencimento? Provavelmente não há uma única resposta. Somos mais complexos do que isso. E nossas escolhas também. 



Deborah Dubner - psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, com uma boa dose de poesia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência e Psicologia Positiva, é também graduada em Ciência da Felicidade e professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência.


Apenas 28% dos jovens têm certeza da carreira que querem seguir; flexibilidade e qualidade de vida lideram profissão dos sonhos

Pesquisa da Cruzeiro do Sul Educacional revela que a maioria dos estudantes ainda tem dúvidas sobre qual caminho profissional seguir. Identificação com a área de atuação (40%), flexibilidade, home office e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho (26%) estão entre os principais fatores que orientam as decisões da nova geração


A escolha da graduação e da carreira continua sendo uma das principais decisões na vida dos jovens brasileiros. Para compreender quais fatores influenciam esse processo, a Cruzeiro do Sul Educacional, um dos maiores grupos de educação do país, realizou durante o mês de setembro a pesquisa "Na hora de escolher sua graduação e carreira, o que pesa mais na sua decisão?". O levantamento ouviu estudantes de colégios do grupo e participantes de feiras estudantis. Entre os respondentes, 96% estão na região Sudeste, sendo 68% na faixa etária de 14 a 16 anos e 30% entre 17 e 19 anos. 

Os resultados mostram que a decisão profissional ainda está em construção para grande parte dos jovens brasileiros. Embora 28% afirmem ter certeza da profissão que pretendem exercer, a maioria ainda vivência diferentes níveis de indecisão: 32% já fizeram uma escolha, mas mantêm dúvidas sobre o futuro, 28% seguem avaliando diferentes possibilidades de carreira e 12% ainda não definiram qual caminho desejam seguir. 

Quando questionados sobre os fatores que mais influenciam a escolha profissional, 40% apontaram a identificação pessoal com a área de atuação como principal critério. Na sequência aparecem o potencial de salário e crescimento financeiro, com 22%, e as perspectivas de empregabilidade, com 12%. 

A busca por qualidade de vida também ganha relevância quando os jovens projetam sua profissão ideal. Para 26% dos entrevistados, a combinação entre flexibilidade, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a possibilidade de atuar em formatos como home office ou trabalho híbrido representa o aspecto mais importante da carreira dos sonhos. Na sequência, aparecem a realização pessoal (21%) e boa remuneração (18%). 

O estudo também investigou como os jovens percebem o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho. A visão predominante, compartilhada por 31% dos entrevistados, é de que a tecnologia ampliará a importância de habilidades humanas, como criatividade, pensamento crítico e capacidade de adaptação. Outros 25% acreditam que a IA transformará a maioria das profissões atuais, exigindo novas competências dos profissionais, enquanto 22% avaliam que surgirão oportunidades de trabalho que hoje ainda não existem. Já 19% enxergam um cenário mais desafiador, no qual a tecnologia poderá substituir diversas funções e tornar o mercado mais competitivo. 

Essa percepção se reflete também nas expectativas para o futuro. Para 56% dos participantes, a Inteligência Artificial estará presente na maior parte das atividades profissionais dentro dos próximos dez anos. Além disso, 22% acreditam que competências essencialmente humanas serão ainda mais valorizadas, enquanto 21% projetam o surgimento frequente de novas profissões impulsionadas pelos avanços tecnológicos. 

"Existe uma mudança importante em curso. Durante muitos anos, a principal pergunta era 'qual profissão vai garantir estabilidade?'. Hoje, os jovens querem saber como construir uma trajetória que combine propósito, bem-estar e empregabilidade. A carreira deixa de ser uma escolha definitiva e passa a ser uma jornada de desenvolvimento contínuo. É justamente nesse cenário que a educação ganha um papel ainda mais estratégico.", destaca Leonardo Queiroz, vice-presidente de marketing e vendas na Cruzeiro do Sul Educacional. 

Para apoiar os estudantes nesse momento de decisão, a Cruzeiro do Sul Educacional promove, entre os dias 5 e 8 de outubro, mais uma edição do Mochilão, feira de profissões gratuita realizada em todas as instituições do grupo. A iniciativa convida alunos do Ensino Médio a conhecerem de perto diferentes áreas de formação e carreiras, por meio de experiências práticas que auxiliam no processo de escolha profissional. Os participantes também concorrem a bolsas de estudo. 

A programação reúne atividades de diversos cursos de graduação, incluindo oficinas, palestras, visitas a laboratórios e espaços acadêmicos, além de momentos dedicados ao esclarecimento de dúvidas sobre o mercado de trabalho, possibilidades de atuação e trajetória profissional. A proposta é proporcionar uma vivência mais próxima da realidade das profissões, permitindo que os jovens tomem decisões mais conscientes e alinhadas aos seus interesses e objetivos de futuro.
 

Saiba mais no site do Mochilão.

  

Capadócia no inverno: paisagem que ganha tons de branco

Entre os melhores destinos de inverno da Europa, a Capadócia, na Turquia, revela um lado mais tranquilo e ainda mais mágico quando a neve cobre suas chaminés de fada, vales e habitações seculares escavadas na rocha

 

Localizada no coração da Turquia, essa região extraordinária é conhecida mundialmente por seus vales esculpidos pela natureza, imponentes chaminés de fada, cidades subterrâneas e coloridos balões de ar quente. E é com a chegada do inverno que a paisagem ganha uma atmosfera completamente diferente: uma fina camada de neve suaviza as formações vulcânicas, o movimento de visitantes diminui e o silêncio da Anatólia Central torna cada cenário ainda mais especial. 


Uma paisagem transformada pela neve 

O impressionante relevo da Capadócia foi moldado ao longo de milhões de anos pela atividade vulcânica e pela ação do vento e da água. O resultado é uma paisagem quase onírica, formada por cones, pilares, desfiladeiros e planaltos de rocha vulcânica macia, onde se destacam as características formações conhecidas como chaminés de fada. 

No inverno, a neve cobre essas formações e realça os contornos de vales como Rose Valley, Red Valley, Love Valley e Pigeon Valley. O contraste entre o branco da neve, os tons claros das rochas e as diferentes cores do céu cria cenários que parecem quase surreais. 

Os mirantes nos arredores de Göreme e Uçhisar ficam especialmente fascinantes durante o nascer e o pôr do sol. Com menos visitantes do que na primavera e no verão, o inverno também traz um ritmo mais tranquilo à região, permitindo aos viajantes contemplar sua grandiosidade, seu silêncio e suas belezas naturais sob uma nova perspectiva. 


História esculpida na rocha 

A Capadócia vai muito além de suas paisagens impressionantes. Ao longo dos séculos, diferentes comunidades se adaptaram ao relevo da região, escavando diretamente na rocha casas, mosteiros, igrejas e até povoados inteiros. 

O Parque Nacional de Göreme e os Sítios Rupestres da Capadócia fazem parte da Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1985. No Museu a Céu Aberto de Göreme, os visitantes podem entrar em igrejas escavadas na rocha, decoradas com afrescos bizantinos, e conhecer um dos mais importantes complexos monásticos da região. 

O inverno é particularmente propício para explorar esses patrimônios culturais. Muitos dos locais mais fascinantes da Capadócia estão esculpidos em paredões rochosos ou escondidos sob a terra, oferecendo abrigo do frio enquanto revelam séculos de história. 

As cidades subterrâneas de Kaymaklı e Derinkuyu se estendem por redes de passagens, depósitos, cozinhas, capelas e espaços de convivência. Construídos e ampliados ao longo de diferentes períodos históricos, esses complexos assentamentos mostram como antigas comunidades criaram verdadeiros mundos protegidos sob a paisagem da Anatólia. 

Outros locais, como as formações rochosas de Paşabağ, as habitações escavadas de Zelve e o monumental Castelo de Uçhisar, ajudam a compreender ainda mais a relação entre a geologia da Capadócia e a história humana. 


Manhãs de inverno sobre os vales 

Poucas imagens são tão associadas à Capadócia quanto a dos balões de ar quente flutuando sobre seus vales ao nascer do sol. Os voos acontecem durante todo o ano, sempre que as condições meteorológicas permitem, e o inverno proporciona uma das versões mais inesquecíveis dessa experiência. 

Vistas do alto, as chaminés de fada cobertas de neve, os vinhedos e os vilarejos escavados na rocha se estendem pelo horizonte, iluminados pelos primeiros raios da manhã. Quem prefere permanecer em terra firme também pode acompanhar o espetáculo dos balões a partir dos mirantes panorâmicos de Göreme e dos vales ao redor. 

Como os voos de balão dependem das condições de vento e visibilidade, a recomendação é programar a experiência logo na chegada, sempre que possível. Assim, há maior flexibilidade caso o passeio precise ser adiado. 


O aconchego das cavernas da Capadócia 

Depois de um dia no ar fresco do inverno, os hotéis-caverna da Capadócia tornam-se parte da experiência do destino. Muitos ocupam antigas casas de pedra e habitações históricas escavadas na rocha cuidadosamente restauradas, combinando as características da arquitetura tradicional da região com o conforto contemporâneo. 

Paredes de pedra, pátios intimistas, lareiras e ambientes com iluminação acolhedora criam uma atmosfera especialmente convidativa nos meses mais frios. Hospedar-se em uma dessas propriedades também permite conhecer de perto como a arquitetura da Capadócia se adaptou, ao longo dos séculos, ao clima e à paisagem ao seu redor. 

Os tradicionais hammams da região são outro ritual especialmente bem-vindo no inverno. Seus interiores revestidos de mármore aquecido, salas de vapor e tratamentos tradicionais proporcionam um momento relaxante após um dia explorando vales e locais históricos. 


Os sabores da Anatólia Central 

O inverno também convida os viajantes a descobrir a Capadócia por meio de sua gastronomia. A culinária local é marcada pelos ingredientes e pelas tradições da Anatólia Central, com pratos substanciosos que se tornam ainda mais reconfortantes nos dias frios. 

Uma das especialidades mais conhecidas da região é o testi kebabı, combinação de carne e vegetais cozidos lentamente dentro de um recipiente de barro selado. Tradicionalmente, o pote é quebrado à mesa na hora de servir, transformando o jantar em uma experiência que vai além da gastronomia. 

Sopa de lentilha, mantı, folhas de videira recheadas, gözleme e ensopados preparados lentamente também fazem parte da culinária encontrada em toda a região. A longa tradição vinícola da Capadócia acrescenta outra dimensão à sua identidade gastronômica, com vinhedos cultivados em solos vulcânicos ricos em minerais. 

Em Avanos, a conexão entre a terra e as tradições locais também pode ser vivenciada por meio da cerâmica. Há gerações, artesãos trabalham com a argila proveniente do rio Kızılırmak, e os visitantes podem conhecer oficinas familiares para observar o processo de produção ou até experimentar moldar uma peça com as próprias mãos. 


Uma experiência de inverno diferente 

A Capadócia mostra que uma viagem de inverno não precisa se limitar às pistas de esqui ou aos mercados de Natal. Por lá, a estação proporciona uma experiência mais contemplativa, marcada por paisagens cobertas de neve, patrimônios históricos mais tranquilos, o aconchego das cavernas e uma sensação de descoberta difícil de reproduzir nos períodos mais movimentados do ano. 

Seja observada do alto de um balão, explorada por passagens subterrâneas ou contemplada diante da lareira de um hotel-caverna, a Capadócia no inverno parece, ao mesmo tempo, atemporal e completamente inesperada. 

A Turkish Airlines conecta viajantes à Türkiye por meio de sua ampla malha aérea global e oferece conexões convenientes via Istambul para Nevşehir e Kayseri, principais portas de entrada para a Capadócia. A partir dessas cidades, os visitantes podem seguir até o coração da região e descobrir uma paisagem de inverno moldada pela natureza, pela história e por séculos de cultura da Anatólia. Com a Turkish Airlines, a viagem rumo a um dos destinos mais extraordinários da Türkiye começa em cidades de diferentes partes do mundo. 

 


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Dia Internacional do Café - Um grão, vários sabores: método de preparo pode transformar a experiência com o café

 Espresso, V60, prensa francesa, moka e outros métodos extraem diferentes características do mesmo grão e alteram corpo, aroma, acidez e percepção de sabor 

 

Um mesmo grão de café pode resultar em bebidas bastante diferentes dependendo da forma como é preparado. Moagem, temperatura da água, tempo de contato, pressão, proporção entre café e água e tipo de filtro interferem diretamente na extração e ajudam a explicar por que um espresso apresenta características tão distintas de um V60 ou de uma prensa francesa, mesmo quando todos partem do mesmo café.

A explicação está no processo de extração. Quando a água entra em contato com o café moído, diferentes substâncias presentes no grão são transferidas para a bebida. Entre elas estão ácidos orgânicos, cafeína, compostos aromáticos, óleos e outras moléculas formadas ou modificadas durante a torra. Como esses componentes apresentam diferentes níveis de solubilidade e velocidades de extração, alterações no preparo modificam o perfil final da xícara.

Para Elói Ferreira, cofundador e desenvolvedor de produtos da Go Coffee, entender essa dinâmica ajuda a desconstruir a ideia de que os métodos servem apenas para deixar o café mais forte ou mais fraco. “Quando mudamos o método, não estamos simplesmente aumentando ou diminuindo a intensidade do café. Estamos alterando a maneira como a água interage com o grão e quais características ficam mais evidentes na xícara. O mesmo café pode apresentar mais corpo em um preparo e revelar com maior clareza notas frutadas ou florais em outro”, explica.

O tamanho das partículas interfere diretamente na velocidade de extração. Quanto mais fino o café é moído, maior é a superfície disponível para contato com a água e mais rapidamente tende a ocorrer a extração. É por isso que o espresso, preparado em poucos segundos, utiliza uma moagem fina. Métodos mais longos, como prensa francesa e cold brew, costumam trabalhar com partículas maiores.

Isso não significa, porém, que basta moer o café cada vez mais fino para obter uma bebida melhor. Uma moagem inadequada ou pouco uniforme pode fazer com que algumas partes sejam mais extraídas do que outras, comprometendo o equilíbrio da bebida. “A moagem precisa conversar com o método. Se ela estiver muito fina ou muito grossa para aquele preparo, podemos perder equilíbrio. Um dos trabalhos do barista é justamente ajustar essas variáveis para conseguir uma extração uniforme e destacar as características que aquele café tem potencial para entregar”, afirma Elói.


Espresso concentra; filtrados podem destacar nuances 

Entre os métodos mais conhecidos, o espresso utiliza pressão para forçar a passagem da água por uma camada compacta de café finamente moído. O resultado é uma bebida de alta concentração, com corpo e textura mais densos e grande intensidade aromática. Por isso, pequenas alterações no preparo também podem ficar mais evidentes na xícara.

Já métodos filtrados podem seguir outra direção. Preparos como o V60 tendem a favorecer clareza, acidez e separação entre sabores, enquanto a Chemex, com seu filtro de papel, costuma resultar em uma bebida mais limpa e de corpo leve. A prensa francesa permite a passagem de mais óleos e partículas, o que tende a gerar maior corpo e textura.

“Não existe necessariamente um método melhor. Existe o método que pode combinar melhor com determinado café ou com a preferência de quem vai beber. Quem gosta de uma bebida mais encorpada pode se identificar com a prensa francesa. Quem procura maior clareza para perceber determinadas notas pode preferir um filtrado. O interessante é experimentar o mesmo grão de formas diferentes e perceber como ele muda”, explica o especialista. 


O filtro também muda o resultado

Um elemento aparentemente simples também exerce influência importante: o filtro. O papel retém grande parte das partículas suspensas e parte da fração oleosa, contribuindo para uma bebida mais limpa e de corpo mais leve. Já filtros metálicos permitem a passagem de mais partículas microscópicas e óleos, aumentando a sensação de corpo e textura.

A diferença ajuda a explicar por que dois métodos que utilizam o mesmo café e água podem produzir experiências sensoriais distintas. “Às vezes, o consumidor associa toda a diferença ao grão, mas o equipamento e o filtro têm participação importante no resultado. O papel pode favorecer uma xícara mais limpa, enquanto o metal permite maior presença de óleos e partículas. São detalhes técnicos que, no final, aparecem de maneira bastante concreta no paladar”, destaca Ferreira. 


Temperatura não deve ser analisada isoladamente 

A temperatura da água é outra variável importante porque interfere na dinâmica da extração. Em geral, temperaturas mais altas aceleram a dissolução e o transporte de compostos do café. Mas a afirmação de que “água mais quente sempre deixa o café mais amargo” é uma simplificação.

O material técnico aponta um estudo do UC Davis Coffee Center no qual cafés filtrados foram preparados a diferentes temperaturas. Quando a concentração e o rendimento de extração foram mantidos equivalentes por meio de ajustes em outras variáveis, a temperatura isoladamente apresentou pouca influência no perfil sensorial. Na prática, ela continua relevante porque moagem, tempo e demais condições dificilmente permanecem idênticos durante o preparo.

“No café, uma variável dificilmente trabalha sozinha. Temperatura, moagem, tempo, quantidade de água e método estão conectados. Por isso, uma receita equilibrada depende mais de entender a relação entre esses fatores do que de buscar uma temperatura ou um tempo considerados perfeitos para qualquer café”, explica. 


Cold brew não é apenas café gelado

A diferença entre métodos fica ainda mais evidente no cold brew. Preparado com água fria e longos períodos de contato, ele apresenta uma dinâmica de extração diferente dos cafés feitos com água quente.A baixa temperatura reduz a velocidade do processo e, por isso, o café permanece em contato com a água durante horas. Dependendo da receita, o resultado tende a apresentar suavidade, corpo e notas associadas a chocolate, caramelo e castanhas, além de menor percepção de acidez em muitos preparos.

“Cold brew não é simplesmente preparar um café quente e esperar esfriar. A extração acontece de outra maneira. O tempo maior e a temperatura baixa modificam o perfil da bebida, por isso o resultado sensorial também é diferente. É um bom exemplo de como o método consegue mudar nossa percepção de um mesmo café”, afirma o barista. 


O método destaca o que já existe no grão

Apesar da influência do preparo, o método não consegue criar características que não estejam presentes na matéria-prima. O resultado começa ainda na origem e é influenciado por variedade, clima, solo, altitude, maturação do fruto, processamento, fermentação, secagem, armazenamento e torra.O preparo funciona, portanto, como uma forma de evidenciar ou suavizar determinadas características.

“O método não faz milagre e não cria sabores que o café não possui. O que conseguimos fazer é escolher uma forma de preparo que valorize determinadas características daquele grão. É justamente isso que torna o café tão interessante: você pode partir da mesma matéria-prima e descobrir diferentes expressões dela na xícara”, conclui. 



Go Coffee
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