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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

15/10 Dia dos Professores

 Voz, perfume, jeito de falar e até o ambiente da sala de aula podem permanecer associados às lembranças escolares por décadas; neurocientista explica como o cérebro constrói essas memórias

 

Você talvez não se lembre de todas as matérias que aprendeu na escola, das notas que tirou ou do que estava escrito no quadro em determinada aula. Mas pode se lembrar perfeitamente da voz de um professor, de uma frase que ele repetia, do perfume que usava ou até da sensação de entrar naquela sala. Essas lembranças ajudam a mostrar que a passagem de um educador pela vida de um aluno pode deixar registros que vão muito além do conteúdo ensinado.

Segundo Daiana Petry, neurocientista e aromaterapeuta isso acontece porque nossas memórias não são formadas apenas pelas informações objetivas de uma experiência. O cérebro também registra elementos sensoriais e emocionais daquele momento.

“Quando pensamos na escola, muitas vezes não recuperamos uma lembrança como se estivéssemos lendo um arquivo. Podemos lembrar da voz do professor, do cheiro da sala, do som do sinal, da textura dos materiais e, principalmente, de como nos sentíamos naquele ambiente. Todos esses elementos podem participar da construção daquela memória”, explica.
 

Por que ainda conseguimos “ouvir” a voz de um professor?

Há pessoas que, décadas depois de deixar a escola, conseguem imaginar com clareza um antigo professor dizendo determinada frase ou chamando seu nome.

Daiana explica que sons e características da fala também podem ficar associados às experiências vividas. A repetição tem papel importante: durante meses ou anos, o aluno escuta aquela mesma voz, com determinado ritmo, entonação e expressões.

“Uma frase repetida muitas vezes pode ficar tão associada àquela pessoa que, quando lembramos dela, quase conseguimos reproduzir mentalmente a maneira como era dita. Não significa que exista uma gravação perfeita armazenada no cérebro. A memória é reconstruída, mas determinados elementos sensoriais podem funcionar como pistas muito poderosas para essa reconstrução”, afirma.
 

Cheiros também podem nos levar de volta à escola

O olfato é outro caminho capaz de despertar recordações antigas. O cheiro de livros, lápis, madeira, merenda, produtos usados na limpeza da escola ou o perfume de um professor pode, anos mais tarde, trazer uma lembrança aparentemente esquecida.

“O olfato mantém relações muito próximas com sistemas cerebrais envolvidos na emoção e na memória. Por isso, às vezes sentimos um cheiro e a lembrança aparece antes mesmo de conseguirmos explicar conscientemente de onde conhecemos aquele aroma”, explica Daiana.

É o famoso momento em que alguém sente determinado cheiro e pensa imediatamente: “Isso tem cheiro da minha escola” ou “Minha professora usava esse perfume”.
 

Emoção ajuda a explicar por que alguns professores nunca são esquecidos

Mas não são apenas os estímulos sensoriais que fazem determinados educadores permanecerem na memória.

Um professor pode estar associado ao momento em que uma criança finalmente conseguiu aprender algo que parecia impossível, recebeu um elogio importante, sentiu-se acolhida diante de uma dificuldade ou descobriu uma habilidade que nem sabia que possuía.

Da mesma maneira, experiências negativas também podem permanecer por muito tempo.

“Quando uma experiência tem significado emocional, ela tende a ganhar relevância para o cérebro. Por isso, muitas vezes não lembramos apenas do professor, mas da sensação que tínhamos perto dele: segurança, admiração, curiosidade, medo, vergonha, pertencimento ou confiança”, explica a neurocientista.

É por isso que duas pessoas que estudaram na mesma escola e tiveram os mesmos professores podem guardar lembranças completamente diferentes daquele período.

Ao ensinar, o professor não transmite apenas informações. Sua voz, expressões, gestos, maneira de acolher uma dúvida e até pequenos hábitos cotidianos passam a fazer parte de um ambiente que acompanha etapas importantes do desenvolvimento.

“Podemos esquecer uma fórmula, uma data ou uma página inteira do livro, mas lembrar por décadas de um professor que nos fez sentir capazes. Isso mostra como aprendizagem, sentidos e emoção podem caminhar juntos na construção das nossas memórias”, conclui Daiana Petry. 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry

 

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