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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Golpes digitais desafiam a longevidade: educação digital e pensamento crítico ajudam a fortalecer a autonomia

Com quase 3 milhões de tentativas de fraude de identidade no Brasil no primeiro semestre de 2026, educação digital e capacidade de avaliar informações ganham relevância em uma sociedade cada vez mais conectada 

 

A digitalização dos serviços bancários, das compras e da comunicação facilitou a rotina de milhões de brasileiros, mas também ampliou as oportunidades para golpes financeiros. Diante de abordagens que exploram a confiança, o medo e a urgência, saber avaliar informações e verificar a autenticidade de mensagens tornou-se parte importante do uso seguro da tecnologia. 

O Brasil registrou quase 3 milhões de tentativas de fraude de identidade apenas no primeiro semestre de 2026. Segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, o volume de tentativas cresceu 32,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, o equivalente a uma tentativa a cada 5,5 segundos. 

Paralelamente, dados do Observatório Febraban, divulgados em 2025, indicaram que 44% dos entrevistados com 60 anos ou mais relataram já ter sido vítimas de golpes ou tentativas de fraude financeira relacionadas às suas contas bancárias. 

Entre as estratégias utilizadas por criminosos estão mensagens que simulam contatos de bancos, pedidos urgentes de transferência, falsas ofertas e abordagens que se passam por familiares ou conhecidos. Muitas dessas práticas recorrem à engenharia social, que explora reações emocionais para induzir decisões precipitadas. 

Nesse cenário, atenção, planejamento e pensamento crítico são habilidades importantes para avaliar situações suspeitas. Para Patrícia Lessa, diretora pedagógica nacional do Supera – Estimulação Cognitiva, a principal proteção contra golpes não está apenas na tecnologia dos bancos, mas na capacidade das pessoas de analisar situações, questionar informações e tomar decisões sem agir por impulso. 

"Os golpes exploram justamente momentos de distração, ansiedade ou urgência. Por isso, desenvolver atenção, raciocínio lógico, planejamento e pensamento crítico é tão importante quanto conhecer as ferramentas digitais. Quando a pessoa aprende a refletir antes de agir, ela toma decisões mais conscientes", afirma. 

Segundo a especialista, o cérebro pode continuar aprendendo durante toda a vida graças à neuroplasticidade, capacidade de se modificar em resposta a experiências e estímulos. Aprender a utilizar aplicativos, compreender novas ferramentas e resolver problemas são experiências que mobilizam diferentes funções cognitivas, como memória, flexibilidade mental e raciocínio. 

"O desafio faz bem para o cérebro. Aprender uma nova tecnologia exige adaptação, cria novas conexões neurais e fortalece habilidades que utilizamos no dia a dia. Mas esse aprendizado precisa acontecer em um ambiente que incentive o raciocínio, e não apenas a repetição de procedimentos", explica.

 

Como reconhecer situações de risco 

A educação digital precisa ir além do aprendizado operacional de aplicativos. Saber realizar uma transferência ou acessar uma conta não significa necessariamente reconhecer uma tentativa de fraude. Por isso, desenvolver hábitos de verificação é fundamental para utilizar os recursos digitais com mais segurança. 

Entre as principais recomendações estão desconfiar de mensagens que exigem ação imediata, confirmar pedidos de dinheiro por outro canal, não compartilhar senhas ou códigos de autenticação e evitar clicar em links suspeitos. Em contatos supostamente feitos por bancos, o caminho mais seguro é interromper a conversa e procurar a instituição pelos canais oficiais. 

Esses cuidados são importantes para pessoas de todas as idades. Embora a experiência digital possa ajudar no reconhecimento de situações familiares, golpes sofisticados também exploram relações de confiança e técnicas de manipulação que não dependem da idade ou da capacidade cognitiva da vítima.

 

Aprendizagem contínua e autonomia ao longo da vida 

A estimulação cognitiva pode oferecer oportunidades estruturadas para exercitar atenção, memória, raciocínio e flexibilidade mental. Quando associada à troca de experiências e à convivência, também favorece espaços para compartilhar conhecimentos e discutir desafios cotidianos, inclusive os relacionados ao uso da tecnologia. 

Isso não significa que o treinamento cognitivo impeça fraudes ou torne alguém imune à manipulação. A segurança digital depende de diferentes fatores, como acesso à informação, recursos tecnológicos adequados, hábitos de verificação e canais de orientação acessíveis. 

Em uma sociedade que vive mais e utiliza cada vez mais serviços digitais, a autonomia também passa pela possibilidade de continuar aprendendo e participando da vida conectada. Estimular o cérebro, ampliar conhecimentos e desenvolver familiaridade com novas ferramentas são caminhos para acompanhar essas transformações com mais confiança, sem perder de vista a importância dos cuidados práticos de segurança.


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