Filtro UV comprovado é o que protege os olhos, não a tonalidade da lente; coordenadora do curso Técnico em Óptica explica também como as medidas e o material influenciam segurança e conforto
Um óculos muito escuro não é necessariamente um óculos mais
seguro. Sem proteção adequada contra os raios ultravioleta (UV), lentes escuras
podem criar uma falsa sensação de segurança e até favorecer uma exposição maior
à radiação. Com a aproximação do verão, quando os óculos de sol ganham destaque
em ruas, praias e atividades ao ar livre, a escolha vai além do formato da
armação e da cor da lente.
"Lentes escuras reduzem a luminosidade e fazem com que a
pupila se dilate, permitindo maior entrada de luz no olho. Se essas lentes não
tiverem proteção adequada contra os raios UV, podem favorecer uma exposição
maior à radiação ultravioleta. Por isso, o mais importante é que as lentes
ofereçam proteção UV comprovada", explica Joice Arruda, coordenadora do
curso Técnico em Óptica do Senac EAD.
Efeitos que se acumulam ao longo da vida
Segundo a especialista, assim como acontece com a pele, os olhos
absorvem radiação ultravioleta e os efeitos vão se acumulando. Em exposições
intensas, o UVB pode causar uma espécie de "queimadura" na córnea,
chamada fotoceratite, com dor, ardência e sensibilidade à luz. Ao longo dos
anos, a exposição aos raios UVA e UVB pode contribuir para alterações como
pterígio e catarata.
A cor da lente não indica proteção
Cinza, castanho, verde, amarelo: além da preferência estética, as tonalidades atendem a necessidades diferentes. As lentes cinzas preservam melhor a percepção natural das cores e são versáteis para o dia a dia. As castanhas aumentam o contraste e podem ser interessantes para dirigir e praticar atividades ao ar livre. As verdes equilibram contraste e fidelidade das cores, e as amarelas aumentam a percepção de contraste em ambientes de baixa luminosidade, mas não são indicadas para sol intenso.
"A cor ou a tonalidade da lente não determina sua proteção UV", reforça Joice.
Outras tecnologias ajudam no conforto. As lentes polarizadas
reduzem reflexos em superfícies como água, asfalto e areia. As fotossensíveis
escurecem com a exposição à radiação UV, e o tratamento antirreflexo diminui
reflexos indesejados e melhora a qualidade visual. Independentemente da
escolha, o mais importante é garantir proteção adequada contra UVA e UVB.
Praia, esporte e crianças: atenção ao material
Para situações com maior risco de quedas e impactos, o policarbonato
é um dos materiais mais indicados: tem alta resistência, é leve e oferece
proteção UV, sendo uma boa opção para crianças, esportes e atividades ao ar
livre. Outra alternativa é o Trivex, que combina resistência, leveza e
qualidade óptica.
Armações muito curvas, comuns em óculos solares e esportivos,
deixam as lentes mais inclinadas em relação aos olhos. Isso pode alterar a
percepção do grau e provocar distorções e desconfortos se não for considerado
na montagem. Nesses casos, podem ser necessários lentes e cálculos específicos.
Para quem usa grau, a medida faz a diferença
O grau correto é apenas uma parte de um bom óculos. Duas pessoas
com o mesmo grau e a mesma armação podem ter experiências completamente
diferentes se as medidas tomadas forem imprecisas.
Duas medidas são centrais: a distância nasopupilar (DNP), que vai
do centro da pupila ao centro do nariz e é medida separadamente para cada olho,
e a altura de montagem, que indica a posição vertical dos olhos na armação. Se
há erro, o usuário pode olhar por uma região inadequada da lente, e o centro
óptico deslocado pode causar efeitos prismáticos e distorções. Os sintomas
incluem visão embaçada, desconforto, dor de cabeça e até sensação de tontura.
O que o Técnico em Óptica avalia
"O Técnico em Óptica consegue avaliar algo que vai muito além
da receita: como a armação se posiciona no rosto, a anatomia e a assimetria
facial, as medidas individuais, o comportamento da lente naquela armação e as
necessidades da rotina do usuário. É esse olhar técnico que permite transformar
uma prescrição em óculos realmente personalizados, confortáveis e funcionais,
algo que uma escolha genérica, baseada apenas em grau, modelo e medidas
padronizadas, dificilmente consegue reproduzir", afirma Joice.
O profissional acompanha todo o processo, da interpretação da
receita e da tomada de medidas até a conferência final. Com o lensômetro,
verifica se grau, eixo, cilindro, adição e efeitos prismáticos correspondem à
prescrição. Com o gabarito, confere o posicionamento dos centros ópticos e as
medidas de montagem. Antes da entrega, checa se o que foi prescrito foi de fato
reproduzido nas lentes e montado de forma adequada para aquele usuário.
Mais opções, mais necessidade de orientação
No verão, cresce a busca por óculos solares, proteção UV e lentes
polarizadas, o que movimenta um mercado de grande relevância no país. Segundo a
Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica),
em 2025 o setor óptico já reunia mais de 71 mil pontos de venda; em 2026,
emprega mais de 190 mil pessoas.
"Quanto maior a variedade de lentes, tratamentos e
tecnologias disponíveis, mais importante se torna o Técnico em Óptica para
orientar escolhas e garantir qualidade, conforto e segurança visual",
conclui Joice.
Antes de comprar óculos para o verão, observe:
- Proteção UV: lente mais escura não significa maior proteção;
procure a comprovação de proteção contra UVA e UVB.
- Uso que será feito: dirigir, praticar esportes, ir à praia ou
usar no cotidiano pode demandar características diferentes.
- Reflexos: lentes polarizadas podem aumentar o conforto em
ambientes com água, areia e asfalto.
- Resistência: para crianças e atividades com maior risco de
impacto, materiais como policarbonato e Trivex podem ser indicados.
- Ajuste e medidas: armação, distância nasopupilar e altura de
montagem interferem diretamente na qualidade visual.
- Orientação profissional: grau e aparência, sozinhos, não
bastam para definir se os óculos estão adequados ao usuário.
Senac EAD
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