Levantamento aponta que 40% dos estudantes nunca receberam orientação institucional sobre o uso da inteligência artificial e 52% questionam a confiabilidade das informações geradas
Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, a discussão sobre o ensino de inglês também passa pelas mudanças na rotina de alunos e educadores com a popularização da inteligência artificial. Ferramentas que respondem a dúvidas gramaticais, apresentam exemplos e propõem exercícios permitem que os estudantes pratiquem o idioma fora da sala de aula, mas levantam uma questão importante: como garantir que essas informações sejam compreendidas e aplicadas corretamente?
Ensinar exige acompanhar de perto o desenvolvimento dos alunos,
reconhecer suas dificuldades e encontrar maneiras de tornar o conhecimento
acessível. No aprendizado de inglês, o professor ajuda a construir essa
trajetória ao explicar regras, contextualizar expressões, estimular a
conversação e orientar a evolução de cada estudante. Sua atuação é essencial
para que o idioma seja aprendido de forma consistente e possa ser utilizado com
segurança em diferentes situações de comunicação.
A necessidade desse acompanhamento também aparece nos dados sobre o uso da inteligência artificial por estudantes. Um levantamento da Opera, realizado em 2026, identificou que 40% dos estudantes nunca receberam orientação institucional sobre como utilizar essas ferramentas. Além disso, 52% apontaram a confiabilidade das informações como um aspecto que precisa melhorar. Os resultados reforçam a importância de preparar os alunos para avaliar as respostas geradas pela IA e compreender como aplicá-las aos estudos.
É na identificação dessas dificuldades que o acompanhamento do
professor faz diferença. Uma dúvida sobre a construção de uma frase, por
exemplo, pode indicar que o estudante ainda não compreendeu um conceito
trabalhado anteriormente. Ao reconhecer essa dificuldade, o educador consegue
retomar a explicação, propor novos exercícios e organizar as próximas etapas do
aprendizado de acordo com as necessidades da turma.
“A tecnologia pode ser uma excelente ferramenta para o aluno
continuar estudando depois da aula. Ele pode pedir novos exercícios, buscar
exemplos e revisar o que aprendeu. Mas é importante que as dúvidas sejam
levadas ao professor, porque nem sempre uma resposta pronta explica por que
determinada construção está correta ou se ela faz sentido naquele contexto. O
professor consegue identificar a origem da dificuldade e orientar o estudante
para que ele realmente compreenda o conteúdo, em vez de apenas reproduzir uma
resposta”, afirma Leiza Oliveira, CEO da Minds Idiomas.
O uso do inglês também exige atenção às situações em que a língua é empregada. Uma mesma palavra pode ter significados diferentes conforme o contexto, e expressões comuns em conversas informais nem sempre são apropriadas em uma reunião de trabalho, por exemplo. Embora ferramentas de inteligência artificial consigam apresentar essas variações, cabe ao estudante avaliar as sugestões recebidas e entender qual delas corresponde ao que deseja comunicar.
Nas aulas, o professor ajuda a desenvolver essa capacidade de interpretação. Ao explicar por que determinada expressão funciona em uma situação e não em outra, o educador mostra como adaptar a linguagem a diferentes interlocutores e objetivos. A prática orientada também permite corrigir erros recorrentes, ampliar o vocabulário e desenvolver uma comunicação mais natural, habilidades importantes para quem deseja usar o inglês nos estudos, no trabalho ou em viagens.
Para Leiza, as ferramentas digitais podem ser incorporadas à rotina de estudos desde que os alunos saibam reconhecer suas limitações. A inteligência artificial oferece novas formas de praticar o idioma, mas precisa ser utilizada com critério, em conjunto com as atividades propostas em aula e o acompanhamento pedagógico. Orientar os estudantes nesse uso também passa a fazer parte do trabalho do professor, que os ajuda a avaliar as informações e a identificar quando uma resposta precisa ser revisada.
A compreensão do conteúdo também precisa ser avaliada para além dos exercícios concluídos. Um estudante pode acertar uma questão com a ajuda de uma ferramenta digital sem conseguir resolver um problema semelhante sozinho. Em sala de aula, o professor pode apresentar outro contexto, pedir que o aluno explique seu raciocínio ou propor uma atividade de conversação para verificar se ele consegue aplicar o que aprendeu sem depender de respostas prontas.
Além do domínio do idioma, as aulas de inglês contribuem para o desenvolvimento da escuta, da interpretação e da argumentação. Por meio de debates, trabalhos em grupo e simulações de situações cotidianas, os estudantes praticam a comunicação com diferentes interlocutores e ganham confiança para utilizar a língua em situações reais. Com a inteligência artificial integrada à rotina de estudos, o professor também precisa ajudar os alunos a avaliar as informações encontradas nas plataformas digitais, esclarecer interpretações equivocadas e aprofundar conteúdos. Assim, consegue relacionar esses recursos ao aprendizado em sala de aula e acompanhar a evolução dos estudantes.
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