![]() |
| Magnifc |
Desde 1º de outubro, a mamografia digital passou a
ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde sem restrição de faixa etária,
conforme a indicação do médico. Até então, a cobertura obrigatória valia para
mulheres de 40 a 69 anos. A decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS) vale para rastreamento, diagnóstico e acompanhamento do tratamento e
chega no Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o câncer de mama.
A mensagem central da campanha permanece: quanto mais cedo a
doença é identificada, mais possibilidades de um desfecho clínico favorável
existem.
Uma dor que não foi ignorada
Essa é a experiência de Carita Dutra, 45 anos, analista de
qualidade. Ela faz acompanhamento das mamas, com mamografia e ultrassom, desde
os 40 anos, por recomendação do seu ginecologista. No início de 2026, porém,
sentiu uma dor localizada em uma só mama, algo que nunca havia vivido.
"Eu nunca tinha sentido dor nas mamas. Como era só de um lado
e sempre no mesmo ponto, não quis deixar para depois. Sei que a dor nas mamas é
comum em algumas mulheres na fase pré-menstrual ou da perimenopausa, então
facilmente poderia ter atribuído o incômodo a essa fase. Mas, como era algo
novo para mim, preferi procurar o médico", conta Carita.
O ginecologista solicitou os exames de imagem e a partir deles foi
identificado um nódulo de cerca de 11 milímetros na mama direita. Após
encaminhamento para o mastologista e uma investigação, foi confirmado um tumor
de 3 milímetros dentro desse nódulo.
Carita faz questão de lembrar que o mastologista sinalizou a ela
que a dor não é um sintoma característico do câncer de mama. "A minha dor
foi um acaso. Mas se eu ignorasse ela e não procurasse o médico, talvez fosse
tarde demais. Por isso o exame periódico é tão importante", destaca.
Com o diagnóstico, Carita seguiu o plano de tratamento definido
pela equipe médica. Em julho, fez uma cirurgia conservadora, com retirada
parcial da mama. A análise do material mostrou que as margens e os linfonodos
avaliados estavam livres de células tumorais. Depois, foram indicadas cinco
sessões de radioterapia (que foram realizadas durante cerca de uma semana) e a
terapia hormonal, que deve durar cinco anos. Por ter sido identificado muito
cedo, com um tumor muito pequeno, o tratamento dispensou a quimioterapia. Ela
segue em acompanhamento médico, mas afirma que conseguiu voltar rapidamente à
rotina de trabalho.
"Tenho certeza de que o diagnóstico precoce oferece mais
opções e possibilita mais qualidade de vida. No meu caso, o tumor era pequeno,
o tratamento foi mais rápido e eu consegui voltar logo a viver
normalmente", afirma.
A paciente também abre um alerta importante. "Durante o meu
tratamento na radioterapia, notei que dividia a sala de espera com muitas
pacientes jovens. Então, o câncer de mama não atinge só mulheres mais velhas.
Todas precisam conhecer o seu próprio corpo, prestar atenção nele e fazer os
exames de rotina", recomenda.
Por que o diagnóstico precoce importa
Estudos brasileiros já investigam se tumores de mama pequenos,
identificados em fase inicial, poderão ser removidos completamente por técnicas
percutâneas e minimamente invasivas, reduzindo a necessidade de cirurgia
convencional. Os resultados preliminares são promissores, mas a abordagem ainda
está em fase de validação clínica.
Dr. Henrique Couto, mastologista do REDIMAMA, centro de referência
em mamografia, que conduz uma dessas pesquisas nacionais explica que "o
que vemos nos estudos iniciais publicados é que quando o tumor é encontrado ainda
pequeno, podemos ampliar as possibilidades de uma jornada menos complexa para
esse paciente, ainda na fase da biópsia. No entanto, o que já sabemos e podemos
falar com certeza é que manter o acompanhamento regular e investigar qualquer
alteração nas mamas faz a diferença", explica o especialista.
Tecnologia de imagem: uma evolução constante
A mamografia digital é a base do rastreamento do câncer de mama.
Uma evolução ainda dessa tecnologia é a tomossíntese, que faz aquisições da
mama em diferentes ângulos e gera imagens em camadas. Esse recurso ajuda a
separar estruturas sobrepostas e a avaliar com mais detalhe pequenas
alterações, o que é especialmente relevante em mamas densas.
"A mamografia ainda é frequentemente adiada por falta de
tempo, medo ou pela falsa percepção de que, sem sintomas, o exame não é
necessário. É justamente nesse momento que a mamografia faz a diferença, já que
o câncer de mama em fase inicial geralmente não apresenta sintomas. Ampliar o
acesso à mamografia digital é fundamental para que mais mulheres realizem seus
exames preventivos no momento adequado, sempre com orientação médica.
Identificar o câncer de mama em suas fases iniciais amplia as possibilidades de
um tratamento eficaz e de melhores resultados para a paciente. A tecnologia de
imagem vem evoluindo significativamente, mas a principal recomendação continua
sendo: estar atenta à saúde das mamas e não adiar os exames de rotina",
incentiva Ana Paula Francisqueti, gerente de produtos da Siemens Healthineers.

Nenhum comentário:
Postar um comentário