Estudo do INCA mostra que 54,7% das mulheres analisadas de até 40 anos chegaram ao diagnóstico nos estágios III ou IV; especialistas explicam quando a investigação deve avançar para testes genéticos e genômicos
Mais da metade das mulheres de até 40 anos de idade analisadas em um estudo do
Instituto Nacional de Câncer (INCA) chegou ao diagnóstico de câncer de mama nos
estágios III ou IV. Entre as 75 pacientes avaliadas, 34,7%
estavam no estágio III e 20% no estágio IV. O levantamento foi
realizado com pessoas atendidas no INCA, no Rio de Janeiro, entre outubro de
2022 e outubro de 2023. ¹
O estudo também identificou comprometimento dos linfonodos em 60,8% dos casos,
ou seja, presença de células do tumor nos gânglios linfáticos, estruturas que
fazem parte do sistema de defesa do organismo e podem ser uma via de disseminação
do câncer e histórico familiar de câncer de mama em 45,3% das pacientes.
Os dados reforçam a importância de investigar alterações suspeitas e fatores de
risco sem esperar uma idade específica.A atenção é ainda maior nos casos
diagnosticados antes dos 40: outro estudo do INCA, publicado em 2025 com 75
mulheres nessa faixa etária, identificou alta frequência de tumores de alto
grau, comprometimento de linfonodos e casos metastáticos já no diagnóstico. ²
“Uma mulher de 30 ou 35 anos que percebe um nódulo não deve esperar completar
40 ou 50 anos para procurar atendimento. Nesse caso, não estamos falando de
rastreamento, mas de investigação de uma alteração que já existe”, explica
Deborah Monteiro, radiologista e especialista em oncoginecologia do Alta Diagnósticos,
no Rio de Janeiro.
Nódulo persistente, retração da pele ou do mamilo, secreção espontânea e
alterações no formato da mama devem ser avaliados. Dependendo da idade e das
características do caso, a investigação pode envolver ultrassonografia, mamografia
diagnóstica e, diante de achados suspeitos, biópsia.
Da imagem ao DNA: quando investigar antes da idade do rastreamento
A investigação do câncer de mama hoje pode envolver diferentes tecnologias,
cada uma respondendo a uma pergunta. Exames de imagem ajudam a localizar e
caracterizar alterações; a biópsia permite confirmar o diagnóstico e analisar o
tecido; e a medicina genômica pode investigar tanto predisposição hereditária
quanto características do próprio tumor."Esse percurso reúne exames de diagnóstico
por imagem, anatomia patológica e medicina genômica. Entre os testes
disponíveis está o EndoPredict, que analisa o tecido tumoral e pode ajudar a
estimar o risco de recorrência em determinados casos de câncer de mama",
afirma Cristovam Scapulatempo , diretor médico de patologia e genômica
Já quando existe suspeita de predisposição hereditária, a investigação genética
procura alterações no DNA que possam estar relacionadas a um risco aumentado de
câncer. A indicação considera a história pessoal e familiar da paciente e não
apenas a idade.A genética ganhou ainda mais relevância em 2026: o Ministério da
Saúde incorporou ao SUS o sequenciamento de nova geração (NGS) para
identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama.
³“Quando o câncer de mama aparece em uma idade jovem, é importante avaliar se
existe um componente hereditário. Mas não é a idade isoladamente que define a
indicação do teste.
É preciso olhar para a história pessoal, familiar e, quando existe o diagnóstico,
também para as características do tumor”, afirma Gustavo Guida, geneticista da
Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro.O teste
genético pode ser realizado a partir de amostra de sangue ou saliva, conforme a
metodologia, e deve ser indicado e interpretado por profissional habilitado.
Uma alteração genética associada à predisposição hereditária não significa que
a paciente necessariamente desenvolverá câncer, mas pode mudar seu
acompanhamento e indicar a avaliação de familiares.
Quando investigar antes dos 40?
A avaliação médica deve ser procurada diante de:
- nódulo
persistente ou alteração na mama;
- retração
da pele ou do mamilo;
- secreção
espontânea pelo mamilo;
- mudança
recente no formato ou tamanho da mama;
- histórico
de câncer de mama em familiar próximo, especialmente em idade jovem;
- câncer
de ovário na família;
- câncer
de mama em homem;
- vários
casos de câncer na mesma família.
Ter um desses
fatores não significa que a mulher terá câncer. A avaliação individual define a
necessidade de exames de imagem, biópsia, investigação genética ou
acompanhamento diferenciado.
Referências:
- INCA
— Estudo sobre câncer de mama em mulheres de
até 40 anos.
Acessar estudo - Ministério
da Saúde — Linha de cuidado do câncer de mama.
Acessar referência - Conitec/Ministério
da Saúde — Incorporação do sequenciamento BRCA1/BRCA2 ao
SUS.
Acessar referência
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