Joshua Stevens apresenta os principais aspectos de cada tipo e como tirar o melhor proveito da segunda bebida mais consumida do Brasil e terceira mais consumida do mundo
Hojje,
1º de outubro, é comemorado o Dia Internacional do Café. Segundo dados
governamentais, o Brasil é o maior produtor mundial da bebida, detendo cerca de
33,3% de toda produção mundial. O País também é líder na exportação.
Informações do Observatório do Café mostram que apenas no primeiro quadrimestre
do ano foram enviadas para o exterior 13,81 milhões de sacas, o que gerou uma
receita de US$ 5,23 bilhões. E muito além de uma commodity o café é uma
verdadeira experiência sensorial. Mas, apesar de o café ser a segunda bebida
mais consumida em território nacional – atrás apenas da água – o brasileiro
pouco sabe sobre os tipos de grãos existentes.
Segundo
Joshua Stevens, co-fundador e coffee hunter do Café Cultura, o ponto de partida
para entender o universo do café é conhecer suas espécies mais comuns: o
Arábica e o Canéfora/Robusta, também conhecida como Robusta ou Conilon. A
espécie mais cultivada no mundo é a Arábica. Seu diferencial está em suas notas
sensoriais e sua doçura natural. Isso acontece porque seu cultivo se dá em
altitudes mais elevadas, acima de 800 metros, com temperatura mais baixa, maior
teor de umidade e menos luz direta. Dessa forma, os grãos amadurecem
tardiamente, o que faz com que suas características se desenvolvam vagarosamente
e deem origem a sabores mais complexos.
Já
a Canéfora/Robusta não tem tanta complexidade, com menos açúcar e maior teor de
cafeína. Cultivado em altitudes inferiores a 600 metros, contém um teor de
cafeína maior, o que torna sua utilização muito comum na produção de cafés
solúveis e em blends de Arábica de qualidade inferior. “O Arábica é um café com
perfil de sabor mais delicado, cuja acidez equilibrada conta com notas que
variam de frutadas a florais, sendo muito utilizado em cafeterias especiais. Já
o Robusta, com o dobro de cafeína e um corpo mais intenso, tende a ser mais
forte e amargo e é mais encontrado em cafés solúveis ou blends para espresso”,
explica.
Cafés tradicionais X Cafés especiais
Os
cafés ditos tradicionais são misturas de vários tipos de grãos, que podem
conter somente Arábica ou Canéfora/Robusta ou uma mistura de ambos. São aqueles
disponíveis nos supermercados em pacotes de dois tamanhos, normalmente. “Estes
produtos podem conter grãos de qualidade inferior, verdes e outras impurezas.
Além disso, muitas vezes são torrados em excesso e moídos bem finos, para
mascarar os defeitos. É por isso que não se encontra café tradicional em grãos
no supermercado”, ressalta.
Já
os cafés especiais são resultado do esforço de toda a cadeia de cultivo a fim
de obter a melhor qualidade possível em xícara. Avaliados por especialistas,
precisam atingir mais de 80 pontos em uma escala sensorial de até 100, o que
garante um produto com sabores limpos, doçura natural e aroma marcante.
Pioneiro no oferecimento de cafés especiais, o Café Cultura foi fundado com a
missão de difundir essa apreciação.
“Trabalhamos
exclusivamente com cafés especiais 100% Arábica, com origem rastreável e
torrefação artesanal. Para garantir a melhor qualidade possível, sabíamos que o
único caminho para nos diferenciarmos em um mercado tão concorrido seria
priorizar a agricultura de origem, sustentável e ultra especializada. Abrimos
mão da massificação e optamos por um produto proveniente de cafeicultores
certificados e valorizamos cada um dos nossos fornecedores, em especial, as
cafeicultores que nos fornecem microlotes de um café premium oriundo de um
cultivo responsável, o que torna a bebida ainda mais especial”.
E para quem está começando a explorar o universo dos cafés especiais, a dica de Joshua é simples: experimente aos poucos e perceba o que agrada seu paladar. “Se você está acostumado com o café tradicional, que é mais amargo – e até mesmo por isso, exige o uso de açúcar ou adoçante –, comece com um café especial com torra média, que tem notas achocolatadas e corpo mais denso. Aos poucos, vá descobrindo diferentes origens e métodos de preparo, como o coado, a prensa francesa ou espresso”, sugere.
A fim de difundir as diferenças entre os tipos de café e elevar a cultura dos cafés especiais, Joshua Stevens vem realizando workshops sobre o assunto em algumas lojas da rede. O primeiro deles aconteceu na flagship da capital paulista, localizada no bairro de Moema.

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