O consumo mundial de pescado alcançou 21,3 quilos
por pessoa ao ano, de acordo com o relatório The State of World Fisheries and
Aquaculture 2026 (SOFIA), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e
a Agricultura (FAO), enquanto no Brasil o indicador está em 12,6 quilos
(Anuário Seafood Brasil) e segue em crescimento. Com a ampliação da produção e
as exportações ganhando novas perspectivas, o país ganha maior relevância no
mercado internacional de pescado. Esse cenário foi apresentado por Ricardo
Torres, head de portfólio da Seafood Show Latin America, durante coletiva de
imprensa realizada nesta quarta-feira (14). Em sua quinta edição, a maior
plataforma de negócios do pescado da América Latina acontece de 20 a 22 de
outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).
O relatório da FAO aponta que a produção mundial de
animais aquáticos e algas atingiu 235 milhões de toneladas. Desse total, 195
milhões de toneladas corresponderam a animais aquáticos. Pela primeira vez, a
aquicultura superou 100 milhões de toneladas de animais aquáticos produzidos,
enquanto a pesca extrativa permaneceu relativamente estável, limitada pela
disponibilidade dos estoques e pelas condições ambientais. A FAO também estima
que o comércio internacional de produtos de animais aquáticos movimentou US$
184 bilhões.
“O mercado de pescado é global e interconectado. A
produção, o consumo e o comércio dependem de relações entre países,
fornecedores e compradores, e o Brasil tem condições de ampliar sua
participação nesse cenário. A aquicultura vem contribuindo para dar mais
estabilidade à oferta, enquanto o crescimento da demanda abre espaço para novos
produtos, investimentos e negócios”, afirma Ricardo Torres.
No Brasil, segundo o Anuário Brasileiro da
Piscicultura 2026, da Peixe BR, a produção de pisicultura alcançou 1,011 milhão
de toneladas em 2025, alta de 4,41% em relação ao ano anterior e um marco para
a atividade. A tilápia liderou o resultado, com 707.495 toneladas,
aproximadamente 70% da produção nacional de peixes cultivados. O levantamento
também contempla espécies nativas, como tambaqui e pirarucu, e outras espécies
de cultivo.
O crescimento da produção, porém, não elimina a
necessidade de importações, ou seja, a disponibilidade de pescado no mercado
brasileiro resulta da combinação entre pesca extrativa, aquicultura e produtos
importados. “O Brasil está se consolidando como um produtor relevante, mas
também é um grande mercado consumidor. Para crescer, as empresas precisam olhar
para os dois lados: desenvolver a produção nacional e, ao mesmo tempo,
estabelecer relações comerciais capazes de garantir variedade, regularidade e
competitividade na oferta”, destacou Torres.
Em relação ao comércio exterior, o Chile é um dos
principais países fornecedores para o Brasil, especialmente do salmão, ao lado
de Vietnã, Argentina e Equador. Nas exportações, os Estados Unidos permanecem
como um mercado importante para produtos como filés frescos de tilápia, lagosta
e peixes capturados na costa brasileira, a exemplo do pargo. A China, por sua
vez, compra produtos como pescada-amarela, lagosta e bexiga natatória, com
participação relevante de fornecedores do Pará.
Torres comentou sobre as tarifas impostas pelos
Estados Unidos no ano passado, que afetaram as exportações de pescado, com a
receita recuando 39% e queda de 41% no volume exportado no primeiro trimestre
deste ano. A posterior isenção de determinados produtos, entre eles filés
frescos e tilápia inteira, contribuiu para recuperar a competitividade de parte
das exportações brasileiras. Com isso, a Abipesca projeta uma retomada das
exportações do setor, com expectativa de alcançar cerca de US$ 600 milhões.
Varejo
e food service ampliam oportunidades
Dados do Ranking ABRAS 2025, da Associação
Brasileira de Supermercados, mostram que o faturamento da seção de peixaria dos
supermercados respondentes passou de R$ 4,44 bilhões, em 2020, para R$ 12,33
bilhões, em 2024 — crescimento de 178%. No mesmo período, o faturamento total
do setor supermercadista avançou 48,3%, evidenciando o desempenho expressivo da
categoria.
O food service, por sua vez, concentra uma parcela
importante do consumo de pescado e apresenta oportunidades relacionadas à
diversificação de cardápios e à eficiência operacional. O Raio-X do
Pescado no Food Service do Brasil 2026–2027, realizado pela Seafood
Brasil em parceria com a American Seafoods, identificou que 43% das operações
consultadas registram perdas superiores a 12% do pescado adquirido. “A expansão
do consumo depende também de resolver questões práticas do mercado. No varejo,
há espaço para ampliar a oferta e diversificar os formatos de produtos. No food
service, rendimento, padronização e controle de perdas são fundamentais para a
rentabilidade. Aproximar fornecedores e compradores é uma forma de acelerar
essas conexões e transformar oportunidades em negócios”, avalia Torres.
Seafood
Show Latin America conecta empresas e compradores
É nesse ambiente de expansão, concorrência
internacional e transformação dos canais de venda que acontece a Seafood Show
Latin America 2026, que reunirá indústrias nacionais e internacionais de
pescado, frigoríficos, distribuidores, importadores, exportadores, atacadistas,
varejistas, operadores de food service e fornecedores de máquinas, tecnologias,
insumos e serviços especializados.
A feira, organizada pela Francal em parceria com a
Seafood Brasil, apresenta uma área de exposição 43% maior, com 120 marcas
expositoras nacionais e internacionais, dispostas em quatro setores para
facilitar a jornada dos visitantes e aproximar empresas de públicos
estratégicos para seus negócios.
A qualificação das conexões comerciais é um dos
focos da edição. O Seafood Buyers Program levará à feira 140 compradores do
varejo e do food service, incluindo representantes de redes regionais. A feira
também terá a participação de sete compradores internacionais por meio do
Exporta Mais Brasil, iniciativa vinculada à ApexBrasil. “A Seafood Show Latin
America acompanha o amadurecimento do mercado e busca aproximar quem produz de
quem compra, no Brasil e no exterior. Queremos facilitar o acesso a
fornecedores, apresentar soluções e estimular relações comerciais que possam
gerar resultados concretos para as empresas”, afirma Torres.
A programação inclui ainda o seminário “O
futuro do bacalhau no Brasil”, organizado pelo Conselho Norueguês da Pesca e
pela iniciativa Seafood from Norway, além de atrações dedicadas à inovação, à
gastronomia, à qualificação profissional e ao relacionamento entre empresas.
Entre os destaques estão o Seafood Innovation Show, que reconhece produtos e
soluções inovadoras; o Seafood Service Show, com demonstrações culinárias e
técnicas de preparo; o concurso Melhores Peixeir@s do Brasil; o Campeonato
Brasileiro de Sushi; o Seafood Talk Show; e o Seafood Celebration Show.
Sobre a Seafood Show Latin
America
Data: 20 a 22 de outubro
Horário: das 13h às 20h
Local: Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209,
Santana, São Paulo/SP
Site: https://seafoodshow.com.br/
Sobre a Francal
A Francal foi fundada em 1969, na cidade de Franca, no interior de São Paulo. Atualmente, conta com um portfólio de 16 eventos e, há 56 anos, contribui para o fomento do desenvolvimento econômico e social do país. Maior promotora de eventos 100% brasileira, a Francal atua em 15 diferentes setores, conectando a indústria brasileira ao varejo e a importadores dos cinco continentes. Reúne negócios, conhecimento, soluções e serviços para o B2B, sempre em sintonia com as demandas de um setor em constante transformação.
Sobre a Seafood Brasil
A Seafood Brasil é uma plataforma de comunicação
destinada a aumentar o consumo e gerar negócios para os atores da cadeia
produtiva do pescado. Inaugurada em 2013, conta com um portal, mídias sociais,
eventos com a cadeia produtiva e uma revista com cinco edições
anuais.
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