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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Uma década após a cirurgia de Angelina Jolie, o que o caso ensina no Outubro Rosa?

Caso da atriz trouxe atenção para as mutações BRCA; especialista reforçam que avaliação individualizada pode indicar diferentes estratégias de acompanhamento e redução de risco
 

O caso de Angelina Jolie mudou a forma como muitas pessoas passaram a falar sobre prevenção do câncer de mama. Em 2013, a atriz revelou ter realizado uma mastectomia bilateral preventiva após descobrir uma mutação no gene BRCA1 e ter histórico familiar da doença. Mais de uma década depois, o episódio continua sendo uma referência para discutir um tema que ganha espaço durante o Outubro Rosa: como identificar e acompanhar pessoas que apresentam risco elevado por fatores genéticos. 

A estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que o Brasil terá 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no triênio 2026-2028, o equivalente a um risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a doença é o câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras. 

Embora a maior parte dos casos não esteja relacionada a uma alteração genética hereditária conhecida, algumas mutações podem elevar significativamente o risco. Segundo o National Cancer Institute (NCI), mais de 60% das mulheres que herdam uma alteração prejudicial nos genes BRCA1 ou BRCA2 desenvolverão câncer de mama ao longo da vida, enquanto o risco na população feminina geral é de aproximadamente 13%. 

É nesse contexto que a história de Angelina Jolie ganhou repercussão. A decisão da atriz não deve ser interpretada como uma recomendação geral para mulheres com histórico familiar de câncer. A identificação de uma mutação ou de um histórico familiar importante exige avaliação individual, que pode envolver aconselhamento genético, testes específicos, acompanhamento mais frequente e, em determinados casos, medidas preventivas. 

"Ter uma predisposição genética não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer, mas muda a forma como esse risco precisa ser acompanhado. O primeiro passo é entender o histórico familiar e, quando houver indicação, realizar uma avaliação genética adequada. A partir daí, é possível discutir estratégias de rastreamento e prevenção individualizadas", explica Dr. Adriano Meira Oliveira, médico mastologista CRM-SC 20363 e RQE 18678, parceiro da PinkMed. 

Entre as possibilidades para pessoas consideradas de alto risco estão protocolos de rastreamento mais intensivos. A American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) indica que mulheres com mutações BRCA podem realizar acompanhamento clínico periódico e, dependendo da idade, ressonância magnética e mamografia anual. 

Em situações específicas, também pode ser considerada a cirurgia redutora de risco. De acordo com o NCI, a mastectomia bilateral redutora de risco pode diminuir em pelo menos 95% o risco de câncer de mama em mulheres com variantes patogênicas nos genes BRCA1 ou BRCA2. A decisão, porém, envolve benefícios, limitações e possíveis impactos físicos e emocionais e deve ser tomada individualmente com uma equipe médica. 

"Quando existe uma alteração genética associada a um risco elevado, prevenção não significa necessariamente cirurgia. Existem diferentes estratégias e a escolha depende da mutação identificada, do histórico pessoal e familiar, da idade e dos planos de vida de cada paciente. Por isso, o acompanhamento especializado é fundamental para que a decisão seja baseada em risco real e não apenas em medo", afirma Dr. Adriano Meira Oliveira. 

Durante o Outubro Rosa, a discussão sobre genética ajuda a ampliar o debate para além do diagnóstico precoce. Conhecer o histórico familiar, reconhecer padrões de câncer de mama e ovário na família e buscar orientação médica quando há sinais de possível predisposição podem contribuir para identificar mulheres que precisam de uma estratégia de acompanhamento diferente da população de risco habitual. 

O caso de Angelina Jolie ajudou a popularizar essa conversa, mas a principal mensagem para pacientes com histórico familiar ou suspeita de predisposição genética é que não existe uma única conduta preventiva. A avaliação individual é o que permite definir quando investigar, como acompanhar e quais medidas podem fazer sentido em cada caso.


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