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sábado, 8 de novembro de 2025

Trauma imediato e prolongado: os reflexos psicológicos de uma semana após a operação: Quanto tempo pode durar o trauma após confrontos em comunidades e como superar o impacto psicológico

 

Há cerca de uma semana, a megaoperação conduzida no Complexo do Alemão e na Penha (Rio de Janeiro), no Rio de Janeiro, deixou um rastro visível de violência e morte — e um impacto silencioso, porém profundo sobre a saúde mental de moradores, testemunhas, agentes de segurança e socorristas.

Segundo o neurocirurgião e neurocientista Dr. Fernando Gomes, professor livre-docente da FMUSP, “vivenciar tiroteios, ver corpos nas ruas, ouvir helicópteros, conviver com o medo constante equivale a ativar mecanismos de sobrevivência no cérebro — e esses mecanismos não se desligam automaticamente depois que o tiro para”.

Os delitos urbanos recorrentes e operações de grande escala em favelas já estão associados a elevado risco de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) entre residentes e profissionais de segurança. Um estudo entre policiais no Rio encontrou prevalência de cerca de 16,9 % para TEPT completo e 26,7 % para sintomas parciais.


Quanto tempo o trauma pode durar?

Dr. Fernando Gomes explica que não há “prazo fixo” para o trauma se dissipar — depende de diversos fatores individuais, contextuais e de suporte social. Ele destaca:

  • Nos casos leves, sintomas como insônia, irritabilidade, hipervigilância ou flashbacks podem durar semanas a alguns meses se houver intervenção precoce.
  • Se não acompanhados, esses sintomas podem evoluir para TEPT crônico, que persiste por anos, gera consequências físicas — como distúrbios do sono, hipertensão, dores crônicas — e psicológicas — como retraimento social, medo persistente e dificuldade de retomar a vida normal.
  • Fatores de risco para duração maior incluem: falta de apoio social, exposição prolongada à violência, histórico de traumas, ausência de tratamento e sensação de injustiça ou impunidade.

“Uma semana depois da operação ainda estamos no ‘fase aguda’ do trauma. Mas para muitos a curva de recuperação começa aí — e o que se faz nas próximas semanas será decisivo para evitar sequelas de longo prazo”, afirma Gomes.


Dicas práticas para superar o impacto psicológico

O médico neurocientista sugere um protocolo de cuidados imediato para quem esteve exposto à operação ou convive diretamente em áreas de risco:

  1. Reconhecer os sinais: dificuldade para dormir, sustos com barulhos, reviver cenas, evitar sair de casa, sensação de insegurança constante. A negação apenas prolonga o sofrimento.
  2. Criar rotina tranquila: alimentação regular, sono em ambiente escuro e calmo, redução de cafeína e estimulantes, diminuição de consumo de notícias violentas — especialmente à noite.
  3. Movimento corporal leve: caminhadas diárias ou alongamentos ajudam a “dissipar” a adrenalina em excesso no corpo. O cérebro precisa entender que a ameaça acabou.
  4. Espaço para fala: conversar com alguém de confiança sobre o que viu ou sentiu; participar de grupos comunitários ou apoio psicológico caso o recurso esteja disponível.
  5. Exposição gradual à realidade: voltar a caminhar pela rua, retomar atividades, mas sem pressa. Permitir-se sentir insegurança e enfrentar aos poucos.
  6. Buscar ajuda profissional: se após 4-6 semanas os sintomas persistirem ou se agravarem, buscar psicólogo ou psiquiatra especializado em trauma. O tratamento precoce reduz o risco de cronicidade.
  7. Identificação de gatilhos: barulho de helicóptero, sirene, explosão de fundo — ao identificá-los, praticar técnicas de respiração ou ancoragem (por exemplo: “meu corpo está seguro agora”).
  8. Construir segurança pessoal: reforçar a sensação de proteção no lar, com fechaduras, iluminação, contato com vizinhos — o cérebro que viveu em ambiente ameaçador precisa de sinais de que agora está protegido.


Óleos essenciais que auxiliam no cuidado emocional pós-trauma

Daiana Petry, aromaterapeuta, naturóloga e especialista em neurociência explica que certos óleos possuem efeito direto sobre o sistema límbico, região do cérebro responsável pelas emoções, memória e comportamento, ajudando a reduzir o estado de hipervigilância e a ansiedade persistente e destaca os principais óleos com ação mais eficaz em quadros pós-traumáticos:


Lavanda (Lavandula angustifolia)

O mais estudado para estados de estresse e insônia. Possui propriedades ansiolíticas e sedativas naturais, comprovadas em estudos clínicos. A inalação diária de lavanda reduz níveis de cortisol e promove sensação de segurança e calma — fundamental para quem vive sob alerta constante.
Como usar: 2 a 3 gotas em difusor pessoal ou 1 gota em algodão para respiração profunda durante crises de ansiedade.


Laranja-doce (Citrus sinensis)

Um óleo que atua no humor, estimulando a produção de serotonina e dopamina. Indicado para quadros de apatia, medo, tristeza e isolamento, comuns após situações traumáticas.
Como usar: Como usar: 3 gotas em difusor de ambiente ou 1 gota difusor pessoal.


Camomila-romana (Chamaemelum nobile)

Composto rico em esteres com efeito calmante, é indicada para pessoas que sofrem de irritabilidade, insônia, ataques de pânico e flashbacks. A camomila ajuda a “baixar o tom” do sistema nervoso simpático, promovendo relaxamento e sono reparador.

Como usar: 1 gota em base vegetal para massagem na nuca ou no peito antes de dormir.


Rosa (Rosa damascena)

Símbolo de acolhimento e amor próprio, o óleo essencial de rosa ajuda a reconstituir o vínculo emocional consigo mesmo, frequentemente rompido após traumas. Atua como ansiolítico natural, ajudando em crises de choro, culpa ou desesperança.

Como usar: Diluir 1 gota em 5 ml de óleo vegetal e aplicar sobre o coração ou pulsos.


Vetiver (Vetiveria zizanioides)

Conhecido como o “óleo do aterramento”, é altamente eficaz em casos de pânico, medo, agitação mental e insônia profunda. Seu aroma terroso ajuda a reconectar corpo e mente, trazendo sensação de segurança e presença.

Como usar: 1 gota diluída em óleo vegetal nos pés antes de dormir, ou 2 gotas em difusor no quarto.


Cedro-do-Atlas (Cedrus atlantica)

Indicado para quem sente despersonalização, confusão mental e desconexão emocional após trauma. O cedro oferece sensação de proteção, força e estabilidade — muito usado em protocolos para veteranos e vítimas de desastres.

Como usar: 3 gotas em difusor de ambiente ou 1 gota misturada à lavanda para inalação noturna.

Dr. Fernando ainda enfatiza que os efeitos psicológicos dessas operações excedem o indivíduo: “Quando uma comunidade inteira testemunha violência, o trauma se torna coletivo. Crianças, adolescentes, adultos — todos compartilham o efeito da hipervigilância. Ignorar isso é deixar o trauma virar legado.”

Ele conclui com um apelo: “É imprescindível que gestores públicos, serviços de saúde e segurança pública reconheçam que a restauração da segurança física não é suficiente. A segurança emocional e mental precisa entrar na resposta à crise.” 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
Link
@daianagpetry


Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 12 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. Atualmente comanda seu programa Olho Clínico com Dr. Fernando Gomes semanalmente no Youtube desde 2020. É também autor de 9 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena a Unidade de Hidrodinâmica Cerebral relacionada ao diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças como Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) e Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII ou pseudotumor cerebral) no Hospital das Clínicas.
drfernandoneuro

 

Vergonha não é destino: 5 passos para começar a lidar com a timidez excessiva ainda em 2025

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Especialista explica como identificar quando a timidez passa dos limites e dá algumas reflexões para lidar com ela

 

Fim de ano chegando, chegam também as reflexões pessoais para superação de preocupações íntimas e, para muitas pessoas, a timidez excessiva está entre elas. Para o professor e psicólogo Juliano Trindade, da Faculdade Una Lafaiete, é possível reverter este quadro — e o primeiro passo é aprender a identificar quando a timidez deixa de ser discreta e passa a prejudicar o dia a dia.

“A timidez pode ser vista como um padrão de comportamento que muitas pessoas possuem. Mas, isso pode se tornar um problema quando ele começa a trazer prejuízos na rotina”, alerta Trindade. O professor cita alguns passos para iniciar esse processo de autoconhecimento. Lembrando que buscar auxílio de um profissional de Psicologia é uma das fases importantes neste período:

 

1 – Identificando o excesso de timidez - “A timidez pode levar ao isolamento social, à evitação ou a fuga de oportunidades importantes como, se candidatar a uma entrevista de emprego, ou ir a eventos sociais. Aí sim é hora de se preocupar. Além disso, observe quando a timidez começa a gerar sentimentos de frustração e dificuldade para se conectar com as outras pessoas, mesmo no seu ciclo social ou em outros ciclos”. De acordo com o professor da Una Lafaiete, se a timidez estiver impedindo a pessoa de viver de forma mais plena e confiante, é importante procurar maneiras de lidar com isso de uma forma mais assertiva.

 

2 – É possível vencer a timidez sozinho? - “Existem técnicas, sim, que fazem com que a gente trabalhe a timidez de forma individual. Uma dessas técnicas é enfrentar seus medos de forma gradual. Isso significa que a gente deve começar com as interações sociais mais simples, como cumprimentar alguém ou iniciar uma conversa, mesmo que breve. Aos poucos, vá enfrentando situações mais desafiadoras, como falar em um grupo ou em público. Isso ajuda a diminuir os sinais e sintomas de ansiedade e aumentar a sua confiança”, sugere o professor.

 

3 – Pense diferente – “A maioria dos nossos pensamentos são automáticos, rápidos e, muitas vezes, negativos e distorcidos. Como, por exemplo, acha que as outras pessoas vão julgar o tímido ou que ele não é uma pessoa interessante. A gente deve desafiar esses pensamentos. Lembrando-se que todos nós temos inseguranças”, lembra. Um caminho importante para enfrentar isso é tornar os pensamentos mais equilibrados, como por exemplo, compreendendo que todos cometem erros e isso faz parte do aprendizado. “Isso é uma tarefa diária que pode ser reforçada todos os dias”, indica. E por último, Trindade indica a prática de técnicas de relaxamento. “Antes de enfrentar uma situação social que causa ansiedade ou sinais e sintomas de ansiedade é interessante respirar profundamente e de forma bem controlada. Isso faz com que a gente fique mais calmo para lidar com as dificuldades”.

 

4 – Hora de procurar um profissional – O profissional de Psicologia vai identificar as causas, as raízes desse problema e desenvolver estratégias junto a essa pessoa. “Este profissional vai conseguir traçar um plano terapêutico para auxiliá-la e também recomendar um tratamento adequado que pode incluir também a ajuda de outros profissionais”.

 

5 – Adulto tem jeito? – “É totalmente possível conseguirmos vencer a timidez na fase adulta. Para isso algumas estratégias podem ajudar bastante, que é o enfrentamento gradual. Comece com pequenas interações sociais e aumente a dificuldade aos poucos. E redirecione o foco: em vez de se preocupar com o que os outros pensam, concentre-se na conversa, em ouvir o que o outro está dizendo, isso reduz os sinais e sintomas de ansiedade e melhora a interação”, ensina o professor da Una Lafaiete. No mais, é importante sempre buscar o aprendizado. Afinal, ninguém nasce sabendo e viver é aprender a todo momento. “Pratique a assertividade, aprenda a expressar suas opiniões e necessidades de forma clara e respeitosa, isso ajuda a construir a autoconfiança e facilita também para que as relações sejam mais saudáveis”, explica.



Solidão, luto e reencontros difíceis no fim do ano refletem o peso emocional das festas

Pesquisas apontam aumento de sentimentos de isolamento e ansiedade durante o período festivo; especialistas explicam as causas e indicam caminhos saudáveis para atravessar a temporada 

 

As festas de fim de ano, tradicionalmente associadas à alegria e à união familiar, podem acentuar sentimentos de solidão e tristeza. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023), os diagnósticos de depressão e ansiedade aumentam em média 20% entre dezembro e janeiro em países das Américas e da Europa. No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz, 2024) aponta que 32% das pessoas relatam sentir-se mais ansiosas ou melancólicas nessa época.

Para o psicólogo Jair Soares dos Santos, doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO), na Argentina, e fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT), o fenômeno não é coincidência. “O fim do ano funciona como um marcador simbólico de encerramento de ciclos. Ele desperta lembranças, comparações e lutos, inclusive os que nunca foram elaborados. É um período em que o inconsciente faz um balanço emocional, e nem sempre o resultado é leve”, explica.


Quando o fim do ano acende o alerta emocional

O chamado transtorno afetivo sazonal ou “depressão de fim de ano” é reconhecido pela OMS desde 2020 como uma condição que pode intensificar sintomas de tristeza, apatia e isolamento. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP, 2024) revelou que 46% das pessoas que vivenciaram uma perda significativa relatam maior sofrimento emocional durante o Natal e o Réveillon.

“O reencontro com familiares pode reativar memórias dolorosas e emoções antigas. Em muitos casos, há a tentativa de manter aparências, mas o corpo e a mente sentem o peso emocional desse esforço”, afirma Soares. Ele observa que sintomas como insônia, cansaço, irritabilidade e tensão muscular são formas de o corpo expressar dores não acolhidas.


A TRG e o reprocessamento das emoções

Diante desse cenário, o psicólogo destaca a importância de abordagens terapêuticas que trabalhem a origem do sofrimento, e não apenas os sintomas. Desenvolvida por Jair Soares e aplicada no IBFT, a Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG) propõe um método estruturado para acessar e reorganizar memórias emocionais que permanecem ativas no inconsciente.

“A TRG atua no reprocessamento de experiências marcantes que moldaram a forma como a pessoa reage ao mundo. O objetivo não é apenas ressignificar o passado, mas desativar os gatilhos que ainda produzem dor emocional. Quando o cérebro entende que o perigo já passou, o corpo para de reagir como se ainda estivesse em ameaça”, explica o especialista.

Estudos conduzidos pelo IBFT em parceria com a Universidade de Flores (UFLO, 2024) têm demonstrado redução significativa de sintomas de ansiedade e depressão em pacientes submetidos ao método. “É um processo seguro e humanizado, que não exige reviver traumas nem verbalizá-los diretamente. Isso é fundamental, especialmente em períodos emocionalmente sensíveis como o fim do ano”, afirma Soares.


A solidão e o desafio do reencontro

Segundo o IBGE (Censo 2022), mais de 15 milhões de brasileiros vivem sozinhos, número que cresceu 43% em uma década. Para especialistas, a solidão tem se tornado um fenômeno social crescente, potencializado pelas redes e pelas rupturas familiares. “Estar só não é o problema. O sofrimento vem quando a pessoa se sente desconectada de si e dos outros. A TRG trabalha justamente essa reconexão emocional, ajudando o indivíduo a recuperar o sentimento de pertencimento”, explica o psicólogo.

O luto, por sua vez, ganha força nesse período. “A dor da ausência é natural, mas muitas vezes tentamos contê-la para não estragar o clima. Permitir-se sentir é o primeiro passo para reorganizar a vida emocional”, orienta Soares.


Um novo significado para o fim de ano

O especialista defende que o encerramento do ano pode ser um convite à introspecção e não à obrigatoriedade da festa. “O fim do ano pode ser o momento de se reencontrar com o que ficou suspenso, afetos, memórias, arrependimentos. A cura não vem do esquecimento, mas da compreensão do que cada experiência representou”, afirma.

Ele sugere criar rituais pessoais simples, como escrever uma carta de despedida ao ano que termina, realizar uma caminhada ao ar livre ou apenas dedicar um tempo para o silêncio e a reflexão. “Quando o indivíduo se permite esse espaço, o corpo e a mente compreendem o fechamento simbólico do ciclo. Isso traz paz, mesmo que não haja comemoração.”

A recomendação final de Soares resume a essência da mensagem: “Antes de buscar celebrar com os outros, celebre o fato de estar vivo. A presença em si já é motivo suficiente para agradecer, mesmo nos dias em que o silêncio é o único convite possível.”

 


Jair Soares dos Santos - psicólogo, terapeuta, hipnólogo, pesquisador e professor, além de ser o fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT). Criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), sua trajetória é marcada por desafios pessoais que o motivaram a buscar soluções eficazes para o sofrimento emocional. Após enfrentar episódios de depressão e insatisfação com abordagens terapêuticas tradicionais, Jair dedicou-se ao desenvolvimento de uma metodologia que pudesse proporcionar alívio real e duradouro aos pacientes. Sua formação inclui graduação em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife e especializações em áreas como hipnoterapia e análise comportamental. Atualmente é doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO) na Argentina, onde desenvolve uma pesquisa com a TRG em pessoas com depressão e ansiedade, alcançando resultados promissores com a remissão dos sintomas nestes participantes. Há mais dois doutorados com a TRG a serem desenvolvidos neste momento.
Para mais informações, visite o Instagram.



Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas - IBFT
Para mais informações, visite o site ou o Instagram.

O impacto da violência urbana na saúde mental coletiva

Especialista alerta para os sinais que evidenciam o problema e orientam quando buscar ajuda

 
Em centros urbanos onde episódios de violência se repetem, não é apenas quem está no local que sofre as consequências. Na última terça‑feira, uma operação com intensa troca de tiros no Rio de Janeiro serviu como exemplo de como uma situação extrema pode gerar um efeito em cadeia, despertando uma sensação de vulnerabilidade, hipervigilância e insegurança difusa até mesmo entre pessoas que não estiveram envolvidas diretamente.

Segundo o psiquiatra dr. Ricardo Patitucci, diretor da unidade Gávea do grupo ViV Saúde Mental e Emocional, o organismo humano reage naturalmente ao perigo com ativação do sistema de alerta, preparando corpo e mente para uma situação de risco.

“Quando essa ativação se mantém por dias ou semanas, mesmo sem perigo real, é comum surgirem sintomas como insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e aumento da ansiedade”, complementa.


O que a ciência diz sobre isso

A literatura científica reforça que essa ativação de alerta, mesmo em pessoas que não foram vítimas diretas, pode se traduzir em adoecimento psíquico coletivo.

Um estudo com 1.686 adolescentes residentes no município do Rio de Janeiro, publicado na revista BMC Psychiatry, mostrou que jovens que moravam em regiões com maiores taxas de violência tinham odds ratios (OR) entre 2,33 e 2,99 para apresentar transtornos mentais comuns. Ou seja, uma chance cerca de duas a três vezes maior de ter quadros como ansiedade, depressão ou queixas somáticas em comparação a adolescentes de áreas com menor violência.

Para tornar isso mais claro: odds ratio é uma medida usada em estudos epidemiológicos para comparar as chances de um desfecho (neste caso, transtornos mentais) entre dois grupos. Um OR de 2,0 significa que o grupo exposto tem o dobro das chances de apresentar o problema em relação ao grupo não exposto. Assim, um OR entre 2,33 e 2,99 indica um aumento substancial de risco.

Outra investigação longitudinal, também publicada na BMC Psychiatry, acompanhou servidores civis no Rio de Janeiro e mostrou que quem foi vítima de violência em anos sucessivos apresentou risco significativamente maior de sofrimento psicológico, com aumento do risco na ordem de aproximadamente 2,1 vezes para exposições repetidas em relação àquelas sem essa vivência.

Esses achados reforçam que ambientes com violência, direta ou indiretamente experienciada, ampliam os indicadores de adoecimento psíquico em populações urbanas.


Como reconhecer sinais de alerta

O Dr. Patitucci destaca que reconhecer alterações emocionais, cognitivas ou comportamentais é o primeiro passo para o cuidado. Mudanças persistentes no sono, irritabilidade ou sensação constante de insegurança devem chamar atenção. Ele ressalta que, mesmo sem vivência direta de violência, o simples fato de estar em vigília permanente pode levar ao desgaste emocional.

“É importante observar quando o corpo e a mente continuam em modo de alerta, mesmo após o perigo imediato ter passado”, afirma.


Estratégias práticas para restauração do equilíbrio

Algumas medidas simples e acessíveis podem ajudar a modular a resposta do organismo e a reduzir o impacto da ativação prolongada do sistema de alerta. Dentre elas:

  • Retomar ou manter rotinas regulares (sono, alimentação, momentos de lazer);
  • Prática de atividade física como instrumento de liberação de tensão e regulação emocional;
  • Moderação da exposição a notícias ou conteúdos que alimentem o estado de hipervigilância;
  • E diálogo em redes de apoio (família, amigos, comunidade) para externalizar sensações de medo, insegurança ou irritação.

O especialista afirma que essas práticas funcionam como uma espécie de redefinição do sistema de alerta, sinalizando ao corpo que o perigo imediato passou.


Quando buscar suporte profissional

O acompanhamento especializado torna‑se necessário quando os sintomas persistem ou passam a interferir de modo significativo no cotidiano. Por exemplo, quando insônia, pensamentos repetitivos, evitamento de sair ou conviver socialmente, ou uso de substâncias para tentar controlar a ansiedade surgem.

“A intervenção precoce, seja via psicoterapia ou avaliação psiquiátrica, amplia a eficácia do tratamento e reduz o risco de cronificação”, alerta Patitucci.

Além disso, em um cenário coletivo, ele destaca que o foco preventivo, por meio de estruturação de serviços, capacitação de profissionais e promoção de ambientes seguros, é tão importante quanto a atenção aos casos individuais.

Para o médico, o desafio não é apenas tratar sintomas, mas atuar em um nível de prevenção e promoção do bem‑estar psicológico. Nesse contexto, o tema da saúde mental coletiva deve-se tornar parte da agenda de cuidado urbano, reconhecendo que o impacto da violência não se limita aos que vivem o evento, mas reverbera em bairros, escolas, empresas e famílias.

  

ViV Saúde Mental e Emocional 

 

Como passar pelo processo do luto?

Especialista explica sobre importância de acolher o sentimento de dor e compreender o tempo de cada pessoa diante da perda


No último domingo (02) foi feriado de Finados, dia reservado a recordar ou homenagear entes queridos que faleceram. Dentro deste contexto, cada religião e cultura vivencia a data de forma distinta, seja por meio de recordações, orações ou celebrações. Mas, antes de tudo isso, existe um processo chamado luto, explica a professora do curso de Psicologia da Universidade Guarulhos (UNG), Patrícia Sena. 

De acordo com a especialista, o luto acontece de forma inerente à existência humana e ocorre nas situações de morte e perdas significativas de pessoas, animais de estimação, objetos, de emprego, de moradia ou términos de relacionamentos. Ele se manifesta como um conjunto de reações físicas, psicológicas e cognitivas que diferem de cultura para cultura. “Os sentimentos mais comuns são tristeza profunda, raiva, culpa, ansiedade, dificuldades para dormir, se alimentar e se concentrar, cansaço e dores de cabeça”.

A professora ainda cita a teoria do apego, de John Bowlby: quanto maior o apego com a pessoa que se perdeu, maior será o sofrimento do luto. Essa dor é vivenciada de maneira singular. Ou seja, haverá um tempo diferente para cada uma. “Não é possível prever ou esperar um determinado tempo, pois existem diversas variáveis envolvidas, como o grau de afinidade com quem partiu; o repertório de mecanismos psíquicos para lidar com o sofrimento e situações envolvendo questões estruturais ou mudanças de casa, por exemplo”.  

Para casos em que o luto demora mais de 12 meses ou os sinais persistem, a psicóloga indica buscar ajuda profissional. “Perturbação na própria identidade; dores emocionais intensas; dificuldade de se reintegrar às situações do cotidiano, como as amizades e o trabalho; apatia emocional e sentimento da vida ter perdido o sentido são sinais de um possível quadro de Transtorno de Luto Prologando. Ele não tem a ver apenas com o tempo, mas com as respostas desadaptativas que trazem intenso sofrimento à pessoa". 

Algumas das estratégias para passar por este momento sem prolongar a dor é acolher o sentimento ao invés de negar ou tentar esconder de si ou de alguém. A professora sugere evitar ficar por muito tempo sozinho e procurar contato com pessoas significativas para se sentir confortável, mesmo se for virtual. “Construir novas rotinas e cuidar das saúdes física, mental e espiritual são estratégias importantes”, orienta Patrícia.  

Outras recomendações são falar sobre a dor e a pessoa que se foi, assim como relembrar os bons momentos vividos e não apressar o processo. Se o sofrimento estiver muito intenso ou insuportável, procure um psicólogo.

 

Cultura do desempenho: entenda como a pressão pelo sucesso pode se tornar traumática, levar à exaustão e até o suicídio


Especialista em trauma avalia o peso da cultura do desempenho
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Entre 2011 e 2022, a taxa de suicídio entre jovens brasileiros cresceu, em média, 6% ao ano, enquanto a Síndrome de Burnout já afeta cerca de 30% dos trabalhadores, colocando o Brasil entre os países com mais casos no mundo. 

 

A chamada cultura do desempenho tem se consolidado como um dos traços mais marcantes da vida contemporânea. O ideal de produtividade máxima, muitas vezes romantizado como sinal de excelência, tem levado indivíduos a níveis extremos de autoexigência, ansiedade e adoecimento. O que poderia ser um incentivo ao crescimento transforma-se em um terreno fértil para o sofrimento psicológico e, em casos graves, para a exaustão e até suicídio. 

De acordo com a psicóloga clínica e organizacional Bruna Madureira, PhD em Psicologia, especialista em trauma e com mais de 15 anos de experiência em instituições como a Força Aérea Brasileira, o Núcleo de Doenças da Beleza da PUC-Rio e áreas de Recursos Humanos, a questão ultrapassa o campo individual e precisa ser compreendida dentro de um contexto social. “É notável que o que inclui e exclui dentro dos parâmetros sociais é a performance. Quem entrega alto, custe o que custar, incluindo aqui a exaustão, burnout, ansiedade e depressão, recebe aplauso e é reconhecido por isso. A sociedade não legitima quem performa incluindo o seu equilíbrio emocional, até porque pode ser que essa atitude “atrase” uma entrega (será que o prazo da entrega é humano?). Essa lógica é violenta, porque desconecta as pessoas de si próprias e, consequentemente, das suas necessidades, inclusive emocionais. Nesse contexto, a pessoa não vai conseguir acessar a sua potência e entregar toda a sua capacidade. E aí que a empresa perde muito sem nem se dar conta.” 

Ela explica que justamente esse padrão de cobrança infinito pode se configurar como uma experiência traumática. “Quando alguém passa a se relacionar consigo mesmo como se fosse uma máquina, anulando sinais de cansaço e ignorando os limites do corpo e da mente, cria-se um terreno fértil para o trauma. O sujeito internaliza a pressão como se fosse parte da sua identidade, e não apenas uma circunstância externa”, destaca. 

No Brasil, o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, reforça a importância de discutir os impactos dessa cultura de hiperdesempenho. Um estudo realizado pelo Cidacs/Fiocruz Bahia, em colaboração com a Universidade de Harvard e baseado em dados oficiais do Ministério da Saúde, revelou que, entre 2011 e 2022, a taxa de suicídio entre jovens de 10 a 24 anos cresceu, em média, 6% ao ano, enquanto os registros de autolesão aumentaram 29% ao ano. Esses números assustadores mostram como a pressão por resultados afeta de forma intensa as novas gerações, que ainda estão em processo de formação pessoal e profissional. “O resultado é uma sensação interna de incapacidade, insuficiência e desajuste. Ou seja, impessoaliza o desempenho descontextualizando-o totalmente da engrenagem social extremamente adoecedora e incapacitante", explica Bruna. 

Outro dado alarmante vem do mundo do trabalho: a Síndrome de Burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como doença ocupacional, já afeta cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), o que coloca o Brasil como o segundo país com mais casos diagnosticados globalmente, atrás apenas do Japão. Essa estatística evidencia como ambientes de alta competitividade e metas inatingíveis podem adoecer não apenas executivos, mas também profissionais da saúde, da educação e jovens universitários.

 

O peso invisível da solidão 

Um dos efeitos silenciosos da cultura do desempenho é o isolamento. Bruna Madureira explica: “A solidão é uma das consequências silenciosas da cultura do desempenho. A pessoa se convence de que precisa dar conta sozinha, e isso a distancia de relações onde poderia encontrar cuidado, escuta e pertencimento. Somos mamíferos e o nosso cérebro só se desenvolve na relação com outro ser humano. A cultura do desempenho e da performance nos ensina a ver o outro como um inimigo a ser eliminado, logo eu aprendo a não contar com ele, pois ele é o meu competidor. Então vou me isolando cada vez mais e, com isso, perdendo a possibilidade de acessar a minha potência. A longo prazo e em larga escala, essa prática termina por comprometer a sociedade como um todo."


Caminhos para ressignificar a produtividade

Para a psicóloga, romper com o ciclo exige mais do que estratégias individuais de autocuidado. “Não basta dizer que saúde mental é prioridade se o ambiente continua premiando quem sacrifica a vida pessoal, a saúde física e os limites emocionais em nome da entrega. Precisamos ressignificar o que significa ‘ser produtivo’”, defende. 

Segundo ela, práticas como a regulação emocional, o mindfulness e a construção de relações seguras, inclusive no trabalho, podem ajudar a transformar esse cenário. “O desempenho saudável é aquele que nasce do equilíbrio, da conexão com o próprio corpo e da possibilidade de estar em relações nutritivas. Quando nos damos conta de que não precisamos ser perfeitos para sermos dignos de amor e pertencimento, começamos a construir outra forma de viver”, conclui. 



Bruna Madureira - Facilitadora e Palestrante, Psicóloga Clínica e Organizacional - Psicóloga clínica com PhD em Psicologia e mais de 15 anos de experiência em áreas como a Força Aérea Brasileira, o Núcleo de Doenças da Beleza da PUC-Rio e Recursos Humanos, além de especialista em trauma. Sua abordagem integra Teoria Sistêmica, Gestalt-Terapia, Somatic Experiencing e Mindfulness, promovendo autoconhecimento, regulação emocional e construção de relações baseadas em segurança e pertencimento. É supervisora clínica, palestrante e facilitadora de grupos terapêuticos, com foco no desenvolvimento humano e na transformação pessoal. Acredita no poder das conexões genuínas para fortalecer indivíduos e comunidades, criando espaços onde cada história encontra acolhimento e respeito.


Norte Saúde Mental
Saiba mais acessando o site e também pelo Instagram da empresa.


5 dicas para criar um perfil atrativo em sites de relacionamento

Freepik
Descubra como pequenas mudanças aumentam suas chances de receber mais acessos e boas mensagens no app de relacionamento

 

Entrar em um site de relacionamento é muito mais do que criar um cadastro: é abrir espaço para novas experiências e, quem sabe, encontrar alguém realmente especial. Mas, em meio a milhares de perfis, como se destacar? 

Segundo Caio Bittencourt, especialista em relacionamento do MeuPatrocínio, esse processo vai além da aparência: “O que você procura em uma pessoa é crucial para determinar o próximo passo. Essa resposta o conduzirá ao lugar certo, ou seja, no contexto online, ao aplicativo correto”, afirma. 

E o cenário mostra o quanto essa busca é relevante. No Brasil, cerca de 16,7 milhões de pessoas usaram serviços de namoro online no último ano, e a projeção é que esse número chegue a 18 milhões até 2028, segundo levantamento do Statista citado pelo InfoMoney. Esse crescimento é impulsionado especialmente pela Geração Z e pelo avanço de plataformas de nicho, que oferecem experiências mais alinhadas a diferentes estilos de vida e expectativas. 

Para quem deseja aumentar as chances de sucesso, o especialista separou 5 dicas que podem fazer toda a diferença:

 

1- Invista no autoconhecimento

Reflita sobre suas características e pontos fortes. Pergunte-se: o que é importante para mim? Como me expresso? O que me anima?


2- Defina seu posicionamento

Seja clara sobre seus valores, momento de vida e objetivos. Não é preciso que o outro tenha as mesmas respostas, mas que respeite as suas.


3- Capriche nas fotos

Prefira imagens atuais, bem iluminadas e que mostrem quem você é de verdade. Essa escolha faz toda a diferença.


4- Escreva uma bio envolvente

Compartilhe gostos pessoais, referências e paixões. Autenticidade é o que mais chama atenção.


5- Seja ativo e interaja

Não basta criar o perfil e esperar. Curta, comente e responda mensagens de forma educada. Quanto mais você interagir, maiores as chances de criar vínculos e atrair pessoas que realmente combinam com você.


Mais do que atrair acessos, a ideia é construir conexões que realmente façam sentido para o seu estilo de vida. E, no mundo online, tudo começa pelo perfil.

 

Etiqueta nas festas corporativas de fim de ano: o que fazer (e evitar) para se destaca


Com a proximidade do fim de ano está chegando o período das empresas realizarem seus encontros para confraternização, ou ‘festa da firma’, como alguns brincam. Hora de confraternizar e comemorar os resultados obtidos e renovar relações para o próximo ano. Contudo, são muitas as dúvidas sobre como se comportar em tais eventos – que nada a ver com as festas comuns.

Existem casos de erros de postura nesses eventos que ocasionam sérios problemas profissionais para as pessoas no futuro. Existindo até mesmo casos de que posturas erradas sejam fatores determinantes para uma demissão.
 

“É comum que as pessoas extravasem nesses tipos de eventos. Conforme nos aproximamos do fim do ano, um período em que muitos refletem sobre suas realizações anuais e estabelecem novas metas, é natural que surjam sentimentos conflitantes. Enquanto alguns encontram felicidade e satisfação, outros podem sentir-se insatisfeitos. Daí a mistura de confraternização, a chance de extravasar e, em alguns casos, a mistura com álcool, leva muitos a ações impensadas”, analisa Dr. Vicente Beraldi Freitas, médico e consultor em saúde da Moema Assessoria em Medicina e Segurança do Trabalho. 

Segundo Vicente Beraldi Freitas é sempre importante que as pessoas tenham em mente que haverá um amanhã, e que se estabeleça limites a serem seguidos. Mas, em caso de excessos e problemas, é também necessário buscar não se desesperar e ter calma e clareza para reverter a impressão negativa passada, quando possível. 

“É importante também que não se deixe levar por problemas ocorridos em um evento isolado para o dia a dia profissional. Isso pode ocasionar problemas ainda maiores e ser gatilhos para problemas como depressão e Síndrome de Burnout”, complementa Dr. Vicente Beraldi Freitas. 

Outro ponto, é a situação contrária, sendo que a pessoa pode utilizar dessa oportunidade para passar uma boa impressão para empresa. Isso muitas vezes pode até mesmo abrir caminho para crescimento profissional, quando se tem um destaque positivo. 

“Os momentos de confraternização são oportunidades valiosas para agradecer, celebrar e fortalecer vínculos dentro da empresa. É quando o clima organizacional se manifesta de forma espontânea, e podemos perceber como anda a conexão entre equipes e lideranças”, comenta Mari Viana, especialista em relações humanas e fundadora da Gestão Consciente. 

Para ela, as festas corporativas fazem parte de uma estratégia de RH preventivo, pois ajudam a manter o clima saudável e reforçam a cultura da empresa. “Esses eventos não são apenas comemorações, mas canais poderosos de relacionamento e pertencimento. Quando bem planejados, aproximam pessoas de diferentes níveis hierárquicos, fortalecem a empatia e estimulam o senso de equipe”, destaca. 

Mari reforça que o cuidado com o comportamento durante esses encontros também reflete a cultura e os valores da organização. “Saber se portar, respeitar o outro e manter uma postura equilibrada é uma forma de demonstrar maturidade emocional e alinhamento com a empresa. O RH pode — e deve — orientar e preparar as equipes para isso, atuando de forma preventiva”, orienta.

A seguir, Mari Viana elenca 10 boas práticas para aproveitar as festas de fim de ano de maneira saudável e positiva:

  1. Participe da confraternização. A presença fortalece laços e demonstra engajamento com a equipe.
  2. Comunique-se com clareza caso não possa comparecer, agradecendo o convite e justificando a ausência.
  3. Respeite o horário: chegar pontualmente mostra consideração e facilita a integração com o grupo.
  4. Seja responsável com bebidas alcoólicas — é possível se divertir sem exageros.
  5. Misture-se: evite grupos fechados e aproveite para conversar com pessoas de diferentes áreas.
  6. Vista-se de forma adequada e alegre, sem excessos. O destaque deve vir da simpatia, não das roupas.
  7. Seja cordial com todos, mantendo temas neutros e respeitosos nas conversas.
  8. Apoie colegas que possam estar passando do limite, sempre de forma sutil e cuidadosa.
  9. Evite exageros em tudo — comida, bebida, piadas ou danças. Aproveite com equilíbrio.
  10. Saia no momento certo e evite associar sua presença apenas à dos superiores hierárquicos.

“Uma confraternização saudável é um reflexo da cultura organizacional. Quando há respeito, equilíbrio e alegria genuína, significa que o clima da empresa está bem cuidado", finaliza.


Bullying começa antes dos 10 anos de idade e a maioria dos jovens sofre em silêncio, revela pesquisa

Estudo mostra ainda que 96% dos jovens já sofreram algum tipo de agressão. Os pais também relatam medo e falta de apoio das escolas.


Estudo da Minds&Hearts, empresa da HSR Specialist Researchers, o maior grupo independente de pesquisa da América Latina, em parceria com a psicanalista e educadora
Carolina Delboni, mostra que o bullying no Brasil começa cedo, preocupa as famílias e ainda encontra poucas respostas efetivas nas escolas. Entre os jovens, 60% afirmam ter vivido episódios antes dos 10 anos e 96% já sofreram algum tipo de agressão verbal, psicológica ou física. Do outro lado, 85% dos pais acreditam que o problema é comum nas escolas e 33% relatam que seus filhos já passaram por situações de violência. O resultado é um cenário em que alunos e famílias reconhecem o problema, mas se sentem sozinhos na busca por acolhimento e prevenção.

Casos de gordofobia se mostraram mais presentes entre 32% dos alunos da rede privada, enquanto nas públicas o índice é de 28%. Ataques ligados a gênero e misoginia foram citados por 25% dos estudantes das escolas particulares, e a mesma quantidade de alunos relatou já ter sofrido agressões físicas.

A exposição em redes sociais, como mensagens ofensivas ou cancelamento, é relatada por um em cada quatro jovens das escolas privadas, contra 16% nas públicas. Entre os mais velhos, o índice sobe para 31%, e o ambiente digital aparece como uma nova fronteira de violência, onde piadas e ofensas se confundem.


A angústia dos pais e o silêncio dos filhos

As dores e inseguranças dos jovens também reverberam dentro das famílias. A percepção dos pais confirma a gravidade do problema: além de acreditar que o bullying é frequente nas escolas, 26% dizem já ter presenciado episódios e 42% afirmam considerar a segurança emocional dos filhos um critério na escolha da instituição.

A preocupação é ainda maior entre quem tem filhos adolescentes, que relatam dificuldade em reconhecer sinais de sofrimento e agir diante de situações de exclusão ou violência.

Entre os pais, o maior medo é o silêncio dos filhos. O levantamento mostra que mais da metade teme que o filho sofra e não conte o que está vivendo, enquanto outros apontam o receio de que a escola não saiba lidar com o problema. Essa percepção reforça a importância de políticas de escuta e acolhimento contínuo nas escolas.

As diferenças de gênero são evidentes. As meninas são as que mais reconhecem o bullying como violência, mas também as que mais sofrem com gordofobia, machismo e ataques online. Muitas relatam guardar o sofrimento para si, acumulando sentimentos de tristeza, vergonha e baixa autoestima. Os meninos, embora igualmente expostos, tendem a reagir de forma diferente, canalizando a dor em raiva ou desejo de vingança.

O recorte por idade mostra uma evolução nos tipos de agressão: entre adolescentes de 16 a 18 anos, 61% relatam episódios de agressão verbal e 44% exclusão social. Já entre jovens de 19 a 24 anos, aumentam os relatos de agressão física (20%) e ameaças (12%). Nesse grupo mais velho, cresce também a percepção de que o bullying não se limita à escola, mas se estende às redes sociais e até ao convívio familiar.

“O bullying não é uma fase. É um comportamento agressivo, de violência que começa cedo, se repete e deixa cicatrizes emocionais profundas. Quando a sociedade, inclusive os pais, por não saberem como lidar com o impacto, minimizam a dor como se fosse algo natural da idade, fragiliza jovens, prejudica seus vínculos sociais e compromete o futuro de toda uma geração”, explicou Naira Maneo, sócia-diretora da Minds&Hearts.


Famílias esperam atitudes das escolas

A escola aparece como o principal palco das agressões visto que 82% dos adolescentes apontam esse ambiente como o mais recorrente. Pais confirmam essa percepção: 74% acreditam que seus filhos já sofreram bullying, mas apenas 24% avaliam que as instituições têm políticas eficazes de prevenção. Entre os próprios adolescentes, a confiança é ainda menor, apenas 18% acreditam que suas escolas estejam preparadas para lidar com o problema.

A consequência disso é o silêncio. 38% dos jovens não contam a ninguém o que vivem, e boa parte dos pais sente que não existem canais formais de escuta nas escolas.

A pesquisa aponta que a grande maioria das famílias deseja participar ativamente da prevenção. 76% dos pais afirmam que as escolas deveriam criar mecanismos de escuta ativa e canais de denúncia; 34% acreditam que as instituições tratam o tema de forma adequada; e 72% apoiam a criação de sistemas de monitoramento contínuo do clima escolar.

“As famílias veem e sentem o problema de modo direto. Os pais esperam da escola não apenas respostas pontuais, mas processos contínuos de escuta e proteção que deem segurança para a criança falar e para a família confiar”, analisa Carol Delboni.

As consequências do bullying se estendem no tempo. Seis em cada dez jovens ainda pensam nos episódios vividos, e mais da metade admitiu ter reproduzido comportamentos semelhantes. Para Fábio Drigo, também sócio-diretor da Minds&Hearts, isso cria um ciclo difícil de romper. “Muitos jovens continuam lembrando do que passaram e, em resposta, repetem as agressões. O bullying não termina no episódio em si, ele se perpetua. Só pode ser enfrentado com acolhimento, conscientização e políticas efetivas das famílias, das escolas e da sociedade.”

 

Sobre a pesquisa

A pesquisa foi realizada entre abril e setembro de 2025, com 1.600 entrevistas online em todo o Brasil. O estudo contemplou jovens de 16 a 24 anos e pais de filhos de 6 a 17 anos, abrangendo as regiões Sudeste, Sul e Nordeste. A amostra foi dividida por gênero e tipo de escola, garantindo diversidade e representatividade.

A análise integra duas frentes complementares: a percepção dos jovens e a leitura das famílias, ambas conduzidas pela Minds&Hearts, empresa do grupo HSR Specialist Researchers, em parceria com a educadora Carolina Delboni.


AUTOCONFIANÇA: DICAS PARA OS PAIS DESENVOLVEREM OS SEUS FILHOS DESDE OS PRIMEIROS MESES

Um passo importante para o desenvolvimento social e emocional da criança é a conquista da autoconfiança. Veja algumas dicas sobre como estimular.

 

Crianças autoconfiantes se tornam adultos mais seguros, responsáveis e felizes. Dar os meios para que os pequenos sejam confiantes deve começar muito antes do que se imagina, já que essa é uma base muito importante para o desenvolvimento social e emocional da criança. 

Desde os primeiros meses de vida, os estímulos que o bebê recebe do ambiente e das figuras materna e paterna são fundamentais para que ele desenvolva uma percepção positiva de si mesmo. “A autoconfiança nasce das interações com os pais, uma relação baseada em amor e proteção, na qual eles incentivam seus filhos a expressar o que sentem e a conversar sobre seus sentimentos”, comenta o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil, André Ceballos.
 

Veja agora cinco dicas do doutor André Ceballos para estimular a autoconfiança dos pequenos desde cedo.

 

1 - Seja um exemplo

Não é segredo nenhum que as crianças aprendem muito observando. Os pais precisam, antes de tudo, ser autoconfiantes para que seus filhos sejam pessoas confiantes desde cedo. Pais que demonstram segurança, positividade e autoconfiança inspiram os filhos a desenvolver essas mesmas atitudes.

 

2 - Demonstre amor

Há várias formas de demonstrar amor: um toque físico, um olhar, um abraço e, principalmente, palavras de afirmação. Elas são fundamentais para que as crianças se sintam acolhidas. O bebê ainda não entende as palavras, mas compreende o afeto e essa conexão cria a base da autoconfiança.
 

3 - Erros fazem parte do aprendizado

Seja em uma brincadeira, fazendo a lição de casa ou aprendendo algo novo, a criança em algum momento vai cometer um erro. Por isso, é importante que os pais permitam que ela erre e não a repreendam quando isso aconteça, mas a incentivem a fazer de novo e estejam juntos para lhe apoiar.
 

4 - Dê espaço para a autonomia

A partir dos dois anos, a criança já começa a buscar mais independência, ela quer comer, brincar, andar ou escolher as suas roupas sozinha. É importante dar esse espaço. Incentive esses comportamentos, supervisione e esteja atento caso ela necessite de ajuda, mas tenha em mente que conforme os pequenos vão crescendo, mais autonomia eles devem ter.

 

5 - Incentive o altruísmo

Ensinar a criança a pensar no outro é uma forma poderosa de fortalecer a autoconfiança. Atitudes simples como compartilhar brinquedos, ajudar um amigo ou cuidar de um animal de estimação, fazem com que ela perceba o impacto positivo das próprias ações. 

“Quando a criança entende que é valorizada, que seus sentimentos são importantes e que ela pode se expressar livremente, ELA desenvolve um senso de propósito e valor pessoal. Isso reforça sua autoestima e a faz se sentir capaz de fazer a diferença no mundo.” Finaliza o doutor Ceballos.

 

Dr. André Ceballos: Médico neurocirurgião, Ceballos atua como Diretor técnico do Hospital São Francisco, referência no diagnóstico e tratamento de crianças com transtornos do desenvolvimento. O médico tem como missão identificar precocemente condições que possam comprometer o pleno desenvolvimento das crianças, oferecendo intervenções terapêuticas baseadas nas melhores evidências científicas. A atuação do Dr. Ceballos vai além do atendimento clínico e da gestão hospitalar e reconhecendo a importância da informação e da educação para a saúde pública, se dedica a projetos de divulgação e conscientização sobre os marcos do desenvolvimento infantil, com o objetivo de influenciar políticas públicas que beneficiem especialmente as populações mais vulneráveis. Saiba mais em: Link


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