Levantamento aponta aumento de 273% nos
transplantes ligados à doença nos últimos 10 anos. Oftalmologista alerta que
sintomas iniciais costumam ser confundidos com “mudança de grau”
O
ceratocone, doença ocular progressiva que afina e deforma a córnea, tem
avançado silenciosamente no Brasil e preocupado especialistas. Dados levantados
a partir de relatórios da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos)
mostram que o número de brasileiros que chegaram ao estágio crítico da doença e
precisaram de transplante de córnea aumentou 273% na última década.
Entre
janeiro e março de 2015, o país registrou 13.079 pessoas com necessidade de transplante
de córnea, entre pacientes transplantados e inscritos na fila. No mesmo período
de 2025, esse número saltou para 35.651 brasileiros. Hoje, o ceratocone já
responde por cerca de 7 em cada 10 transplantes de córnea realizados no país.
Durante
o Junho Violeta, campanha de conscientização sobre a doença, oftalmologistas
reforçam a importância do diagnóstico precoce, principalmente entre
adolescentes e adultos jovens, faixa etária em que os primeiros sinais costumam
aparecer. “O grande problema é que o ceratocone no início parece apenas um grau
comum de miopia ou astigmatismo. Muitas pessoas passam anos trocando óculos sem
perceber que existe uma doença progressiva acontecendo na córnea”, explica o
oftalmologista Dr. Hallim Féres Neto, diretor da Prisma Visão e membro do
Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
O
ceratocone faz com que a córnea, estrutura transparente localizada na parte
frontal do olho, fique mais fina e assume formato semelhante ao de um cone.
Isso provoca distorções visuais progressivas e pode comprometer seriamente a
qualidade da visão quando não tratado adequadamente.
Dados
da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que aproximadamente 150 mil
brasileiros convivam com a doença. Estudos internacionais apontam incidência
média de um caso a cada duas mil pessoas, embora especialistas afirmem que os
números podem ser ainda maiores devido à ampliação dos exames diagnósticos.
Segundo
a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, entre janeiro e abril de 2024
foram registrados 160 diagnósticos da doença na rede pública estadual. No mesmo
período de 2025, o número subiu para 542 casos.
5 sinais que podem indicar ceratocone
- Visão
borrada mesmo usando óculos
Um dos sinais mais comuns é a sensação de que os óculos “nunca resolvem totalmente” a visão. - Grau
mudando frequentemente
Trocas frequentes de receita, principalmente aumento do astigmatismo, podem ser um alerta. - Sensibilidade
excessiva à luz
Luzes fortes, brilho intenso e dificuldade para dirigir à noite merecem atenção. - Halos
e distorções nas luzes
Faróis, telas e lâmpadas podem parecer esticados, duplicados ou com halos. - Diferença
importante de visão entre os olhos
Em muitos casos, um olho evolui mais rapidamente que o outro, mascarando a doença no início.
Coçar os
olhos pode acelerar a doença
Outro
ponto que preocupa os especialistas é o hábito de coçar os olhos, especialmente
em pessoas com rinite e alergias oculares.
“Hoje
sabemos que coçar os olhos é um dos principais fatores associados à progressão
do ceratocone. Muitos estudos mostram uma relação muito forte entre o hábito de
esfregar os olhos e o avanço da doença”, afirma Hallim.
O
médico explica que o tratamento evoluiu muito nos últimos anos e que o diagnóstico
precoce pode evitar situações mais graves. “O crosslinking, que é um procedimento
feito com riboflavina e luz ultravioleta, consegue estabilizar a córnea e
reduzir em cerca de 90% a necessidade de transplante. Quanto antes
diagnosticarmos, maior a chance de preservar a visão do paciente”, destaca.
Nos casos mais avançados, o tratamento pode incluir lentes especiais, implante de anel intracorneano e, em situações extremas, transplante de córnea.
Dr. Hallim Féres Neto - CRM-SP 117.127 | RQE 60732 - Oftalmologista Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Instagram: drhallim
Portal: Link
Nenhum comentário:
Postar um comentário