Quando milhões de turistas viajarem para os Estados Unidos, Canadá e México durante a Copa do Mundo de 2026, uma parte importante da experiência será definida longe dos estádios. Ela acontecerá no momento em que consumidores tentarem pagar por um hotel, pedir um transporte, comprar um ingresso ou dividir uma conta em um restaurante.
A próxima Copa será histórica não apenas por
acontecer simultaneamente em três países, mas porque marcará um novo estágio da
economia digital aplicada ao turismo global. Em um cenário de alta circulação
internacional, reservas voláteis e consumidores acostumados à instantaneidade,
os meios de pagamento deixaram de ser apenas uma etapa operacional para se
tornarem parte central da experiência do visitante.
Esse ponto é particularmente relevante porque a
Copa de 2026 acontecerá em uma região altamente conectada, móvel e acostumada à
economia em tempo real. Nos Estados Unidos, carteiras digitais e pagamentos
contactless já dominam boa parte da experiência de consumo em arenas
esportivas, aeroportos e varejo. O Canadá, por sua vez, possui um dos mercados
bancários mais digitalizados do mundo, com forte adoção de pagamentos móveis e
elevada confiança em sistemas financeiros interoperáveis.
Mas será justamente o México o grande termômetro
latino-americano dessa transformação. O país chega a esse momento como um dos
principais polos digitais da América Latina. Segundo o Guia de Expansão Global
da Nuvei, o país possui um volume de comércio eletrônico de US$ 96,7 bilhões e
uma penetração de comércio digital de 74%. O setor de viagens, especificamente,
mantém expansão de 17%, acelerando a necessidade de plataformas capazes de
suportar fluxos massivos de transações sem comprometer segurança, estabilidade
e velocidade.
A dimensão da operação ajuda a explicar esse
desafio. Hotéis, companhias aéreas, restaurantes e o varejo precisarão
funcionar em ritmo de alta demanda contínua durante semanas. Nesse contexto, a
capacidade de processar pagamentos sem fricção pode se tornar tão importante
quanto a própria infraestrutura física do evento.
Hoje, 79% dos usuários digitais no México já
utilizam plataformas internacionais de pagamento. Na prática, isso significa
que turistas esperam pagar utilizando os métodos aos quais já estão habituados
em seus países de origem, em suas próprias moedas e sem fricções. Carteiras
digitais, pagamentos em tempo real e sistemas multimoeda deixaram de ser
diferenciais para se tornarem requisitos básicos de confiança.
Essa mudança é particularmente relevante para a
América Latina, uma região que avançou rapidamente na digitalização financeira
nos últimos anos. O Brasil é um exemplo claro disso. A popularização do Pix
transformou a relação do consumidor brasileiro com velocidade, conveniência e
disponibilidade financeira. Como consequência, turistas latino-americanos
chegam cada vez mais preparados e exigentes em relação à experiência de pagamento
oferecida pelos destinos que visitam.
A Copa de 2026 surge justamente como um catalisador
dessa nova expectativa global. Com 78% das transações digitais mexicanas já
realizadas via dispositivos móveis, número que deve alcançar 82% até 2027, o
torneio deve acelerar investimentos em redundância operacional, pagamentos
instantâneos, prevenção a fraudes e integração internacional de plataformas
financeiras. Mais do que atender à demanda temporária do evento, trata-se de
construir uma infraestrutura resiliente que continuará beneficiando o turismo,
o varejo e a economia digital após o encerramento da competição.
Outro ponto estratégico está na capacidade de lidar
com volatilidade. Em períodos de grande movimentação turística, cancelamentos,
alterações de reservas e mudanças de itinerário se tornam frequentes. Nesse
cenário, sistemas capazes de realizar liquidações e reembolsos em poucas horas
deixam de ser apenas eficiência operacional e passam a representar proteção de
fluxo de caixa para as empresas e confiança para os consumidores.
Em um ambiente altamente conectado, a percepção do
turista sobre um destino não é formada apenas pela qualidade do hotel ou pela
experiência no estádio. Ela também é construída pela facilidade com que ele
consegue concluir uma compra, dividir uma conta, receber um reembolso ou pagar
usando o método de sua preferência.
Por isso, talvez o maior legado da Copa de 2026 não
esteja apenas nas obras urbanas ou no impacto econômico imediato do torneio,
mas na modernização da infraestrutura financeira da região. Os países que
compreenderem que pagamentos digitais são parte da experiência do visitante
estarão mais preparados não apenas para grandes eventos, mas para a nova
dinâmica do turismo global.
No fim, parte da experiência da Copa de 2026 será
construída longe dos gramados. Ela acontecerá na fluidez de cada compra, na velocidade
de cada reembolso e na confiança transmitida em cada transação. Porque, em um
turismo cada vez mais digital, pagamentos deixaram de ser bastidores e passaram
a fazer parte do espetáculo.
Juan Jorge Soto - General
Manager da Nuvei para a América Latina
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