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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Brasil deve registrar mais de 9 mil novos casos de melanoma por ano

Magnific
Especialistas do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista reforçam a importância de observar alterações na pele e buscar diagnóstico precoce

 

O melanoma é o tipo mais grave de câncer de pele. Embora represente cerca de 3% a 4% dos tumores malignos do órgão, a doença exige atenção pela alta possibilidade de metástase quando não é diagnosticada precocemente. 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o triênio 2026-2028, o Brasil deve registrar 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma por ano, com risco estimado de 4,36 casos a cada 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 4.930 casos novos em homens e 4.430 em mulheres. 

Junho Preto, campanha nacional de conscientização sobre o melanoma, que reforça a importância da prevenção, da observação regular da pele e da avaliação médica diante de alterações suspeitas em pintas, manchas ou lesões. 

O melanoma tem origem nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, pigmento que dá cor à pele. A doença pode surgir em áreas expostas ao sol, como rosto, braços, pernas e tronco, mas também em regiões menos visíveis, como couro cabeludo, unhas, palmas das mãos, plantas dos pés e mucosas. 

Para a dermatologista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dra. Melanie Reginato, mudanças em pintas ou manchas já existentes não devem ser ignoradas. 

“Uma pinta que muda de tamanho, formato ou cor precisa ser avaliada. Também merecem atenção lesões com bordas irregulares, assimetria, sangramento, coceira persistente ou crescimento rápido. O melanoma pode parecer uma alteração simples na pele, quando identificado e tratado em fase inicial, as chances de cura podem superar 90%”, explica. 

Entre os principais fatores de risco estão exposição excessiva à radiação ultravioleta, histórico de queimaduras solares, pele clara, presença de muitas pintas ou pintas atípicas, histórico familiar de melanoma e uso de câmaras de bronzeamento artificial. Pessoas que já tiveram câncer de pele ou possuem familiares próximos com diagnóstico da doença devem manter acompanhamento médico regular. 

Além da exposição solar, fatores familiares e genéticos também podem influenciar o risco de melanoma. Uma revisão científica publicada em 2022 no Bosnian Journal of Basic Medical Sciences aponta que a maior parte dos casos é esporádica, ou seja, surge ao longo da vida, enquanto os melanomas hereditários representam cerca de 10% dos casos descritos na literatura. O dado não se refere especificamente ao Brasil, mas reforça a importância do acompanhamento dermatológico em pessoas com histórico familiar da doença, múltiplas pintas ou lesões atípicas.
 

Sinais de alerta 

Uma forma simples de observar lesões suspeitas é a regra do ABCDE. A letra A indica assimetria, quando uma metade da pinta é diferente da outra. B se refere a bordas irregulares. C aponta variação de cor na mesma lesão. D observa o diâmetro, especialmente quando há crescimento. E significa evolução, ou seja, qualquer mudança de tamanho, forma, cor, espessura ou sintomas como sangramento, dor ou coceira. 

O diagnóstico é feito a partir da avaliação médica da lesão e pode contar com o apoio da dermatoscopia, exame que permite analisar estruturas da pele com maior precisão. Quando há suspeita, a confirmação ocorre por meio de biópsia e análise anatomopatológica. 

Segundo o oncologista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dr. Thiago Alcantara, o estágio em que o melanoma é descoberto influencia diretamente a definição do tratamento.

“Nos casos iniciais, a cirurgia para retirada da lesão com margens costuma ser o principal tratamento e pode oferecer excelentes resultados. Já nos quadros mais avançados, é necessária uma avaliação oncológica individualizada, que geralmente envolve imunoterapia ou terapia-alvo, sempre considerando as características do tumor e o estado clínico do paciente”, afirma. 

A prevenção envolve medidas diárias de proteção da pele, como evitar exposição solar prolongada, principalmente entre 10h e 16h, usar protetor solar, chapéus, óculos com proteção UV e roupas adequadas. Também é importante evitar o bronzeamento artificial e procurar atendimento diante de qualquer alteração nova ou persistente na pele.

 

Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista


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