Especialistas do Complexo Hospitalar Santa Casa de
Bragança Paulista reforçam a importância de observar alterações na pele e
buscar diagnóstico precoce
Magnific
O melanoma é o
tipo mais grave de câncer de pele. Embora represente cerca de 3% a 4% dos
tumores malignos do órgão, a doença exige atenção pela alta possibilidade de
metástase quando não é diagnosticada precocemente.
Segundo o
Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o triênio 2026-2028, o Brasil deve
registrar 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma por ano, com risco
estimado de 4,36 casos a cada 100 mil habitantes. Desse total, são estimados
4.930 casos novos em homens e 4.430 em mulheres.
Junho Preto,
campanha nacional de conscientização sobre o melanoma, que reforça a
importância da prevenção, da observação regular da pele e da avaliação médica
diante de alterações suspeitas em pintas, manchas ou lesões.
O melanoma tem
origem nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina,
pigmento que dá cor à pele. A doença pode surgir em áreas expostas ao sol, como
rosto, braços, pernas e tronco, mas também em regiões menos visíveis, como
couro cabeludo, unhas, palmas das mãos, plantas dos pés e mucosas.
Para a
dermatologista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dra.
Melanie Reginato, mudanças em pintas ou manchas já existentes não devem ser
ignoradas.
“Uma pinta que
muda de tamanho, formato ou cor precisa ser avaliada. Também merecem atenção
lesões com bordas irregulares, assimetria, sangramento, coceira persistente ou
crescimento rápido. O melanoma pode parecer uma alteração simples na pele,
quando identificado e tratado em fase inicial, as chances de cura podem superar
90%”, explica.
Entre os
principais fatores de risco estão exposição excessiva à radiação ultravioleta,
histórico de queimaduras solares, pele clara, presença de muitas pintas ou
pintas atípicas, histórico familiar de melanoma e uso de câmaras de bronzeamento
artificial. Pessoas que já tiveram câncer de pele ou possuem familiares
próximos com diagnóstico da doença devem manter acompanhamento médico regular.
Além da exposição
solar, fatores familiares e genéticos também podem influenciar o risco de
melanoma. Uma revisão científica publicada em 2022 no Bosnian Journal of
Basic Medical Sciences aponta que a maior parte dos casos é esporádica,
ou seja, surge ao longo da vida, enquanto os melanomas hereditários representam
cerca de 10% dos casos descritos na literatura. O dado não se refere
especificamente ao Brasil, mas reforça a importância do acompanhamento
dermatológico em pessoas com histórico familiar da doença, múltiplas pintas ou
lesões atípicas.
Sinais de
alerta
Uma forma simples
de observar lesões suspeitas é a regra do ABCDE. A letra A indica assimetria,
quando uma metade da pinta é diferente da outra. B se refere a bordas irregulares.
C aponta variação de cor na mesma lesão. D observa o diâmetro, especialmente
quando há crescimento. E significa evolução, ou seja, qualquer mudança de
tamanho, forma, cor, espessura ou sintomas como sangramento, dor ou coceira.
O diagnóstico é
feito a partir da avaliação médica da lesão e pode contar com o apoio da
dermatoscopia, exame que permite analisar estruturas da pele com maior
precisão. Quando há suspeita, a confirmação ocorre por meio de biópsia e
análise anatomopatológica.
Segundo o oncologista
do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dr. Thiago Alcantara, o
estágio em que o melanoma é descoberto influencia diretamente a definição do
tratamento.
“Nos casos iniciais,
a cirurgia para retirada da lesão com margens costuma ser o principal
tratamento e pode oferecer excelentes resultados. Já nos quadros mais
avançados, é necessária uma avaliação oncológica individualizada, que
geralmente envolve imunoterapia ou terapia-alvo, sempre considerando as
características do tumor e o estado clínico do paciente”, afirma.
A prevenção
envolve medidas diárias de proteção da pele, como evitar exposição solar
prolongada, principalmente entre 10h e 16h, usar protetor solar, chapéus,
óculos com proteção UV e roupas adequadas. Também é importante evitar o
bronzeamento artificial e procurar atendimento diante de qualquer alteração
nova ou persistente na pele.
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