Especialistas alertam para os riscos das plataformas ilegais e explicam como os consumidores podem se proteger
A proximidade da Copa do Mundo costuma movimentar
não apenas torcedores, mas também o mercado de apostas esportivas. Com milhões
de brasileiros acompanhando os jogos e buscando transformar palpites em
possíveis ganhos financeiros, especialistas alertam para um cuidado
fundamental: saber diferenciar uma plataforma regulamentada de uma operação
ilegal.
Desde a regulamentação do mercado de apostas de
quota fixa no Brasil, em janeiro de 2025, o setor passou por uma profunda
transformação. Atualmente, as empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e
Apostas (SPA), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, precisam cumprir uma
série de exigências técnicas, financeiras e de compliance para operar
legalmente no país. Apesar dos avanços regulatórios, o mercado ilegal ainda
representa um desafio significativo.
Segundo Leonardo Brodsky, diretor de iGaming da
Trio, o problema é que muitas plataformas clandestinas continuam atraindo
usuários sem oferecer qualquer garantia de segurança. “Hoje existem mais de 190
sites devidamente regulados no Brasil, mas o mercado ilegal ainda é estimado em
volume financeiro semelhante ao regulado, pulverizado em milhares de sites
diferentes. Essas operações não seguem regras, não recolhem tributos, não
possuem mecanismos adequados de proteção ao usuário e podem até manipular as
regras de percentual de retorno das apostas, utilizando jogos viciados que
rodam em um loop de perdas”, afirma.
Como identificar uma bet legal?
De acordo com os especialistas, existem alguns
sinais claros que ajudam o consumidor a identificar se uma plataforma está
autorizada a operar no Brasil. O primeiro deles é verificar se o site aparece
na lista oficial de operadores autorizados pela Secretaria de Prêmios e
Apostas. Outro indicativo importante está no próprio endereço eletrônico.
“Todos os operadores autorizados são obrigados a utilizar o domínio .bet.br. Se
o site utiliza outra extensão, o consumidor deve desconfiar imediatamente”,
explica Brodsky.
O advogado Alberto Goldenstein, especialista em
Direito Desportivo e sócio-fundador do GMP G&C Advogados Associados,
reforça que a ausência do domínio oficial costuma ser um dos principais
indícios de irregularidades. “Uma bet ilegal deixa rastros claros. Além de não
constar na lista oficial do Ministério da Fazenda, geralmente utiliza domínios
genéricos e apresenta falhas graves de segurança, como permitir abertura de
contas sem validação de documentos”, afirma.
Outro ponto importante está relacionado ao
processo de cadastro. Nas plataformas regulamentadas, o reconhecimento facial e
a validação documental são obrigatórios. O objetivo é impedir fraudes, lavagem
de dinheiro e o acesso de menores de idade. “As empresas licenciadas precisam
cumprir exigências rigorosas de KYC (Conheça seu Cliente) e prevenção à lavagem
de dinheiro. Isso inclui validação de identidade, monitoramento de transações e
rastreabilidade financeira”, explica Goldenstein. O especialista alerta que
plataformas que permitem cadastro simplificado, sem conferência documental ou
biometria, devem ser vistas com cautela.
Também é importante observar os métodos de
pagamento disponíveis. “No Brasil, os operadores regulados utilizam meios de
pagamento autorizados e rastreáveis. Se uma plataforma oferece depósitos por
criptomoedas ou mecanismos não identificáveis, isso é um forte sinal de
irregularidade”, afirma Brodsky.
Outro alerta dos especialistas envolve ofertas
promocionais agressivas. Atualmente, as empresas regulamentadas possuem
limitações importantes em relação à oferta de bônus e campanhas de aquisição de
usuários. Por isso, promessas de ganhos fáceis, bônus excessivos ou vantagens
aparentemente irresistíveis podem indicar a atuação de operadores fora das
regras brasileiras. “O mercado ilegal não segue qualquer prática de jogo
responsável. Muitas dessas plataformas utilizam promoções agressivas justamente
para atrair usuários sem oferecer garantias mínimas de segurança”, afirma
Brodsky.
E se eu ganhar dinheiro com apostas?
Além da escolha da plataforma, os apostadores
também precisam ficar atentos às obrigações tributárias. Segundo Gustavo
Portugal Heinze, advogado especialista em Direito Tributário e sócio-fundador
do GMP G&C Advogados Associados, os ganhos obtidos em apostas esportivas
regulamentadas estão sujeitos à tributação. “No Imposto de Renda, a tributação
incide sobre o ganho líquido, ou seja, a diferença entre os prêmios recebidos e
os valores apostados. Nas plataformas regulamentadas, o imposto já é retido na
fonte”, explica.
Ele também chama atenção para um detalhe que
costuma gerar dúvidas. “O saldo que permanece na carteira da plataforma em 31
de dezembro é considerado patrimônio e deve ser informado na declaração de
Imposto de Renda na ficha de Bens e Direitos”, afirma.
Mercado mais seguro depende da escolha do
consumidor
Para os especialistas, a regulamentação trouxe avanços
importantes para o setor, criando mecanismos de proteção ao usuário e aumentando
a transparência das operações. Recentemente, o Banco Central também reforçou o
combate às operações ilegais ao ampliar o monitoramento de transações suspeitas
relacionadas a apostas clandestinas. Ainda assim, a principal proteção continua
sendo a informação. “Quando o consumidor escolhe uma plataforma regulamentada,
ele passa a contar com fiscalização governamental, regras de proteção
financeira, mecanismos de jogo responsável e canais formais de atendimento. A
escolha da plataforma é o primeiro passo para uma experiência segura”, conclui
Brodsky.
Com a Copa do Mundo se aproximando e o interesse pelas apostas esportivas em alta, especialistas recomendam que os brasileiros transformem a empolgação pelos jogos em entretenimento responsável, sempre verificando se a plataforma escolhida opera dentro das regras do mercado brasileiro.
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