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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mitos e verdades dos medicamentos à base de cannabis: especialistas esclarecem!

Com a chegada de novos produtos às farmácias e a entrada de farmacêuticas tradicionais no setor, fontes do setor tiram as principais dúvidas sobre

 

O mercado de cannabis medicinal vive um momento de expansão no Brasil. O aumento do número de pacientes em tratamento, a evolução das pesquisas científicas e a entrada de novas empresas farmacêuticas no segmento têm ampliado o acesso a terapias à base de canabinoides. Ainda assim, o tema continua cercado por dúvidas, preconceitos e informações equivocadas. 

Afinal, cannabis medicinal é a mesma coisa que maconha? O tratamento causa dependência? Qualquer pessoa pode utilizar? E por que cada vez mais médicos têm considerado essa alternativa terapêutica? 

Para esclarecer algumas das principais dúvidas sobre o assunto, a farmacêutica Juliana Komel, co-CEO da ALKO do Brasil e especialista em cannabis medicinal, explica o que é fato e o que ainda é mito quando o assunto é o uso terapêutico da planta.
 

Cannabis medicinal e uso recreativo são a mesma coisa?

Mito.

Embora tenham origem na mesma planta, os objetivos e as composições são completamente diferentes. Os produtos destinados ao uso medicinal passam por rigorosos controles de qualidade, possuem concentrações específicas dos compostos ativos e são utilizados mediante prescrição médica. 

"O tratamento medicinal utiliza formulações padronizadas, com controle de qualidade farmacêutico e acompanhamento profissional. Não estamos falando do uso recreativo da planta", explica Juliana.
 

O canabidiol (CBD) provoca efeito psicoativo?

Mito.

O CBD não é responsável pelos efeitos psicoativos associados à cannabis. Esse efeito está relacionado principalmente ao THC, substância que pode ou não estar presente em determinados produtos, dependendo da indicação terapêutica e da regulamentação vigente.
 

A cannabis medicinal já é utilizada para diversas condições de saúde?

Verdade.

Hoje existem evidências científicas que sustentam o uso de canabinóides em condições como epilepsias refratárias, dores crônicas, espasticidade associada à esclerose múltipla, náuseas relacionadas a tratamentos oncológicos e determinados transtornos neurológicos. 

Além disso, pesquisas continuam avançando em áreas como ansiedade, distúrbios do sono, autismo e doenças neurodegenerativas.
 

O tratamento com cannabis pode substituir qualquer medicamento?

Mito.

Cada paciente possui características e necessidades específicas. Em alguns casos, a cannabis pode ser incorporada ao tratamento; em outros, pode complementar terapias já existentes. 

"Não existe fórmula única. A decisão sempre deve ser tomada pelo médico, considerando o histórico clínico e os objetivos terapêuticos de cada paciente", destaca Juliana.
 

O setor de cannabis medicinal está crescendo rapidamente no Brasil?

Verdade.

O Brasil já reúne centenas de milhares de pacientes que utilizam produtos à base de cannabis mediante prescrição médica. O avanço regulatório, a ampliação do conhecimento médico e a entrada de novos fabricantes têm impulsionado o desenvolvimento do setor. 

Segundo Juliana, o movimento demonstra uma mudança importante na forma como a medicina vem enxergando as terapias baseadas em canabinóides. 

"Estamos observando uma evolução significativa da discussão. Hoje o tema é tratado cada vez mais sob a ótica da ciência, da pesquisa clínica e da qualidade de vida dos pacientes."
 

A cannabis medicinal ainda enfrenta preconceitos?

Verdade.

Apesar dos avanços, muitos pacientes ainda enfrentam desinformação e resistência em relação ao tratamento. Para os especialistas, a disseminação de informações baseadas em evidências científicas é fundamental para reduzir estigmas e ampliar o acesso de quem pode se beneficiar dessas terapias. 

"A informação de qualidade é a principal ferramenta para separar mitos da realidade. Quanto mais conhecimento tivermos, mais responsável será o desenvolvimento desse mercado e o acesso dos pacientes aos tratamentos", conclui Juliana Komel.


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