Com a chegada de novos produtos às farmácias e a entrada de farmacêuticas tradicionais no setor, fontes do setor tiram as principais dúvidas sobre
O mercado de cannabis medicinal vive um momento de expansão no
Brasil. O aumento do número de pacientes em tratamento, a evolução das
pesquisas científicas e a entrada de novas empresas farmacêuticas no segmento
têm ampliado o acesso a terapias à base de canabinoides. Ainda assim, o tema
continua cercado por dúvidas, preconceitos e informações equivocadas.
Afinal, cannabis medicinal é a mesma coisa que maconha? O
tratamento causa dependência? Qualquer pessoa pode utilizar? E por que cada vez
mais médicos têm considerado essa alternativa terapêutica?
Para esclarecer algumas das principais dúvidas sobre o assunto, a
farmacêutica Juliana Komel, co-CEO da ALKO do Brasil e especialista em cannabis
medicinal, explica o que é fato e o que ainda é mito quando o assunto é o uso
terapêutico da planta.
✔ Cannabis medicinal e uso recreativo são a mesma coisa?
Mito.
Embora tenham origem na mesma planta, os objetivos e as
composições são completamente diferentes. Os produtos destinados ao uso
medicinal passam por rigorosos controles de qualidade, possuem concentrações
específicas dos compostos ativos e são utilizados mediante prescrição médica.
"O tratamento medicinal utiliza formulações padronizadas, com
controle de qualidade farmacêutico e acompanhamento profissional. Não estamos
falando do uso recreativo da planta", explica Juliana.
✔ O canabidiol (CBD) provoca efeito psicoativo?
Mito.
O CBD não é responsável pelos efeitos psicoativos associados à
cannabis. Esse efeito está relacionado principalmente ao THC, substância que
pode ou não estar presente em determinados produtos, dependendo da indicação
terapêutica e da regulamentação vigente.
✔ A cannabis medicinal já é utilizada para diversas condições
de saúde?
Verdade.
Hoje existem evidências científicas que sustentam o uso de
canabinóides em condições como epilepsias refratárias, dores crônicas, espasticidade
associada à esclerose múltipla, náuseas relacionadas a tratamentos oncológicos
e determinados transtornos neurológicos.
Além disso, pesquisas continuam avançando em áreas como ansiedade,
distúrbios do sono, autismo e doenças neurodegenerativas.
✔ O tratamento com cannabis pode substituir qualquer
medicamento?
Mito.
Cada paciente possui características e necessidades específicas.
Em alguns casos, a cannabis pode ser incorporada ao tratamento; em outros, pode
complementar terapias já existentes.
"Não existe fórmula única. A decisão sempre deve ser tomada
pelo médico, considerando o histórico clínico e os objetivos terapêuticos de
cada paciente", destaca Juliana.
✔ O setor de cannabis medicinal está crescendo rapidamente no
Brasil?
Verdade.
O Brasil já reúne centenas de milhares de pacientes que utilizam
produtos à base de cannabis mediante prescrição médica. O avanço regulatório, a
ampliação do conhecimento médico e a entrada de novos fabricantes têm
impulsionado o desenvolvimento do setor.
Segundo Juliana, o movimento demonstra uma mudança importante na
forma como a medicina vem enxergando as terapias baseadas em canabinóides.
"Estamos observando uma evolução significativa da discussão.
Hoje o tema é tratado cada vez mais sob a ótica da ciência, da pesquisa clínica
e da qualidade de vida dos pacientes."
✔ A cannabis medicinal ainda enfrenta preconceitos?
Verdade.
Apesar dos avanços, muitos pacientes ainda enfrentam desinformação
e resistência em relação ao tratamento. Para os especialistas, a disseminação
de informações baseadas em evidências científicas é fundamental para reduzir
estigmas e ampliar o acesso de quem pode se beneficiar dessas terapias.
"A informação de qualidade é a principal ferramenta para
separar mitos da realidade. Quanto mais conhecimento tivermos, mais responsável
será o desenvolvimento desse mercado e o acesso dos pacientes aos
tratamentos", conclui Juliana Komel.
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