Junho é
tradicionalmente associado ao amor. Além do Dia dos Namorados, celebrado em 12
de junho, o mês também abriga o Dia de Santo Antônio, comemorado em 13 de junho
e popularmente conhecido como o “santo casamenteiro”. Enquanto muitos casais
planejam o futuro a dois, cresce também o interesse por um tema que até pouco
tempo era restrito a famílias: o planejamento sucessório e a proteção
patrimonial.
O aumento da
participação de brasileiros em investimentos financeiros, imóveis, empresas
familiares e ativos nacionais e internacionais tem levado casais a incluir
questões patrimoniais nas conversas sobre projetos de vida, filhos e construção
de patrimônio. O objetivo não é apenas acumular bens, mas garantir que eles
sejam administrados, protegidos e transmitidos de forma organizada ao longo do
tempo.
Segundo Adriano
Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, a
mudança reflete uma nova visão sobre patrimônio e governança familiar.
“Durante muito
tempo, planejamento sucessório foi associado apenas a grandes fortunas. Hoje,
famílias com diferentes perfis patrimoniais percebem que organizar a sucessão
não é apenas uma questão financeira, mas uma forma de preservar objetivos
familiares, reduzir conflitos e garantir maior previsibilidade para as próximas
gerações”, afirma.
O especialista
observa que o momento ideal para iniciar esse tipo de planejamento é justamente
quando tudo está em ordem.
“Muitas pessoas
acreditam que sucessão é um tema para ser tratado apenas mais tarde, mas a
realidade é que eventos inesperados podem acontecer em qualquer fase da vida.
Quanto mais cedo a família organiza sua estrutura patrimonial, maiores são as
possibilidades de construir soluções eficientes do ponto de vista jurídico,
tributário e sucessório”, explica.
A discussão ganha
relevância ainda maior entre famílias que possuem investimentos fora do Brasil.
Com a crescente internacionalização do patrimônio dos brasileiros, ativos
mantidos em outros países passaram a exigir atenção especial no planejamento
familiar.
“A presença de
investimentos internacionais adiciona um nível maior de complexidade. Cada país
possui regras próprias relacionadas à sucessão, tributação e transferência de
patrimônio. Sem uma estrutura adequada, a família pode enfrentar custos
adicionais, conflitos entre legislações e processos sucessórios em diferentes
jurisdições”, destaca Murta.
Para evitar esses
riscos, famílias vêm recorrendo a instrumentos como holdings patrimoniais,
acordos societários, mecanismos de governança familiar, estruturas
internacionais e planejamentos sucessórios realizados de forma preventiva. O
objetivo dessas estruturas não é apenas reduzir custos futuros, mas criar
regras claras para administração, proteção e transmissão do patrimônio,
contribuindo para preservar ativos e reduzir potenciais conflitos entre
herdeiros.
Na avaliação do
especialista, o principal benefício do planejamento patrimonial está na
previsibilidade.
Quando a família
define previamente como o patrimônio será administrado e transmitido, reduz
significativamente os riscos de disputas, insegurança jurídica e custos
inesperados. Mais do que organizar bens, trata-se de construir mecanismos que
garantam continuidade, proteção patrimonial e estabilidade para as próximas
gerações”, conclui Adriano Murta.

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