Pesquisas apontam
aumento de sentimentos de isolamento e ansiedade durante o período festivo;
especialistas explicam as causas e indicam caminhos saudáveis para atravessar a
temporada
As festas de fim de ano, tradicionalmente
associadas à alegria e à união familiar, podem acentuar sentimentos de solidão
e tristeza. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023), os
diagnósticos de depressão e ansiedade aumentam em média 20% entre dezembro e
janeiro em países das Américas e da Europa. No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz, 2024) aponta que 32% das pessoas relatam sentir-se mais ansiosas ou
melancólicas nessa época.
Para o psicólogo Jair Soares dos
Santos, doutorando em Psicologia pela Universidade de
Flores (UFLO), na Argentina, e fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT), o fenômeno não é coincidência. “O fim do ano funciona como um
marcador simbólico de encerramento de ciclos. Ele desperta lembranças,
comparações e lutos, inclusive os que nunca foram elaborados. É um período em
que o inconsciente faz um balanço emocional, e nem sempre o resultado é leve”,
explica.
Quando o fim do ano acende o alerta emocional
O chamado transtorno afetivo sazonal ou “depressão
de fim de ano” é reconhecido pela OMS desde 2020 como uma condição que pode
intensificar sintomas de tristeza, apatia e isolamento. Um estudo da
Universidade de São Paulo (USP, 2024) revelou que 46% das pessoas que
vivenciaram uma perda significativa relatam maior sofrimento emocional durante
o Natal e o Réveillon.
“O reencontro com familiares pode reativar memórias
dolorosas e emoções antigas. Em muitos casos, há a tentativa de manter
aparências, mas o corpo e a mente sentem o peso emocional desse esforço”,
afirma Soares. Ele observa que sintomas como insônia, cansaço, irritabilidade e
tensão muscular são formas de o corpo expressar dores não acolhidas.
A TRG e o reprocessamento das
emoções
Diante desse cenário, o psicólogo destaca a
importância de abordagens terapêuticas que trabalhem a origem do sofrimento, e
não apenas os sintomas. Desenvolvida por Jair Soares e aplicada no IBFT, a
Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG) propõe um método estruturado para
acessar e reorganizar memórias emocionais que permanecem ativas no
inconsciente.
“A TRG atua no reprocessamento de experiências marcantes
que moldaram a forma como a pessoa reage ao mundo. O objetivo não é apenas
ressignificar o passado, mas desativar os gatilhos que ainda produzem dor
emocional. Quando o cérebro entende que o perigo já passou, o corpo para de
reagir como se ainda estivesse em ameaça”, explica o especialista.
Estudos conduzidos pelo IBFT em parceria com a
Universidade de Flores (UFLO, 2024) têm demonstrado redução significativa de
sintomas de ansiedade e depressão em pacientes submetidos ao método. “É um
processo seguro e humanizado, que não exige reviver traumas nem verbalizá-los
diretamente. Isso é fundamental, especialmente em períodos emocionalmente
sensíveis como o fim do ano”, afirma Soares.
A solidão e o desafio do
reencontro
Segundo o IBGE (Censo 2022), mais de 15 milhões de
brasileiros vivem sozinhos, número que cresceu 43% em uma década. Para
especialistas, a solidão tem se tornado um fenômeno social crescente,
potencializado pelas redes e pelas rupturas familiares. “Estar só não é o
problema. O sofrimento vem quando a pessoa se sente desconectada de si e dos
outros. A TRG trabalha justamente essa reconexão emocional, ajudando o
indivíduo a recuperar o sentimento de pertencimento”, explica o psicólogo.
O luto, por sua vez, ganha força nesse período. “A
dor da ausência é natural, mas muitas vezes tentamos contê-la para não estragar
o clima. Permitir-se sentir é o primeiro passo para reorganizar a vida
emocional”, orienta Soares.
Um novo significado para o fim
de ano
O especialista defende que o encerramento do ano
pode ser um convite à introspecção e não à obrigatoriedade da festa. “O fim do
ano pode ser o momento de se reencontrar com o que ficou suspenso, afetos,
memórias, arrependimentos. A cura não vem do esquecimento, mas da compreensão
do que cada experiência representou”, afirma.
Ele sugere criar rituais pessoais simples, como
escrever uma carta de despedida ao ano que termina, realizar uma caminhada ao
ar livre ou apenas dedicar um tempo para o silêncio e a reflexão. “Quando o
indivíduo se permite esse espaço, o corpo e a mente compreendem o fechamento
simbólico do ciclo. Isso traz paz, mesmo que não haja comemoração.”
A recomendação final de Soares resume a essência da
mensagem: “Antes de buscar celebrar com os outros, celebre o fato de estar
vivo. A presença em si já é motivo suficiente para agradecer, mesmo nos dias em
que o silêncio é o único convite possível.”
Jair Soares dos Santos - psicólogo, terapeuta, hipnólogo, pesquisador e professor, além de ser o fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT). Criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), sua trajetória é marcada por desafios pessoais que o motivaram a buscar soluções eficazes para o sofrimento emocional. Após enfrentar episódios de depressão e insatisfação com abordagens terapêuticas tradicionais, Jair dedicou-se ao desenvolvimento de uma metodologia que pudesse proporcionar alívio real e duradouro aos pacientes. Sua formação inclui graduação em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife e especializações em áreas como hipnoterapia e análise comportamental. Atualmente é doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO) na Argentina, onde desenvolve uma pesquisa com a TRG em pessoas com depressão e ansiedade, alcançando resultados promissores com a remissão dos sintomas nestes participantes. Há mais dois doutorados com a TRG a serem desenvolvidos neste momento.
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Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas - IBFT
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