Pesquisar no Blog

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Problemas bucais levam idosos ao hospital e expõem falhas na prevenção

Complicações evitáveis agravam quadros clínicos e ampliam pressão sobre o sistema de saúde 

 

O envelhecimento da população brasileira tem ampliado um problema pouco visível na rotina de cuidados: o impacto das doenças bucais nas internações de idosos. Dados do Ministério da Saúde, com base no sistema DATASUS, mostram que milhares de internações por condições sensíveis à atenção primária poderiam ser evitadas com diagnóstico e acompanhamento adequados. O país já tem mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o IBGE.

Para a cirurgiã-dentista Cristiane Vasconcellos, especialista em odontogeriatria e diretora da Odontolar, a saúde bucal ainda é tratada de forma isolada no cuidado clínico. “Muitos casos começam com sinais simples, mas evoluem porque não são tratados no tempo certo. Quando o paciente chega ao hospital, o problema já deixou de ser apenas odontológico”, afirma.

Infecções como abscessos e doenças periodontais podem permitir a entrada de bactérias na corrente sanguínea descompensando doenças já existentes. Em idosos com mobilidade reduzida, o risco aumenta pela dificuldade de acesso ao atendimento e pela dependência de cuidadores para realizar a higiene bucal diária.


Sinais que indicam risco

Sangramento gengival frequente, dor ao mastigar e alterações no comportamento alimentar costumam ser os primeiros indícios de que o problema já afeta a qualidade de vida do paciente. Em muitos casos, esses sinais passam despercebidos, o que favorece a evolução para quadros mais complexos.

A especialista observa que o atraso no cuidado é um dos principais fatores por trás das complicações. O atendimento costuma ocorrer apenas quando há dor intensa ou dificuldade para alimentação, estágio em que o tratamento já exige intervenções mais complexas.


Quando buscar atendimento

A recomendação é procurar avaliação odontológica preventiva, de cinco em cinco meses no máximo, em idosos com doenças crônicas que dependem de outra pessoa para fazer a higiene diária. Pacientes com diabetes, por exemplo, apresentam maior risco de infecções e cicatrização mais lenta, o que exige acompanhamento com frequência maior.

Sem diagnóstico precoce, o problema pode evoluir e interferir diretamente no controle de outras doenças. “A infecção bucal pode agravar a saúde sistêmica do paciente e dificultar a recuperação”, afirma.


Prevenção reduz internações

Medidas como higiene bucal regular e bem feita, adaptação de instrumentos para pacientes com limitação motora e acompanhamento profissional regular ajudam a evitar agravamentos. Para quem tem dificuldade de locomoção, o atendimento domiciliar tem sido uma alternativa para manter o cuidado contínuo.

Além do impacto individual, a ausência de prevenção também pressiona o sistema de saúde ao aumentar a demanda por internações evitáveis e atendimentos de maior complexidade.

Para a especialista, integrar a odontologia ao cuidado clínico é um passo necessário diante do envelhecimento da população. “Não se trata apenas de cuidar dos dentes, mas de preservar a saúde geral. Quando o cuidado acontece no momento certo, é possível evitar complicações mais graves”, diz.

 


Cristiane Vasconcellos - cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares. Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos. Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes.
Para mais informações acesse, instagram


Odontolar
Para mais informações, acesse instagram



Fontes de pesquisa

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos

Organização Mundial da Saúde (OMS)
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/oral-health

Ministério da Saúde
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-bucal

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados