Especialista explica sobre importância de acolher o sentimento de dor e compreender o tempo de cada pessoa diante da perda
No último domingo (02)
foi feriado de Finados, dia reservado a recordar ou homenagear entes queridos
que faleceram. Dentro deste contexto, cada religião e cultura vivencia a data
de forma distinta, seja por meio de recordações, orações ou celebrações. Mas,
antes de tudo isso, existe um processo chamado luto, explica a professora
do curso de Psicologia da Universidade Guarulhos (UNG), Patrícia Sena.
De acordo com a
especialista, o luto acontece de forma inerente à existência humana e ocorre
nas situações de morte e perdas significativas de pessoas, animais de estimação,
objetos, de emprego, de moradia ou términos de relacionamentos. Ele se
manifesta como um conjunto de reações físicas, psicológicas e cognitivas que
diferem de cultura para cultura. “Os sentimentos mais comuns são tristeza
profunda, raiva, culpa, ansiedade, dificuldades para dormir, se alimentar e se
concentrar, cansaço e dores de cabeça”.
A professora ainda cita
a teoria do apego, de John Bowlby: quanto maior o apego com a pessoa que se
perdeu, maior será o sofrimento do luto. Essa dor é vivenciada de maneira
singular. Ou seja, haverá um tempo diferente para cada uma. “Não é possível
prever ou esperar um determinado tempo, pois existem diversas variáveis
envolvidas, como o grau de afinidade com quem partiu; o repertório de
mecanismos psíquicos para lidar com o sofrimento e situações
envolvendo questões estruturais ou mudanças de casa, por exemplo”.
Para casos em que o luto
demora mais de 12 meses ou os sinais persistem, a psicóloga indica buscar ajuda
profissional. “Perturbação na própria identidade; dores emocionais intensas;
dificuldade de se reintegrar às situações do cotidiano, como as amizades e o
trabalho; apatia emocional e sentimento da vida ter perdido o sentido são
sinais de um possível quadro de Transtorno de Luto Prologando. Ele não tem a
ver apenas com o tempo, mas com as respostas desadaptativas que trazem intenso
sofrimento à pessoa".
Algumas das estratégias
para passar por este momento sem prolongar a dor é acolher o sentimento ao
invés de negar ou tentar esconder de si ou de alguém. A professora
sugere evitar ficar por muito tempo sozinho e procurar contato com pessoas
significativas para se sentir confortável, mesmo se for virtual.
“Construir novas rotinas e cuidar das saúdes física, mental e espiritual são
estratégias importantes”, orienta Patrícia.
Outras recomendações são
falar sobre a dor e a pessoa que se foi, assim como relembrar os bons momentos
vividos e não apressar o processo. Se o sofrimento estiver muito intenso
ou insuportável, procure um psicólogo.

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