Doença cresce em todo o mundo e é causada
principalmente por causa do aumento da obesidade, sedentarismo e do diabetes tipo
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A esteatose hepática, popularmente conhecida como “gordura no fígado”, não é
mais apenas um problema restrito aos adultos, pois tornou-se uma das doenças
crônicas que mais crescem no mundo e já afeta crianças e adolescentes. “O
aumento da obesidade, do diabetes tipo 2 e do sedentarismo está causando uma
epidemia da doença”, diz o hepatologista dr. Edison Parise, coordenador do
Departamento de Diabetes e Fígado da Sociedade Brasileira de Diabetes.
De acordo com o
especialista, a esteatose hepática ocorre quando há um acúmulo excessivo de
gordura nas células do fígado. Em seus estágios iniciais, geralmente não
provoca sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce. Por isso, muitas
pessoas só descobrem o problema apenas durante exames de rotina.
Nos últimos anos,
a comunidade científica passou a chamar a doença de MASLD (sigla em inglês para
doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica), substituindo o
antigo termo esteatose hepática não alcoólica”. A mudança busca destacar que o
principal fator por trás da doença é a alteração do metabolismo.
Entre as
principais causas da condição estão o excesso de peso, especialmente a gordura
abdominal, alimentação rica em produtos ultraprocessados e bebidas açucaradas,
sedentarismo, triglicérides elevado, hipertensão arterial e resistência à
insulina, além do diabetes tipo 2. “Embora o consumo excessivo de álcool também
possa causar acúmulo de gordura no fígado, a maioria dos casos detectados
atualmente está relacionada a problemas metabólicos”, afirma dr. Edison Parise.
Relação
direta com o diabetes
A ligação entre
esteatose hepática e diabetes tipo 2 é grande, o que leva muitos especialistas
a considerem as duas doenças partes do mesmo processo metabólico.
Quando o organismo
desenvolve resistência à insulina, o pâncreas precisa produzir uma quantidade
cada vez maior desse hormônio para controlar a glicose na corrente sanguínea.
Esse desequilíbrio favorece o depósito de gordura no fígado. Ao mesmo tempo, o
fígado gorduroso piora a resistência à insulina, o que cria um círculo vicioso.
“Pesquisas
recentes mostram que pessoas com esteatose hepática apresentam risco
significativamente maior de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida”,
explica o especialista. “Também cresce o risco de doenças cardiovasculares,
como infarto e acidente vascular cerebral”, alerta.
Aumento de casos
O crescimento da
doença acompanha as mudanças no estilo de vida das últimas décadas. Dietas com
excesso de calorias, alimentos ultraprocessados, baixo consumo de frutas e
verduras e redução da atividade física contribuíram para o aumento da obesidade
em praticamente todas as faixas etárias e em todo o mundo.
Outro fator
importante a ser considerado é o envelhecimento da população e o aumento da
prevalência do diabetes. Como a doença costuma ser silenciosa na fase inicial,
muitos casos permanecem sem diagnóstico. Estimativas internacionais sugerem que
milhões de pessoas convivem com formas avançadas da enfermidade sem saber.
Crianças e
adolescentes também são afetados
O que antes era
considerado um problema de adultos hoje também preocupa pediatras de todos os
países. O aumento da obesidade infantil e o sedentarismo elevaram
significativamente o número de crianças e adolescentes com gordura no fígado.
Uma revisão
científica publicada em 2025 na Revista Europeia de Pediatria analisou quase 4
mil jovens com diabetes tipo 2 e concluiu que cerca de 37% apresentavam
esteatose hepática. Outro estudo internacional, publicado na BMC
Gastroenterologia, mostrou que a prevalência da doença entre crianças e
adolescentes com sobrepeso ou obesidade está aumentando em diversos países.
O problema é muito
preocupante porque a inflamação hepática iniciada na infância pode evoluir
durante a vida adulta para fibrose, cirrose e, em alguns casos, câncer de
fígado, alertam especialistas.
Os avanços no
tratamento
Os avanços
científicos observados nos últimos anos ajudam a melhorar o entendimento sobre
a doença e isso abriu novas perspectivas de tratamento.
Estudos mais
recentes, por exemplo, apontam que os medicamentos utilizados para tratar a
obesidade e o diabetes, como a semaglutida, podem reduzir a gordura e a
inflamação no fígado, além de melhorar a cicatrização do órgão em alguns
pacientes.
Pesquisadores também trabalham em métodos de diagnóstico menos invasivos, utilizando exames de sangue, inteligência artificial e técnicas de imagem para identificar precocemente os pacientes de maior risco.
Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a principal estratégia continua sendo a prevenção. “Perda de peso, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle adequado do diabetes são as medidas mais eficazes para evitar a progressão da doença”, explica dr. Edison Parise. Ele lembra ainda que, como a esteatose hepática normalmente evolui sem sintomas, é preciso que os médicos dediquem atenção especial a pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão. Nesses grupos, o diagnóstico precoce pode evitar complicações graves no futuro.
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