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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Escoliose pode evoluir sem sintomas e comprometer a qualidade de vida de adolescentes

 Camila Hampf 
 Hospital Pequeno Príncipe

Durante o mês de conscientização da doença, Pequeno Príncipe orienta famílias sobre sinais de alerta e realiza mutirão de cirurgias para pacientes do SUS 

 

A escoliose é a principal deformidade da coluna em crianças e adolescentes e afeta entre 2% e 3% da população. Embora muitas vezes passe despercebida por apresentar poucos sintomas nas fases iniciais, a condição pode evoluir rapidamente durante o estirão de crescimento e, nos casos mais graves, comprometer a função pulmonar, a saúde cardiovascular e a qualidade de vida dos pacientes. 

Ao longo do mês mundial de conscientização da escoliose, o Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pequeno Príncipe alerta para a importância do diagnóstico precoce. Quando identificada no momento adequado, a doença pode ser tratada de forma conservadora e evitar a necessidade de cirurgia. 

"A escoliose normalmente não causa dor. Por isso, muitas vezes ela é percebida apenas quando a deformidade já está mais avançada. O olhar atento dos pais, professores e profissionais de saúde é fundamental para que o diagnóstico aconteça cedo", explica o ortopedista Luiz Müller Ávila, do Hospital Pequeno Príncipe. 

O especialista ressalta que algumas crenças populares ainda geram dúvidas entre as famílias. Apesar de contribuírem para dores musculares e alterações posturais, fatores como uso excessivo de celulares, mochilas pesadas ou má postura não são responsáveis pelo surgimento das deformidades estruturais da coluna. 

"Esses hábitos não causam escoliose ou cifose. O que a má postura provoca é desconforto muscular e alterações funcionais. As deformidades têm outras origens, muitas vezes associadas a fatores genéticos, congênitos, neuromusculares ou sindrômicos", afirma. 

Segundo o especialista, a prática regular de atividade física continua sendo uma das principais aliadas da saúde musculoesquelética de crianças e adolescentes, contribuindo para o fortalecimento da musculatura, o desenvolvimento da consciência corporal e a prevenção de dores relacionadas à postura. 

Para os ortopedistas, a conscientização é a principal ferramenta para reduzir diagnósticos tardios. Como a doença costuma evoluir de forma silenciosa, a observação dos pais e responsáveis é fundamental para identificar possíveis alterações.

 

O que os pais devem observar

Os principais sinais costumam ser visíveis e podem ser identificados durante atividades cotidianas, como ao trocar de roupa ou durante a prática esportiva. Entre eles estão:

  • ombros em alturas diferentes;
  • escápulas desalinhadas;
  • assimetria da cintura;
  • quadris desnivelados;
  • elevação de um dos lados das costas ao inclinar o tronco para frente. 

A forma mais comum da doença é a escoliose idiopática do adolescente, responsável por cerca de 80% dos casos. Caracterizada pela ausência de uma causa definida, ela ocorre principalmente em meninas e costuma surgir entre os 10 e os 14 anos, período marcado pelo rápido crescimento corporal. 

Em geral, a cirurgia é indicada quando as curvas ultrapassam 45 ou 50 graus ou apresentam progressão significativa. Nos casos mais graves, além das consequências físicas, as deformidades da coluna podem afetar profundamente o bem-estar emocional dos pacientes e gerar impactos importantes na autoestima e na socialização dos adolescentes.

 

Conscientização e mutirão

Com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a doença e oferecer tratamento aos casos mais graves, o Hospital Pequeno Príncipe realizará, de 9 a 12 de junho, a Semana da Coluna. Ao longo da mobilização, pacientes com indicação cirúrgica passarão por um procedimento chamado artrodese da coluna, que consiste na fusão de duas ou mais vértebras para estabilizar a estrutura óssea e melhorar a qualidade de vida. 

Os oito pacientes selecionados para o mutirão têm entre 12 e 15 anos e são atendidos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Seis deles são meninas, refletindo o perfil mais comum da doença, que acomete predominantemente o sexo feminino durante o estirão de crescimento. Todos apresentam deformidades graves da coluna com indicação cirúrgica e foram priorizados conforme critérios clínicos e tempo de espera pelo procedimento. 

Além do diagnóstico, esses adolescentes compartilham os desafios impostos pela progressão da doença em uma fase importante do desenvolvimento físico e emocional. Para muitos, a cirurgia representa a oportunidade de recuperar qualidade de vida, melhorar a autoestima e retomar atividades cotidianas com mais conforto, autonomia e segurança. 

“O impacto desse tipo de cirurgia na vida de uma criança ou adolescente é imenso. Trata-se de devolver dignidade, permitir que eles voltem a brincar, estudar e projetar o futuro com mais autonomia. E, em muitos casos, a cirurgia muda não somente a vida dos pacientes, mas de toda a família”, realça o chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe, Luis Eduardo Munhoz da Rocha. 

O Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pequeno Príncipe é referência nacional no atendimento de crianças e adolescentes com doenças musculoesqueléticas, deformidades congênitas e adquiridas, traumas e condições ortopédicas de alta complexidade. 

Com equipe formada por especialistas dedicados exclusivamente ao público infantojuvenil, o serviço oferece atendimento ambulatorial, acompanhamento multiprofissional e procedimentos cirúrgicos de diferentes níveis de complexidade. Também participa ativamente da formação de ortopedistas pediátricos e cirurgiões especializados em deformidades da coluna. 

A estrutura possui recursos diagnósticos e terapêuticos especializados, além de integração com áreas como fisioterapia, enfermagem, psicologia, nutrição e serviço social. Recentemente modernizado, o ambulatório passou a contar com novos dispositivos tecnológicos voltados à avaliação funcional dos pacientes e à qualificação da assistência.


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