Dados hospitalares mostram o impacto da nicotina na oclusão de artérias periféricas; cirurgiões vasculares alertam que a necrose dos membros é irreversível mesmo após o paciente parar de fumar.
O cigarro esconde um perigo silencioso que vai muito além dos pulmões. Levantamentos hospitalares recentes revelam que o tabagismo é o principal vilão por trás da Doença Arterial Obstrutiva Periférica, aquela condição que bloqueia o fluxo sanguíneo para as pernas e pés. O impacto é tão severo que o hábito de fumar já responde por até 80% das amputações de membros inferiores no país, acendendo um alerta urgente sobre os danos que a nicotina causa na nossa circulação.
As substâncias presentes no cigarro agem diretamente na parede dos vasos sanguíneos, provocando um estreitamento crônico e acelerando o acúmulo de placas de gordura. Com a circulação comprometida, os tecidos das extremidades deixam de receber oxigênio e nutrientes básicos. O primeiro sinal costuma ser aquela dor intensa na batata da perna ao caminhar, que a pessoa ignora achando que é cansaço, até que o quadro evolui para feridas que simplesmente não cicatrizam.
O médico Henrique Abreu explica que a progressão da doença costuma ser traiçoeira. "Muitos fumantes acreditam que o maior risco está restrito ao infarto ou ao derrame, mas a oclusão das artérias das pernas é uma realidade cruel nos consultórios. A falta de sangue destrói os tecidos de forma progressiva e, em estágios avançados, a única opção que resta para salvar a vida do paciente é a remoção do membro afetado", afirma o especialista em cirurgia vascular.
Um dos pontos mais críticos destacados pelos médicos é o caráter definitivo das lesões avançadas. Embora interromper o vício traga benefícios imediatos para o coração e para a pressão arterial, o tecido que já entrou em processo de morte celular devido à falta de oxigenação não se regenera. É um caminho sem volta para quem demorou a buscar ajuda.
"Existe um mito de que basta largar o cigarro para que o corpo se recupere totalmente. Precisamos ser muito claros: a necrose é irreversível. Mesmo que o paciente pare de fumar hoje, se o fluxo sanguíneo foi interrompido a ponto de matar o tecido, a cirurgia não consegue restabelecer a vida daquela parte do corpo", adverte Abreu.
O diagnóstico precoce e a decisão de
largar o cigarro ainda são as melhores armas para evitar o desfecho trágico da
perda de um membro. Diante de sintomas como pés constantemente frios, que mudam
de cor ficando pálidos ou arroxeados, ou dores nas pernas mesmo quando a pessoa
está em repouso, a orientação é procurar atendimento especializado sem perder
tempo.
Fonte: Dr. Henrique Abreu - Especialista em Cirurgia
Vascular
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