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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Menopausa exige atenção à saúde cardiovascular

 


Especialistas explicam a relação e fornecem orientações sobre o que fazer ao suspeitar ou prevenir problemas

 

 

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo fim do período reprodutivo, mas também por mudanças importantes no organismo, especialmente no sistema cardiovascular. Estudos recentes, como o publicado em 2025 na JAMA Internal Medicine, mostram que a redução hormonal na pós-menopausa está associada a alterações como piora do colesterol, maior rigidez arterial e aumento do risco de doenças cardíacas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, respondendo por cerca de um terço dos óbitos femininos.

De acordo com o Dr. Anderson Oliveira, médico e professor da pós-graduação em  Cardiologia da Afya Goiânia, a queda do estrogênio,  hormônio que protege os vasos sanguíneos, é o principal fator por trás desse aumento de risco. “Com a redução hormonal, cresce a probabilidade de infarto, AVC e insuficiência cardíaca, podendo se igualar ao risco observado nos homens ao longo do tempo”, explica.

A Dra. Renata Maksoud, professora e coordenadora de Endocrinologia da Afya Educação Médica, reforça que a menopausa não é uma doença, mas exige mais atenção. “Há mudanças no colesterol e na distribuição de gordura, o que pode favorecer problemas cardiovasculares”, afirma. Ela também destaca que a reposição hormonal não deve ser utilizada com o objetivo principal de proteção cardíaca.

Os especialistas apontam que a perimenopausa, fase de transição, é um momento estratégico para prevenção. Monitorar pressão arterial, glicemia, colesterol e hábitos de vida pode ajudar a identificar riscos precocemente. Os médicos também alertam sobre os sintomas, já que nas mulheres, sinais de problemas cardíacos podem ser menos típicos, incluindo cansaço, falta de ar e mal-estar, muitas vezes ignorados.

Apesar do aumento de risco com a idade, As complicações cardiovasculares não são inevitáveis. Embora o avanço da idade esteja associado a um maior risco de doenças cardiovasculares, isso não significa que elas sejam inevitáveis. Como explica o Dr. Leonardo Costa Lopes, médico e professor do curso de Geriatria de Ribeirão Preto, “envelhecer não é sinônimo de adoecer”, já que muitas dessas condições podem ser prevenidas ou controladas com acompanhamento adequado.

Na avaliação de mulheres mais velhas, o cuidado vai além dos exames clínicos e inclui uma análise mais ampla da rotina, alimentação, mobilidade, uso de medicamentos, saúde mental e contexto social. Para o especialista, a geriatria adota uma abordagem multidimensional, que considera o paciente de forma integral, diferentemente do modelo tradicional, muitas vezes focado apenas em uma queixa específica. Essa visão permite compreender melhor os fatores que influenciam o processo de adoecimento e, assim, personalizar o tratamento.

 

Orientações para prevenir problemas cardiovasculares na menopausa, segundo especialistas

1.    Não espere sintomas para realizar check-ups regulares Ao entrar na menopausa, é fundamental realizar avaliações médicas periódicas (colesterol, pressão arterial, glicemia), já que muitas doenças cardíacas evoluem de forma silenciosa.

2.    Pratique atividade física regularmente Exercícios como caminhada, musculação ou bicicleta podem reduzir o risco cardiovascular nessa fase, além de ajudar no controle do peso e da pressão arterial.

3.    Adote uma  dieta com baixo teor de gordura Dietas como a mediterrânea, rica em frutas, vegetais, azeite de oliva, peixes e grãos integrais, pode ser uma aliada na proteção do coração. O acúmulo de gordura está associado à sobrecarga da atividade cardíaca.

4.    Abandone o cigarro O tabagismo após a menopausa é ainda mais prejudicial, pois potencializa o risco de infarto e AVC devido à perda da proteção hormonal.

5.    Cuide da qualidade do sono A insônia comum na menopausa pode aumentar os níveis de cortisol e inflamação no organismo, elevando o risco cardiovascular.

6.    Controle o sódio de forma ativa Limite o consumo a cerca de 2g de sódio por dia (aproximadamente 5g de sal), reduzindo a ingestão de temperos prontos, ultraprocessados e embutidos. Tal medida é importante diante da queda do estrogênio, ajudando a reduzir a retenção de líquido e inchaços, comuns nessa fase. 



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