A professora de Medicina da UVA orienta sobre sintomas que vão além do comum e destaca a importância de buscar ajuda médica
A cólica menstrual intensa ainda é frequentemente
tratada como algo “normal” entre adolescentes. Em muitos casos, porém, pode ser
um sinal de alerta para a endometriose, doença que costuma ter diagnóstico
tardio no Brasil. A falta de informação e o tabu em torno da menstruação
contribuem para que jovens convivam com dor incapacitante sem procurar ajuda.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que um tecido
semelhante ao endométrio, que reveste internamente o útero, cresce fora da
cavidade uterina, atingindo órgãos como ovários, trompas, intestino e bexiga. A
condição pode causar dor intensa, especialmente durante o período menstrual,
além de sintomas como fadiga e, em alguns casos, infertilidade.
Maio marca o período de conscientização sobre a doença, que afeta
cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização
Mundial da Saúde.
Segundo Luiza Cromack, professora de medicina da Universidade
Veiga de Almeida (UVA), é fundamental diferenciar o desconforto esperado do
ciclo menstrual de sinais que indicam algo mais sério. “A dor que impede a
adolescente de ir à escola, praticar atividades ou manter sua rotina não deve
ser considerada normal. Esse é um dos principais sinais de alerta para
investigação”, afirma.
Confira algumas orientações da especialista da UVA:
•
Observe a intensidade da dor
A cólica leve a moderada é comum, mas a dor intensa,
que não melhora com analgésicos simples, merece atenção.
• Fique atenta a sintomas associados
Dor ao evacuar, urinar ou durante atividades físicas
no período menstrual pode indicar algo além da cólica comum.
• Impacto na rotina é sinal de alerta
Faltar à escola ou deixar de realizar atividades por
causa da dor é um indicativo importante.
• Histórico familiar importa
Casos de endometriose na família aumentam o risco e
devem ser considerados na avaliação.
• Procure orientação médica cedo
Os profissionais das Unidades Básicas de Saúde são capacitados
para identificar sintomas, iniciar o tratamento clínico e encaminhar casos para
a atenção especializada, quando necessário. O diagnóstico precoce é importante
para evitar a progressão da doença.
Para a professora da Universidade Veiga de Almeida, a informação é
uma das principais ferramentas para mudar esse cenário. “Quanto mais cedo a
adolescente entender o que é esperado e o que não é, maiores são as chances de
identificar a doença no início e evitar complicações”, diz.
Ainda
pouco discutida entre jovens, a endometriose pode afetar não apenas a saúde
física, mas também o bem-estar emocional e a qualidade de vida. Quebrar o tabu
e incentivar o diálogo sobre o tema é essencial para um diagnóstico mais rápido
e um tratamento adequado.

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