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sábado, 8 de novembro de 2025

Trauma imediato e prolongado: os reflexos psicológicos de uma semana após a operação: Quanto tempo pode durar o trauma após confrontos em comunidades e como superar o impacto psicológico

 

Há cerca de uma semana, a megaoperação conduzida no Complexo do Alemão e na Penha (Rio de Janeiro), no Rio de Janeiro, deixou um rastro visível de violência e morte — e um impacto silencioso, porém profundo sobre a saúde mental de moradores, testemunhas, agentes de segurança e socorristas.

Segundo o neurocirurgião e neurocientista Dr. Fernando Gomes, professor livre-docente da FMUSP, “vivenciar tiroteios, ver corpos nas ruas, ouvir helicópteros, conviver com o medo constante equivale a ativar mecanismos de sobrevivência no cérebro — e esses mecanismos não se desligam automaticamente depois que o tiro para”.

Os delitos urbanos recorrentes e operações de grande escala em favelas já estão associados a elevado risco de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) entre residentes e profissionais de segurança. Um estudo entre policiais no Rio encontrou prevalência de cerca de 16,9 % para TEPT completo e 26,7 % para sintomas parciais.


Quanto tempo o trauma pode durar?

Dr. Fernando Gomes explica que não há “prazo fixo” para o trauma se dissipar — depende de diversos fatores individuais, contextuais e de suporte social. Ele destaca:

  • Nos casos leves, sintomas como insônia, irritabilidade, hipervigilância ou flashbacks podem durar semanas a alguns meses se houver intervenção precoce.
  • Se não acompanhados, esses sintomas podem evoluir para TEPT crônico, que persiste por anos, gera consequências físicas — como distúrbios do sono, hipertensão, dores crônicas — e psicológicas — como retraimento social, medo persistente e dificuldade de retomar a vida normal.
  • Fatores de risco para duração maior incluem: falta de apoio social, exposição prolongada à violência, histórico de traumas, ausência de tratamento e sensação de injustiça ou impunidade.

“Uma semana depois da operação ainda estamos no ‘fase aguda’ do trauma. Mas para muitos a curva de recuperação começa aí — e o que se faz nas próximas semanas será decisivo para evitar sequelas de longo prazo”, afirma Gomes.


Dicas práticas para superar o impacto psicológico

O médico neurocientista sugere um protocolo de cuidados imediato para quem esteve exposto à operação ou convive diretamente em áreas de risco:

  1. Reconhecer os sinais: dificuldade para dormir, sustos com barulhos, reviver cenas, evitar sair de casa, sensação de insegurança constante. A negação apenas prolonga o sofrimento.
  2. Criar rotina tranquila: alimentação regular, sono em ambiente escuro e calmo, redução de cafeína e estimulantes, diminuição de consumo de notícias violentas — especialmente à noite.
  3. Movimento corporal leve: caminhadas diárias ou alongamentos ajudam a “dissipar” a adrenalina em excesso no corpo. O cérebro precisa entender que a ameaça acabou.
  4. Espaço para fala: conversar com alguém de confiança sobre o que viu ou sentiu; participar de grupos comunitários ou apoio psicológico caso o recurso esteja disponível.
  5. Exposição gradual à realidade: voltar a caminhar pela rua, retomar atividades, mas sem pressa. Permitir-se sentir insegurança e enfrentar aos poucos.
  6. Buscar ajuda profissional: se após 4-6 semanas os sintomas persistirem ou se agravarem, buscar psicólogo ou psiquiatra especializado em trauma. O tratamento precoce reduz o risco de cronicidade.
  7. Identificação de gatilhos: barulho de helicóptero, sirene, explosão de fundo — ao identificá-los, praticar técnicas de respiração ou ancoragem (por exemplo: “meu corpo está seguro agora”).
  8. Construir segurança pessoal: reforçar a sensação de proteção no lar, com fechaduras, iluminação, contato com vizinhos — o cérebro que viveu em ambiente ameaçador precisa de sinais de que agora está protegido.


Óleos essenciais que auxiliam no cuidado emocional pós-trauma

Daiana Petry, aromaterapeuta, naturóloga e especialista em neurociência explica que certos óleos possuem efeito direto sobre o sistema límbico, região do cérebro responsável pelas emoções, memória e comportamento, ajudando a reduzir o estado de hipervigilância e a ansiedade persistente e destaca os principais óleos com ação mais eficaz em quadros pós-traumáticos:


Lavanda (Lavandula angustifolia)

O mais estudado para estados de estresse e insônia. Possui propriedades ansiolíticas e sedativas naturais, comprovadas em estudos clínicos. A inalação diária de lavanda reduz níveis de cortisol e promove sensação de segurança e calma — fundamental para quem vive sob alerta constante.
Como usar: 2 a 3 gotas em difusor pessoal ou 1 gota em algodão para respiração profunda durante crises de ansiedade.


Laranja-doce (Citrus sinensis)

Um óleo que atua no humor, estimulando a produção de serotonina e dopamina. Indicado para quadros de apatia, medo, tristeza e isolamento, comuns após situações traumáticas.
Como usar: Como usar: 3 gotas em difusor de ambiente ou 1 gota difusor pessoal.


Camomila-romana (Chamaemelum nobile)

Composto rico em esteres com efeito calmante, é indicada para pessoas que sofrem de irritabilidade, insônia, ataques de pânico e flashbacks. A camomila ajuda a “baixar o tom” do sistema nervoso simpático, promovendo relaxamento e sono reparador.

Como usar: 1 gota em base vegetal para massagem na nuca ou no peito antes de dormir.


Rosa (Rosa damascena)

Símbolo de acolhimento e amor próprio, o óleo essencial de rosa ajuda a reconstituir o vínculo emocional consigo mesmo, frequentemente rompido após traumas. Atua como ansiolítico natural, ajudando em crises de choro, culpa ou desesperança.

Como usar: Diluir 1 gota em 5 ml de óleo vegetal e aplicar sobre o coração ou pulsos.


Vetiver (Vetiveria zizanioides)

Conhecido como o “óleo do aterramento”, é altamente eficaz em casos de pânico, medo, agitação mental e insônia profunda. Seu aroma terroso ajuda a reconectar corpo e mente, trazendo sensação de segurança e presença.

Como usar: 1 gota diluída em óleo vegetal nos pés antes de dormir, ou 2 gotas em difusor no quarto.


Cedro-do-Atlas (Cedrus atlantica)

Indicado para quem sente despersonalização, confusão mental e desconexão emocional após trauma. O cedro oferece sensação de proteção, força e estabilidade — muito usado em protocolos para veteranos e vítimas de desastres.

Como usar: 3 gotas em difusor de ambiente ou 1 gota misturada à lavanda para inalação noturna.

Dr. Fernando ainda enfatiza que os efeitos psicológicos dessas operações excedem o indivíduo: “Quando uma comunidade inteira testemunha violência, o trauma se torna coletivo. Crianças, adolescentes, adultos — todos compartilham o efeito da hipervigilância. Ignorar isso é deixar o trauma virar legado.”

Ele conclui com um apelo: “É imprescindível que gestores públicos, serviços de saúde e segurança pública reconheçam que a restauração da segurança física não é suficiente. A segurança emocional e mental precisa entrar na resposta à crise.” 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry


Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 12 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. Atualmente comanda seu programa Olho Clínico com Dr. Fernando Gomes semanalmente no Youtube desde 2020. É também autor de 9 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena a Unidade de Hidrodinâmica Cerebral relacionada ao diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças como Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) e Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII ou pseudotumor cerebral) no Hospital das Clínicas.
drfernandoneuro

 

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