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Uma pesquisa publicada no American Journal of Ophthalmology mostra que um nova ferramenta de IA, o TSPI (Thickness Speed Progression Index) ou, Indice de Velocidade de Progressão da Espessura, em tradução livre, pode detectar o ceratocone em estágio subclínico, quando a doença ainda não apresenta sintomas.
Alinhado à campanha
Junho Violeta, o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do
Instituto Penido Burnier em Campinas, que recentemente conheceu a nova
tecnologia no BRASCRS 2026, é um dos pioneiros no Brasil a implantar o TSPI no
hospital, visando melhorar o atendimento de pacientes com ceratocone e
astigmatismo irregular. “Para quem
ouve o nome técnico pela primeira vez, parece apenas mais uma sopa de letrinhas
da medicina. Mas, o significado prático dessa tecnologia é monumental,
especialmente se considerarmos que o ceratocone geralmente aparece na infância
e adolescência,” pontua o oftalmologista. O diagnóstico precoce, observa, garante qualidade imediata de visão e em
médio prazo pode diminuir o número de transplantes no Pais .
Sobre a pesquisa
A pesquisa contou com
349 participantes divididos entre córneas normais, com ceratocone manifesto,
casos suspeitos e astigmatismo irregular. Neste último grupo foram incluídos
casos assimétricos para checar se as manifestações da condição próximas à borda
da córnea facilitam a ectasia, condição que pode levar ao transplante. Os
pesquisadores colocaram estes parâmetros em processamento, cruzaram os
resultados com cinco variáveis, compararam diferentes algoritmos e selecionaram
o modelo com melhor desempenho. Nos testes, o TSPI alcançou 100% de discriminação
entre córneas normais e com ceratocone manifesto. Manteve desempenho
clinicamente relevante de 93% na identificação de casos suspeitos e
assimétricos, justamente o cenário em que o diagnóstico precoce costuma ser
mais desafiador.
Fatores de risco da
progressão
Queiroz Neto esclarece
que nossa córnea, lente externa e transparente do olho, é mantida firme por
milhares de filamentos invisíveis de colágeno. “Eles funcionam como cabos de
aço suspensos que mantém o formato esférico da córnea para que possamos
enxergar a todas as distâncias”, afirma.
No ceratocone, ressalta, esses filamentos de colágeno começam a ser
destruídos por dentro, enfraquecem e fazem a córnea tomar o formato de um cone.
O resultado é o astigmatismo irregular e severa distorção visual. A condição é multifatorial. “Pode ser alavancada
pela hereditariedade quando os pais e parentes próximos têm a doença, por
alergia ocular, nas vias respiratórias ou pele, bem como por aoutros
distúrbios, entre eles a apneia obstrutiva do sono, olho seco, blefarite, e o
hábito de coçar os olhos aparentemente inofensivo”, explica
Como é o exame
O oftalmologista afirma que o exame é rápido e indolor. Integra o Galilei que faz um mapa 3 D milimétrico de toda a córnea e o TSPI que calcula a velocidade de alteração do tecido usando Inteligência Artificial. Juntos, eles transformam imagens ópticas em dados preditivos exatos, permitindo tratar o ceratocone antes da condição prejudicar a visão.
Para
Queiroz Neto, descobrir o ceratocone em estágio subclínico, quando a estrutura
interna do colágeno está fraca, mas o formato do olho ainda está perfeito, não
é motivo para desespero, mas o cenário ideal. Nessa fase, o tratamento não visa
recuperar uma visão perdida, mas blindar a córnea para que a doença nunca
evolua. Uma dica do especialista para quem tem coceira noturna nos olhos é usar
protetores ocular acrílicos para dormir. Isso porque, sem o atrito das mãos, o
colágeno para de sofrer micro traumas. A conscientização de que coçar os olhos é
estritamente proibido vale para todos, finaliza.

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