Projeto-piloto em
Sabino utilizará rede de equipamentos para monitorar a água em tempo real e
reduzir a proliferação de algas em área equivalente a mais de 130 campos de
futebol
Uma tecnologia já utilizada em cerca de 60 países
será testada pelo Governo de São Paulo para reduzir a formação da chamada “nata
verde” em um trecho do Rio Tietê. O projeto será implantado pela Companhia
Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Semil, no Córrego do
Esgotão, em Sabino (SP), área com histórico de florações intensas de
cianobactérias que formam manchas esverdeadas na superfície da água. O anúncio
foi feito nesta quarta-feira (10), durante evento alusivo ao Dia Mundial do
Meio Ambiente, e faz parte de um pacote de novas medidas no contexto do
Programa IntegraTietê.
A iniciativa prevê a instalação de 14 boias
inteligentes interligadas, capazes de emitir ondas ultrassônicas e monitorar
continuamente a qualidade da água. O objetivo é reduzir a proliferação das
algas sem a utilização de produtos químicos e sem causar danos ao ecossistema
aquático.
"Sabino foi escolhida para receber o
projeto-piloto porque reúne características que a tornam um ambiente ideal para
testar e avaliar essa tecnologia em condições reais. A região apresenta
histórico de florações de algas, conta com uma base consistente de dados de
monitoramento e possui relevância para atividades de lazer, turismo e pesca.
Isso permite que os resultados sejam acompanhados tanto do ponto de vista
ambiental quanto dos benefícios percebidos pela população", afirma o
diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.
De acordo com a secretária de Meio Ambiente,
Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a tecnologia tem sido uma aliada
na busca de soluções para aprimorar cada vez mais os resultados obtidos pelo
programa IntegraTietê. "Temos avanços consistentes na recuperação do Tietê
e seus afluentes e essa nova frente de combate à proliferação de algas por meio
do uso de tecnologia ultrassônica se soma a uma série de outras frentes em
andamento, de saneamento, desassoreamento, limpeza, conservação, fiscalização e
monitoramento", enfatiza.
A instalação do sistema está prevista para agosto.
A expectativa é que os primeiros resultados possam ser observados a partir de
90 dias após o início da operação das boias, prazo considerado necessário para
avaliar os efeitos da tecnologia sobre a proliferação de algas na área
monitorada.
A área abrangida pelo projeto possui cerca de 960
mil metros quadrados, o equivalente a mais de 130 campos de futebol, e volume
estimado de 7 milhões de metros cúbicos de água, suficiente para encher
aproximadamente 2.800 piscinas olímpicas.
Como funciona a tecnologia
movida a energia solar
As boias emitem ondas ultrassônicas em diferentes
frequências para interferir na capacidade de flutuação das algas. Com isso,
elas encontram mais dificuldade para permanecer próximas à superfície, onde
recebem luz solar para realizar a fotossíntese.
Ao migrar para camadas mais profundas da água, a
tendência é a interrupção do ciclo de vida da espécie e que a formação das
manchas esverdeadas seja reduzida. Cada boia possui alcance de aproximadamente
500 metros de diâmetro, cobrindo uma área equivalente a cerca de 28 campos de
futebol.
Com investimento de cerca de R$ 9 milhões, o
sistema utilizará inteligência embarcada com uso de algoritmos para ajustar
automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições
observadas na água.
Além disso, os equipamentos funcionarão como
estações automáticas de monitoramento. Sensores instalados nas boias vão
acompanhar continuamente parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura,
clorofila e ficocianina.
O projeto também contará com uma estação
meteorológica para cruzamento de informações sobre chuva, vento e temperatura,
permitindo antecipar condições favoráveis ao surgimento das florações. Toda a
operação será alimentada por energia solar e baterias de lítio.
Desenvolvida na Holanda, a tecnologia foi escolhida
por combinar baixo impacto ambiental e capacidade de atuação em grandes áreas.
O que causa a “nata verde”
A formação das manchas esverdeadas está associada
ao excesso de nutrientes na água, fenômeno conhecido como eutrofização. Em
condições favoráveis, como altas temperaturas e maior incidência de luz solar,
ocorre uma proliferação acelerada de algas e cianobactérias. Além do impacto
visual, esses episódios podem comprometer a qualidade da água e afetar
atividades como pesca, piscicultura, esportes náuticos e lazer.
Sobre a Semana do Meio
Ambiente
Realizada pelo Governo de São Paulo em celebração
ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Semana do Meio Ambiente teve como ponto alto
evento no Parque Ecológico do Tietê (PET), na zona leste da capital paulista,
no dia 10 de junho.
A edição deste ano incorporou o legado do Summit
Agenda SP+Verde, ampliando a integração entre governo, setor produtivo,
investidores e sociedade civil em torno da agenda climática, da economia verde
e do desenvolvimento sustentável.
A programação incluiu uma série de anúncios e
entregas, ativações e atrações com a participação de empresas e entidades
selecionadas por edital público. Também está previsto na programação da Semana
o Fórum SP Conecta, iniciativa da Semil e da InvestSP a ser realizada no
próximo dia 16 de junho, voltada à atração de investimentos e ao fortalecimento
da competitividade ambiental no Estado de São Paulo. A Semana do Meio Ambiente
também faz alusão às comemorações dos 40 anos da Semil.
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