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Psicanalista sugere um olhar diferente sobre os jogos, principalmente com as crianças
A partir de 11 de
junho, o planeta se mobiliza para acompanhar a Copa do Mundo, competição que
desperta paixões e emoções de torcedores ao redor do mundo. Para além do
torneio esportivo, contudo, a ocasião é propícia para um olhar diferenciado,
como observa a psicanalista e hipnoterapeuta Yafit Laniado, criadora da
Relacionamentoria, consultoria especializada no relacionamento entre pais e
filhos.
“Quando assistimos a uma partida, é natural torcer, vibrar e querer que nosso time vença. Mas, a Copa do Mundo nos oferece algo ainda mais valioso: a oportunidade de nossos filhos lidarem com a derrota e a decepção e não apenas com a vitória”, afirma Yafit.
De edições anteriores da Copa do Mundo aliás, alguns “traumas” foram marcantes. Basta lembrar do torneio de 1958, de 1982, assim como do acachapante 7X1 de 2014. “Você se recorda como se sentiu naquele jogo contra a Alemanha?”, questiona Yafit.
“Na abordagem Adleriana, acreditamos que o mais importante não é o resultado, mas a forma como a pessoa enfrenta a adversidade e o que se pode aprender com as derrotas”, diz a especialista.
Yafit ressalta que “quando somos capazes de enfrentar uma derrota em campo, podemos nos considerar vencedores. Por isso, vale observar junto com as crianças o que mais acontece na telinha, além dos passes e dribles. Como os jogadores se comportam quando erram? Como se comportam quando um companheiro de time erra? Os jogadores respeitam o juíz e acatam as ordens do treinador? São algumas provocações que podem trazer valores importantes para a vida em formação dos filhos”.
É claro que, como pais, queremos poupar as crianças das decepções. “Mas, a vida é feita de vitórias e derrotas, conquistas e obstáculos. A resiliência não nasce quando tudo dá certo. Ela se desenvolve justamente quando aprendemos a lidar com aquilo que não aconteceu como esperávamos”, afirma Yafit.
“Depois dos jogos, podemos conversar com as crianças e compartilhar nossas próprias experiências: ‘imagina o que esse jogador está sentindo?’; ‘o que você faria depois desse jogo?’. Esse tipo de conversa ajuda a criança a desenvolver empatia, coragem e confiança para enfrentar suas próprias dificuldades. Afinal, educar não é ensinar os filhos a vencer sempre, mas ajudá-los a acreditar que são capazes de seguir em frente, mesmo quando perdem”, finaliza a especialista.

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