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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Dia Mundial do Câncer: casos em pessoas com menos de 50 anos crescem quase 80% e acendem alerta para hábitos dos jovens

Especialista da Rede Mater Dei de Saúde explica por que o estilo de vida moderno tem antecipado diagnósticos e quais sinais os jovens não devem ignorar
 

Uma mudança demográfica no perfil do câncer tem desafiado a medicina global e brasileira. Dados recentes publicados na BMJ Oncology revelam que a incidência de câncer em pessoas com menos de 50 anos aumentou 79% entre 1990 e 2019 em todo o mundo.1 No Brasil, onde o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 704 mil novos casos da doença por ano,2 especialistas da Rede Mater Dei de Saúde já observam essa tendência nos consultórios e alertam para a necessidade de atenção à saúde do jovem adulto. 

O Dr. Cleydson Santos, oncologista da Rede Mater Dei, explica que o câncer ainda é uma doença mais prevalente na terceira idade, pois está associada ao envelhecimento das células e pela longa exposição aos fatores de risco. Mas há alguns tumores que são mais comuns em pessoas jovens, como leucemias agudas e linfomas. “No entanto, o que tem chamado a atenção são os tumores que se espera encontrar somente após os 50 anos aparecendo precocemente, sobretudo os de mama, de intestino e de pâncreas”, aponta o médico.
 

Por que isso está acontecendo?

Essa tendência não está atrelada necessariamente à genética. "É importante lembrar que apenas 10% a 15% dos cânceres têm causa hereditária. Ou seja, 80% ou mais dos casos acontecem devido a fatores de risco e estilo de vida", reforça Dr. Cleyson. “E muitas vezes é difícil encontrar uma única causa: na verdade, é uma soma de fatores que acaba culminando na mutação do DNA daquele paciente, e com isso surgem os tumores.” 

Desconsiderando os fatores hereditários, histórico familiar, e casos específicos, como a exposição à radiação durante o trabalho ou à poluição ambiental, o oncologista lista alguns dos principais fatores que têm levado ao surgimento de câncer em pessoas jovens:

  • O alto consumo de ultraprocessados, como embutidos, enlatados e fast food, ricos em sal, sódio, açúcar e gordura saturada, além de alimentos expostos ao carvão (defumados, assados) - o que pode aumentar o risco de neoplasia.
  • A obesidade provoca inflamação crônica no corpo e está relacionada a tumores de intestino, útero, ovário, mama, pâncreas e fígado. Além disso, o sedentarismo e a diabetes sem controle também são responsáveis pelo surgimento da doença;
  • O uso abusivo e muitas vezes sem orientação médica adequada de hormônios (como aqueles usados para supostamente melhorar o desempenho durante o exercício físico);
  • O consumo excessivo de álcool, que se tornou mais comum entre jovens, principalmente durante e após a pandemia.
  • O retorno da popularização do tabagismo por meio dos vapes – os chamados dispositivos eletrônicos de fumar (DEFs) – podem levar ao surgimento de câncer em jovens, sobretudo em adolescentes. A inflamação crônica pulmonar causada por esse hábito também aumentará a incidência de câncer nos próximos anos.
  • A exposição solar desprotegida, motivada pela busca estética de ficar bronzeado, e o uso de câmaras de bronzeamento artificial, também são práticas preocupantes.


Diagnóstico, prognóstico e tratamentos

Uma preocupação adicional é que os tumores tendem a ser mais agressivos nos jovens, e que muitas vezes nem os pacientes e nem os próprios médicos esperam que uma pessoa nessa faixa etária tenha uma neoplasia, o que pode levar à demora no diagnóstico e no início do tratamento adequado e, por consequência, ao agravamento da condição. Em contrapartida, esse público tolera melhor intervenções mais intensas, como a quimioterapia, do que idosos, fazendo com que a resposta seja potencialmente muito melhor, a depender de cada caso. 

“Os jovens tendem a subestimar o diagnóstico e a importância de conhecer o próprio corpo ao notar que algo está errado. Sintomas como uma dor que não deveria existir, emagrecimento inexplicado, nódulos, febre sem explicação, sudorese noturna, fraqueza geral, indisposição ou qualquer tipo de sangramento anormal (nas fezes, na urina, ou mesmo vaginal fora do habitual) devem gerar um alerta. O jovem deve ser orientado a procurar assistência médica e insistir na investigação, visto que muitas vezes o clínico não cogita essa possibilidade devido à idade do paciente”, alerta o especialista da Rede Mater Dei.
 

Cuidados a serem tomados

No tratamento desses jovens, é necessário ter cuidados específicos, sendo a fertilidade uma das principais preocupações, já que muitos ficarão curados e poderão querer constituir família no futuro, algo comum hoje em dia após os 30 anos. Para os protocolos que causam infertilidade, os jovens devem ser orientados a congelar espermatozoides ou óvulos. Além da fertilidade, outras toxicidades (cardíaca, pulmonar, neurológica) também devem ser colocadas na balança ao definir os tratamentos. 

“É importante ressaltar que todos esses fatores de risco são modificáveis, portanto, a prevenção segue sendo a chave. Recomenda-se manter uma alimentação saudável, praticar atividade física regular, estar com as vacinas em dia (incluindo a contra o HPV e Hepatite B), não fumar, evitar álcool e usar preservativo, já que o HIV é outro fator de risco para o câncer. Além disso, é preciso estar alerta aos sinais que o corpo dá e investigar alterações inexplicadas na saúde, pois o diagnóstico precoce é fundamental para a cura”, conclui Dr. Cleydson Santos.
 



Rede Mater Dei de Saúde

Unidades

Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho, Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem, Hospital Mater Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater Dei Santa Clara.

Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec

Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia



Referências

1 - Li J, Kuang X. Global cancer statistics of young adults and its changes in the past decade: Incidence and mortality from GLOBOCAN 2022. Public Health. 2024 Dec;237:336-343. doi: 10.1016/j.puhe.2024.10.033. Epub 2024 Nov 7. PMID: 39515218.

2 - INCA estima 704 mil casos de câncer por ano no Brasil até 2025. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2022/inca-estima-704-mil-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-ate-2025#:~:text=INCA%20estima%20704%20mil%20casos,Instituto%20Nacional%20de%20C%C3%A2ncer%20%2D%20INCA&text=O%20que%20%C3%A9%20c%C3%A2ncer?,Como%20surge%20o%20c%C3%A2ncer?. Acesso em: 22 jan. 2026.


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