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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Ética na saúde: especialista alerta para limites éticos na divulgação de inovações e tratamentos

Promessas exageradas e simplificação excessiva estão entre os principais riscos apontados


O avanço acelerado de novas tecnologias, terapias e dispositivos médicos tem ampliado o papel do marketing na área da saúde. Nesse contexto, a comunicação tornou-se uma ferramenta essencial para difundir conhecimento, estimular a adoção de inovações e aproximar profissionais, pacientes e instituições. Ao mesmo tempo, cresce um debate cada vez mais necessário: até onde o marketing pode ir sem comprometer a ética, a ciência e a segurança do paciente? 

Segundo Christine Vieira Garrido, enfermeira especialista em saúde e marketing estratégico, o limite ético está diretamente ligado à forma como as descobertas são apresentadas ao mercado. “Na saúde, marketing não pode ser tratado como ferramenta de convencimento. Ele precisa funcionar como um instrumento de tradução responsável da ciência, respeitando indicações e limitações”, afirma. 

Christine destaca que o risco aumenta quando estratégias comerciais se sobrepõem ao rigor científico. Promessas exageradas, linguagem absolutista e comparações fazem parte desse problema. “Quando a comunicação cria expectativas irreais, ela pressiona profissionais de saúde, influencia decisões clínicas e pode comprometer a confiança do paciente”, alerta. 

O cenário digital intensifica ainda mais esse desafio. Redes sociais, influenciadores e conteúdos patrocinados ampliaram o alcance das mensagens, muitas vezes sem o devido contexto técnico ou regulatório. “O problema não está na divulgação da inovação, mas na simplificação excessiva. Saúde não é um produto de consumo comum”, explica a especialista.

 

Christine também chama atenção para algumas das principais proibições que regem a comunicação na área da saúde. Entre as principais restrições estão:

  • Promessa de resultados: é proibido garantir, prometer ou insinuar bons resultados de tratamentos médicos;
     
  • Propaganda em consultórios: médicos não podem realizar propagandas ou divulgar materiais publicitários em consultórios ou em estabelecimentos de saúde onde atuam como investidores;
     
  • Divulgação de preços: não é autorizada a divulgação de valores, condições de pagamento ou descontos para consultas e tratamentos;
     
  • Propaganda de equipamentos: é proibido anunciar aparelhagens de forma que atribuam vantagem ou capacidade privilegiada aos médicos.

Respeitar esses limites é parte fundamental de um marketing verdadeiramente ético. A atuação responsável deve se apoiar em evidências científicas validadas e conformidade regulatória, com comunicação transparente sobre benefícios, riscos e indicações clínicas. 

“A longo prazo, a ética não freia a inovação, ela dá sustentação a ela. Quando o marketing respeita seus limites, protege o paciente, fortalece o profissional de saúde e preserva a credibilidade”, conclui.

 

Christine Vieira Garrido - enfermeira e especialista em saúde e marketing estratégico, com mais de 15 anos de experiência em ambientes altamente regulados. Atuou no Grupo Fleury e na Medtronic, onde liderou estratégias de marketing, gestão de produtos e lançamentos na América Latina, com foco em dispositivos médicos, educação profissional e expansão de mercado. Possui MBA Executivo em Marketing pela ESPM. Atualmente, atua como responsável pelo posicionamento de marcas, parcerias estratégicas e desenvolvimento de projetos internacionais nas áreas de estética, educação e saúde.



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