Com
a chegada do verão, queixas como pernas pesadas, inchaço ao fim do dia e veias
mais aparentes se tornam frequentes, principalmente entre mulheres. Não é
impressão: a temperatura mais elevada realmente
agrava os sintomas das varizes, condição ligada à insuficiência venosa crônica,
quando o sangue encontra dificuldade para voltar das pernas ao coração.
A
estação mais quente do ano costuma funcionar como um gatilho para o agravamento
dos sintomas em quem já convive com o problema. Isso acontece porque o
organismo reage às altas temperaturas de forma automática, alterando o
funcionamento dos vasos sanguíneos, um processo que, nas pernas, pode
sobrecarregar ainda mais a circulação venosa.
Segundo
o Dr. Raul Queiroz, médico da família e comunidade da UBS Jardim Valquíria,
gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em
parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), o problema
começa quando as válvulas das veias deixam de funcionar adequadamente. “O sangue
se acumula nos membros inferiores, aumenta a pressão dentro das veias e isso
leva à dilatação progressiva, com sintomas como dor, sensação de peso, inchaço
e até alterações de pele”, explica.
Durante
o verão, esse quadro tende a se intensificar porque o corpo ativa mecanismos
para regular a temperatura. “Nessas condições, ocorre vasodilatação, ou seja,
os vasos sanguíneos se dilatam para facilitar a perda de calor. Isso reduz
ainda mais a eficiência das válvulas venosas que já estão comprometidas, aumentando
o refluxo do sangue e piorando os sintomas”, afirma o médico.
O
termômetro nas alturas também favorece a
retenção de líquidos. “Há maior extravasamento de líquido para fora dos vasos,
o que contribui para o edema, principalmente nos tornozelos e pés”, diz Dr.
Raul.
Essa
combinação explica por que, no fim de um dia quente, as pernas parecem mais
cansadas e doloridas. Em casos mais avançados, a circulação prejudicada pode
levar a alterações de pele, escurecimento e até feridas. “A falta de oxigenação
adequada favorece processos inflamatórios locais, o que deixa a pele mais
frágil, aumenta a coceira e pode contribuir para o surgimento de úlceras”,
alerta.
Pessoas
com histórico familiar de varizes costumam perceber mais os efeitos do calor,
assim como gestantes, idosos, pessoas com obesidade e quem passa longos
períodos em pé ou sentado. “Na gestação, por exemplo, há aumento do volume
sanguíneo, alterações hormonais que dilatam as veias e compressão de vasos pelo
útero, dificultando o retorno venoso”, explica o médico. No caso da obesidade,
entram em cena fatores como aumento da pressão intra-abdominal, inflamação
crônica e menor mobilidade. “Tudo isso reduz a eficiência da circulação nas
pernas e potencializa os sintomas”, completa.
Para
mitigar os sintomas frequentes, o médico sugere
algumas medidas cotidianas. “Elevar as pernas ao nível do coração sempre que
possível, evitar roupas apertadas, não permanecer muito tempo em pé ou sentado
e fazer duchas frias nas pernas ajudam bastante”. A hidratação também entra
como aliada. “Embora não trate varizes, beber água adequadamente reduz a
viscosidade do sangue, melhora a microcirculação e diminui a retenção
compensatória de líquidos, o que auxilia no controle do edema”, explica.
As
meias de compressão seguem sendo uma das estratégias mais eficazes para evitar a progressão da insuficiência venosa,
desde que indicadas por um profissional de saúde. O grau de compressão e o
tamanho devem ser individualizados de acordo com a intensidade dos sintomas,
localização das varizes e características de cada paciente. No verão, a
recomendação é optar por modelos mais finos e respiráveis, que ajudam a manter
o conforto e favorecem a adesão ao uso.
A
prática regular de exercícios físicos é incentivada. “Atividades como caminhada,
bicicleta, fortalecimento da panturrilha, natação e hidroginástica ativam a
chamada bomba muscular da panturrilha, que impulsiona o sangue de volta ao
coração”, diz. O cuidado maior é com exercícios ao ar livre nos horários mais
quentes e por períodos prolongados.
Alguns
sinais exigem avaliação médica imediata, por poderem indicar complicações como
tromboflebite ou trombose venosa profunda. “Dor súbita e intensa em uma perna,
inchaço assimétrico, vermelhidão, endurecimento da veia, falta de ar associada
ou feridas que não cicatrizam são sinais de alerta”, destaca Dr. Raul. O calor,
isoladamente, não causa trombose, mas pode agravar a estase venosa. Situações
como longos períodos de imobilidade, viagens prolongadas e uso de hormônios
também aumentam o risco.
Além
das mudanças de hábitos, há tratamentos modernos e de recuperação rápida para o
problema, como escleroterapia com espuma, laser endovenoso e radiofrequência.
“Essas intervenções devem ser avaliadas caso a caso, sempre em conjunto com o
angiologista”, orienta.
Para
quem quer prevenir o surgimento ou a progressão das varizes, é recomendado se
atentar aos sinais do corpo. “Educação em saúde é fundamental para que o
atendimento aconteça antes que o quadro evolua para formas mais graves”, finaliza.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial

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