O Carnaval está se aproximando e o clima festivo não deve ser motivo para negligenciar os cuidados com a saúde. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) traz o alerta de medidas que protegem o folião contra doenças infecciosas e crônicas
O cirurgião oncológico Paulo Henrique Fernandes,
presidente da SBCO, explica que o momento de relaxamento pode fazer com que as
pessoas esqueçam alguns cuidados preventivos e fiquem expostas aos vírus de
transmissão sexual. “Essa exposição pode aumentar o risco de várias doenças,
inclusive o câncer. O principal vírus é o HPV, que tem uma prevalência muito
grande e pode causar o câncer de colo de útero, assim como cânceres de cabeça e
pescoço, ânus e pênis”, alerta.
A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é
transmitido principalmente por contato sexual e está relacionado a 97% dos
casos de câncer de colo do útero. De acordo com as projeções do Instituto
Nacional de Câncer (INCA), foram diagnosticados mais de 17 mil novos casos em
2025 no Brasil, além disso, a doença é o terceiro câncer mais frequente nas
mulheres brasileiras, atrás do câncer de mama e cólon.
Para ajudar você a aproveitar o carnaval com mais
segurança e bem-estar, confira 8 dicas essenciais:
- Atualize
sua Vacinação contra o HPV
O câncer de colo do útero é considerado um dos mais
evitáveis entre os tumores ginecológicos, especialmente graças à vacinação
contra o HPV, que permanece como a estratégia mais eficaz para prevenir a
infecção pelo vírus. A vacina é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de
Saúde e é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos
específicos em faixas etárias ampliadas, como mulheres e homens que vivem com
HIV, transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea e pacientes
oncológicos entre 9 e 45 anos, vítimas de abuso sexual imunocompetentes de 15 a
45 anos que não tenham iniciado ou completado o esquema vacinal, usuários de
Profilaxia Pré-Exposição ao HIV na mesma faixa etária e pacientes com
papilomatose respiratória recorrente a partir dos 2 anos de idade.
- Mantenha
as visitas aos ginecologista
Para as mulheres, o rastreamento de câncer de colo
do útero atualmente preconizado no Brasil deve ser realizado entre os 25 e os
64 anos, combinando o exame citopatológico do colo do útero, o tradicional
Papanicolau, com a incorporação progressiva do teste molecular de HPV DNA, que
permite identificar diretamente a presença dos tipos virais de alto risco antes
mesmo do surgimento de lesões, ampliando as possibilidades de diagnóstico
precoce e de prevenção efetiva do câncer do colo do útero.
- Verifique
se suas outras vacinas estão em dia
Além da vacina contra o HPV, vale checar se o
calendário vacinal está atualizado. Como o contato com as pessoas costuma ser
maior durante as festividades, cresce o risco de transmissão de vírus e
bactérias que causam doenças respiratórias e infecções, que podem ser
prevenidas com vacinas. Imunizações como as contra gripe (influenza), Covid-19
e hepatite A e B são especialmente importantes para reduzir riscos durante
viagens, festas e grandes aglomerações. Importante reforçar que todas essas
vacinas são oferecidas pelo SUS, mas vale lembrar que cada vacina tem indicação
por faixa etária e grupo de risco, e que, quando não disponíveis pelo SUS, elas
podem ser encontradas na rede privada.
- Teste-se
regularmente para HIV
Fazer o exame HIV regularmente e até mesmo discutir
com o(a) parceiro(a) sobre a testagem para HIV e outras ISTs pode ser uma forma
importante de cuidado com a própria saúde e com a saúde do outro. O HIV é
o vírus causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida Humana, a Aids, que
é transmitida principalmente por meio de fluidos corporais contaminados. As
principais vias de transmissão são as relações sexuais sem proteção e o
compartilhamento de agulhas e seringas.
Como a infecção pode não apresentar sintomas no
início, muitas pessoas não sabem que estão infectadas, o que reforça a
importância da testagem periódica, especialmente para quem tem vida sexual
ativa. “Vale lembrar que ´sexo seguro´não está associado apenas ao uso de
preservativos, mas também a outras medidas preventivas, como a testagem, que
permite identificar a infecção precocemente e iniciar o tratamento o quanto
antes, garantindo qualidade de vida e reduzindo a transmissão”, afirma o presidente
da SBCO.
- Use
PrEP e PEP quando indicado
A PrEP é uma estratégia que envolve o uso de
medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o HIV, mas estão em
situação de risco maior para a infecção. De uso diário, a PrEP tem mostrado ser
bastante eficaz na prevenção do HIV. Seu uso tem sido recomendado para homens
que fazem sexo com homens, parceiros sorodiferentes (quando uma pessoa é HIV
positivo e a outra é HIV negativo), usuários de drogas injetáveis e grupos mais
vulneráveis à exposição ao vírus.
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) consiste na
administração de medicamentos antirretrovirais à pessoa que pode ter sido
exposta ao HIV. A medida visa reduzir o risco de infecção pelo vírus, sendo
indicada após situações de alto risco, como relações sexuais desprotegidas com
uma pessoa soropositiva ou exposição ocupacional. A PEP deve ser idealmente
iniciada nas primeiras 72 horas após a exposição e administrada por um período
de 28 dias.
- Procure
se proteger do sol
Seja atrás do trio, no bloquinho de rua ou nas
praias, muitos foliões passam longos períodos expostos ao sol e por isso é
fundamental redobrar os cuidados com a pele, já que a radiação ultravioleta é
um dos principais fatores de risco para o câncer de pele. No Brasil, o câncer
de pele não melanoma é o tipo de câncer mais comum, com uma estimativa de mais
de 220 mil novos casos por ano no último triênio, segundo dados do Instituto
Nacional de Câncer (INCA). Além desses, há também a projeção de cerca de 9 mil
novos casos anuais de melanoma, a forma mais agressiva da doença.
“O câncer de pele é multifatorial, mas o principal
vilão é o excesso de sol sem proteção. Por isso, use protetor solar, aplicando
várias vezes ao longo do dia, busque sombra sempre que possível.”, explica
Fernandes.
- Mantenha-se
hidratado(a) e cuide da alimentação
Além das altas temperaturas neste verão e da
exposição solar mais frequente, a dança, as caminhadas e as horas fora de casa,
exigem que o corpo esteja mais hidratado do que o normal, mantendo o organismo
funcionando bem.
A alimentação também faz diferença. Priorizar
refeições leves, frutas, sucos naturais e alimentos frescos ajuda a manter a
energia e o sistema imunológico fortalecidos.
- Previna-se
contra a dengue e outras arboviroses
O verão e o período de chuvas favorecem a
proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue,
zika e chikungunya. Durante o Carnaval, muitas pessoas viajam ou passam mais
tempo fora de casa, o que pode aumentar a exposição a essas doenças. Por isso,
é importante adotar medidas simples de prevenção.
Usar repelente, especialmente durante o dia, manter
portas e janelas fechadas ou com telas, e evitar locais com água parada ajudam
a reduzir o risco de picadas. Pequenos cuidados fazem uma grande diferença para
aproveitar o Carnaval com mais tranquilidade e sem imprevistos de saúde.
“Além de realizar esses cuidados preventivos
diariamente, não só em tempos festivos, é muito importante que também levemos
essas informações para quem estará na folia, seja trabalhando ou se divertindo.
Com informação, prevenção e pequenos cuidados no dia a dia, é possível
aproveitar o Carnaval com mais segurança e bem-estar”, finaliza Paulo Henrique
de Sousa Fernandes.

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