Calor e umidade elevados durante a época favorecem a proliferação de microrganismos e elevam o risco de infecções alimentares
O verão, caracterizado por altas temperaturas e maior umidade devido às chuvas frequentes, exige atenção redobrada com a segurança dos alimentos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), essas condições favorecem a multiplicação de bactérias e outros microrganismos capazes de causar as chamadas doenças transmitidas por alimentos (DTAs), que se manifestam, principalmente, por sintomas como diarreia, vômitos, febre e dor abdominal.
Diante desse cenário, os cuidados devem começar ainda
no momento da compra, como explica Fabricio Araujo, enfermeiro especialista em
infectologia do Hospital HSANP. “É fundamental observar a procedência dos
alimentos, verificar se as embalagens estão íntegras, respeitar o prazo de
validade e avaliar as condições de conservação no local de venda. Alimentos
refrigerados ou congelados devem estar armazenados em equipamentos adequados”,
orienta.
Além da
escolha correta, o armazenamento inadequado e o manuseio incorreto de alimentos
como carnes, ovos, frutas, legumes e verduras estão entre os principais fatores
de risco para a ocorrência de DTAs. Falhas nesses cuidados podem favorecer
infecções como salmonelose, febre tifoide e botulismo, além de outras
gastroenterites, que tendem a ser mais graves em crianças, idosos, gestantes e
pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Nesse
contexto, Fabricio ressalta que a higiene das mãos desempenha um papel
essencial em todas as etapas do preparo dos alimentos. “Lavar as mãos com água
e sabão antes de preparar ou consumir alimentos, após usar o banheiro, ao
retornar da rua, depois de manusear carnes cruas, tocar animais ou superfícies
sujas é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de contaminação”,
destaca.
Quando se
trata de alimentos de origem animal, a atenção deve ser ainda maior. No caso
das carnes bovinas e suínas, a ANVISA orienta que o consumidor observe se o
produto está refrigerado, dentro do prazo de validade e com a embalagem
íntegra. A aparência pode ajudar na identificação de alterações evidentes, como
cheiro desagradável, presença de limo ou coloração anormal, mas é importante
ressaltar que a aparência adequada não garante que o alimento esteja livre de
microrganismos. Por isso, a conservação sob refrigeração e o cozimento completo
são medidas indispensáveis para a segurança alimentar.
As carnes de
frango e outras aves também devem estar bem refrigeradas ou congeladas, sem
odor forte ou alterações visíveis. Já os peixes frescos precisam apresentar
olhos brilhantes, guelras avermelhadas e carne firme, além de serem mantidos
sob refrigeração adequada desde a compra até o preparo.
Os ovos
requerem cuidados específicos. A recomendação da ANVISA é escolher ovos com
casca limpa, íntegra e sem rachaduras. Não se deve lavá-los antes do
armazenamento, pois isso pode facilitar a entrada de microrganismos pela casca.
Durante o preparo, é indicado quebrar os ovos separadamente e garantir que
estejam bem cozidos, com clara firme e gema dura.
“No preparo
e armazenamento dos alimentos, é fundamental manter carnes bem cozidas, separar
alimentos crus dos prontos para consumo, respeitar as temperaturas seguras de
conservação e higienizar corretamente frutas, legumes e verduras. Além disso, o
uso de água tratada e o descarte adequado do lixo são cuidados essenciais para
prevenir infecções alimentares”, reforça Fabricio Araujo.
Complementando
esses cuidados, frutas, legumes e verduras devem ser cuidadosamente
higienizados antes do consumo. A orientação é lavá-los em água corrente para
remover sujeiras visíveis e, em seguida, deixá-los imersos em solução de água
com hipoclorito de sódio, conforme as instruções do rótulo do produto ou as
recomendações da vigilância sanitária.
“Manter os
alimentos refrigerados a temperaturas adequadas, abaixo de 5 °C para geladeiras
e –18 °C para freezers, evitar a contaminação cruzada entre alimentos crus e
prontos para consumo, higienizar bem as mãos, utensílios e superfícies e
garantir o cozimento completo dos alimentos são medidas simples, mas
fundamentais para prevenir doenças alimentares, especialmente no verão”,
finaliza Fabricio Araujo.
HSANP
Referências:
AGÊNCIA DE DEFESA SANITÁRIA AGROSILVOPASTORIL DO ESTADO DE RONDÔNIA (IDARON). Cartilha virtual sobre doenças transmitidas por alimentos / Gerência de Inspeção de Produtos de Origem Animal (GIPOA). Porto Velho, 2020. 28 p. Disponível em: Link. Acesso em: 23 jan. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA). Disponível em: Link. Acesso em: 23 jan. 2026.

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