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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Especialista do Hospital HSANP alerta para cuidados com alimentos durante o verão

Calor e umidade elevados durante a época favorecem a proliferação de microrganismos e elevam o risco de infecções alimentares

 

O verão, caracterizado por altas temperaturas e maior umidade devido às chuvas frequentes, exige atenção redobrada com a segurança dos alimentos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), essas condições favorecem a multiplicação de bactérias e outros microrganismos capazes de causar as chamadas doenças transmitidas por alimentos (DTAs), que se manifestam, principalmente, por sintomas como diarreia, vômitos, febre e dor abdominal. 

Diante desse cenário, os cuidados devem começar ainda no momento da compra, como explica Fabricio Araujo, enfermeiro especialista em infectologia do Hospital HSANP. “É fundamental observar a procedência dos alimentos, verificar se as embalagens estão íntegras, respeitar o prazo de validade e avaliar as condições de conservação no local de venda. Alimentos refrigerados ou congelados devem estar armazenados em equipamentos adequados”, orienta. 

Além da escolha correta, o armazenamento inadequado e o manuseio incorreto de alimentos como carnes, ovos, frutas, legumes e verduras estão entre os principais fatores de risco para a ocorrência de DTAs. Falhas nesses cuidados podem favorecer infecções como salmonelose, febre tifoide e botulismo, além de outras gastroenterites, que tendem a ser mais graves em crianças, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido. 

Nesse contexto, Fabricio ressalta que a higiene das mãos desempenha um papel essencial em todas as etapas do preparo dos alimentos. “Lavar as mãos com água e sabão antes de preparar ou consumir alimentos, após usar o banheiro, ao retornar da rua, depois de manusear carnes cruas, tocar animais ou superfícies sujas é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de contaminação”, destaca. 

Quando se trata de alimentos de origem animal, a atenção deve ser ainda maior. No caso das carnes bovinas e suínas, a ANVISA orienta que o consumidor observe se o produto está refrigerado, dentro do prazo de validade e com a embalagem íntegra. A aparência pode ajudar na identificação de alterações evidentes, como cheiro desagradável, presença de limo ou coloração anormal, mas é importante ressaltar que a aparência adequada não garante que o alimento esteja livre de microrganismos. Por isso, a conservação sob refrigeração e o cozimento completo são medidas indispensáveis para a segurança alimentar. 

As carnes de frango e outras aves também devem estar bem refrigeradas ou congeladas, sem odor forte ou alterações visíveis. Já os peixes frescos precisam apresentar olhos brilhantes, guelras avermelhadas e carne firme, além de serem mantidos sob refrigeração adequada desde a compra até o preparo. 

Os ovos requerem cuidados específicos. A recomendação da ANVISA é escolher ovos com casca limpa, íntegra e sem rachaduras. Não se deve lavá-los antes do armazenamento, pois isso pode facilitar a entrada de microrganismos pela casca. Durante o preparo, é indicado quebrar os ovos separadamente e garantir que estejam bem cozidos, com clara firme e gema dura. 

“No preparo e armazenamento dos alimentos, é fundamental manter carnes bem cozidas, separar alimentos crus dos prontos para consumo, respeitar as temperaturas seguras de conservação e higienizar corretamente frutas, legumes e verduras. Além disso, o uso de água tratada e o descarte adequado do lixo são cuidados essenciais para prevenir infecções alimentares”, reforça Fabricio Araujo. 

Complementando esses cuidados, frutas, legumes e verduras devem ser cuidadosamente higienizados antes do consumo. A orientação é lavá-los em água corrente para remover sujeiras visíveis e, em seguida, deixá-los imersos em solução de água com hipoclorito de sódio, conforme as instruções do rótulo do produto ou as recomendações da vigilância sanitária. 

“Manter os alimentos refrigerados a temperaturas adequadas, abaixo de 5 °C para geladeiras e –18 °C para freezers, evitar a contaminação cruzada entre alimentos crus e prontos para consumo, higienizar bem as mãos, utensílios e superfícies e garantir o cozimento completo dos alimentos são medidas simples, mas fundamentais para prevenir doenças alimentares, especialmente no verão”, finaliza Fabricio Araujo.

 



HSANP


Referências:

AGÊNCIA DE DEFESA SANITÁRIA AGROSILVOPASTORIL DO ESTADO DE RONDÔNIA (IDARON). Cartilha virtual sobre doenças transmitidas por alimentos / Gerência de Inspeção de Produtos de Origem Animal (GIPOA). Porto Velho, 2020. 28 p. Disponível em: Link. Acesso em: 23 jan. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA). Disponível em: Link. Acesso em: 23 jan. 2026.



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