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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Infarto levou a mais de 9 mil internações de jovens de 15 a 29 anos no Brasil em uma década

Hipertensão, colesterol elevado e hábitos de vida podem contribuir para o risco cardiovascular antes dos 40 anos e acompanhamento clínico ajuda a identificar alterações antes de complicações

 

Embora mais frequente com o avanço da idade, doenças cardiovasculares também atingem pessoas jovens. O infarto agudo do miocárdio, por exemplo, levou a 9.106 internações de brasileiros de 15 a 29 anos entre 2015 e 2024, segundo dados do Datasus 

Os números colocam em evidência um desafio de identificar e controlar fatores de risco cardiovasculares ainda na juventude, antes que problemas como hipertensão, colesterol elevado e alterações da glicemia avancem sem sinais aparentes. “O grande obstáculo entre adultos jovens é que essas condições progridem de forma silenciosa, acumulando danos vasculares sem dar sinais evidentes. Quando a pessoa busca socorro na emergência, o dano pode já ser irreversível”, alerta a médica Fernanda Cavaliere, do grupo Care Plus.  

A American Heart Association reúne oito componentes da saúde cardiovascular no modelo Life’s Essential 8: alimentação, atividade física, exposição à nicotina, sono, peso, colesterol, glicemia e pressão arterial. Para adultos, a entidade recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de sete a nove horas de sono por noite. 

“Estudos mostram que pessoas com maior adesão a esses oito pilares apresentaram até 64% menor risco de doença cardiovascular, 66% menor risco de doença coronariana e 55% menor risco de AVC ao longo de aproximadamente dez anos”, destaca Cavaliere. Os percentuais se referem a uma análise de adultos acompanhados por uma mediana de dez anos e não representam uma estimativa específica para jovens. 

Além da adoção de hábitos saudáveis, o acompanhamento ao longo do tempo permite observar a evolução dos indicadores clínicos e rever as orientações quando necessário. Na saúde suplementar, o Personal System, programa de Prevenção de Doenças Cardiovasculares do grupo Care Plus, oferece acompanhamento longitudinal por uma equipe multidisciplinar, com profissionais como médicos endocrinologistas, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas. O programa busca apoiar o monitoramento da saúde e a adoção de medidas individualizadas de prevenção. 

O acompanhamento contínuo é facilitado por plataformas de saúde digital, como o Blua, que conecta rapidamente os pacientes aos especialistas. O impacto clínico desse modelo de monitoramento mostra que 93% dos pacientes com hipertensão assistidos pelo Personal System mantém a pressão arterial controlada, e 59,4% dos diabéticos apresentam a hemoglobina glicada (HbA1c) dentro das metas médicas. 

“Quando transformamos a orientação pontual em um processo contínuo liderado por uma equipe multidisciplinar - com médicos, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas -, passamos a monitorar a evolução real de indicadores como pressão, peso, sono e glicemia. Isso permite detectar pequenas oscilações nos exames e readequar hábitos antes que o risco se converta em uma complicação clínica grave”, explica a especialista. 

A prevenção inclui praticar atividade física regularmente, priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e evitar tabaco e cigarros eletrônicos. O acompanhamento profissional ajuda a estabelecer metas compatíveis com a rotina e as necessidades de cada pessoa.

 

Quando procurar atendimento

Dor ou pressão no peito, falta de ar súbita, suor frio, náusea ou desconforto que se irradia para braços, costas, pescoço ou mandíbula podem ser sinais de infarto. Diante da suspeita, deve-se procurar atendimento na emergência médica imediatamente. 

“Não é preciso mudar tudo de uma vez”, explica Fernanda, que recomenda a incorporação do monitoramento e de bons hábitos no dia a dia a partir da adoção de medidas simples, como se pesar pelo menos uma vez por mês para acompanhar a evolução do peso ou programar uma avaliação de check-up com seu médico de confiança. 

“A chave está na prevenção e no acompanhamento contínuo e personalizado, com uma equipe multidisciplinar capaz de transformar informação em cuidado, cuidado em hábitos e hábitos em mais saúde e qualidade de vida ao longo da vida”, conclui a médica.


Neuralgia do trigêmeo é conhecida como a “pior dor do mundo” e pode ser desencadeada até por um toque no rosto

 Condição provoca crises intensas de dor facial, semelhantes a choques elétricos, que podem surgir ao falar, mastigar, escovar os dentes ou tocar a pele

 

Uma dor súbita e intensa no rosto, semelhante a um choque elétrico, que pode aparecer ao mastigar, falar, escovar os dentes ou simplesmente tocar a pele. Esse é o quadro característico da neuralgia do trigêmeo, condição neurológica marcada por crises de dor facial de forte intensidade e popularmente descrita como uma das “piores dores do mundo”. 

Uma revisão sistemática publicada em 2026 no Journal of Clinical Neurology, que reuniu 17 estudos, mais de 170 milhões de participantes e 109 mil pacientes diagnosticados, estimou incidência global de 25,33 casos de neuralgia do trigêmeo para cada 100 mil pessoas por ano. O levantamento também encontrou taxas maiores entre mulheres, embora os pesquisadores ressaltem que há variações importantes entre os estudos. 

“O nervo trigêmeo é responsável por grande parte da sensibilidade da face. Na neuralgia, estímulos simples, que normalmente não provocariam dor, podem desencadear crises muito intensas, geralmente descritas como choque, pontada ou descarga elétrica. Embora cada episódio possa durar pouco tempo, as crises podem se repetir e comprometer significativamente a rotina do paciente”, explica a neurocirurgiã Dra. Vanessa Milanese, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). 

A dor geralmente atinge um lado da face e pode acometer regiões como mandíbula, bochechas, lábios, dentes e gengivas. Atividades comuns, como comer, beber, conversar, escovar os dentes, lavar o rosto ou fazer a barba, podem funcionar como gatilhos. 

Por atingir principalmente regiões da face e da boca, a neuralgia do trigêmeo também pode ser confundida inicialmente com problemas odontológicos. A característica das crises, a localização da dor, sua duração e os fatores que a desencadeiam são informações importantes para diferenciar a condição de outras causas de dor facial. 

“É importante observar o padrão. Uma dor muito intensa, unilateral, que aparece em crises e é desencadeada repetidamente por determinados estímulos precisa ser investigada. O paciente não deve conviver com a dor acreditando que não há tratamento ou apenas tentar controlar os episódios sem identificar a causa”, orienta Milanese. 

Na forma clássica da neuralgia, é comum existir contato entre um vaso sanguíneo e o nervo trigêmeo, causando compressão na região. Há também casos secundários relacionados a outras doenças, como esclerose múltipla ou lesões estruturais, incluindo tumores. Por esse motivo, a ressonância magnética faz parte da investigação recomendada para pacientes com neuralgia do trigêmeo, especialmente para avaliar possíveis causas secundárias. 

O tratamento costuma começar com medicamentos específicos para controlar a dor neuropática. Carbamazepina e oxcarbazepina estão entre as opções recomendadas como primeira linha. Quando a medicação não controla adequadamente as crises, provoca efeitos adversos importantes ou o quadro apresenta características específicas, procedimentos neurocirúrgicos podem ser considerados. 

“Quando há compressão vascular do nervo e o tratamento clínico não oferece o controle esperado, existem alternativas cirúrgicas que podem ser avaliadas. A indicação precisa ser individualizada, levando em consideração a causa da neuralgia, a intensidade e a frequência das crises e as condições clínicas do paciente”, explica a neurocirurgiã. 

Além da dor física, a recorrência das crises pode interferir na alimentação, na higiene pessoal, no trabalho e no convívio social. O medo de provocar uma nova crise também pode fazer com que o paciente evite atividades simples do cotidiano. 

“Não é uma dor que deve ser normalizada. Quando as crises são recorrentes ou interferem nas atividades diárias, é importante procurar avaliação especializada. O diagnóstico correto permite definir a estratégia de tratamento mais adequada e recuperar qualidade de vida”, conclui Milanese.

 Sociedade Brasileira de Neurocirurgia - SBN

 

Fratura após queda simples pode ser sinal de osteoporose

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Ortopedista do Vera Cruz Hospital, em Campinas, orienta investigação da saúde óssea para reduzir o risco de novos episódios

 

Uma fratura provocada por uma queda da própria altura, durante uma caminhada ou outra atividade cotidiana, pode indicar fragilidade óssea. Por isso, o cuidado deve incluir a investigação da causa, além do tratamento da lesão. A osteoporose enfraquece os ossos e pode evoluir sem sintomas até que ocorra a primeira fratura. O alerta marca o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, neste 20 de outubro. Segundo a International Osteoporosis Foundation (IOF), em um panorama mundial, até 80% dos pacientes que sofrem uma fratura permanecem sem diagnóstico e tratamento da osteoporose subjacente. O dado evidencia uma oportunidade de cuidado que muitas vezes é perdida: investigar a saúde dos ossos após uma fratura e adotar medidas para reduzir o risco de novos episódios. 

Ainda de acordo com a IOF, o histórico de fratura está associado a um risco 86% maior de sofrer outra fratura em comparação com pessoas sem esse antecedente. A entidade também aponta que o risco de recorrência é especialmente elevado nos dois primeiros anos após o episódio inicial. 

“A investigação deve fazer parte do cuidado com a fratura, sem esperar a recuperação do osso. Quando identificamos osteoporose ou outra condição que compromete a resistência óssea, podemos estabelecer um tratamento para reduzir o risco de novas fraturas. A consolidação da lesão não encerra esse acompanhamento”, explica José Luis Amim Zabeu, coordenador da Ortopedia do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP).
 

Como investigar a saúde dos ossos

A avaliação considera o histórico de saúde do paciente, a ocorrência de fraturas anteriores, o uso de medicamentos e outros fatores de risco. Um dos principais exames é a densitometria óssea, que mede a densidade mineral dos ossos e auxilia no diagnóstico da osteoporose. Ela pode ser indicada após uma fratura por baixo impacto ou antes de qualquer lesão, conforme a idade, os fatores de risco e a avaliação médica. 

Radiografias da coluna também podem ajudar a identificar fraturas nas vértebras que nem sempre provocam sintomas evidentes. Exames laboratoriais, como os que avaliam os níveis de cálcio, vitamina D e outros indicadores do metabolismo ósseo, contribuem para investigar condições associadas e orientar o tratamento. 

“A escolha dos exames depende da história clínica e das necessidades de cada paciente. Em mulheres após a menopausa, por exemplo, a indicação da densitometria considera também a idade e a presença de fatores de risco. O objetivo é identificar a fragilidade óssea, compreender suas possíveis causas e definir a melhor conduta”, orienta Zabeu. 

Embora seja mais comum com o avanço da idade e em mulheres após a menopausa, a osteoporose também pode afetar homens e pessoas mais jovens. Segundo a IOF, no mundo, cerca de uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose ao longo da vida restante. Outros fatores de risco incluem histórico familiar de osteoporose ou fraturas, uso prolongado de corticoides, tabagismo e alterações na absorção de nutrientes, como as que podem ocorrer após a cirurgia bariátrica. Alguns tratamentos, como a quimioterapia, também podem comprometer a saúde óssea, dependendo do contexto clínico. 

Como a doença costuma evoluir sem sinais claros, mudanças como a redução da estatura e o aumento progressivo da curvatura da coluna merecem avaliação médica, pois podem estar relacionadas a alterações ou fraturas nas vértebras. “Pessoas com fatores de risco podem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de avaliar a saúde óssea, mesmo que nunca tenham sofrido uma fratura. Para quem já passou por um episódio, não se deve esperar que outro aconteça para investigar”, pontua o ortopedista.
 

Prevenção e tratamento

A prevenção começa antes do aparecimento da doença. Alimentação equilibrada, ingestão adequada de cálcio e outros nutrientes, prática regular de exercícios físicos e não fumar são medidas que contribuem para a saúde óssea. Atividades voltadas ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio também ajudam a reduzir o risco de quedas. 

Para quem já tem osteoporose ou sofreu uma fratura por baixo impacto, o plano de cuidado deve ser individualizado. Além dos hábitos saudáveis, o médico pode indicar medicamentos específicos para fortalecer os ossos e reduzir o risco de novas fraturas. A terapia hormonal pode ser considerada em situações selecionadas, após avaliação dos benefícios e riscos para cada paciente. 

“Exercícios, alimentação adequada e prevenção de quedas fazem parte do cuidado, mas não substituem os tratamentos específicos quando eles são necessários. O acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as orientações às condições de cada pessoa”, conclui Zabeu.

 

Vera Cruz Hospital

 

AVC mata quase 90 mil brasileiros em um ano e exige atendimento imediato

No Dia Mundial do AVC, neurologista alerta para sinais da doença e destaca tratamentos capazes de reduzir sequelas

 

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das maiores urgências médicas do país e uma das principais causas de morte entre os brasileiros. Ao lado do infarto, a condição integra o grupo das doenças cardiovasculares, que respondem por cerca de 30% dos óbitos anuais, segundo o Ministério da Saúde. Só no último ano, o AVC provocou 89.490 mortes no Brasil, o equivalente a cerca de 245 óbitos por dia, de acordo com o Portal da Transparência do Registro Civil e a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC). Os números reforçam a importância do Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, que, em 2026, traz o alerta: “Cada minuto conta”. 

A mobilização internacional, promovida pela World Stroke Organization (WSO), destaca três pilares: prevenir, reconhecer e recomeçar. O objetivo é conscientizar a população de que identificar rapidamente os sintomas pode salvar vidas, enquanto o controle dos fatores de risco e a reabilitação são fundamentais para reduzir o impacto da doença. 

“O AVC é uma emergência médica em que cada minuto pode representar a perda de milhões de neurônios. Quanto mais cedo conseguimos restabelecer a circulação sanguínea no cérebro, maiores são as chances de preservar funções como a fala, os movimentos e a memória”, explica o neurologista Jamary Oliveira Filho, coordenador da UTI Neurológica e do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS).

 

Reconhecer os sinais salva vidas 

O AVC ocorre quando um vaso sanguíneo cerebral é obstruído, caracterizando o tipo isquêmico, ou se rompe, provocando um AVC hemorrágico. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 85% dos casos são isquêmicos. 

Entre os principais sinais de alerta estão fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar ou compreender, perda súbita da visão, desequilíbrio e dor de cabeça intensa e inesperada. Diante desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o Samu (192), mesmo que as manifestações desapareçam espontaneamente. 

“Uma forma simples de reconhecer o AVC é pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase. Se houver assimetria facial, perda de força ou alteração da fala, é preciso procurar socorro imediatamente. Não se deve esperar para ver se melhora”, orienta Jamary.

 

Tratamentos podem reduzir sequelas 

No hospital, a avaliação neurológica e exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, permitem identificar o tipo de AVC e definir o tratamento. Nos casos isquêmicos, pacientes elegíveis podem receber medicamentos trombolíticos, que dissolvem o coágulo, geralmente até 4,5 horas após o início dos sintomas. Em situações selecionadas, a trombectomia mecânica permite retirar o coágulo por meio de cateter, inclusive em janelas mais prolongadas, conforme critérios clínicos e de imagem. 

“Hoje dispomos de tratamentos capazes de modificar significativamente o prognóstico do AVC. Mas essas terapias dependem de uma estrutura hospitalar preparada, protocolos bem definidos e atendimento rápido. O tempo perdido antes da chegada ao hospital pode comprometer oportunidades de recuperação”, ressalta o neurologista.

 

Prevenção começa antes dos sintomas 

A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco modificáveis para o AVC. Diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e algumas arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, também aumentam o risco. O controle dessas condições, associado à alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico, ajuda a prevenir tanto o primeiro episódio quanto a recorrência. 

“Prevenir o AVC significa cuidar da saúde cardiovascular continuamente. Muitas pessoas convivem com pressão alta sem apresentar sintomas. Diagnosticar e tratar esses fatores de risco é uma das medidas mais importantes para evitar uma doença que pode deixar consequências permanentes”, destaca Jamary. 

A campanha de 2026 também chama atenção para a vida após o AVC. Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e apoio psicológico podem integrar a reabilitação, que deve ser individualizada e iniciada conforme as condições clínicas do paciente. A mensagem é que, além de salvar vidas, é necessário oferecer condições para que os sobreviventes recuperem autonomia e qualidade de vida.

 

Rede Mater Dei de Saúde

Unidades

Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho, Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem,

Hospital Mater Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater Dei Santa Clara.

Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec

Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia

 

Mamografia aos 30, 40, 50 ou 70 anos: o que muda no exame em cada idade

 Radiologistas e ginecologista explicam por que a idade influencia a imagem, a frequência e os exames complementares, e o que dizem as recomendações do SUS e das sociedades médicas

 

Desde o dia 1º de outubro, os planos de saúde passaram a cobrir a mamografia digital para mulheres de qualquer idade, desde que haja pedido do médico. Até agora, a cobertura obrigatória desse exame valia apenas para quem tinha entre 40 e 69 anos. A mudança, aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), vale para rastreamento, diagnóstico e acompanhamento do tratamento do câncer de mama1. 

Mas, a partir de quando é indicado fazer a mamografia e com que frequência? A resposta muda conforme a idade e o histórico de cada mulher. “O exame é essencialmente o mesmo em qualquer idade, mas a mama muda ao longo da vida. Isso interfere na aparência das imagens e, principalmente, na estratégia de acompanhamento de cada paciente”, explica Paula Moraes, radiologista especialista em imagem mamária do Delboni e do Lavoisier, marcas da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil. 

Um dos principais fatores que mudam com a idade é a composição da mama. Mulheres mais jovens tendem a apresentar maior quantidade de tecido fibroglandular, que aparece mais branco na mamografia. E muitas alterações suspeitas, como nódulos e calcificações, também podem ser brancos, a sobreposição de tecidos pode dificultar a identificação de algumas lesões. 

Com o envelhecimento, especialmente após a menopausa, é comum ocorrer substituição do tecido mamário por tecido adiposo, que aparece mais escuro na mamografia. O maior contraste pode facilitar a visualização de algumas alterações. 

Um estudo norte-americano publicado no Journal of the National Cancer Institute mostrou que 56,6% das mulheres de 40 a 44 anos têm mamas densas. Entre as de 70 a 74 anos, a proporção cai para 18,4%2. ““A densidade mamária também está associada a maior risco de desenvolvimento do câncer de mama. Quanto maior a proporção de tecido mamário, maior o risco relativo de câncer, além de maior a possibilidade de que algumas lesões fiquem ocultas na mamografia devido à sobreposição de tecidos. Por isso, o laudo mamográfico informa a densidade mamária. Essa informação faz parte da avaliação da paciente e pode ajudar o médico a decidir se há necessidade de algum exame suplementar, levando em conta também os fatores de risco e os achados da mamografia”, explica Paula. 

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as brasileiras, sem contar os tumores de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028, o equivalente a cerca de 72 casos a cada 100 mil mulheres3.
 

Antes dos 40 anos

Para mulheres sem fatores de risco, a mamografia de rotina não é indicada nessa fase. A orientação das sociedades médicas brasileiras é que toda mulher faça, a partir dos 30 anos, uma avaliação do seu risco de câncer de mama com o médico4. 

Para mulheres com alto risco, o rastreamento costuma começar mais cedo. Entram nesse grupo mulheres com mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, risco estimado de 20% ou mais ao longo da vida ou radioterapia no tórax entre os 10 e os 30 anos. Nesses casos, a ressonância magnética costuma ser feita junto com a mamografia, e a idade de início varia conforme o tipo de risco4. 

“Quando uma mulher jovem sente um nódulo, o primeiro exame costuma ser o ultrassom, porque a mama ainda é muito densa. A maioria desses nódulos é benigna, mas todos precisam ser investigados”, orienta a radiologista Rosana Horácio, do laboratório Bronstein, da Dasa no Rio de Janeiro.
 

 Dos 40 aos 49 anos

É a faixa etária que mais gera dúvidas, porque as recomendações não são iguais. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde garante no SUS a mamografia para mulheres de 40 a 49 anos mesmo sem sintomas, a partir de uma conversa com o profissional de saúde sobre riscos e benefícios5. O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam o exame todos os anos a partir dos 404. 

Os números ajudam a entender a mudança. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 23% dos casos de câncer de mama no país acontecem entre os 40 e os 49 anos6. Nos Estados Unidos, a força-tarefa que define as diretrizes de prevenção do governo (USPSTF) antecipou em 2024 o início do rastreamento de 50 para 40 anos, após observar que os casos nessa faixa vinham crescendo cerca de 2% ao ano entre 2015 e 20197. 

“As diretrizes divergem na frequência, mas todas reconhecem o valor do exame nessa idade. Aos 40, o ideal é conversar com o médico, avaliar o próprio risco e começar o acompanhamento”, afirma Rosana.

Como a mama ainda tende a ser densa nessa fase, o médico pode pedir ultrassom complementar. A tomossíntese, uma mamografia que gera imagens em camadas, também é recomendada pelas sociedades quando está disponível4.
 

Dos 50 aos 74 anos

Nessa faixa etária se concentram quase 60% dos casos de câncer de mama5. É também o período em que há mais consenso. Em 2025, o SUS ampliou o rastreamento prioritário, que ia até os 69 anos, para até os 74, com mamografia a cada dois anos6. As sociedades médicas mantêm a recomendação anual4. 

“Depois da menopausa, é comum ocorrer redução do tecido fibroglandular e aumento relativo do tecido adiposo. Como a gordura aparece mais escura na mamografia, o contraste com estruturas mais densas pode facilitar a identificação de algumas lesões”, explica Paula.
 

A partir dos 75 anos

Para as sociedades médicas, como o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), vale manter o rastreamento se a mulher tiver boa saúde e expectativa de vida de pelo menos sete anos4. No SUS, o exame pode ser feito por demanda, com orientação profissional5. A nova regra da ANS também beneficia esse grupo, já que a cobertura obrigatória da mamografia digital terminava aos 69 anos1. 

“A idade, sozinha, não deve ser motivo para deixar de fazer a mamografia. Uma mulher de 78 anos ativa e saudável pode se beneficiar do exame. A decisão é individual e deve ser tomada com o médico”, diz a radiologista Paula.
 

Dúvidas rápidas
 

Preciso de pedido médico?

Nos planos de saúde, sim. Com a nova regra, a cobertura depende da prescrição do médico, e não mais da idade1. No SUS, o caminho é procurar a Unidade Básica de Saúde.
 

A mamografia dói?

“A compressão dura poucos segundos e pode incomodar. Ela é necessária para a imagem sair nítida com menos radiação”, orienta Jaime Kulak, médico ginecologista do Laboratório Frischmann Aisengart, marca da Dasa em Curitiba.
 

 Existe melhor época do ciclo menstrual para fazer o exame?

Para mulheres que ainda menstruam, algumas podem preferir realizar o exame na primeira metade do ciclo, quando as mamas tendem a estar menos sensíveis e doloridas. “Não existe necessidade de adiar a mamografia simplesmente por estar em determinada fase do ciclo. Para mulheres que apresentam muita sensibilidade mamária, entretanto, pode ser mais confortável realizar o exame nos primeiros dias após o início da menstruação”, explica Paula. Um estudo americano com mais de 387 mil mamografias mostrou que, entre mulheres que já faziam o rastreamento, o exame detectou 79,5% dos cânceres quando feito na primeira semana do ciclo, contra 67% a 73% nas semanas seguintes.
 

Posso fazer o exame menstruada?

“Sim. A menstruação não impede a realização da mamografia. A principal questão é o conforto da paciente”, diz Paula.
 

Quem tem prótese de silicone pode fazer?

“Pode e deve. Basta avisar a equipe, que usa técnicas específicas para afastar a prótese e avaliar melhor o tecido da mama”, afirma Jaime Kulak.
 

Posso usar desodorante no dia?

“O ideal é evitar desodorante, talco e cremes nas axilas e nas mamas. Alguns produtos deixam partículas que podem aparecer na imagem e confundir a leitura”, recomenda Moraes.
 

 O autoexame substitui a mamografia?

Não. Conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças e procurar o médico mais cedo, mas o toque não identifica lesões pequenas que a mamografia consegue mostrar.

 


 

Referências

1. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). ANS aprova mamografia digital sem restrição de idade. 10 set. 2026. Link 

2. Sprague BL, Gangnon RE, Burt V, et al. Prevalence of mammographically dense breasts in the United States. J Natl Cancer Inst. 2014;106(10):dju255. doi:10.1093/jnci/dju255. Link

3. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Síntese de resultados e comentários. Rio de Janeiro: INCA, 2026. Link

4. Urban LABD, Chala LF, Paula IB, et al. Recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para o rastreamento do câncer de mama no Brasil. Radiol Bras. 2023;56(4):207-214. doi:10.1590/0100-3984.2023.0064. Link

5. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ministério da Saúde padroniza informações para acesso ao exame de mamografia no SUS. 29 set. 2025. Link

6. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Ministério da Saúde recomenda mamografia a partir dos 40 anos (com dados do Ministério da Saúde). 24 set. 2025. Link 

7. US Preventive Services Task Force. Screening for breast cancer: US Preventive Services Task Force recommendation statement. JAMA. 2024;331(22):1918-1930. doi:10.1001/jama.2024.5534. Link

8. Chlebowski RT, Hendrix SL, Langer RD, et al. Influence of estrogen plus progestin on breast cancer and mammography in healthy postmenopausal women: the Women's Health Initiative Randomized Trial. JAMA. 2003;289(24):3243-3253. Link 

9. Miglioretti DL, Walker R, Weaver DL, et al. Accuracy of screening mammography varies by week of menstrual cycle. Radiology. 2011;258(2):372-379. Link


Câncer de mama: o treino também faz parte da prevenção

 Foto de Jonathan Borba na Unsplash

Outubro chegou, e com ele as campanhas de conscientização sobre o câncer de mama voltam a ganhar espaço. É um bom momento para ampliar essa conversa e abordar um aspecto que, na minha experiência como personal trainer, ainda aparece pouco nessas discussões: o papel da atividade física na prevenção da doença.

 

Segundo a Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgada em fevereiro deste ano, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano até 2028, o equivalente a cerca de 30% de todos os casos de câncer em mulheres no país. É o tipo de câncer mais incidente entre elas, e a projeção representa um crescimento de aproximadamente 5 mil casos anuais em relação ao levantamento anterior. 

Diante desse cenário, o próprio INCA inclui a atividade física entre as estratégias que podem contribuir para a redução do risco de diversos tipos de câncer, entre eles o de mama. Essa relação também já foi analisada em estudos realizados no Brasil. 

Uma pesquisa conduzida pela Faculdade de Medicina da USP, em parceria com pesquisadores de Harvard, Cambridge e Queensland, e publicada na revista científica Cancer Epidemiology, estimou que até 8,6 mil casos de câncer em mulheres brasileiras poderiam ser evitados anualmente com o aumento da prática regular de atividade física. O estudo também apontou que mais da metade das mulheres no país não alcança a recomendação da Organização Mundial da Saúde de pelo menos 150 minutos de atividade física por semana. 

A relação entre exercício e redução do risco de câncer não depende de uma fórmula específica nem exige treinos de alta intensidade. A atividade física regular está associada à redução da gordura corporal, à melhora da sensibilidade à insulina e à diminuição de processos inflamatórios, além de contribuir para o equilíbrio hormonal e o fortalecimento do sistema imunológico. Juntos, esses fatores estão entre os que mais influenciam o risco de desenvolvimento de câncer, especialmente o de mama após a menopausa. 

É importante, no entanto, não transformar a prevenção em uma cobrança por desempenho. Caminhar, fazer musculação, nadar, pedalar ou praticar outra atividade de forma regular pode contribuir para uma rotina mais ativa. O benefício está muito mais relacionado à constância do que à busca por resultados extraordinários em pouco tempo. 

Para quem já está em tratamento contra o câncer, o cuidado precisa ser individualizado. A prática de exercícios deve considerar o tipo de tratamento, as condições clínicas e eventuais limitações ou efeitos colaterais, sempre com orientação adequada dos profissionais que acompanham o paciente. A atividade física, nesses casos, pode fazer parte do cuidado, mas não substitui o tratamento médico. 

Outubro é o mês em que a conversa sobre o câncer de mama ganha mais espaço. Mas prevenção não tem data marcada. Ela está relacionada a escolhas e hábitos construídos ao longo do ano. Manter o corpo em movimento, de maneira adequada e constante, é uma atitude acessível que pode contribuir para uma vida mais saudável e para a redução do risco de diferentes doenças.

  

Rairtoni Pereira - personal trainer há mais de 10 anos, ajudando pessoas a desenvolver hábitos saudáveis e uma relação positiva com o próprio corpo. É autor do livro "5 Atitudes para criar o hábito de se exercitar todos os dias".


Nove em cada dez brasileiras desconhecem leis que garantem diagnóstico e tratamento ágil do câncer de mama, aponta Índice

Relatório 2026 do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas revela que 44% das mulheres apresentam nível baixo ou muito baixo de conscientização sobre o tema e evidencia abismo social no acesso à saúde

 

A nova edição do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas do Instituto Natura e da Avon aponta que nove em cada dez brasileiras (90%) não conhecem a Lei dos 30 Dias (Lei nº 13.896/2019), que garante a realização de exames como a mamografia em até um mês a partir da suspeita de câncer de mama. Além disso, 92% desconhecem a Lei dos 60 Dias (Lei nº 12.732/2012), que assegura o início do tratamento neste prazo máximo a partir do diagnóstico. O levantamento foi conduzido este ano pela agência de pesquisa Quiddity com base nos critérios do Censo Populacional do IBGE (2022) e tem nível de confiança de 95%. 

O Índice confirma a hipótese de que, para além dos desafios diretos na oferta de exames de diagnóstico e do tratamento, a falta de informação também pode estar colaborando para que um número maior de brasileiras descubra a doença já em estágio avançado, quando há menor chance de cura, tratamentos mais desafiadores e complexos de recuperação. Segundo o Panorama do Câncer de Mama, ferramenta de dados também criada pelo Instituto Natura e pela Avon, em parceria com o Observatório da Oncologia da Abrale e com o Instituto Protea, 51% das mulheres atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025 estavam nos estágios três ou quatro da doença (a escala vai de zero a quatro), quando já há um avanço local na mama ou a presença de metástase, ou seja, quando o tumor vai para algum outro órgão do tumor. 

“Quando reunimos esses dados, tanto os públicos quanto o conhecimento das mulheres, conseguimos entender por que o câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil, que mesmo sendo o mais incidente, quando descoberto no início tem chance de cura de 95%. Os direitos garantidos pelas políticas públicas, ou por lei só podem ser buscados se as mulheres os conhecerem”, diz Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura.
 

O tamanho do desafio no conhecimento e na redução de riscos 

Avaliando o conjunto de perguntas feitas às entrevistadas pelo Índice, 44% das brasileiras se encontram nos níveis "baixo" (34%) ou "muito baixo" (10%) de conscientização sobre a saúde das mamas. Apesar de 94% das entrevistadas reconhecerem que o câncer de mama tem cura se detectado precocemente, mais da metade relata não se sentir capacitada para ajudar alguém próximo que receba o diagnóstico. 

"Sabemos que a porta de entrada para o cuidado é a atenção básica, especialmente para as mulheres do SUS, os dados nos mostram que há uma desigualdade social marcante no país quando o tema é o acesso à informação. Mulheres usuárias do sistema privado, de maior nível socioeconômico e mais velhas, apresentam índices significativamente mais altos de conscientização se comparadas às mulheres usuárias do SUS, mais jovens e de menor renda, o que dificulta ainda mais garantir, para as cerca de 30% das mulheres que estão fora da faixa etária alvo do rastreamento conhecer seus direitos de acesso à diagnóstico, quais são os sinais e sintomas e entenderem como agir diante de uma alteração e assim garantir seu diagnóstico mais cedo", afirma Mariana. 

A grande maioria das mulheres entrevistadas (76%) não sabiam que é possível realizar mamografia no SUS em qualquer idade quando há sintomas de câncer de mama ou indicação médica. Para as mulheres com mais de 40 anos que nunca fizeram o exame, a principal barreira relatada é o fato de o médico nunca tê-lo solicitado (23%), apesar de estarem dentro da faixa etária de rastreio frequente. Em seguida, os principais motivos para não realizar o exame dentro desta faixa etária são medo (13%) e ausência de sintomas (12%). 

Uma em cada cinco mulheres que já fizeram mamografia não mantém a frequência recomendada do exame, e o estudo comprova ainda a importância da Atenção Básica e do treinamento de profissionais médicos de referência das mulheres nos cuidados de rotina para a garantia do cuidado. Entre as mulheres de todas as idades que declararam ir ao ginecologista de uma a duas vezes por ano, 66% realizam a mamografia. Já entre as mulheres que nunca vão a consultas de rotina — também considerando todas as idades — , apenas 21% realizam o exame. 

“O Índice de Conscientização foi criado justamente para identificar quais são os gargalos de comunicação e adesão da população em relação ao cuidado com a saúde das mamas e orientar quais são as mensagens prioritárias ao longo de todo o ano para de fato levar a informação que é necessária para as mulheres. Nosso objetivo é apoiar políticas públicas e campanhas de conscientização, tornando-as mais efetivas”, diz Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e Monitoramento de Dados do Instituto Natura. 

O levantamento identificou também uma confusão importante entre o que é "redução de riscos" e "diagnóstico precoce":

  • 72% das mulheres acreditam erroneamente que realizar consultas e exames de rotina é uma forma de reduzir o risco de desenvolver o câncer de mama;
  • 62% respondem que o autoexame também é uma maneira de reduzir os riscos;
  • 50% das mulheres não sabem quais são os fatores ou hábitos que aumentam o risco de desenvolvimento da doença, dificultando a discussão de rastreamento individual com a equipe médica;
  • Apenas 39% das mulheres conectam o consumo de bebida alcoólica e a obesidade com o aumento do risco, ou seja, mais de seis em cada dez das brasileiras não fazem essa associação;
  • 6 em cada 10 mulheres desconhecem as etapas que compõem o tratamento.


Metodologia do Índice 

O Índice de Conscientização sobre Saúde das Mamas 2026 foi realizado por meio de pesquisas autoadministradas on-line, com captação em redes sociais, entre junho e julho de 2026. Foram entrevistadas 2.094 mulheres brasileiras a partir dos 18 anos. Os dados foram ponderados com base nos critérios do Censo Populacional do IBGE (2022), garantindo nível de confiança de 95%. Por conta de mudanças na metodologia da pesquisa, não é possível compará-lo ao Índice de 2025.



Instituto Natura

Avon
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Seu medicamento pode estar no lugar errado dentro de casa

CRF-SP alerta que hábitos comuns de armazenamento podem comprometer o tratamento e destaca a importância da orientação farmacêutica para evitar riscos à saúde



Guardar medicamentos no banheiro, sobre a geladeira, no porta-luvas do carro ou retirar comprimidos da embalagem original são hábitos comuns que podem prejudicar sua conservação e comprometer o tratamento.
O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) alerta que o calor, a umidade e a exposição à luz podem afetar a qualidade dos produtos. Por isso, recomenda que a população procure o farmacêutico para esclarecer dúvidas sobre como armazenar e transportar cada medicamento.

“Quando o paciente recebe um medicamento, precisa saber não apenas como e quando utilizá-lo, mas também como conservá-lo. São orientações simples, que muitas vezes passam despercebidas, mas que podem evitar problemas durante o tratamento. O farmacêutico está preparado para esclarecer essas dúvidas e a população deve aproveitar esse atendimento”, afirma a presidente do CRF-SP, Dra. Luciana Canetto.

O banheiro está entre os locais menos indicados por causa da umidade e das mudanças de temperatura provocadas pelos banhos quentes. Na cozinha, o calor do fogão e dos eletrodomésticos também pode prejudicar a conservação. O mesmo acontece no carro, onde a temperatura pode subir rapidamente. A recomendação é guardar os medicamentos em locais secos, protegidos do calor e da luz solar, mantendo-os na embalagem original e fora do alcance de crianças e animais.


Atenção à geladeira e aos organizadores


Nem todo medicamento deve ser guardado na geladeira. A refrigeração só é indicada para produtos que exigem esse cuidado. Nesses casos, deve-se evitar a porta, devido às oscilações de temperatura, e o contato com o fundo ou com áreas próximas ao congelador. Durante o transporte, medicamentos refrigerados também não devem ficar em contato direto com gelo ou placas congeladas.

Os organizadores de comprimidos, embora práticos, exigem atenção. Retirar os medicamentos do blister pode expô-los à umidade e dificultar sua identificação. Quando possível e permitido, o blister pode ser recortado, desde que cada comprimido permaneça protegido e identificado. O CRF-SP lembra ainda que um medicamento mal conservado nem sempre apresenta mudanças de cor, cheiro ou aparência.

Na dúvida, o paciente deve consultar o farmacêutico antes de utilizá-lo. A assistência farmacêutica é um direito da população, e a presença desse profissional é obrigatória durante todo o horário de funcionamento das farmácias.


CRF-SP
www.crfsp.org.br


Outubro Rosa na maturidade: ginecologista alerta que menopausa não encerra a necessidade de prevenção e acompanhamento ginecológico

Outubro Rosa na maturidade: menopausa não encerra a necessidade
de prevenção e acompanhamento ginecológico. 
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Com a idade figurando entre os principais fatores de risco para o câncer de mama, especialista destaca a importância do rastreamento individualizado, do diagnóstico precoce e do cuidado integral com a saúde da mulher após os 50 anos

 

O encerramento do ciclo reprodutivo e a chegada da menopausa costumam trazer a falsa impressão de que as consultas ginecológicas regulares e os exames de rotina deixam de ser necessários. Aproveitando as mobilizações do Outubro Rosa, a MedSênior reforça que o envelhecimento exige atenção contínua à saúde feminina, lembrando que a prevenção de doenças e a busca por qualidade de vida devem acompanhar a mulher em todas as etapas da maturidade.

 

De acordo com a ginecologista da MedSênior, Dra. Isabela Laender, a ideia de que a saúde da mulher se encerra com o fim das menstruações precisa ser desmistificada. “Na terceira idade, a abordagem clínica muda de foco: a consulta passa a priorizar o manejo das alterações hormonais da menopausa, o monitoramento das mamas, da vulva e da vagina, bem como o diagnóstico precoce de patologias comuns ao avanço da idade”. Sintomas como ressecamento vaginal, ondas de calor, alterações urinárias e distúrbios do sono — decorrentes da acentuada queda de estrogênio — não devem ser tratados como desconfortos inevitáveis da idade. 

 

"Existe uma ideia equivocada de que, depois da menopausa ou quando a mulher deixa de ter vida reprodutiva, ela não precisa mais ir ao ginecologista. Mas a saúde ginecológica não termina com a menstruação. O que acontece é que o foco do acompanhamento muda. Envelhecer é natural, mas isso não significa que todo desconforto precise ser aceito como inevitável.", reforçou a especialista. 


 

Câncer de mama e mamografia na maturidade

 

Diferente do que parte da população acredita, o risco de desenvolvimento de tumores mamários não cessa com o climatério. Pelo contrário: a idade avançada representa um dos mais significativos fatores de risco para o câncer de mama, com a maioria dos diagnósticos concentrada a partir dos 50 anos.

 

No Brasil, a diretriz de rastreamento populacional do Ministério da Saúde preconiza a realização da mamografia bienal para mulheres assintomáticas entre 50 e 74 anos. Acima dessa faixa etária, a indicação deve ser individualizada, considerando o histórico de saúde, as condições clínicas globais e a relação entre riscos e benefícios. 

 

A médica adverte, contudo, que o rastreamento preventivo difere da investigação diagnóstica: alterações perceptíveis — a exemplo de nódulos, retração mamilar, mudanças cutâneas ou secreções espontâneas — exigem avaliação clínica imediata, independentemente do cronograma da última mamografia. "Chegar à menopausa não significa que podemos deixar a saúde das mamas de lado. Não devemos olhar apenas para a idade escrita no documento: duas mulheres com a mesma idade podem ter condições de saúde e histórias completamente diferentes, e a decisão precisa ser individualizada." - complementou a Dra. Isabela.

 

Histórico familiar, sexualidade e olhar integrado

 

Outro ponto de atenção no acompanhamento preventivo é a análise genética e familiar. A ocorrência de casos de câncer de mama ou de ovário entre parentes pode justificar condutas clínicas diferenciadas. No entanto, a ausência de casos na família não isenta a paciente de riscos, visto que o tumor mamário acomete frequentemente mulheres sem qualquer histórico prévio da doença.

 

A especialista também salienta que o acompanhamento ginecológico independe de a mulher manter vida sexual ativa. A consulta é fundamental para avaliar queixas funcionais e investigar sinais de alerta cruciais, como sangramentos vaginais pós-menopausa, que não devem ser interpretados como o retorno da menstruação. Para as que permanecem sexualmente ativas, a preservação da saúde e bem-estar sexual e a prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) continuam indispensáveis, combatendo tabus que cercam a maturidade.

 

A MedSênior ressalta, ainda, a importância da integração entre a ginecologia e a geriatria. Enquanto o geriatra contempla a funcionalidade, o equilíbrio, as doenças crônicas e a autonomia, o ginecologista aprofunda o cuidado direcionado às mamas, ao aparelho reprodutor e aos sintomas hormonais. Portanto, o olhar precisa ser integrado para que seja possível manter a qualidade de vida: "cuidar da saúde da mulher não deve acontecer apenas durante a fase reprodutiva. A mulher continua demandando prevenção, escuta e qualidade de vida em todas as fases da vida. A consulta após a menopausa precisa olhar para a mulher como um todo: entender como ela está vivendo, dormindo, se movimentando, se alimentando e como está sua rotina.", afirmou a ginecologista, Dra. Isabela Laender.  



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