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Apesar dos cortes consecutivos
na taxa Selic, mais da metade (59%) das pequenas e médias empresas aponta a
alta taxa de juros como o principal obstáculo ao crescimento. Outra barreira
citada pelo segmento são os custos com mão de obra (44%), seguida da fraca
demanda do mercado (31%). Os dados são da sondagem Omie das Pequenas e Médias
Empresas do 2° semestre, realizada com 410 gestores e empresários, entre 3 e 28
de agosto,
Na avaliação de Felipe Beraldi,
economista da Omie, a pesquisa mostra que os empresários seguem contratando e
planejando, mas com cautela. A pesquisa também captou que a reforma tributária
do consumo interfere nas decisões corporativas para quem já opera com margens
apertadas.
Ele explica que os juros
elevados já apareciam como a principal barreira ao crescimento na edição
anterior da Sondagem. Naquele momento, porém, quase empatavam com os altos
custos de mão de obra: 49% contra 47%. Agora, as taxas de juros foram citadas
por 59% das PMEs, um salto de 10 pontos percentuais, e abriram uma distância de
15 pontos sobre a mão de obra.
Na avaliação do economista,
esse avanço não contradiz o ciclo de cortes da Selic, mas mostra um efeito
acumulado de um longo período de juros altos. Muitas empresas, diz, passaram os
últimos anos operando com crédito caro, o que pressionou o caixa e refletiu no
forte aumento das insolvências nos últimos dois anos.
“Os cortes recentes foram
graduais e, mesmo assim, a Selic segue em 14% ao ano, um patamar historicamente
elevado. O mercado projeta uma taxa ainda restritiva ao fim de 2026 e vê pouco
espaço para novas reduções”, prevê.
Para o economista, é preciso
considerar também questões estruturais no comportamento mais cauteloso das
pequenas e médias empresas. Para elas, explica, o custo final do crédito vai
muito além da taxa básica, em decorrência dos spreads, das garantias exigidas e
do perfil de risco.
“A queda da Selic demora a
chegar à ponta e, quando chega, chega de forma parcial. Por isso, o juro é
percebido como um peso concreto no dia a dia do negócio, e não apenas como um
indicador macroeconômico”, explica.
Na sondagem, a cautela aparece
também na visão dos pequenos e médios empresários sobre a economia: 54% dos
entrevistados esperam impacto negativo no negócio nos próximos seis meses, e só
14% projetam uma melhora. Já a intenção de abrir novas vagas caiu de 37%, na
pesquisa anterior, para 26%.
Fim da
escala 6x1
A sondagem da Omie não incluiu
pergunta específica sobre o fim da escala 6x1, porque a coleta foi feita antes
da aprovação da medida. O tema alto custo de mão de obra, porém, já aparece de
forma relevante, seguido da escassez de profissionais qualificados.
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“Nossa leitura é que essa dor
tende a crescer nas próximas edições, já que a medida tem grande peso em
segmentos importantes do comércio e dos serviços, que concentram parte significativa
das PMEs”. Diversos setores, lembrou o economista, já sinalizam que a
mudança deve elevar os custos com horas extras, ampliação do uso de trabalho
temporário e, em alguns casos, levar a ajustes de quadro. “Para negócios com
margens apertadas e pouca margem de manobra operacional, esse impacto deve
aparecer de forma mais clara nas próximas sondagens”, prevê.
Reforma
tributária
A pesquisa também apontou que
só 19% das empresas se sentem totalmente preparadas para a reforma tributária
do consumo, que sai oficialmente do papel em 1º de janeiro de 2027, com a
cobrança da CBS.
Dentre as mudanças mais citadas
pelos entrevistados em tempos de reformulação do sistema de impostos,
destacam-se a revisão de preços (63%), revisão da estrutura societária ou do regime
tributário (32%). Outros 20% não planejam nenhuma mudança.
Entre as empresas optantes pelo
Simples Nacional, a sondagem mostrou que 32% ainda não avaliaram os impactos da
escolha e 31% aguardam regras mais claras para a tomada de decisões. Só 21% já decidiram:
11% pelo Simples Nacional Híbrido e 10% pelo Simples puro (CBS e IBS dentro do
DAS).
De acordo com dados do Radar
Setorial da Reforma Tributária, divulgado em julho, estima-se que o Simples
Híbrido seja vantajoso para cerca de 1,1 milhão de empresas que hoje são
optantes pelo Simples. “São, sobretudo, negócios em segmentos com perfil mais
B2B, no meio da cadeia produtiva, que operam com caixa mais apertado e com uma
base de fornecedores mais dispersa”, explica.
Sobre o número de pedidos de
ingresso ao regime regular da CBS e IBS - o prazo vai até 30 de outubro -,
correspondente a mais de 60% do número total de adesões, Beraldi ressalta que
muitas solicitações foram motivadas pela oportunidade de aproveitar a janela de
opção. “Há uma possibilidade real de que parte dessas adesões seja revertida no
prazo para cancelamento da opção, que vai até 20 de dezembro”, prevê.
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/juros-altos-e-custos-com-mao-de-obra-lideram-os-obstaculos-das-pmes-diz-pesquisa-da-omie

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