A doença, quando identificada na fase
inicial, tem até 95% de chances de cura
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Outubro Rosa chegou e, com ele, a importância de levantar a bandeira do diagnóstico precoce como fundamental para a cura do câncer de mama. A doença é a mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 78 mil novos casos da patologia acontecerão por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Ao mesmo tempo, se identificado na fase inicial, o câncer de mama tem até 95% de chances de cura.
Quando um diagnóstico se torna mais comum, o medo e a busca por promessas milagrosas ou explicações simplistas entram em cena, impulsionando a quantidade de boatos e desinformações que circulam tanto na internet quanto nas redes sociais.
Para auxiliar na prevenção do câncer de mama e na divulgação de
práticas corretas para o diagnóstico precoce, a oncologista clínica do Hospital
Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília (HUB-UnB), integrante da
HU Brasil, Patricia Espino, esclarece alguns mitos e verdades sobre a doença.
Confira:
Sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de álcool podem
elevar o risco de câncer de mama?
Verdade. A evidência científica aponta que o consumo de álcool e a
obesidade têm associação com diferentes tipos de câncer, não apenas o de mama.
Na pós-menopausa, o risco de câncer de mama também é aumentado por conta da
transformação periférica na gordura do estrogênio pelo tecido adiposo. É
necessário estimular acompanhamento médico, a conscientização através dos meios
de comunicação e a adoção de hábitos saudáveis.
Quem faz autoexame não precisa fazer mamografia?
Mito. O autoexame é incentivado como forma de a mulher conhecer
seu próprio corpo e compreender o que está dentro do padrão ou que está
diferente. Inclusive, um dado importante é o de que o autoexame não traz
impactos na redução da mortalidade de pacientes com câncer de mama. Por isso,
ele não substitui a mamografia.
Amamentar pode proteger contra o câncer de mama?
Verdade. A amamentação é um fator de proteção natural contra o
câncer de mama apesar de não eliminar totalmente o risco de desenvolver a
doença. Um dos benefícios é que o aleitamento reduz o número de ciclos
menstruais ao longo da vida e, com isso, diminui a exposição prolongada a
hormônios como o estrógeno, que pode estimular o crescimento de células
tumorais.
Antitranspirantes podem causar câncer de mama?
Mito. Essa informação está relacionada a um estudo de 2015 que, na
época, trouxe algumas evidências de ensaios in vitro, e que não foi realizado
com pessoas. Até o momento não existe qualquer evidência científica de
correlação entre antitranspirantes e câncer de mama.
Menstruação precoce representa um risco aumentado para o
câncer de mama?
Verdade. A primeira menstruação, chamada de “menarca”, quando
ocorre de forma precoce aumenta, sim, o risco de desenvolver câncer de mama, assim
como a menopausa tardia. Se você menstruar mais cedo (antes dos 12 anos) e
tiver a última menstruação mais tarde (após os 55 anos), você passa mais tempo
sendo exposta aos hormônios ovarianos estrogênio e progesterona, o que
representa um risco aumentado para câncer de mama.
Sutiãs com aro podem causar câncer de mama?
Mito. Não há qualquer evidência científica dessa correlação, nem
mecanismo biológico que justifique. Sutiãs com aro, sem aro ou apertados não
causam câncer de mama. Ao usar sutiãs inadequados ou apertados, o que pode
acontecer é dor local (mastalgia) ou desconforto por compressão.
Homens também podem desenvolver câncer de mama?
Verdade. O tecido mamário do homem, mesmo que não seja tão
desenvolvido, possui ductos que podem sofrer transformações neoplásicas. Embora
seja raro, já que, inclusive, a quantidade de tecido é menor e não há exposição
a hormônios ovarianos, fatores de risco como obesidade e ingestão de bebida
alcoólica, além de exposição hormonal e o uso de hormônios exógenos, que também
vão aumentando o risco de alterações genéticas.
Todo caroço no seio é sintoma de câncer de mama?
Mito. Na verdade, o que a maioria das pessoas tem é um nódulo
mamário benigno, que pode ser identificado no ultrassom de mama e na
mamografia. Atualmente, contamos com excelentes métodos diagnósticos, que podem
evitar biópsias desnecessárias, diferenciando o que é uma lesão benigna de uma
possivelmente maligna.
Mulheres mais velhas têm mais chance de desenvolver o câncer
de mama?
Verdade. Justamente por conta do maior tempo de exposição ao
estrogênio e à progesterona. A idade, sim, é um dos principais fatores de risco
que não são modificáveis no câncer de mama. O que se sabe é que a incidência do
câncer de mama aumenta na quinta década de vida, por isso a importância dos
programas de rastreamento mamográfico direcionados para pacientes de 40 a 50
anos.
HU Brasil
Patricia Espino - oncologista clínica do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HU Brasil)
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