Relatório 2026 do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas revela que 44% das mulheres apresentam nível baixo ou muito baixo de conscientização sobre o tema e evidencia abismo social no acesso à saúde
A nova
edição do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas do Instituto Natura
e da Avon aponta que nove em cada dez brasileiras (90%) não conhecem a Lei dos
30 Dias (Lei nº 13.896/2019), que garante a realização de exames como a
mamografia em até um mês a partir da suspeita de câncer de mama. Além disso,
92% desconhecem a Lei dos 60 Dias (Lei nº 12.732/2012), que assegura o início
do tratamento neste prazo máximo a partir do diagnóstico. O levantamento foi
conduzido este ano pela agência de pesquisa Quiddity com base nos critérios do
Censo Populacional do IBGE (2022) e tem nível de confiança de 95%.
O
Índice confirma a hipótese de que, para além dos desafios diretos na oferta de
exames de diagnóstico e do tratamento, a falta de informação também pode estar
colaborando para que um número maior de brasileiras descubra a doença já em
estágio avançado, quando há menor chance de cura, tratamentos mais desafiadores
e complexos de recuperação. Segundo o Panorama do Câncer de Mama, ferramenta de
dados também criada pelo Instituto Natura e pela Avon, em parceria com o
Observatório da Oncologia da Abrale e com o Instituto Protea, 51% das mulheres
atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025 estavam nos estágios três ou
quatro da doença (a escala vai de zero a quatro), quando já há um avanço local
na mama ou a presença de metástase, ou seja, quando o tumor vai para algum
outro órgão do tumor.
“Quando
reunimos esses dados, tanto os públicos quanto o conhecimento das mulheres,
conseguimos entender por que o câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata
mulheres no Brasil, que mesmo sendo o mais incidente, quando descoberto no
início tem chance de cura de 95%. Os direitos garantidos pelas políticas
públicas, ou por lei só podem ser buscados se as mulheres os conhecerem”, diz
Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das
Mamas no Instituto Natura.
O
tamanho do desafio no conhecimento e na redução de riscos
Avaliando
o conjunto de perguntas feitas às entrevistadas pelo Índice, 44% das
brasileiras se encontram nos níveis "baixo" (34%) ou "muito
baixo" (10%) de conscientização sobre a saúde das mamas. Apesar de 94% das
entrevistadas reconhecerem que o câncer de mama tem cura se detectado
precocemente, mais da metade relata não se sentir capacitada para ajudar alguém
próximo que receba o diagnóstico.
"Sabemos
que a porta de entrada para o cuidado é a atenção básica, especialmente para as
mulheres do SUS, os dados nos mostram que há uma desigualdade social marcante
no país quando o tema é o acesso à informação. Mulheres usuárias do sistema
privado, de maior nível socioeconômico e mais velhas, apresentam índices
significativamente mais altos de conscientização se comparadas às mulheres
usuárias do SUS, mais jovens e de menor renda, o que dificulta ainda mais
garantir, para as cerca de 30% das mulheres que estão fora da faixa etária alvo
do rastreamento conhecer seus direitos de acesso à diagnóstico, quais são os
sinais e sintomas e entenderem como agir diante de uma alteração e assim
garantir seu diagnóstico mais cedo", afirma Mariana.
A
grande maioria das mulheres entrevistadas (76%) não sabiam que é possível
realizar mamografia no SUS em qualquer idade quando há sintomas de câncer de
mama ou indicação médica. Para as mulheres com mais de 40 anos que nunca
fizeram o exame, a principal barreira relatada é o fato de o médico nunca tê-lo
solicitado (23%), apesar de estarem dentro da faixa etária de rastreio
frequente. Em seguida, os principais motivos para não realizar o exame dentro
desta faixa etária são medo (13%) e ausência de sintomas (12%).
Uma em
cada cinco mulheres que já fizeram mamografia não mantém a frequência
recomendada do exame, e o estudo comprova ainda a importância da Atenção Básica
e do treinamento de profissionais médicos de referência das mulheres nos
cuidados de rotina para a garantia do cuidado. Entre as mulheres de todas as
idades que declararam ir ao ginecologista de uma a duas vezes por ano, 66%
realizam a mamografia. Já entre as mulheres que nunca vão a consultas de rotina
— também considerando todas as idades — , apenas 21% realizam o exame.
“O
Índice de Conscientização foi criado justamente para identificar quais são os
gargalos de comunicação e adesão da população em relação ao cuidado com a saúde
das mamas e orientar quais são as mensagens prioritárias ao longo de todo o ano
para de fato levar a informação que é necessária para as mulheres. Nosso
objetivo é apoiar políticas públicas e campanhas de conscientização,
tornando-as mais efetivas”, diz Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e
Monitoramento de Dados do Instituto Natura.
O
levantamento identificou também uma confusão importante entre o que é
"redução de riscos" e "diagnóstico precoce":
- 72% das mulheres acreditam erroneamente que realizar
consultas e exames de rotina é uma forma de reduzir o risco de desenvolver
o câncer de mama;
- 62% respondem que o autoexame também é uma maneira de reduzir
os riscos;
- 50% das mulheres não sabem quais são os fatores ou hábitos
que aumentam o risco de desenvolvimento da doença, dificultando a
discussão de rastreamento individual com a equipe médica;
- Apenas 39% das mulheres conectam o consumo de bebida
alcoólica e a obesidade com o aumento do risco, ou seja, mais de seis em
cada dez das brasileiras não fazem essa associação;
- 6 em cada 10 mulheres desconhecem as etapas que compõem o
tratamento.
Metodologia
do Índice
O
Índice de Conscientização sobre Saúde das Mamas 2026 foi realizado por meio de
pesquisas autoadministradas on-line, com captação em redes sociais, entre junho
e julho de 2026. Foram entrevistadas 2.094 mulheres brasileiras a partir dos 18
anos. Os dados foram ponderados com base nos critérios do Censo Populacional do
IBGE (2022), garantindo nível de confiança de 95%. Por conta de mudanças na
metodologia da pesquisa, não é possível compará-lo ao Índice de 2025.
Instituto Natura
Avon
www.avon.com.br
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