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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Nove em cada dez brasileiras desconhecem leis que garantem diagnóstico e tratamento ágil do câncer de mama, aponta Índice

Relatório 2026 do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas revela que 44% das mulheres apresentam nível baixo ou muito baixo de conscientização sobre o tema e evidencia abismo social no acesso à saúde

 

A nova edição do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas do Instituto Natura e da Avon aponta que nove em cada dez brasileiras (90%) não conhecem a Lei dos 30 Dias (Lei nº 13.896/2019), que garante a realização de exames como a mamografia em até um mês a partir da suspeita de câncer de mama. Além disso, 92% desconhecem a Lei dos 60 Dias (Lei nº 12.732/2012), que assegura o início do tratamento neste prazo máximo a partir do diagnóstico. O levantamento foi conduzido este ano pela agência de pesquisa Quiddity com base nos critérios do Censo Populacional do IBGE (2022) e tem nível de confiança de 95%. 

O Índice confirma a hipótese de que, para além dos desafios diretos na oferta de exames de diagnóstico e do tratamento, a falta de informação também pode estar colaborando para que um número maior de brasileiras descubra a doença já em estágio avançado, quando há menor chance de cura, tratamentos mais desafiadores e complexos de recuperação. Segundo o Panorama do Câncer de Mama, ferramenta de dados também criada pelo Instituto Natura e pela Avon, em parceria com o Observatório da Oncologia da Abrale e com o Instituto Protea, 51% das mulheres atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025 estavam nos estágios três ou quatro da doença (a escala vai de zero a quatro), quando já há um avanço local na mama ou a presença de metástase, ou seja, quando o tumor vai para algum outro órgão do tumor. 

“Quando reunimos esses dados, tanto os públicos quanto o conhecimento das mulheres, conseguimos entender por que o câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil, que mesmo sendo o mais incidente, quando descoberto no início tem chance de cura de 95%. Os direitos garantidos pelas políticas públicas, ou por lei só podem ser buscados se as mulheres os conhecerem”, diz Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura.
 

O tamanho do desafio no conhecimento e na redução de riscos 

Avaliando o conjunto de perguntas feitas às entrevistadas pelo Índice, 44% das brasileiras se encontram nos níveis "baixo" (34%) ou "muito baixo" (10%) de conscientização sobre a saúde das mamas. Apesar de 94% das entrevistadas reconhecerem que o câncer de mama tem cura se detectado precocemente, mais da metade relata não se sentir capacitada para ajudar alguém próximo que receba o diagnóstico. 

"Sabemos que a porta de entrada para o cuidado é a atenção básica, especialmente para as mulheres do SUS, os dados nos mostram que há uma desigualdade social marcante no país quando o tema é o acesso à informação. Mulheres usuárias do sistema privado, de maior nível socioeconômico e mais velhas, apresentam índices significativamente mais altos de conscientização se comparadas às mulheres usuárias do SUS, mais jovens e de menor renda, o que dificulta ainda mais garantir, para as cerca de 30% das mulheres que estão fora da faixa etária alvo do rastreamento conhecer seus direitos de acesso à diagnóstico, quais são os sinais e sintomas e entenderem como agir diante de uma alteração e assim garantir seu diagnóstico mais cedo", afirma Mariana. 

A grande maioria das mulheres entrevistadas (76%) não sabiam que é possível realizar mamografia no SUS em qualquer idade quando há sintomas de câncer de mama ou indicação médica. Para as mulheres com mais de 40 anos que nunca fizeram o exame, a principal barreira relatada é o fato de o médico nunca tê-lo solicitado (23%), apesar de estarem dentro da faixa etária de rastreio frequente. Em seguida, os principais motivos para não realizar o exame dentro desta faixa etária são medo (13%) e ausência de sintomas (12%). 

Uma em cada cinco mulheres que já fizeram mamografia não mantém a frequência recomendada do exame, e o estudo comprova ainda a importância da Atenção Básica e do treinamento de profissionais médicos de referência das mulheres nos cuidados de rotina para a garantia do cuidado. Entre as mulheres de todas as idades que declararam ir ao ginecologista de uma a duas vezes por ano, 66% realizam a mamografia. Já entre as mulheres que nunca vão a consultas de rotina — também considerando todas as idades — , apenas 21% realizam o exame. 

“O Índice de Conscientização foi criado justamente para identificar quais são os gargalos de comunicação e adesão da população em relação ao cuidado com a saúde das mamas e orientar quais são as mensagens prioritárias ao longo de todo o ano para de fato levar a informação que é necessária para as mulheres. Nosso objetivo é apoiar políticas públicas e campanhas de conscientização, tornando-as mais efetivas”, diz Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e Monitoramento de Dados do Instituto Natura. 

O levantamento identificou também uma confusão importante entre o que é "redução de riscos" e "diagnóstico precoce":

  • 72% das mulheres acreditam erroneamente que realizar consultas e exames de rotina é uma forma de reduzir o risco de desenvolver o câncer de mama;
  • 62% respondem que o autoexame também é uma maneira de reduzir os riscos;
  • 50% das mulheres não sabem quais são os fatores ou hábitos que aumentam o risco de desenvolvimento da doença, dificultando a discussão de rastreamento individual com a equipe médica;
  • Apenas 39% das mulheres conectam o consumo de bebida alcoólica e a obesidade com o aumento do risco, ou seja, mais de seis em cada dez das brasileiras não fazem essa associação;
  • 6 em cada 10 mulheres desconhecem as etapas que compõem o tratamento.


Metodologia do Índice 

O Índice de Conscientização sobre Saúde das Mamas 2026 foi realizado por meio de pesquisas autoadministradas on-line, com captação em redes sociais, entre junho e julho de 2026. Foram entrevistadas 2.094 mulheres brasileiras a partir dos 18 anos. Os dados foram ponderados com base nos critérios do Censo Populacional do IBGE (2022), garantindo nível de confiança de 95%. Por conta de mudanças na metodologia da pesquisa, não é possível compará-lo ao Índice de 2025.



Instituto Natura

Avon
www.avon.com.br


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