Ortopedista do Vera Cruz Hospital, em Campinas,
orienta investigação da saúde óssea para reduzir o risco de novos episódios
Magnific
Uma fratura provocada por uma queda da própria altura, durante uma
caminhada ou outra atividade cotidiana, pode indicar fragilidade óssea. Por
isso, o cuidado deve incluir a investigação da causa, além do tratamento da
lesão. A osteoporose enfraquece os ossos e pode evoluir sem sintomas até que
ocorra a primeira fratura. O alerta marca o Dia Mundial e Nacional da
Osteoporose, neste 20 de outubro. Segundo a International Osteoporosis
Foundation (IOF), em um panorama mundial, até 80% dos pacientes que sofrem uma
fratura permanecem sem diagnóstico e tratamento da osteoporose subjacente. O
dado evidencia uma oportunidade de cuidado que muitas vezes é perdida:
investigar a saúde dos ossos após uma fratura e adotar medidas para reduzir o
risco de novos episódios.
Ainda de acordo com a IOF, o histórico de fratura está associado a
um risco 86% maior de sofrer outra fratura em comparação com pessoas sem esse
antecedente. A entidade também aponta que o risco de recorrência é
especialmente elevado nos dois primeiros anos após o episódio inicial.
“A investigação deve fazer parte do cuidado com a fratura, sem
esperar a recuperação do osso. Quando identificamos osteoporose ou outra
condição que compromete a resistência óssea, podemos estabelecer um tratamento
para reduzir o risco de novas fraturas. A consolidação da lesão não encerra
esse acompanhamento”, explica José Luis Amim Zabeu, coordenador da Ortopedia do
Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP).
Como investigar a saúde dos ossos
A avaliação considera o histórico de saúde do paciente, a
ocorrência de fraturas anteriores, o uso de medicamentos e outros fatores de
risco. Um dos principais exames é a densitometria óssea, que mede a densidade
mineral dos ossos e auxilia no diagnóstico da osteoporose. Ela pode ser indicada
após uma fratura por baixo impacto ou antes de qualquer lesão, conforme a
idade, os fatores de risco e a avaliação médica.
Radiografias da coluna também podem ajudar a identificar fraturas
nas vértebras que nem sempre provocam sintomas evidentes. Exames laboratoriais,
como os que avaliam os níveis de cálcio, vitamina D e outros indicadores do
metabolismo ósseo, contribuem para investigar condições associadas e orientar o
tratamento.
“A escolha dos exames depende da história clínica e das
necessidades de cada paciente. Em mulheres após a menopausa, por exemplo, a
indicação da densitometria considera também a idade e a presença de fatores de
risco. O objetivo é identificar a fragilidade óssea, compreender suas possíveis
causas e definir a melhor conduta”, orienta Zabeu.
Embora seja mais comum com o avanço da idade e em mulheres após a
menopausa, a osteoporose também pode afetar homens e pessoas mais jovens.
Segundo a IOF, no mundo, cerca de uma em cada três mulheres e um em cada cinco
homens acima dos 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose ao
longo da vida restante. Outros fatores de risco incluem histórico familiar de
osteoporose ou fraturas, uso prolongado de corticoides, tabagismo e alterações
na absorção de nutrientes, como as que podem ocorrer após a cirurgia
bariátrica. Alguns tratamentos, como a quimioterapia, também podem comprometer
a saúde óssea, dependendo do contexto clínico.
Como a doença costuma evoluir sem sinais claros, mudanças como a
redução da estatura e o aumento progressivo da curvatura da coluna merecem
avaliação médica, pois podem estar relacionadas a alterações ou fraturas nas
vértebras. “Pessoas com fatores de risco podem conversar com um profissional de
saúde sobre a necessidade de avaliar a saúde óssea, mesmo que nunca tenham
sofrido uma fratura. Para quem já passou por um episódio, não se deve esperar
que outro aconteça para investigar”, pontua o ortopedista.
Prevenção e tratamento
A prevenção começa antes do aparecimento da doença. Alimentação
equilibrada, ingestão adequada de cálcio e outros nutrientes, prática regular
de exercícios físicos e não fumar são medidas que contribuem para a saúde
óssea. Atividades voltadas ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio também
ajudam a reduzir o risco de quedas.
Para quem já tem osteoporose ou sofreu uma fratura por baixo
impacto, o plano de cuidado deve ser individualizado. Além dos hábitos
saudáveis, o médico pode indicar medicamentos específicos para fortalecer os
ossos e reduzir o risco de novas fraturas. A terapia hormonal pode ser
considerada em situações selecionadas, após avaliação dos benefícios e riscos
para cada paciente.
“Exercícios, alimentação adequada e prevenção de quedas fazem
parte do cuidado, mas não substituem os tratamentos específicos quando eles são
necessários. O acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento e
ajustar as orientações às condições de cada pessoa”, conclui Zabeu.
Vera Cruz Hospital
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