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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Mamografia aos 40 anos e testes genéticos: o que muda no rastreamento do câncer de mama no Brasil

 Em meio ao Outubro Rosa, especialistas da Rede Santa Catarina esclarecem as regras para o exame e explicam quando o histórico familiar exige investigação genética

 

Mesmo com o amplo debate sobre a prevenção do câncer de mama em meio ao Outubro Rosa, duas questões acerca do rastreamento continuam gerando dúvidas: a idade exata para iniciar a mamografia e o momento certo de investigar o histórico familiar por meio de testes genéticos. 

No ano passado, o Ministério da Saúde atualizou suas orientações acerca da realização da mamografia, mas ainda restam incertezas sobre quem pode ou não realizar o exame. Atualmente, mulheres entre 40 e 49 anos têm acesso garantido à mamografia no SUS, mas a realização é indicada após uma decisão compartilhada entre a paciente e o médico. Já o rastreamento mamográfico, que anteriormente era recomendado para a faixa etária de 50 a 69 anos, passou para 50 a 74 anos, mantendo a periodicidade bienal. 

Em contrapartida, as principais sociedades médicas brasileiras, como o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), recomendam que a mamografia seja feita anualmente a partir dos 40 anos para todas as mulheres de risco habitual. “O ponto principal é que mulheres a partir dos 40 anos passaram a ter acesso garantido à mamografia, mesmo que não apresentem sintomas. Hoje a discussão não é mais se a mulher de 40 anos pode fazer mamografia: afinal, ela pode e deve”, explica a Dra. Larissa Mattioli Guedes, coordenadora da Radiologia Mamária da Casa de Saúde São José, pertencente à Rede Santa Catarina. 

A médica reforça que a conversa entre paciente e profissional de saúde deve levar em conta o risco individual, a densidade mamária e o histórico da paciente. Além disso, ela faz um alerta fundamental: as regras de rastreamento valem apenas para quem não tem queixas. "Uma mulher com sintomas, como nódulo palpável ou retração da pele, não deve aguardar o período habitual de rastreamento. A investigação precisa ser ágil, independentemente da idade", ressalta a Dra. Larissa.
 

Histórico familiar e a genética do câncer de mama

Se para a população de risco habitual a mamografia é o padrão-ouro, para mulheres com histórico familiar as regras são outras. O Dr. Antônio Cavaleiro, coordenador médico do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, também pertencente à Rede Santa Catarina, lista os sinais familiares que exigem atenção: “A suspeita surge a partir de câncer de mama diagnosticado em idade jovem em familiares, vários casos de câncer de mama ou de ovário na mesma família, câncer de mama em homens, tumores nas duas mamas ou determinados subtipos, como o chamado triplo-negativo”. 

Nesses cenários, o aconselhamento e o teste genético entram em cena para investigar mutações hereditárias, como as dos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam expressivamente a probabilidade de desenvolver a doença. Enquanto uma mulher sem a mutação tem de 10% a 12% de chance de ter câncer de mama ao longo da vida, nas portadoras dessas alterações genéticas o risco pode ultrapassar os 60%. 

Caso a mutação genética seja descoberta, a rotina de exames deve ser alterada radicalmente. “A mamografia convencional isolada não é suficiente. A ressonância magnética anual das mamas passa a ter papel central no rastreamento, por sua maior capacidade de detectar tumores precoces em mamas jovens e densas”, detalha a Dra. Larissa Guedes. Dependendo da mutação, essa bateria de exames pode começar já aos 25 ou 30 anos. 

Além do impacto direto na paciente, o teste genético tem um papel crucial para os parentes, já que essas mutações têm 50% de chance de serem transmitidas aos filhos, independentemente do sexo. No entanto, segundo o Dr. Cavaleiro, ter a mutação não é uma condenação. “O resultado abre um leque de decisões; ele não é uma sentença. A informação é valiosa justamente porque permite agir antes. Hoje temos estratégias bem estabelecidas de rastreamento intensivo e de cirurgias redutoras de risco, que podem ser discutidas com calma, respeitando a idade, os planos de vida e as preferências de cada mulher”, afirma o Dr. Cavaleiro. 

Diagnóstico precoce: mais de 90% de chance de cura

Segundo o oncologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, quando o câncer de mama é diagnosticado em estágio inicial, as chances de cura passam de 90%. Logo, seja pelo rastreamento padrão aos 40 anos ou pelo acompanhamento genético de alto risco, o objetivo continua sendo o diagnóstico precoce da doença, quando o tratamento é muito mais eficaz, seguro e direcionado. 

As estratégias para tratar o câncer de mama hoje são guiadas pelas características moleculares do tumor, o que permite o uso de terapias-alvo, imunoterapia ou hormonioterapia, poupando muitas pacientes da quimioterapia agressiva. No entanto, a eficácia desse tratamento vai depender sempre de um rastreamento eficaz e diagnóstico precoce.

“Não existe uma única estratégia de prevenção para todas as mulheres. O rastreamento precisa considerar idade, sintomas, história familiar, fatores pessoais e risco individual. Detectar cedo continua sendo uma das ferramentas mais importantes para ampliar as possibilidades de tratamento e melhorar os resultados”, conclui a radiologista da Casa de Saúde São José.


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