No Dia da Maçã, (21/10), nutricionista explica como o cozimento altera a textura da fruta e quais são seus benefícios para a saúde intestinal.
Presente na
alimentação de muitos brasileiros, a maçã é conhecida pela praticidade e pelo
valor nutricional. Quando cozida, sua textura fica mais macia, o que facilita a
mastigação e torna a preparação uma alternativa interessante para quem prefere
alimentos mais suaves. Além disso, a fruta fornece fibras e compostos
antioxidantes que podem contribuir para a saúde intestinal.
Um dos principais
componentes da fruta é a pectina, uma fibra solúvel encontrada na polpa e na
casca. Segundo Diego Righi, professor de Nutrição na Afya Centro Universitário
Itaperuna, essa fibra interage com a água durante a digestão, influenciando a
consistência do conteúdo intestinal e contribuindo para a formação das fezes.
Parte da pectina também chega ao intestino grosso, onde pode ser fermentada
pelas bactérias da microbiota intestinal, produzindo substâncias chamadas
ácidos graxos de cadeia curta, que participam de processos relacionados à saúde
intestinal.
“A maçã é uma
fonte de fibras, especialmente de pectina, que pode contribuir para o
funcionamento intestinal. Essa fibra interage com a água no trato digestivo e
também pode ser fermentada por bactérias da microbiota intestinal. O importante
é entender que seus benefícios dependem do conjunto da alimentação e dos
hábitos de vida, e não do consumo isolado de um único alimento”, explica o
professor.
O que
acontece com a maçã durante o cozimento?
O aquecimento
modifica a estrutura da fruta, deixando a polpa mais macia e facilitando o
consumo por pessoas com dificuldades de mastigação. No entanto, a facilidade de
digestão varia de acordo com cada pessoa e com a forma de preparo.
O cozimento também
pode alterar a quantidade de determinados nutrientes. A vitamina C, por
exemplo, é sensível ao calor, e parte dela pode ser perdida durante o preparo.
Por outro lado, as fibras não desaparecem simplesmente porque a fruta foi
cozida, embora sua estrutura e suas propriedades possam sofrer alterações
dependendo da temperatura, do tempo de cozimento e do método utilizado.
Um estudo
publicado em 2023 no periódico International Journal of Food Science &
Technology avaliou os efeitos do processamento térmico sobre as
fibras e os compostos fenólicos da maçã. Nas condições analisadas, os
pesquisadores observaram a manutenção de teores semelhantes de fibras totais e
solúveis, além da preservação de mais de 80% dos compostos fenólicos
originalmente presentes na polpa. As duas formas podem fazer parte de uma
alimentação saudável, e a escolha depende das preferências e das necessidades
de cada pessoa.
Maçã
cozida ajuda a regular o intestino?
A presença de
fibras faz da fruta cozida uma opção interessante para quem busca manter o
funcionamento intestinal. Entretanto, seus efeitos não devem ser generalizados
para todas as pessoas nem interpretados como uma solução isolada para problemas
digestivos.
Uma revisão
sistemática publicada em 2026 no periódico Food & Function analisou 38 estudos
de intervenção em humanos sobre maçãs e seus derivados. Os pesquisadores
identificaram resultados favoráveis em alguns indicadores relacionados à
glicemia, à função vascular e à microbiota intestinal. Apesar disso, os autores
destacaram que as evidências ainda são insuficientes para estabelecer
conclusões definitivas. Os resultados também não permitem atribuir, de maneira
conclusiva, os mesmos efeitos especificamente à maçã cozida. “A saúde
intestinal está relacionada à diversidade alimentar e ao consumo adequado de
fibras. A maçã pode contribuir para esse objetivo, mas a resposta depende das
características individuais, da hidratação e dos demais alimentos consumidos ao
longo do dia. Não existe uma preparação única capaz de resolver todos os
problemas intestinais”, ressalta Diego Righi.
O especialista da
Afya Itaperuna também chama a atenção para a tolerância individual. Embora seja
uma fruta nutritiva, a maçã contém frutose e sorbitol, carboidratos que podem
provocar gases, distensão abdominal e desconforto em pessoas sensíveis,
especialmente naquelas com síndrome do intestino irritável. O cozimento não
garante a eliminação desses componentes.
Por isso, a maçã
cozida não deve ser considerada um tratamento para constipação, diarreia ou
outras alterações digestivas. Pessoas com sintomas persistentes precisam de
avaliação profissional, já que a conduta adequada depende da causa do problema.
Como
preparar a maçã cozida para aproveitar seus nutrientes?
Para preparar a
fruta cozida, basta higienizar, cortá-la em pedaços e levá-la ao fogo com uma
pequena quantidade de água até atingir a textura desejada. A canela pode ser
utilizada para dar sabor, sem necessidade de adicionar açúcar. Sempre que
possível e bem tolerada, a casca pode ser mantida após a higienização adequada,
pois também contém fibras e compostos fenólicos. Retirá-la modifica a
composição nutricional da fruta. Evitar o excesso de água e o cozimento
prolongado também pode ajudar a reduzir perdas de nutrientes sensíveis ao
calor.
Outro cuidado
importante é evitar grandes quantidades de açúcar, leite condensado ou outros
ingredientes que aumentem significativamente o teor calórico da preparação. A
maçã cozida pode ser consumida no café da manhã, como sobremesa ou lanche. Para
favorecer a saúde intestinal, porém, o ideal é combiná-la com outras frutas,
verduras, legumes, feijões e cereais integrais, além de manter uma hidratação
adequada e praticar atividade física regularmente.
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