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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Uso de sutiã e desodorante causam tumores? Especialistas esclarecem mitos e verdades sobre o câncer de mama

 Adium e FEMAMA abordam mitos e verdades recorrentes sobre fatores de risco e diagnóstico da doença, destacando como a informação precisa e os cuidados preventivos são fundamentais para a saúde da mulher 

 

Quando o assunto é câncer de mama, separar informação confiável de conteúdos sem respaldo científico pode ser um desafio. A relevância do tema também se reflete nos números: segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA)¹, são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a doença é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no país, representando cerca de 30% dos casos estimados para esse grupo. 

Em meio ao grande volume de conteúdos compartilhados diariamente na internet e nas redes sociais, nem sempre é fácil distinguir informações confiáveis de mitos que podem gerar dúvidas e desinformação. Nesse contexto, a iniciativa Laços que Abraçam, da Adium, busca ampliar a conscientização sobre o câncer e reforçar a importância da prevenção, do acesso à informação, do tratamento adequado e do acolhimento de pacientes e familiares. A iniciativa aborda diferentes tipos de câncer, incluindo o câncer de mama, e busca contribuir para uma jornada de cuidado mais informada e acolhedora. 

“Conhecer os principais fatores de risco, reconhecer possíveis sinais de alerta e buscar orientação profissional são atitudes importantes para cuidar da saúde das mamas. Cuidar da saúde de forma integral e manter um acompanhamento regular são fundamentais para que cada mulher receba orientações individualizadas e faça os exames mais adequados às suas necessidades e ao seu momento de vida.”, explica Dr. Luiz Ayrton Santos Júnior, médico mastologista e presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), instituição com 20 anos de atuação em prol dos direitos das pacientes com câncer de mama e responsável pela organização da maior campanha de Outubro Rosa do Brasil. 

O câncer de mama está associado a uma combinação de fatores de risco, que envolvem aspectos hormonais e reprodutivos, estilo de vida, exposições ambientais e características hereditárias e genéticas. Segundo o INCA, a idade, especialmente a partir dos 50 anos², está entre os principais fatores de risco, mas não é o único aspecto que deve ser considerado. Outros fatores relacionados à exposição hormonal ao longo da vida também podem influenciar o risco de desenvolvimento da doença. 

“Diante de tantas variáveis, algumas informações sobre o câncer de mama acabam sendo simplificadas ou interpretadas de forma equivocada. Esta preocupação com o acesso a dados verídicos e com sustentação científica é, inclusive, o foco da campanha de Outubro Rosa da FEMAMA deste ano: ‘É Preciso Saber Pra Viver’. Desmistificar a doença é fundamental para proporcionar o diagnóstico precoce, favorecer melhores prognósticos e apoiar não só a mulher em jornada oncológica, como também seus familiares, profissionais da saúde e tomadores de decisão”, reforça o presidente da FEMAMA. 

Para ajudar a separar fatos de crenças, confira alguns mitos e verdades sobre a doença:

 

1- Seios pequenos reduzem o risco de câncer de mama?

Mito. O tamanho dos seios não está diretamente relacionado ao risco de desenvolver câncer de mama. A doença pode afetar mulheres com seios pequenos, médios ou grandes. O risco está mais relacionado a fatores genéticos, hormonais e ambientais. Por isso, independentemente do tamanho das mamas, é importante conhecer os fatores de risco, observar possíveis alterações e manter os cuidados de saúde e o acompanhamento recomendados para cada mulher.

 

2- Nem todo caroço na mama significa câncer?

Verdade. Nódulos podem ter diferentes causas e, por isso, qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional de saúde.

 

3- O câncer de mama sempre causa dor nos seios?

Mito. Outro equívoco comum é a crença de que o câncer de mama sempre causa dor nos seios. Na realidade, muitas mulheres com câncer de mama não experimentam dor nas fases iniciais da doença. Dor nos seios pode ser causada por uma variedade de razões, não apenas pelo câncer. Portanto, não é a presença ou ausência de dor que deve ser usada como único indicador para avaliar o risco de câncer de mama.

 

4- O câncer de mama pode provocar alterações na pele?

Verdade. Alterações como inchaço, retrações, deformações ou uma textura semelhante à “casca de laranja” podem ser sinais de alerta e merecem avaliação médica.

 

5- O uso de desodorantes pode causar câncer de mama?

Mito. Não há evidências científicas de que o uso de desodorantes cause câncer de mama.

 

6- A secreção pelo mamilo fora do período de amamentação deve ser investigada?

Verdade. Toda secreção que surge espontaneamente merece atenção, principalmente quando apresenta sangue, e deve ser avaliada por um profissional de saúde.

 

7- O uso de sutiãs apertados pode causar câncer de mama?

Mito. Não há evidências científicas de que o uso de sutiãs apertados cause câncer de mama. O câncer está relacionado a uma combinação de fatores, como os genéticos e ambientais, e não ao uso de roupas íntimas.

 

8- Um nódulo na mama ou na axila pode ser sinal de câncer de mama?

Verdade. Um nódulo na mama ou na axila, geralmente sólido, indolor e que apresenta crescimento progressivo, é um sinal que deve ser investigado por um profissional da saúde.

 

9- Apenas mulheres mais velhas podem desenvolver câncer de mama?

Mito. Embora o risco de câncer de mama aumenta com a idade, esta doença não é exclusiva das mulheres mais velhas. O câncer de mama pode afetar mulheres de todas as idades, incluindo aquelas na faixa etária mais jovem. Por isso, é importante que as mulheres estejam atentas à sua saúde e realizem exames regulares.

 

10- Toda secreção pelo mamilo, fora do período de amamentação, deve ser investigada?

Verdade. A atenção deve ser ainda maior quando a secreção surge espontaneamente ou apresenta sangue.

 

 Conheça o trabalho da FEMAMA aqui.  

Referências:

1 . INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Perfil epidemiológico da incidência de câncer no Brasil e regiões: estimativas para o triênio 2026-2028. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, 2026. Disponível em: Link . Acesso em: 2 out. 2026

 2. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil - Síntese de resultados e comentários. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 28 set. 2026.  



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