5ª Seafood Show
Latin America inicia com presença de ministro da Pesca e embaixadores da
Noruega, Vietnã e Chile
Ao participar da abertura da quinta edição da
Seafood Show Latin America 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, que ocorre
até quinta (22/10), o ministro da Pesca e Aquicultura, Rivetla Edipo Araujo
Cruz, afirmou que “o pescado do Brasil nasceu para ser protagonista no mercado
global podendo ampliar a produção e a presença em mercados internacionais”. O
ministro classifica o pescado como uma cadeia estratégica não apenas pelo seu
baixo impacto ambiental, mas por se tratar da proteína animal mais consumida no
mundo.
Edipo Cruz lembrou que o segmento envolve 1,7
milhão de pescadores, 35 mil aquicultores e mais de 1000 indústrias e
frigoríficos, sendo responsável pela produção de 1,4 milhão de toneladas.
“Avançou muito, mas há um enorme potencial a ser explorado”, disse, destacando
as ações já implementadas como a retirada de impostos incidentes sobre a ração,
permitindo isonomia com outras atividades, a desburocratização no licenciamento
ambiental e a inclusão do pescado na cesta básica e na merenda escolar.
O ministro enalteceu as exportações brasileiras de
pescados, de US$ 476 milhões, fruto da diversificação de produtos e de 700
novos mercados, destacando a luta pela conquista do mercado da União Europeia,
uma meta que, segundo ele, está muito próxima de ser alcançada.
O presidente da Câmara Setorial da Produção e
Indústria do Pescado do Ministério da Agricultura e Pecuária, Eduardo Lobo,
concorda com a necessidade de ampliar a presença global do segmento que cada
vez mais ganha o reconhecimento internacional e seu papel de fornecedor de
alimentos. E aproveitou a oportunidade para apresentar a marca Brazil Natural Seafood,
resultado do empenho da Apex para garantir o alcance de novos mercados.
A solenidade de abertura da Seafood Show Latin
America 2026 também contou com a presença dos embaixadores do Chile Issa Kort,
da Noruega, Kjetil Elsebutangen, e do Vietnã, Bui Van Nghi, que ressaltaram a
qualidade e sanidade do pescado brasileiro e o interesse mútuo de ampliar as
relações de troca através de novos e continuados acordos comerciais.
Para Fernando Ruas, CEO da Francal, há esforços dos
governos para implementar o pescado no Brasil, mas, a seu ver, falta um plano
de Estado de longo prazo capaz de processar a produção em território brasileiro
aumentando a industrialização da riqueza natural abundante no País. O
Head da Seafood Show Latin America 2026, Ricardo Torres, classificou o evento
como um sonho coletivo e anunciou para a próxima edição, em 2027, a
incorporação do setor primário otimizando os investimentos dos expositores e os
negócios realizados.
Geopolítica,
tarifas e comércio internacional
Os efeitos de tarifas, disputas comerciais e
relações internacionais sobre competitividade, exportações e acesso a mercados
e como governos e empresas podem reagir a esse ambiente mais instável foram
debatidos por Pablo Barahona, diretor internacional do Consejo del Salmón; Jairo
Gund, CEO da Abipesca; e Eduardo Sfoglia, assessor Internacional do Ministério
da Pesca e Aquicultura (MPA); sob a mediação de Ricardo Torres, head da Seafood
Show Latin America.
O Chile é o maior produtor mundial de salmão,
respondendo por 35% da produção global e o Brasil é o segundo mercado para o
Chile. “Há diferença de hábitos de consumo porque enquanto no Japão o salmão é
consumido no café da manhã e nos Estados Unidos, em pratos específicos, no
Brasil a força está no sushi, em especial nos grandes centros, com São Paulo
respondendo por 24% do total comercializado”, detalhou Barahona.
Nessa relação, a principal preocupação hoje é com a
Reforma Tributária, que define alíquota de 26,5% em implementação gradual até
2033. A meta é incluir o pescado na cesta básica nacional de modo a ver zerada
a alíquota do IVA Dual.
O CEO da Abipesca focou no impacto do setor com as
tarifas definidas pelos EUA. “Inicialmente fomos beneficiados com a
exportação de camarão, mas a situação se reverteu. Como entidade, conseguimos
abrir espaço para apresentar o contraponto, pois o peixe é 1% do importado do
Brasil pelos EUA. Nossa argumentação valeu a exclusão da tarifa”, historiou
Gund, destacando a impossibilidade de definir cenário para 2027.
Baseando-se em uma análise histórica da evolução
das relações comerciais globais, que passaram a se caracterizar pela
polarização em EUA e China, com decisão unilateral dos EUA que em outras épocas
seria punido, Sfoglia agregou às barreiras tarifárias outras que não eram
usuais e envolvem aspectos discriminatórios diversos. O caminho adotado pelo
governo brasileiro caracterizou-se pela negociação.
Especificamente na relação com o Chile, Sfoglia
recomenda a busca de “equilíbrio do que é bom para os dois países e vê
complementariedade, pois não faltam oportunidades".
Tradição
japonesa
A feira, que reúne empresas e profissionais de
diferentes segmentos da cadeia do pescado promove atrações que combinam
negócios, conhecimento técnico, gastronomia e valorização dos profissionais do
setor. Um deles é o Campeonato Brasileiro de Sushi, idealizado pela Associação
Geral do Sushi, entidade criada para fortalecer os profissionais, restaurantes
e distribuidores de culinária japonesa no Brasil, em parceria com o World Sushi
Skills Institute e apoiado pela Nagoya Sushi School e a Seafood Show Latin
America, propagando a verdadeira culinária japonesa, resgatando técnicas
milenares. “Vamos realizar a competição com sushichefs para mostrar suas
técnicas na elaboração do sushi Edomae, tradicional do Japão”, diz Hiro Ozono,
organizador da disputa.
O sushi Edomae é um estilo tradicional de sushi
originário do século XIX na antiga Edo (atual Tóquio), desenvolvido
inicialmente como uma espécie de "fast-food" de rua para pescados
frescos da baía local, antes da invenção da refrigeração.
No primeiro dia da feira foi realizado o Seminário
“Proficiência em Sushi”, e a “Cerimônia Kaitai”, que trouxe para a feira um
Atum Bluefin de aproximadamente 260 quilos, considerado um dos maiores já
vistos no brasil, ambas programações com a condução do Sensei Hirotoshi Ogawa,
diretor do AJSA Sushi Skills Institute e organizador da Copa do Mundo de Sushi
no Japão. Em seguida aconteceu os seminários “Toguido, o caminho da afiação:
Katana”, com Rodrigo Batista, sobre a afiação tradicional japonesa, e
“Qualidade na ponta da faca”, com César Calzavara, veterinário e consultor.
“Nossa intenção foi mostrar a importância da afiação das facas na produção do
sushi.
Nesta quarta-feira (21) acontece o 1º dia de
competição, com 22 sushichefs de várias regiões do Brasil, divididos em duas
baterias de 11 competidores. “Eles vão apresentar suas técnicas para juízes
japoneses, que vieram especialmente para a disputa”, afirma Ozono.
Os 10 finalistas vão apresentar, na quinta-feira
(22), a partir das 14h, o sushi criativo, de acordo com Ozono. “Nessa fase eles
deverão mostrar suas habilidades em criar algo novo dentro da técnica Edomae.”
O vencedor ganhará uma viagem para participar do Campeonato Mundial de Sushi em
agosto de 2028, em Tóquio.
Sobre a Seafood Show Latin
America
Data: 20 a 22 de outubro
Horário: das 13h às 20h
Local: Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209,
Santana, São Paulo/SP
Site: https://seafoodshow.com.br/

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