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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Suborno: uma ferida ética que pode matar sua empresa



A maioria dos crimes de corrupção, sobretudo os que se concentram no alto escalão das empresas e da política, envolvem o suborno. Essa, infelizmente, é uma prática comum em diversos países, esferas e existe desde quase sempre. A ideia de se ganhar algo “a mais”, do que o combinado parece até natural em algumas negociações.

Não é incomum que negócios sejam fechados em algumas empresas, enquanto um “bônus” é negociado em meio a festas com prostitutas e drogas, que também integram parte das táticas de convencimento do cliente, e é claro do suborno. A vantagem tem que ser observada. O caso é que tais métodos são, muitas vezes, ilegais, mas em sua totalidade antiéticos.

A vida profissional é feita de escolhas. Estamos o tempo inteiro escolhendo, e com isso construindo nossa conduta. Diversos pormenores envolvem cada situação, e o limite entre e o ético e o antiético, o legal e o ilegal, muitas vezes é tênue. Nem sempre são situações escrachadas como a que citei acima. Se fosse simples escolher não haveria porque falar de suborno, ou questionar atitudes que constroem uma conduta antiética.

O caso é que mesmo que se respeite a lei, a postura que foge da ética ainda marca a empresa, criando uma ferida que pode fazê-la sangrar sem que se perceba, e quando uma situação de definição se apresentar, a empresa pode não resistir à reputação que se criou em cima dela.

Dentro dos projetos e seus prazos e orçamentos, transitamos entre ações de responsabilidade. Ao questionar o suborno com prática dentro de empresas e organizações públicas, questionamos a responsabilidade que foi ou não levada em conta em uma decisão. Uma empresa irresponsável se faz pouco confiável, indigna de novos clientes e por vezes abandonada por clientes antigos.

Há duas questões a se considerar no quadro geral: a reputação e o suborno. A reputação considera o agora e o médio/longo prazo, determinando uma visão micro e macro das situações. É preciso considerar uma dupla reflexão, considerando vantagens e desvantagens do agora e do depois para que se tome uma decisão que não afete negativamente a reputação de uma empresa.

Já o suborno, em si, nada mais é do que receber ou oferecer algo de valor aonde se responde a expectativas egocêntricas de imediato, em curto prazo. O suborno está ligado a vantagens de um diminuto grupo de pessoas. O suborno só considera o universo micro das situações. O ganho imediato ofusca de forma a seduzir, sem pensar que consequências posteriores podem custar vidas, empregos, mais dinheiro, e até mesmo a própria empresa.

A conduta, idealmente, deve transitar pela lei e ética. No caso da lei, quando esta é quebrada há consequências mais imediatas, como multas, dívidas ou perdas. Ele traz grandes prejuízos e por isso o suborno nem sempre transgride sua esfera, pois as consequências são pesadas. É por isso que o campo fértil é quando o suborno esbarra no antiético apenas, pois suas consequências são menos imediatas, não geram prejuízos em curto prazo ligados ao crime.

A lei responde com a multa, e a ética com valores e a identidade da empresa. O problema é que esse ultimo não é visível “no bolso”, por assim dizer. Ao menos não diretamente, já que a reputação começa a ser afetada, e ai sim, contratos novos serão perdidos.

Sempre que se está diante de uma situação de suborno se deve considerar: a prudência, a honestidade, autenticidade (não quebrar protocolos), a responsabilidade. Se você consegue convidar esses quatro princípios à sua tomada de decisão eles te blindarão contra uma atitude do suborno no âmbito ético.

É necessário que essas coisas sejam trazidas à discussão para o esclarecimento. Pensar o suborno é conduzir uma empresa de forma realmente honesta no dia a dia. É importante lembrar que a ética antecede a lei, e por isso que sendo ético não se fere a lei, e há a certeza de que tanto no imediato, quanto no futuro, a empresa não sofrerá por atitudes mal tomadas no presente.

A quebra da reputação raramente é recuperada, sobretudo quando se tratando de suborno. Isso deveria ser mais questionado no dia a dia empresarial, afinal dentre todos os funcionários, ate que ponto isso é claro em cada um? Alguém já questionou isso dentro de sua empresa? Se não, o que é a maioria dos casos, sua empresa está vulnerável e suscetível ao suborno e outras práticas de corrupção.

É papel da ética interiorizar isso, gerando valores na empresa que a acompanharão para um futuro próspero e sem riscos.




Samuel Sabino - fundador da consultoria Éticas Consultoria, filósofo, mestre em bioética e professor.




A ÚNICA VERDADE INCONTESTÁVEL É QUE NÃO EXISTEM VERDADES INCONTESTÁVEIS



Estou escrevendo este artigo de Atlanta, na Geórgia, EUA, onde acontece a edição anual de um dos mais importantes congressos acadêmicos de administração e negócios do mundo, a Academy of Management. São mais de 10 mil participantes que compartilham seus estudos nas diversas áreas de negócios e administração por 4 dias intensos de trabalhos e reuniões. Em meio a todas as apresentações e leituras de artigos, parei para refletir sobre a importância do conhecimento científico no avanço das técnicas e práticas que líderes e empreendedores se apropriam para melhorar a gestão de seus negócios e cheguei à triste conclusão de que talvez estejamos fazendo mais mal ao mundo do que bem com nossos estudos.

Veja, por exemplo, um estudo publicado no portal UOL recentemente: Maioria das mulheres entre 18 e 24 anos se considera feminista. O estudo foi feito pela agência de mídia UM London e se baseou em mais de 2.000 entrevistas no Reino Unido. Você lê a matéria e, por diversos motivos, mas principalmente, por ser um estudo feito por um instituto de pesquisa, você acredita nestes resultados e assume como verdade. Bem, nós acadêmicos temos uma série de questionamentos sobre esta tal ‘verdade’, e para ter certeza de que a pesquisa é realmente um retrato da realidade, precisamos perguntar: Mas quem exatamente foi entrevistado? Onde estas entrevistas foram feitas? Que perguntas foram feitas? Qual foi o objetivo do estudo? Dependendo das respostas destas e de outras perguntas, podemos desqualificar totalmente estes resultados.

Isso acontece o tempo todo, seja baseado em uma pesquisa acadêmica ou um estudo não acadêmico, assumimos como verdade muito do que ouvimos. Estas verdades se tornam nossos paradigmas, nossas convicções, nossas crenças, mas não me entendam mal, paradigmas são bons porque retratam padrões na realidade em que a sociedade se baseia para definir suas regras de convivência. Assim, existem os paradigmas de que precisamos andar vestidos na rua, que não devemos matar, que precisamos trabalhar para ter dinheiro para sobreviver, que existe uma unidade da sociedade chamada de família e assim por diante, sem os paradigmas nossa vida seria um caos.

Quando falo que muitas destas verdades que se tornam nossos paradigmas podem estar fazendo mais mal do que bem, me refiro a um lado ruim do paradigma que é a chamada ‘paralisia de paradigma’, quando acreditamos que uma verdade é a única e incontestável verdade que existe. Por muitos anos, acreditamos, devido a estudos científicos, que o sistema solar era composto por 9 planetas, mas são 8. Acreditamos que a matéria assume 3 estados, sólido, líquido e gasoso, mas isso não é verdade, existem estados intermediários além destes. Acreditamos que as cores primárias são o vermelho, o amarelo e o azul, mas na verdade são o ciano, o magenta e o amarelo.

As verdades absolutas definiram muito do que somos, mas se estivéssemos presos a elas, nossa sociedade nunca avançaria. Ninguém mais inventaria nada em 1899 porque Charles Duell, chefe da Secretaria de novas patentes dos EUA disse que seu departamento poderia ser fechado porque não existia mais nada para ser inventado. O cinema não seria o que é hoje porque seus inventores, os irmãos Lumiere, achavam que seu invento não tinha nenhum valor comercial. Da mesma forma, a TV não teria o poder que tem hoje porque a Revista Times publicou um artigo dizendo que o invento era interessante, mas a família americana média não teria tempo para ficar horas na frente do aparelho.

Vamos fazer um exercício mais prático para você entender o meu ponto de vista. Pense em uma verdade incontestável, algo que você acredita cegamente, como: ‘Chia faz bem para a saúde’, ‘pessoas ricas são mais felizes’, ‘Se eu tomar banho de noite, durmo melhor’, qualquer coisa. Sua verdade incontestável não precisa vir de um estudo ou de algo que você leu ou ouviu, pode ser baseado apenas em suas próprias crenças e experiências pessoais, mas já é suficiente para gerar um estrago na sua vida. Como saber se é uma paralisia de paradigma que pode estar atrapalhando você? Existem vários testes, mas o mais fácil e clássico é descobrir se outras pessoas pensam diferente de você. Se você acha que fica bem de barba e todos à sua volta, amigos, família, falam que não, talvez seja uma paralisia de paradigma sua. Se você acha que puxar o saco do chefe aumenta suas chances de promoção, mas todos os seus colegas aconselham você a não ir por este caminho, pode ser uma paralisia de paradigma te levando a tomar decisões erradas. Em outras palavras, a paralisia de paradigma é a sua teimosia em não aceitar o que todo mundo diz, não ser flexível o suficiente para assumir que você pode estar errado no seu jeito de pensar e no seu jeito de fazer as coisas.

Assim como estudos científicos podem estar errados, suas crenças pessoais podem estar equivocadas também. Ou podem ter feito sentido no passado, mas agora a realidade é outra e você precisa mudar o seu jeito de pensar. Paralisias de paradigmas nos impedem de fazer mudanças significativas, nos prendem ao passado, limitam nossa capacidade de inovar e travam o nosso crescimento pessoal. Quando aprendemos a identificar nossas paralisias de paradigmas aprendemos que nossas mais absolutas verdades e crenças podem ser questionadas e que não existem verdades incontestáveis. A única verdade incontestável que existe é que não existe verdade incontestável.






Marcos Hashimoto - Co-fundador da Polifonia e Professor de Empreendedorismo da Universidade de Indianapolis




O pai moderno: mais participativo e companheiro



 Segundo especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana, o maior envolvimento desde o estágio inicial da gravidez é resultado de novas manifestações da Síndrome de Couvade


O mundo mudou, o papel social das mulheres e dos homens mudou e, por consequência, novos modelos familiares surgiram. O papel do pai na sociedade e na família evoluiu e agora a divisão de tarefas e responsabilidades ficou mais equilibrada. A figura do pai como provedor está cada vez mais em desuso e o que vemos é o nascimento de pais mais participativos e companheiros desde a descoberta da gravidez.

“Nesse novo modelo de paternidade podemos dizer que o homem também engravida”, afirma o Dr. Alberto D’Áuria, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, “a ansiedade pela chegada do bebê, aliada a uma forte ligação afetiva com a parceira, transfere para o marido uma série de sensações gestacionais. Isso é resultado de uma transformação social importante, que fez com que os pais participassem bem mais da gravidez. Os homens passaram a acompanhar as consultas e o pré-natal, participam dos cursos de gestante e fazem tudo o que podem para acompanhar o processo", conta.

As maternidades precisaram acompanhar as mudanças e desenvolver um ambiente mais acolhedor e inclusivo para os futuros papais. Nesse sentido, a maternidade Santa Joana foi pioneira na valorização dos pais.

Segundo D’Áuria, esse aumento na participação é uma nova manifestação do que é conhecido na literatura como Síndrome de Couvade. Não se trata de uma patologia, mas sim da incorporação, por parte do homem, de um conjunto de sintomas durante a gestação de sua companheira. Em alguns casos mais raros há sintomas físicos semelhantes ao da gravidez, como ganho de peso, enjoos, desejos e mudanças de humor.

Em 1865, um antropólogo francês utilizou o termo Couvade pela primeira vez para descrever os hábitos observados em comunidades primitivas. Os homens dessas comunidades performavam rituais "imitando" suas mulheres grávidas, simulando as dores do parto e a amamentação.

Algumas vertentes afirmam que a síndrome é uma forma do homem reduzir as diferenças sexuais que ocorrem durante a experiência da gravidez e do parto. Pesquisas indicam que a metade da população de futuros pais (54%) desenvolve alguns sintomas relativos à Síndrome de Couvade.

Atualmente, a necessidade de acolhimento e inserção do pai na vida do bebê é visível desde os primeiros meses de gravidez e sua participação deve ser fomentada após o nascimento da criança.
“No pós-parto, é fundamental que o papai participe de atividades como o banho do bebê, a troca da fralda e as consultas pediátricas, tudo isso vai ser fundamental para criação do vínculo com seu filho.”, finaliza Dr. D’Áuria.





Hospital e Maternidade Santa Joana




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